EPISTEMOLOGIAS, COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO

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Transcrição:

EPISTEMOLOGIAS, COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO

Comissão Editorial Alexandre da Rocha (PPGCOM/UFRGS) Ana Maria Dalla Zen (FABICO/UFRGS) Beatriz Corrêa Pires Dornelles (PUCRS) Efendy Maldonado (UNISINOS) Moisés Rockembach (PPGCOM/UFRGS) Nara Emanuelli Magalhães (UFSM) Sandra Gonçalves (FABICO/UFRGS) Virgínia Fonseca (PPGCOM/UFRGS) Flávio Porcello (PPGCOM/UFRGS) Apoio: PPGCOM/FABICO/UFRGS

EPISTEMOLOGIAS, COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO Organizadores Valdir Morigi Nilda Jacks Cida Golin

Autores, 2016 Capa: Humberto Nunes Projeto gráfico e editoração: Clo Sbardelotto Revisão: Simone Ceré Revisão gráfica: Miriam Gress Normalização dos textos: Andréa Marinho, Ketlen Stueber, Luis Fernando Herbert Massoni e Vildeane da Rocha Borba Editor: Luis Antônio P. Gomes Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Bibliotecária responsável: Denise Mari de Andrade Souza CRB 10/960 E64 Epistemologias, comunicação e informação / organizadores Valdir Morigi, Nilda Jacks e Cida Golin. Porto Alegre: Sulina, 2016. 223 p. ISBN: 978-85-205-0763-6 1. Meio de Comunicação Social. 2. Jornalismo. 3. Comunicação Novas Tecnologias. 4. Epistemologia. 5. Teoria da Informação. I. Morigi, Valdir. II. Jacks, Nilda. III. Golin, Cida. CDU: 070 165 659.3 CDD: 302.23 Todos os direitos desta edição reservados à EDITORA MERIDIONAL LTDA. Av. Osvaldo Aranha, 440 Conj. 101 CEP: 90035-190 Porto Alegre RS Tel.: (51) 3311-4082 sulina@editorasulina.com.br www.editorasulina.com.br Outubro/2016 Impresso no Brasil/Printed in Brazil

SUMÁRIO Apresentação... 7 Valdir Morigi, Nilda Jacks e Cida Golin Prefácio... 11 Muniz Sodré Comunicação e informação: da conservação à destruição criativa. Pela legitimidade de uma ciência da comunicação... 15 Ciro Marcondes Filho A natureza pragmática da comunicação e a informação... 23 Adriano Duarte Rodrigues Comunicação, Informação e Pragmática... 44 Adriana Braga e Robert K. Logan Informação: qual estatuto epistemológico?... 69 Regina Marteleto e Gustavo Saldanha Comunicação e Informação: relações dúbias, complexas e intrínsecas... 91 Henriette Ferreira Gomes A informação/comunicação hoje e as consequentes subversões nas ciências... 108 Lucia Santaella Comunicação e Informação na era da Cibercultura: convergência, redes colaborativas e apropriações culturais... 127 Marco Antônio de Almeida

Ingeniería en comunicación social y los museos: apuntes hacia un programa de investigación-acción... 152 Jesús Galindo Cáceres A informação na comunicação: jornalismo e memória... 172 Evelyn Orrico e Carmen Pereira Comunicação e informação no contexto das organizações... 195 Armando Malheiro da Silva e Enoí Dagô Liedke Sobre os organizadores/autores... 218

APRESENTAÇÃO Esta coletânea nasceu dentre as ações comemorativas aos 20 anos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tendo como mote problematizar as interfaces e articulações que constituem seu campo de interesse: Comunicação e Informação. Ao longo das últimas décadas, o PPGCOM procurou firmar sua identidade em torno desta perspectiva, que é, também, um desafio de ordem conceitual. Por muitas vezes, foi instado a fazer a separação entre as duas áreas, mas a defesa desse modelo de formação, com o tempo, tornou-se um de seus diferenciais. Único no Brasil a confluir estes dois campos das Ciências Sociais Aplicadas, o PPGCOM/UFRGS, desde agosto de 1995, já titulou 254 mestres e 76 doutores com atuação regional, nacional e internacional. Oferecer à comunidade acadêmica um livro que problematizasse aproximações e divergências entre Comunicação e Informação, que buscasse identificar e tensionar as relações históricas, epistemológicas e institucionais a partir dos usos e apropriações dos dois conceitos, constituiu a origem do projeto levado em frente pelos professores Valdir Morigi, Nilda Jacks e Cida Golin. Mesmo cientes da existência de tendências excludentes, ou que pelo menos tratam separadamente as áreas e conceitos que as sustentam, partimos do pressuposto de que a Comunicação e a Informação são processos interdependentes. Acredita-se que o esforço para explorar e aprimorar as interfaces contribua concomitantemente para as duas áreas, além de reforçar sua aproximação e diálogo interdisciplinar. Com esta meta, a equipe editorial convidou autores de reconhecida atuação nacional e internacional nos seus respectivos campos de pesquisa para juntar-se ao propósito do livro, tendo como suporte uma equipe de conselheiros e avaliadores dos textos. A partir da contribuição daqueles que responderam ao nosso propósito dentro dos prazos exigidos, resultou um volume com 10 artigos de distintas perspectivas teóricas que, acreditamos, não apenas 7

