CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS

Documentos relacionados
CONFLITO APARENTE DE NORMAS

AULA 11. Aproveitando essa questão de exaurimento, vamos estudar algumas peculiaridades:

NOÇÕES GERAIS DE PARTE GERAL DO CP E CPP ESSENCIAIS PARA O ENTENDIMENTO DA LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL

Direito Penal CERT Regular 4ª fase

DIREITO PENAL. 1. Roubo art. 157, CP:

Classificação das Infrações Penais.

1. CRIMES QUALIFICADOS OU AGRAVADOS PELO RESULTADO. Art. 19 do CP Agente deve causar pelo menos culposamente.

EU NÃO SONHEI COM O SUCESSO EU TRABALHEI PARA ELE

Direito Penal. Crime Doloso

Ponto 9 do plano de ensino

Direito Penal. Estelionato e Receptação

ROTEIRO DE ESTUDO DIREITO PENAL : PARTE ESPECIAL. Prof. Joerberth Pinto Nunes. Crimes contra a Administração Pública

A pessoa que possui apenas o desejo de praticar um fato típico. criminosa, motivo pelo qual não são punidos os atos preparatórios do crime.

TEMAS - STJ DIREITO PENAL

Direito Penal. Introdução aos Crimes Contra a Dignidade Sexual e Delito de Estupro

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL

DESISTÊNCIA ARREPENDIMENTO

Crimes contra o Patrimônio Receptação

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES

RODRIGO JULIO CAPOBIANCO

Superior Tribunal de Justiça

CONCURSO DE CRIMES DIREITO PENAL. Cléber Masson + Rogério Sanches + Rogério Greco

PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA. Base de uma visão do DP: DP mínimo, que se desdobra em:

TÍTULO VI CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL

CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL

Direito Penal. Concurso de Crimes

Elementos de. Direito PENAL MILITAR PARTE ESPECIAL *** ~. ~n ED,ITORA. \t3j.i. METODO

NOÇÕES DE DIREITO PENAL TIPICIDADE, RESULTADO E NEXO CAUSAL. 1) (Analista de Controle Externo - TCE-AP FCC) Denomina-se tipicidade

Sanches Cunha-Manual de Dir Penal-Parte Especial-8ed.indd 1 07/01/ :38:29

XXII EXAME DE ORDEM DIREITO PENAL PROF. ALEXANDRE SALIM

sumário 1 PRINCÍPIOS E CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PENAL APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO TEORIA GERAL DO CRIME...

DIREITO PENAL IV - CCJ0034

CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

Direito Penal. Extorsão e Extorsão Mediante Sequestro

MARTINA CORREIA DIREITO PENAL EM TABELAS PARTE GERAL COORDENAÇÃO: MILA GOUVEIA. 3ª edição: revista, atualizada e ampliada

DOS CRIMES CONTRA A PESSOA

Direito Penal Dr. Caio Paiva Aprovado no Concurso para Defensor Público Federal

CURSO DE DIREITO 1 PLANO DE ENSINO. Disciplina Carga Horária Semestre Ano Direito Penal I 80 4º 2015

Direito Penal. Polícia Rodoviária Federal

2) Consequência principal: sempre exclui o dolo. Obs: Erro mandamental: Recai sobre a posição de garantidor ( omissivo proprio)

CRIMES HEDIONDOS. Conceito. Sistema Legal (art. 5º, inc. XLIII, CF) Sistema Judicial Sistema Misto

Direito Penal. Furto e Roubo

Sumário. Coleção Sinopses para Concursos Guia de leitura da Coleção... 19

Regência: Professor Doutor Paulo de Sousa Mendes Colaboração: Catarina Abegão Alves, David Silva Ramalho e Tiago Geraldo. Grelha de correção

EXERCÍCIOS. I - anistia, graça e indulto; II - fiança.

