Vilmorin apresenta nova variedade de tomate chuca Autor(es): Publicado por: URL persistente: Pepino, João Nuno Publindústria URI:http://hdl.handle.net/10316.2/25623 Accessed : 28-Sep-2017 20:59:37 A navegação consulta e descarregamento dos títulos inseridos nas Bibliotecas Digitais UC Digitalis, UC Pombalina e UC Impactum, pressupõem a aceitação plena e sem reservas dos Termos e Condições de Uso destas Bibliotecas Digitais, disponíveis em https://digitalis.uc.pt/pt-pt/termos. Conforme exposto nos referidos Termos e Condições de Uso, o descarregamento de títulos de acesso restrito requer uma licença válida de autorização devendo o utilizador aceder ao(s) documento(s) a partir de um endereço de IP da instituição detentora da supramencionada licença. Ao utilizador é apenas permitido o descarregamento para uso pessoal, pelo que o emprego do(s) título(s) descarregado(s) para outro fim, designadamente comercial, carece de autorização do respetivo autor ou editor da obra. Na medida em que todas as obras da UC Digitalis se encontram protegidas pelo Código do Direito de Autor e Direitos Conexos e demais legislação aplicável, toda a cópia, parcial ou total, deste documento, nos casos em que é legalmente admitida, deverá conter ou fazer-se acompanhar por este aviso. impactum.uc.pt digitalis.uc.pt
HORTOFRUTICULTURA & FLORICULTURA VILMORIN APRESENTA NOVA VARIEDADE DE TOMATE CHUCHA Por: João Nuno Pepino (texto e fotos) VILMORIN REALIZOU DIA DE CAMPO PARA DAR A CONHECER O SIR ELYAN C hama-se Sir Elyan F1 e designa a variedade com que a Vilmorin pretende ganhar quota de mercado e reconhecimento no sector do tomate. A empresa multinacional, uma das maiores do mundo na produção e comercialização de sementes para profissionais, realizou um dia de campo no passado dia 21 de Junho, na empresa Horticerca, em Torres Vedras, onde deu a conhecer a sua nova variedade de tomate chucha. Cerca de 100 convidados, entre produtores, técnicos, comerciantes, viveiristas e até alunos da Escola Profissional de Torres Vedras tiveram a oportunidade de conhecer in loco os resultados dos primeiros ensaios de campo com o Sir Elyan na zona Oeste, a área do país de excelência na produção de tomate em estufa. Queremos que os clientes e os profissionais do sector, que já nos reconhecem sobretudo pela cenoura e pela alface, comecem também a identificar-nos como uma empresa forte no tomate chucha, disse à AGROTEC Sandra Marques, da Vilmorin, explicando os objectivos do open day, o primeiro de sempre que a empresa dedicou a este produto hortícola. Líder de mercado a nível da cenoura e com uma quota de mercado interessante no que diz respeito à alface-batávia, a Vilmorin quer ganhar quota de mercado no tomate, apresentando o Figura 1 Cacho de Sir Elyan F1
HORTOFRUTICULTURA & FLORICULTURA Sir Elyan como ponta de lança. Os resultados são, para já, francamente positivos. Estamos a tentar apresentar um produto com maior qualidade e, com isso, ir ganhando a pouco e pouco o nosso espaço no mercado, junto dos produtores, explica Sandra Marques, sublinhando que o Sir Elyan tem como principais pontos fortes a resistência a várias doenças, a qualidade do fruto e a tolerância a alguns acidentes fisiológicos que podem depreciar comercialmente produções inteiras de tomate. Esta variedade, que produz frutos um pouco mais alongados em cachos muito bem formados, tem uma resistência elevada ao TSWV:0 (o vírus do bronzeado do tomate), ao ToMV (vírus do mosaico do tabaco), à verticiliose e à fusariose vascular, segundo a informação científica disponibilizada pela empresa. O TSWV, por exemplo, que faz com que as plantas fiquem ananicadas e não se desenvolvam normalmente, é uma doença que afecta bastante esta zona. Ora, ter uma variedade com uma elevada resistência é sempre uma segurança para o produtor e um forte argumento de venda, afirma Sandra Marques, destacando ainda o facto do Sir Elyan apresentar uma tolerância intermédia, verificada na prática, a acidentes fisiológicos como o blotchy ripening e ao blossom end rot (uma carência de cálcio que se manifesta nas extremidades do fruto). comercialização podem provocar mudanças nos hábitos alimentares, defende Sandra Marques. Desde que o tomate chucha tenha maior presença nos pontos de venda, onde as pessoas o vejam e