DESPACHO SEJUR Nº 586/2015 Aprovado em Reunião de Diretoria em 03/12/2015 Expediente CFM nº 11124/2015 EMENTA: Resolução CFM n. 2.125/2015. Cancelamento de inscrição de médico falecido. Perdão dos débitos. Trata-se de questionamento encaminhado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso sobre a possibilidade de não executar os créditos tributários e/ou pedir a extinção das execuções fiscais em curso que tenham sido ajuizadas antes do falecimento do médico. Inicialmente, esclarecemos que o Sejur já se manifestou sobre o assunto por meio da Nota Técnica n. 5/2010, quando concluiu que é possível a remissão (perdão) do débito da anuidade do médico falecido, desde que o Conselho Regional envolvido demonstre que o médico não exerceu a medicina no período a ser remido, senão vejamos. EMENTA: Remissão de débito de anuidade de médico falecido Possibilidade Deverá haver prova de que no período a ser remido, o médico não exerceu atividade médica Diante da ausência de prova da ausência de atividade no período a ser remido, o CRM deverá cobrar a dívida dos herdeiros do médico falecido Nota Técnica Expediente CFM n.º 05/2010 Referência: Expediente CFM nº 764/2010 I DO RELATÓRIO Trata-se de consulta formulada pelo Sr. Conselheiro presidente do CRM-RN a respeito da viabilidade jurídica para a concessão de remissão/anistia do pagamento da anuidade pelo Conselho Regional de Medicina para profissional falecido (pessoa física) Segundo informado no expediente acima referido, a Assessoria do CRM-RN manifestou-se no sentido de que os Conselhos regionais tem autonomia para remir ou anistiar dívidas de pessoa jurídica que esteja com as suas atividades suspensas e/ou paralisadas, desde que, este tenha autonomia financeira. Por fim, indaga o Sr. Presidente do CRM-RN se o entendimento da AJ poderá ser adotado para as pessoas físicas falecidas com débitos de anuidade II DO DIREITO O SEJUR já se pronunciou sobre a questão relacionada à anistia de anuidades por decisão interna dos CRM a na Nota Técnica nº 75/2005 e no Despacho SJ nº 11/2007 as quais, apesar de não falar especificamente sobre débito de pessoa
física falecida os seus fundamentos poderão ser utilizados para este expediente. Diante disso, pede-se vênia para transcrever os fundamentos da Nota Técnica nº 75/2005: EMENTA: REMISSAO DE ANUIDADE PARCELAMENTO DE DÍVIDA ISENÇÃO DE ANUIDADE DE EMPRESA INATIVA PERANTE A RECEITA FEDERAL I O CREMEPE poderá conceder a remissão, fundada na sua autonomia financeira, mas desde que devidamente motivado o ato de concessão, com comprovação efetiva de que não houve prestação médica no período a ser remido; II A cobrança retroativa de anuidade poderá ocorrer, em duas hipóteses distintas. A primeira, quando a empresa concorda com o pagamento, podendo a dívida neste caso ser parcelada nos termos da Resolução CFM nº 1.492/98, ou, na segunda hipótese, por medida judicial promovida pelo CRM com a comprovação da atividade irregular da empresa (sem registro), por meio de ação declaratória; III O fator gerador da cobrança da anuidade é a fiscalização da prestação efetiva da assistência médica, sendo, pois, o que irá motivar a cobrança. Ora, se empresa está inscrita no CRM é porque está em atividade, sob pena de ser compelida a pagar anuidade, uma vez que a fiscalização do CRM irá continuar ocorrendo, ainda que a empresa não esteja ativa, de fato. Expediente CFM nº 6674/2005 Nota Técnica nº 075/2005, da Assessoria Jurídica. I DOS FATOS A Assessoria Jurídica foi solicitada a se manifestar sobre consulta feita pelo CREMEPE acerca das seguintes dúvidas: Pessoa física- Perdão da dívida no cado de médico que comprove afastamento de atividade médica; Pessoa Jurídica Retroagir a cobrança da anuidade de instituição que esteja com a personalidade jurídica constituída em anos anteriores ao de sua inscrição (ex: empresa que foi constituída desde do ano de 2000 que somente neste exercício 2005 está procedendo a sua inscrição no Regional. A resolução CFM 1492/98 poderia ser aplicada nesses casos de anuidade anteriores? Ainda com relação à Pessoa Jurídica, aproveitamos o ensejo para o posicionamento acerca das empresas que estão ativas na Receita Federal, porém, anualmente declaram sua inoperância perante àquele órgão e quando procuram o Regional para inscrição deseja ficar isentas do pagamento da unidade motivado por essa inoperância, haja vista haver previsão na Resolução 1.716/20056 acerca do presente. Em síntese, são essas as dúvidas do CREMEPE.
