CONVERSÃO DE DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Os 5 (cinco) métodos Historicamente, cinco métodos de conversão de demonstrativos financeiros foram sugeridos por diversos autores e estudiosos da matéria, alguns antes mesmo que fossem emitidos pronunciamentos oficiais pelo APB ou FASB ou IASB; I. Método corrente e não-corrente; II. Método monetário e não-monetário; III. Método temporal; e IV. Método da taxa corrente. V. Método temporal com correção monetária integral (economias hiperinflacionárias). Nenhum destes cinco métodos, pela própria natureza funcional do sistema monetário de cada país, oferece perfeita representação dos valores patrimoniais de empresas subsidiárias ou filiais, situadas no exterior. O papel da moeda no processo de conversão O preço de um bem ou serviço é mais caro ou mais barato num país que em outro quando se utiliza nestas comparações uma moeda comum para conversão destes preços. Esta não é uma comparação necessariamente, correta, já que a realidade entre países não é, necessariamente, a mesma, pois na produção de bens ou serviços os custos de produção (matéria-prima, mão-de-obra, carga tributária, fretes, aluguéis etc) podem ser ou não equivalentes. O processo de conversão de demonstrativos financeiros de uma moeda para outra, assim como, a conversão do preço de bens ou serviços, é uma questão complexa que envolve diversos questionamentos sem uma solução definitiva. Isto é reconhecido pelo próprio FASB, no parágrafo 59 do FAS 52, quando esclarece: Para empresas conduzindo seus negócios em mais de uma moeda, as necessidades práticas de relatórios financeiros numa única moeda requerem que a mudança de preços entre duas moedas seja acomodada da melhor forma possível. As pessoas concordam com esta necessidade prática, mas discordam dos conceitos e detalhes de sua implementação. Como resultado, há uma significante discordância entre os observadores informados quanto à natureza básica, conteúdo da informação e significados dos resultados obtidos pelos vários métodos de conversão de uma moeda estrangeira para a moeda do relatório. Cada método tem fortes críticos e oponentes. Portanto, o processo de conversão é meramente um processo matemático, porém com resultados práticos evidentes. Conceitos 05A - Contabilidade Internacional.doc 21/11/2016 Prof: FGomes Página 1 de 7
Definições Os termos e definições a seguir são importantes para acompanhamento das explicações dos métodos de conversão detalhados em seguida, e foram retirados do Pronunciamento Técnico CPC 02 - Efeitos das Mudanças nas Taxas de Câmbio e Conversão de Demonstrações Contábeis do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, de 9 de janeiro de 2007 (última revisão de 3 de setembro de 2010). TERMO Itens monetários Itens não-monetários Taxa de câmbio Taxa de fechamento Taxa de câmbio média Taxa de câmbio à vista Variação cambial Moeda Funcional Moeda estrangeira Moeda de apresentação DEFINIÇÃO são unidades de moeda mantidas em caixa e ativos e passivos a serem recebidos ou pagos em um número fixo ou determinado de unidades de moeda. são aqueles representados por ativos e passivos que não serão recebidos ou liquidados em dinheiro. é a relação de troca entre duas moedas. é a taxa de câmbio à vista vigente ao término do período de reporte Por razões práticas, uma taxa que se aproxime das taxas de câmbio vigentes nas datas das transações, por exemplo, a taxa média para o período, pode ser normalmente utilizada para converter itens de receita e despesa. Entretanto, se as taxas de câmbio flutuarem significativamente, o uso da taxa de câmbio média para o período é inapropriado. é a taxa de câmbio normalmente utilizada para liquidação imediata das operações de câmbio; no Brasil, a taxa a ser utilizada é a divulgada pelo Banco Central do Brasil. é a diferença resultante da conversão de um número específico de unidades em uma moeda para outra moeda, a diferentes taxas cambiais. é a moeda do ambiente econômico principal no qual a entidade opera. é qualquer moeda diferente da moeda funcional da entidade. é a moeda na qual as demonstrações contábeis são apresentadas. Variações cambiais de transações em moeda estrangeira As variações cambiais advindas da liquidação de itens monetários ou da conversão de itens monetários por taxas diferentes daquelas pelas quais foram convertidos quando da mensuração inicial, durante o período ou em demonstrações contábeis anteriores, devem ser reconhecidas na demonstração do resultado no período em que surgirem (CPC 02 item 28). Conceitos 05A - Contabilidade Internacional.doc 21/11/2016 Prof: FGomes Página 2 de 7
