ECONOMIA E GESTÃO DO SETOR PÚBLICO MÓDULO 4 CONCEITOS DE EQUIDADE E PROGRESSIVIDADE
Índice 1. Conceitos de equidade e progressividade...3 1.1. Princípio do benefício: impostos específicos... 3 1.2. Princípio da capacidade de pagamento: deve ser regra geral para toda sociedade... 3 1.3. Conceito da neutralidade... 3 1.4. Conceito de simplicidade... 3 2. Os impostos em cascata...4 3. Impostos sobre o Valor Adicionado (IVA)...4 4. Conceitos básicos: o caso do brasil...4 4.1. O conceito de Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP)... 5 4.1.1. Principais conceitos... 5 2
1. CONCEITOS DE EQUIDADE E PROGRESSIVIDADE Como definir uma contribuição justa: 1.1. PRINCÍPIO DO BENEFÍCIO: IMPOSTOS ESPECÍFICOS A contribuição deve ser igual ao benefício gerado pelo consumo do bem público. Por exemplo, será uma eterna discussão o mesmo reajuste das aposentadorias para contribuintes e não-contribuintes. 1.2. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE DE PAGAMENTO: DEVE SER REGRA GERAL PARA TODA SOCIEDADE Ônus tributário deve levar em conta as equidades horizontal e vertical: a) mesma capacidade de pagamento paga o mesmo nível de impostos; e b) as contribuições dos indivíduos devem diferenciar-se conforme suas diversas capacidades de pagamento. Questão: qual é o melhor critério para definir a base de cálculo dos impostos? Fluxo de renda ou consumo ou estoque de riqueza? 1.3. CONCEITO DA NEUTRALIDADE Se considerarmos a renda como Y e a arrecadação via impostos como T, temos: 1.4. CONCEITO DE SIMPLICIDADE Relaciona-se com a facilidade de operacionalização da cobrança de tributos: a) imposto de fácil entendimento para quem tiver que pagá-lo; 3
b) cobrança, arrecadação e processos de fiscalização não devem representar custos administrativos elevados para o governo. Questão: em quem recai a maior parte dos impostos? a) Quanto mais elástica a curva de demanda e menos elástica a curva de oferta, maior parcela dos impostos recai sobre os produtores. b) Quanto menos elástica a curva de demanda e mais elástica a curva de oferta, maior será o ônus tributário para os consumidores. Quanto mais inelástico, menos será possível escapar do aumento de T. Observação: as bases de evidência dos impostos são a renda, o patrimônio e o consumo. 2. OS IMPOSTOS EM CASCATA São os impostos cumulativos, fato que distorce os preços relativos. Dentro do contexto da internacionalização e da globalização, temos os tributos que partem do princípio origem versus o princípio de destino. Observação: prejudica os produtos com um maior número de etapas de produção e distribuição, resultando em distorções produtivas. 3. IMPOSTOS SOBRE O VALOR ADICIONADO (IVA) São os impostos que não incidem nas várias etapas produtivas de forma acumulada, mas sim, e somente, no valor adicionado, caracterizando-se como neutros. Isso significa que evita a bitributação e leva em conta: a) conceito de neutralidade; b) não afeta a competitividade de uma indústria; c) arrecadação de impostos no estágio pré-varejista; d) caráter autofiscalizador IVA pelo crédito fiscal; e) possibilidade de isentar bem de produção. 4. CONCEITOS BÁSICOS: O CASO DO BRASIL A economia brasileira é um laboratório sobre as teorias das finanças públicas. Para darmos início aos estudos desta aula, temos que rever alguns conceitos e fontes de dados como: a) governo são as três esferas, menos as empresas estatais. Já o setor público são as três esferas mais estatais; 4
b) governo central é composto pelo governo federal, INSS e o Banco Central do Brasil. É importante sabermos quais são as estruturas dos governos para podermos entender quais são os instrumentos de cada esfera e sua composição, além do resultado fiscal agregado e desagregado por esfera, por exemplo, o conceito das Necessidades de Financiamento do Setor Público. 4.1. O CONCEITO DE NECESSIDADE DE FINANCIAMENTO DO SETOR PÚBLICO (NFSP) A Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP) é o resultado da diferença entre as despesas e as receitas do governo. Ver Secretaria da Receita Federal (SFR), que gera a receita do governo federal; Secretaria do Tesouro Regional (STN), que consolida os dados da receita e da execução da despesa do Tesouro Nacional; e do INSS, que tem o levantamento das receitas e despesas referentes à Previdência Social da responsabilidade desse mesmo órgão. A Secretaria de Política Econômica (SPE) divulga uma estatística que consolida essas informações e apresenta um quadro relativamente desagregado das receitas e das despesas do governo central. Recentemente, a STN é quem passou a divulgar mensalmente esses dados, incluindo o resultado do INSS. Adicionalmente, a Secretaria Especial de Controle das Empresas Estatais (SEST) acompanha a execução financeira das empresas federais. 