II DO DIREITO A primeira dúvida encaminhada pelo CREMEPE diz respeito à possibilidade do regional remir dívida de pessoa física comprovadamente afastada da atividade médica. A Lei nº 11.000/2004 alterou parcialmente a Lei nº 3.268/57, reafirmando a capacidade dos Conselhos de Medicina em fixarem suas anuidade. Contudo, apesar da possibilidade da fixação da anuidade, inexiste ainda qualquer regramento específico do CFM acerca da concessão de anistia (multas e juros) e remissão de anuidades. Outrossim, não há qualquer normativo que proíba o perdão da dívida. Assim, entende-se que o CREMEMPE poderá conceder a remissão, fundada na sua autonomia financeira, mas desde que devidamente motivado o ato de concessão, com comprovação efetiva de que não houve prestação médica no período a ser remido. Com relação à segunda dúvida do CREMEPE, entendemos que a cobrança retroativa de anuidade poderá ocorrer, em duas hipóteses distintas. A primeira, quando a empresa concorda com o pagamento, podendo a dívida neste caso ser parcelada nos termos da Resolução CFM nº 1.492/98, ou, na segunda hipótese, por medida judicial promovida pelo CRM com a comprovação da atividade irregular da empresa (sem registro), por meio de ação declaratória. Por último, questiona o CREMEPE qual posicionamento tomar em relação às empresas que estão inoperantes perante a Receita Federal e requerem sua isenção de anuidade. O fator gerador da cobrança da anuidade é a fiscalização da prestação efetiva da assistência médica, sendo, pois, o que irá motivar a cobrança. Ora, se empresa está inscrita no CRM é porque está em atividade, sob pena de ser compelida a pagar anuidade, uma vez que a fiscalização do CRM irá continuar ocorrendo, ainda que a empresa não esteja ativa de fato. Sendo assim, não se vê motivo jurídico para que a empresa inoperante perante a Receita Federal continue operante no CRM, uma vez que estando inativa junto ao fisco, não poderá prestar atividade de assistência à saúde e nem mesmo estar regularmente registrada no CRM. III CONCLUSÃO Por todo exposto, entendemos: a) O CREMEMPE poderá conceder a remissão, fundada na sua autonomia financeira, mas desde que devidamente motivado o ato de concessão, com comprovação efetiva de que não houve prestação médica no período a ser remido; b) a cobrança retroativa de anuidade poderá ocorrer, em duas hipóteses distintas. A primeira, quando a empresa concorda com o pagamento, podendo a dívida neste caso ser parcelada nos termos da Resolução CFM nº 1.492/98, ou, na segunda hipótese, por medida judicial promovida pelo CRM com a comprovação da atividade irregular da empresa (sem registro), por meio de ação declaratória; c) O fator gerador da cobrança da anuidade é a fiscalização da prestação efetiva da assistência médica, sendo, pois, o que irá motivar a cobrança. Ora, se empresa está inscrita no CRM é porque está em atividade, sob pena de ser compelida a
pagar anuidade, uma vez que a fiscalização do CRM irá continuar ocorrendo, ainda que a empresa não esteja ativa de fato. Brasília, 24 de novembro de 2005. Turíbio Pires de Campos Assessor Jurídico Giselle Crosara Lettieri Gracindo Chefe da Assessoria Jurídica Conforme consignado na Nota Técnica acima transcrita, desde a publicação da Lei nº 11.000/2004, os Conselhos de Medicina são competentes para fixarem sua anuidade. Logo, também estão capacitados para remirem as dívidas de médicos, sob o argumento da sua autonomia financeira, mas desde que haja motivação para tal. Vê-se que o fato gerador da anuidade é a fiscalização da efetiva prestação de serviços profissionais médicos. Se não tiver havido tal atividade, não há quem se falar em fato gerador para a cobrança da anuidade. No caso ora analisado, o CRM-RN, ao fundamentar a remissão do débito do médico falecido, deverá comprovar que no período a ser remido não houve exercício de atividade médica pelo médico falecido. Se não houver tal com comprovação, a remissão não poderá ser concedida e o CRM-RN deverá executar a dívida dos herdeiros do médico, apesar da autonomia financeira dos Conselho de Medicina. III DA CONCLUSÃO Diante do exposto, salvo melhor juízo, entendemos que para que haja a remissão do débito de anuidade de médico falecido, é preciso que o CRM-RN demonstras, em sua justificativa, que o médico não exerceu a medicina no período a ser remido. Se isso não for demonstrado, o CRM-RN deverá cobrar o débito dos herdeiros do médico. Brasília, 03 de fevereiro de 2010. Ana Luiza B. Saraiva Martins Porto Assessora Jurídica Giselle Crosara Lettieri Gracindo Chefe do SEJUR
Desta forma, entendemos que é possível remir o período anterior ao falecimento do médico, desde que comprovado que nesse período a ser perdoado o médico não exerceu a medicina, caso contrário, o Conselho Regional de Medicina envolvido deverá efetuar as cobranças devidas e ajuizar as execuções fiscais correspondentes. Brasília, 17 de novembro de 2015. Valéria de Carvalho Costa Advogada do CFM José Alejandro Bullón Chefe do SEJUR