Conhecido como Método da Taxa Corrente CONTABILIDADE INTERNACIONAL Exemplo : Supondo a importação de uma mercadoria (para Ativo Estoque) dos Estados Unidos, por US 100, para pagamento a prazo em 31/01/20X1. Data de desembaraço alfandegário e do registro contábil inicial 01/01/20X1. Taxa de câmbio em 01/01/20X1 R$ 1,70. Valor contabilizado em 01/01/20X1 R$ 170,00 (Estoque @ Importação a Pagar) Taxa de câmbio na data do pagamento em 31/01/20X1 R$ 1,75 Valor pago R$ 175, e diferença de R$ 5,00 reconhecida como despesa no Resultado do Período. O exemplo acima reconhece uma despesa por que houve uma desvalorização da taxa de câmbio R$ / US$, porém se houvesse uma desvalorização cambial entre a data do registro inicial e o pagamento, teríamos um crédito ou receita. Quando itens monetários são originados de transações em moeda estrangeira e há mudança na taxa de câmbio entre a data da transação e a data da liquidação, surge uma variação cambial (CPC 02 item 29), que deve ser reconhecida no Resultado.. Este procedimento é aplicável para os itens monetários, tanto passivos valores a pagar - quanto ativos valores a receber. Variações cambiais do processo de conversão Quando a moeda funcional é a mesma do país da entidade que reporta. De acordo com o CPC 02, itens 38 e 39: Se a moeda de apresentação das demonstrações contábeis difere da moeda funcional da entidade, seus resultados e sua posição financeira devem ser convertidos para a moeda de apresentação... Os resultados e a posição financeira da entidade, cuja moeda funcional não é moeda de economia hiperinflacionária, devem ser convertidos para moeda de apresentação diferente, adotando-se os seguintes procedimentos:.. (a)...; (b)...; e Economia hiperinflacionária - veja a seguir. (c) todas as variações cambiais resultantes devem ser reconhecidas em outros resultados abrangentes. Variação Cambial em Conta do Patrimônio Líquido Este procedimento se aplica, por exemplo, quando uma entidade no Brasil, cuja moeda funcional é o Real -R$, reporta seus demonstrativos financeiros para outra entidade, instituição, empresa, etc fora do país em outra moeda (de apresentação) que não o Real. Conceitos 05A - Contabilidade Internacional.doc 21/11/2016 Prof: FGomes Página 3 de 7
Conhecido como Método CONTABILIDADE INTERNACIONAL Quando a moeda funcional não é igual a do país da entidade que reporta. Uma entidade operando no Brasil, mas cujas transações são primordialmente, em outra moeda diferente do Real - por exemplo, em dólares - sua moeda efetiva de funcionamento não é o Real e sim esta outra moeda diferente do Real - no exemplo o dólar. Segundo o CPC 02, item 34: Quando a entidade mantém seus registros contábeis em moeda diferente da sua moeda funcional, no momento da elaboração de suas demonstrações contábeis, todos os montantes devem ser convertidos para a moeda funcional, de acordo com os itens 20 a 26. Esse procedimento gera os mesmos montantes na moeda funcional que teriam ocorrido caso os itens tivessem sido registrados inicialmente na moeda funcional. Por exemplo, itens monetários são convertidos para a moeda funcional, utilizando-se a taxa de câmbio de fechamento; e itens não monetários que são mensurados com base no custo histórico devem ser convertidos, utilizando-se a taxa de câmbio da data da transação que resultou em seu reconhecimento. Variação Cambial em Conta de Resultado Quando a moeda funcional é a de um país de economia hiperinflacionáriia Segundo o CPC 02, item 42 e 43: 42. Os resultados e a posição financeira da entidade cuja moeda funcional é a moeda de economia hiperinflacionária devem ser convertidos para moeda de apresentação diferente, adotando-se os seguintes procedimentos: (a) todos os montantes (isto é, ativos, passivos, itens do patrimônio líquido, receitas e despesas, incluindo saldos comparativos) devem ser convertidos pela taxa de câmbio de fechamento da data do balanço patrimonial mais recente, exceto que, (b) quando os montantes forem convertidos para a moeda de economia não hiperinflacionária, os montantes comparativos devem ser aqueles que seriam apresentados como montantes do ano corrente nas demonstrações contábeis do ano anterior (isto é, não ajustados para mudanças subsequentes no nível de preços ou mudanças subsequentes nas taxas de câmbio). Conceitos 05A - Contabilidade Internacional.doc 21/11/2016 Prof: FGomes Página 4 de 7