4.1.1. Principais conceitos a) Desempenho de caixa as despesas são consideradas nas estatísticas no período em que são de fato pagas. b) Desempenho de competência está associado ao período em que a despesa é gerada, mesmo que não tenha sido paga. Se a previdência social no presente (momento t) = R$ 128 bi, mas R$ 64 bi (50%) serão pagos no futuro (momento t + 1), quer dizer que no período t: i) NFSP caixa = R$ 64 bi; ii) NFSP competência = R$ 128 bi; Observação: no Brasil, a NFSP é apurada pelo conceito de caixa, exceto despesas de juros, que são consideradas como competência. Procura-se evitar que, se o governo emitir títulos de prazo mais longo, com pagamentos concentrados no tempo, o déficit seja artificialmente baixo durante algum tempo e depois estoure no momento do vencimento. Ao apropriar os juros pelo conceito de competência, o Banco Central do Brasil torna a despesa de juros mais regular ao longo do tempo a não ser que a taxa de juros mude muito de um mês para outro. O critério de competência 5
para o cálculo dos juros é consistente com a apuração da dívida do setor público junto ao Sistema Financeiro (Giambiagi, 2008). Observação: no cálculo das contas nacionais, o IBGE utiliza o conceito de competência para todas as despesas, e não apenas para as financeiras. c) Acima da linha: são as estatísticas fiscais desagregadas, que apresentam as variáveis de receita e de despesa. d) Abaixo da linha: são as estatísticas que medem apenas a dimensão do desequilíbrio através da variação do endividamento público, sem que se saiba ao certo se este mudou por motivos ligados à receita ou à despesa. No Brasil, utiliza-se o conceito da NFSP abaixo da linha, a partir das alterações no valor do endividamento público. A razão da escolha desse critério é que, se o cotejo de receitas e despesas é diferente da variação do endividamento, o mais provável não é que a estatística da dívida pública esteja errada, e sim que algum item talvez não tenha sido corretamente apurado pelas estatísticas desagregadas, gerando, porém, na prática, uma variação do endividamento. Por exemplo, ao fazermos uma viagem e sacarmos dinheiro (R$) na véspera de sair de férias: 1º) dia após dia calculamos a despesa através de grandes itens: i) alimentação; ii) passeios. 2º) No final das férias, temos: i) Σ gastos diários de cada linha de despesa; ii) Σ gastos totais. No meio da viagem, o R$ acabou, e aí passa-se a utilizar o cartão de crédito, e, ao voltar para casa, somaremos as despesas diárias menos a receita, e faremos uma linha de subtração para o cálculo da diferença. Vamos considerar esse método como A. O resultado deveria ser igual ao valor da conta a ser paga com o cartão de crédito, já que este nada mais é do que uma forma de financiamento, que aqui iremos denominar de método B. Quando fazemos o levantamento dessas viagens, as contas não fecham, pois as pequenas despesas são omitidas e outras maiores podem ser esquecidas. Isto posto, a diferença verdadeira entre receitas e despesas não é o resultado da comparação entre a receita e a estatística das despesas acima da linha de subtração, ou seja, o método A, e sim o saldo do cartão de crédito, o método B, já que o turista em geral não apura de forma totalmente precisa como gastou seu dinheiro, mas sabe perfeitamente qual é o montante da sua dívida no cartão de crédito. Embora a NFSP seja trabalho do Banco Central do Brasil (BCB), a Secretaria de Políticas Econômicas (SPE) tem um levantamento acima da 6
linha das contas do governo central, e a Secretaria de Empresas Estatais (SEST), das contas das empresas estatais federais. Já para os estados e municípios e suas empresas estatais, só tem abaixo da linha, apurado pelo BCB. Como é possível que se conheça o valor do desequilíbrio dessas unidades, sem que se saiba o que acontece com a receita e com a despesa dessas unidades? Vamos responder a partir de um exemplo. Exemplo Um jovem estagiário que recebe remuneração mais uma mesada dos pais e que tem gastos com alimentação, vestuários e entretenimentos, cuja mesada é uma variável para complementar seus gastos. Os pais desse jovem podem não saber quanto ele ganha no estágio sua receita e não ter a menor ideia de como o seu filho usa o dinheiro sua despesa. Entretanto, sabem perfeitamente qual é o valor da mesada que pagam todo mês ao filho, para atender às despesas complementares não cobertas pela remuneração do estágio. Essa mesada = déficit do jovem. De forma análoga, as autoridades, mesmo não tendo ciência certa das receitas e despesas dos estados e municípios e de suas empresas, acompanham a evolução dos passivos dessas unidades junto ao sistema financeiro público e privado. Sabe-se o valor do resultado abaixo da linha dessas esferas, mesmo não conhecendo os acima da linha (Giambiagi, 2008). 7