8 se somam, embatem-se e, não raro, contradizem-se, mas oferecem, sobretudo, pistas para perceber o movimento das correntes de pensamento e de suas lutas simbólicas dentro do campo acadêmico. Organizamos os textos em torno de um mapa de leitura que parte da discussão epistemológica conceitual e encerra-se com estudos de âmbito aplicado que enfrentam as possibilidades de entrecruzamento das áreas. O professor Ciro Marcondes Filho abre a série de artigos provocando o entendimento da comunicação a partir das circunstâncias em que ela ocorre, na sua potência de produzir abalos, fenômeno raro, mas possível, reconhecível pelos rastros de ruptura e transformação. Adriano Rodrigues, dentro de uma perspectiva pragmática, parte da crítica das metáforas de transmissão e de partilha de informação, argumentando que comunicação é a atividade social por excelência desencadeada nos diversos tipos de encontros experienciados pelos seres humanos. Robert Logan e Adriana Braga também enfatizam a dimensão pragmática da comunicação. Argumentam que informação, comunicação e interação social são elementos inseparáveis do processo de produção de sentido e operam como um sistema, mesmo que, analiticamente, possam ser concebidos como conceitos independentes. Para os autores, comunicação é informação contextualizada, através da pragmática e das interações sociais. Henriette Ferreira Gomes, num esforço de identificar caminhos propositivos, encontra nas dimensões da mediação, especialmente apoiada no legado de Mikhail Bakhtin, entre outros, uma zona de confluência entre comunicação e informação. Regina Marteleto e Gustavo Saldanha, por sua vez, focam-se no rastreamento das marcas históricas do estatuto epistemológico da informação tomando por base um panorama sociocrítico, apontando para a reflexão sobre as práticas e a circulação social dos documentos como um caminho promissor. Lucia Santaella chama a atenção para a preocupação ainda minoritária sobre a indissolúvel relação da comunicação com a informação, mesmo quando se considera a expansão do campo da comunicação. A autora discute o fenômeno cultural e tecnológico do processamento de dados via Big Data e suas aplicações nas mais diversas áreas das atividades humanas, indagando sobre seus efeitos tanto na produção de conhecimento como nos métodos pelos quais o conhecimento é produzido. Marco Antônio de Almeida, por sua

vez, desenvolve a relação entre comunicação e informação na cibercultura, concentrando-se nas conexões que caracterizam a cultura da convergência e os processos de apropriação cultural. Considera, particularmente, a dimensão do poder implícita nas assimetrias sociais e nas diferenças contextuais históricas, sociais e culturais, que introduzem importantes modulações na chamada cultura da convergência. Dentre os textos dedicados a pensar concretamente um objeto, Jesús Galindo Cáceres problematiza o museu contemporâneo, revelando-o muito mais na sua dimensão comunicacional, de lugar de suposto encontro e discussão, do que no seu papel até então de repositório de informação. Neste caso, o centro de mutação seria o ofício do curador que transitaria da escritura de textos à gestão de conversações. Reflexões oriundas de duas teses defendidas na interface das duas áreas fecham a coletânea. Dentro dos estudos em Memória Social, Evelyn Orrico e Carmen Pereira discorrem sobre as possíveis articulações entre os discursos do jornalismo e da divulgação científica na construção da memória social, tendo como objeto de estudo o discurso jornalístico sobre o movimento feminista na década de 1980. Armando Malheiro da Silva e Enoí Dagô Liedke investem na interdependência das áreas partindo do pressuposto de que há um fenômeno de base o infocomunicacional e de que os objetos construídos por ambas as áreas são atravessados por conceitos, métodos e problemáticas comuns. Tendo como exemplo o estudo da comunicação interna no ambiente organizacional, argumentam que comunicação e informação, mais do que dois campos de atuação profissional ou do pensar acadêmico, são áreas que podem trabalhar em conjunto. Valdir Morigi, Nilda Jacks e Cida Golin Organizadores Outubro de 2016. 9