PARTE I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA

Direito Penal. Consumação e Tentativa

Super Receita 2013 Direito Penal Teoria Geral do Crime Emerson Castelo Branco

TJ - Exercícios Direito Penal Exercícios Emerson Castelo Branco

Sumário PARTE GERAL. Capítulo I DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL Normas penais em branco... 44

PLANO DE CURSO : CRIMES EM ESPÉCIE I (CÓD. ENEX 60121) ETAPA: 4ª TOTAL DE ENCONTROS:

CÓDIGO PENAL MILITAR CFS Cap Rogério. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO Arts

Resolução de Questões PRF Focus Concursos

LEGISLAÇÃO ESPECIAL: DE DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL

DIREITO PENAL IV TÍTULO VI - CAPÍTULO II DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA O VULNERÁVEL. Prof. Hélio Ramos

Polícia Legislativa Senado Federal

Transcrição:

CONFLITO APARENTE DE NORMAS PENAIS

Diferença entre: CONFLITO APARENTE DE ILICITOS PENAIS e CONCURSO DE CRIMES: No CONFLITO APARENTE DE ILICITOS PENAIS: temos um crime, e aparentemente DUAS ou mais leis aplicáveis. O pressuposto obvio é que existam DUAS leis vigentes. Fora disso, não há como se cogitar um conflito aparente de ilícitos penais. Enquanto no CONCURSO DE CRIMES CONCURSO DE CRIMES: temos vários crimes.

Para resolver um conflito aparente de normas, é preciso considerar 4 Princípios: 1. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE 2. PRINCÍPIO DA SUBSIDIARIEDADE 3. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO 4. PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE

ESPECIALIDADE: Ocorre quando uma lei especial revoga (afasta) a lei geral. Lei Especial é a que contém a norma geral e mais algumas especialidades. Ex.: Um sujeito que está dirigindo um automotor e atropela alguém e mata. Usamos o 121 do CP ou o 302 do CTB? R: Usa-se o 302 do CTB, de forma culposa, porque é lei especial. Ex.: Atropelamento com bicicleta (Morte da Vítima). Aplica-se o 121 do CP, porque não é crime de transito. Não aplica o CTB. Foi crime NO trânsito. E se foi no trânsito, quer dizer que não se encaixou no tipo da lei especial de trânsito. Ex.: Crime privilegiado afasta o simples.

SUBSIDIARIEDADE: Ocorre quando uma lei principal derroga a lei subsidiária. Mas, existe a subsidiariedade explicita ou tácita. A explicita ocorre quando a lei expressamente se diz subsidiária. Ex.: Lei do CTB art. 132. (Se o fato não constituir crime mais grave.) Quer dizer que o 132 não existe se o crime for mais grave. Ex.: Art. 15 da Lei de Armas desde que essa conduta não tenha como finalidade a pratica de outro crime. Só aplica o 15 se você disparar por disparar, sem colocar qualquer bem jurídico em risco. Se o tiro foi dado para matar, desconsidere o 15 e considere o CP. O 15 é subsidiário. A tácita ocorre quando um crime menor aparece implicitamente na descrição típica de um crime maior. Ex.: O furto está no roubo. Ex.: O roubo está no latrocínio. Assim, o 1º crime é subsidiário do latrocínio. Logo: o roubo afasta o furto. E se for latrocínio, esqueça o roubo. O maior afasta o menor Este principio é oriundo da Itália. Mas, se ele não for aplicável ao caso, o principio seguinte (Consunção) resolveria aqui no Brasil.

CONSUNÇÃO: Aplica-se para que o crime fim absorva o crime meio. É mais um conflito de lei onde se exclui uma lei e aplica-se a outra.

Hipóteses que podemos ver a Consunção cair em prova: 6.1. O crime consumado absorve a tentativa. 6.2. O crime maior absorve o crime menor. 6.3. A autoria ou co-autoria absorve a participação. (a co-autoria é mais e a participação é menos) 6.4. Em CRIMES PROGRESSIVOS: Aplica-se ainda este principio nos casos de crime progressivo. O crime progressivo ocorre quando um sujeito, para alcançar um crime mais grave, necessariamente passa por um menos grave. Ex.: Homicídio. Ele sempre passa antes pela lesão corporal. O Roubo passa pelo furto. O Latrocínio passa pelo roubo. O delito pelo qual eu passo para chegar ao maior é o CRIME DE PASSAGEM. 6.5. Em PROGRESSAO CRIMINOSA: A Consunção se aplica também aos casos de progressão criminosa. Progressão Criminosa ocorre quando o sujeito quer o delito menor e consuma. Depois, ele delibera o maior e tenta consumá-lo, ou consuma. Ex.: o sujeito quer lesar, vai lá e bate. Quer lesão, vai lá e consuma. Depois, ele diz para a vitima que ela tem que morrer. Ele então delibera o maior e executa.