43. Quando a moeda funcional da entidade for moeda de economia hiperinflacionária, a entidade deve reelaborar suas demonstrações contábeis nos moldes do Pronunciamento Técnico CPC 42 Contabilidade e Evidenciação em Economia Altamente Inflacionária (ou pelo método da correção integral enquanto não emitido esse Pronunciamento) antes de aplicar o método de conversão definido no item 42, exceto para os montantes comparativos que são convertidos para moeda de economia não hiperinflacionária (ver item 42(b)). CPC 42 não foi emitido até Maio/2015 O que é uma economia hiperinflacionária? Embora não definido no CPC 42, é consenso que, hiperinflacionária é a economia de um país com inflação acumulada em 3 (três) anos seguidos de 100% (cem porcento). O que é o método de correção integral? É uma metodologia de correção monetária das demonstrações financeiras que já foi utilizada no Brasil, nas décadas de 1980 a 1990, e que será explicado mais adiante nestas apostilas. A escolha da moeda funcional A determinação da moeda funcional de uma entidade é que determinará o método de conversão de suas demonstrações financeiras de uma moeda local para outra de apresentação. Segundo o CPC 02 (definido no início desta apostila), Moeda Funcional é aquela do ambiente econômico principal no qual a entidade opera, em que principalmente gera e despende caixa. Na determinação da moeda funcional alguns dos principais fatores a considerar são: I. A moeda que mais influencia os preços de venda de bens e serviços (geralmente é a moeda na qual os preços de venda para seus bens e serviços estão expressos e são liquidados); e II. A moeda do país cujas forças competitivas e regulações mais influenciam na determinação dos preços de venda para seus bens e serviços; III. A moeda que mais influencia fatores como mão de obra, matéria-prima e outros custos para o fornecimento de bens ou serviços (geralmente é a moeda na qual tais custos estão expressos e são liquidados). Conceitos 05A - Contabilidade Internacional.doc 21/11/2016 Prof: FGomes Página 5 de 7
Exemplo I: Determinação da moeda funcional na Venezuela de uma empresa brasileira operando naquele país, em BOLIVAR, e que consolida as demonstrações financeiras da empresa venezuelana no Brasil em Situação Economia estável e operando basicamente no mercado venezuelano Economia estável, mas com operações preponderantemente com a matriz no Brasil Economia hiperinflacionária. MOEDA Local Funcional Estrangeira BOLIVAR BOLIVAR BOLIVAR BOLIVAR e qualquer outra diferente do BOLIVAR BOLIVAR e qualquer outra diferente do BOLIVAR e qualquer outra diferente do de Apresentação Método de Conversão Taxa Corrente com Correção Monetária Integral Exemplo II: Determinação da moeda funcional no Brasil de uma empresa norte-americana operando no Brasil, em, e que consolida as demonstrações financeiras da empresa brasileira nos Estados Unidos em Situação Economia estável e operando basicamente no mercado brasileiro Economia estável, mas com operações preponderantemente com a matriz nos Estados Unidos Economia hiperinflacionária. MOEDA Local Funcional Estrangeira e qualquer outra diferente do e qualquer outra diferente do e qualquer outra diferente do de Apresentação Método de Conversão Taxa Corrente com Correção Monetária Integral Conceitos 05A - Contabilidade Internacional.doc 21/11/2016 Prof: FGomes Página 6 de 7
QUESTIONÁRIO 05-A 1) Que método de conversão de demonstrações financeiras foi utilizado, no Brasil, até 1998? E por que foi abandonando (substituído)? 2) Com que finalidade são convertidos os demonstrativos financeiros de uma moeda para outra? 3) Qual a limitação do processo de conversão dos demonstrativos financeiros, de uma moeda para outra? 4) O que determina a moeda funcional de uma entidade (empresa), e o que isto influencia no processo de conversão de demonstrativos financeiros? 5) Uma empresa brasileira consolida, no Brasil em Real, as demonstrações financeiras de suas controladas no Japão (moeda local Iene), Angola (moeda local Kwanza) e África do Sul (moeda local Rand). No Japão suas operações são exclusivamente feitas em Iene, em Angola tem suas operações concentradas em mais de 80% com a matriz brasileira, e na África do Sul suas operações são basicamente no mercado local. Em Angola, a inflação anual nos últimos 3 anos foi de 30%, 40% e 20%, respectivamente. Neste ano corrente, para a matriz brasileira, qual a moeda funcional de cada uma das empresas, e que métodos de conversão para Real deve utilizar? Justifique. Conceitos 05A - Contabilidade Internacional.doc 21/11/2016 Prof: FGomes Página 7 de 7