reconheçam como um produto com qualidade, a tendência será para que cada vez mais consumidores o experimentem e comprem, explica a responsável, para quem a comercialização pode perfeitamente ter uma influência directa nas necessidades do mercado. Esta variedade de tomate chucha apresenta uma forte aptidão para exportação, por duas ordens de razões. Em primeiro lugar, porque é bastante apreciado em mercados estrangeiros, casos da Itália, da Polónia e da Rússia, onde as variedades de tomate que podem ser colhidas em cacho são mais valorizadas pelos compradores. E também, em segundo lugar, porque pode ser colhido em verde sem perder a qualidade orgânica, o que permite enviá-lo para destinos mais longínquos mantendo as suas principais características alimentares. Além de poder ser apanhado em verde, este tomate chucha pode ser colhido a mudar de cor (a pintar, ou pintón, como dizem os espanhóis) e mesmo já vermelho, consoante destino que se lhe queira dar. O mercado italiano, onde este tipo de fruto é bastante apreciado, é uma forte hipótese a ter em conta para os produtores, adianta Sandra Marques. Figura 2 Gama de Especialidade de Tomate Vilmorin OBJECTIVO: CONQUISTAR QUOTA DE MERCADO Em termos de concorrência, no que se refere ao tomate chucha, o líder do mercado das sementes detém uma quota que rondará os 90%, actualmente. O objectivo da Vilmorin passa precisamente por tentar ganhar-lhe algum espaço, até porque se prevê que o mercado, já de si pequeno, não cresça significativamente nos próximos anos. Em Portugal, em termos de tipologias, a maior área de produção é dedicada ao tomate redondo, seguida pelo tomate de cacho e só depois aparece o tomate chucha, ainda muito pouco expressivo em termos globais. Tendo pleno conhecimento desta realidade, a Vilmorin quer ser precisamente reconhecida como uma empresa de especialidades nos nichos e segmentos mais pequenos do mercado, explica Sandra Marques. Até porque o Sir Elyan, sendo destinado aos mercados de frescos para confecção de saladas, apresenta outras características importantes que podem despertar a atenção dos consumidores mais exigentes e selectivos. O fruto é muito carnudo, muito sumarento, tem um excelente sabor e um cheiro intenso a tomate, frisa a engenheira da Vilmorin. VARIEDADE ADAPTA-SE ÀS EXIGÊNCIAS DE QUALQUER MERCADO As preferências do consumidor nacional recaem muito mais sobre o tomate redondo, mas o aumento da produção de tomate chucha e o próprio desenvolvimento dos seus circuitos de 56 Figura 3 Cristina Lima com os alunos da Escola Agrícola Profissional de Torres Vedras
BALANÇO DO PRIMEIRO ANO DE COMERCIALIZAÇÃO Para já, a comercialização está a correr bem e estamos satisfeitos com os resultados. Os números estão dentro daquilo que tínhamos projectado, até porque ainda só temos os resultados da primeira campanha e estamos optimistas em relação à plantação de Verão, que deverá ocorrer em Julho e Agosto, afirma Sandra Marques. A tolerância do Sir Elyan ao blossom and rot, acidente que se manifesta mais nas campanhas de plantação de Verão, pode ser uma vantagem importante para esta variedade, adianta a responsável. Figura 4 Equipa Vilmorin em Portugal - Cristina Lima, Sandra Marques, Oscarina Cunha e Henriqueta Townshend Na verdade, esta variedade já é comercializada desde Julho de 2011, depois de um ano de investigação e desenvolvimento liderada pela equipa da Vilmorin Ibérica, filial a que pertencem as responsáveis da multinacional em Portugal. O Sir Elyan F1 é um melhoramento da variedade Lancelot, desenvolvida com grande sucesso pela Vilmorin Itália. Nós só dedicámos um ano de desenvolvimento da tipologia porque estávamos bastante confiantes que íamos ter sucesso nos resultados. Se os resultados foram positivos em Itália, não havia razão para que em Portugal não o fossem, explica Sandra Marques. Depois desta fase, as sementes foram deitadas à terra e no campo de ensaio da Horticerca em Torres Vedras, foram utilizadas plantas enxertadas a dois braços e num porta-enxerto que é também de Vilmorin, o Superpro. Os resultados estão à vista e deixam a multinacional com a sensação de dever cumprido e já a traçar planos para começar o desenvolvimento de tomate cacho e tomate cherry, tipologias que estiveram em exposição nesta acção de promoção.