Diferença entre PROGRESSAO CRIMINOSA E CRIME PROGRESSIVO: No CRIME PROGRESSIVO, a intenção inicial do agente já é o mais; já é o crime maior. Na PROGRESSAO CRIMINOSA, a intenção inicial é o crime menor, e eu consumo o menor, depois eu delibero o maior. Ou seja, na progressão criminosa existe substituição do dolo.

6.6. Em CRIMES COMPLEXOS = ocorre crime complexo quando há fusão de 2 ou mais crimes. Ex.: Roubo lesão + subtração de um bem. Aplica-se o principio da Consunção também. Os dois em separado são crimes autônomos. Mas, o STF entende, por exemplo, que o estupro é um crime complexo = constranger alguém + sexo. Alguns discordam porque entendem que o sexo por si só não é crime. (E o sexo não permitido???) 6.7. No ANTE FACTUM IMPUNIVEL é outra situação de incidência da consunção. Ocorre quando o fato precedente está na linha de desdobramento da ofensa principal, tratando-se da mesma vítima. Ex.: Toques corporais que precedem o estupro. Ex.: Grave Ameaça + estupro. (Ameaçar com a arma que alguém tire a roupa para haver o estupro) Ex.: Se tem coito anal e estupro também, pela jurisprudência atual, há concurso material, porque não tem como um absorver o outro, porque o 1º não é um desdobramento natural do outro. Então, há atentado violento ao pudor + o estupro. Na prática, há quem entenda que é crime formal, ou ainda, crime único (tudo realizado num ato só).

DIFERENCA ENTRE: CRIME PROGRESSIVO E ANTE FACTUM IMPUNIVEL = no Crime Progressivo, o fato precedente é crime obrigatório. Enquanto no Factum Impunível, o fato precedente pode ocorrer, mas, não é obrigatório. Ex.: Um sujeito pode estuprar alguém e não tirar a roupa da vitima (mandou ela levantar a saia, por exemplo), aqui não houve toque corporal precedente ao estupro. No ante factum, o dolo do agente se orienta para a ofensa maior. Ex.: eu quero o estupro, estou indo para o estupro e faço o estupro. Na progressão criminosa, há uma substituição do dolo. Ex.: Antes eu quero X e depois eu quero Y. Isso não existe no ante factum.

6.8. POS FACTUM IMPUNIVEL ocorre quando o mesmo agente, depois de ter afetado o bem jurídico, incrementa a lesão precedente. Ex.: O sujeito furta o objeto, e depois destrói o objeto. Ha aqui um crime ou 2 crimes? É furto? Ou dano? Ou os dois? R: Aplica-se ao crime a absorção. É só furto. Diferença entre POST FACTUM e EXAURIMENTO DO CRIME: No exaurimento, o fato posterior está descrito no tipo penal. Ex.: Extorsão quando o sujeito obtém a vantagem, exauriu. E no pos factum, o fato posterior não esta descrito no tipo. 6.9. O crime fim absorve o crime meio O crime fim absorve o crime meio. Ex.: a falsidade fica absorvida pelo estelionato, quando a falsidade foi o meio fraudulento utilizado para se chegar ao art. 171. Súmula 17 do STJ: QUANDO O FALSO SE EXAURE NO ESTELIONATO, SEM MAIS POTENCIALIDADE LESIVA, É POR ESTE ABSORVIDO.

4. DA ALTERNATIVIDADE: Aplica-se esse principio para o crime múltiplo, variado ou plurinuclear. É o crime que possui vários verbos. O crime campeão, que tem 18 verbos, é o crime de drogas. (art. 33) Por força deste principio, várias condutas (condutas alternativas), no mesmo contexto fático, significam crime único. Todas essas condutas formam um contexto fático único. Em Penal, Alternatividade não tem nada a ver com o Principio da Alterabilidade, significando este que a ofensa ao bem jurídico deve afetar terceiras pessoas.

Fim