1 PROGRAMA DE APRENDIZAGEM COOPERATIVA EM CÉLULAS ESTUDANTIS (PACCE) Resumo: COSTA, Adson Rodrigues 1 adsonufc@gmail.com OLIVEIRA, David Sena (orientador)² sena.ufc@gmail.com Ressalta-se nesse trabalho a importância da história do programa visando os seus impactos no meio institucional aplicado. Nesse sentido a contribuição do estudo e da compreensão da história desse projeto, possibilita criar uma reflexão diante das necessidades de se socializar o ensino, tornando-o assim mais dinâmico e menos mecanizado. O Programa de Educação em Células Cooperativas (PRECE) é uma organização sem fins lucrativos, formado por estudantes de comunidades rurais e municípios do interior do Ceará que através do estudo em células ingressam na universidade e retornam para ajudar outros jovens através das associações estudantis chamadas de Escolas Populares Cooperativas (EPC s). A experiência do PRECE inspirou a implantação da aprendizagem cooperativa como a principal metodologia da Escola Estadual de Educação Profissional Alan Pinho Tabosa em Pentecoste. A aprendizagem cooperativa ainda não está presente de forma sistemática nas escolas e universidades. Mas é um método que precisa ser incentivado e, para isso, são necessárias intervenções do professor para desenvolver nos alunos o sentimento da importância dessa cooperação. Ao ajudar o sucesso do colega com mais dificuldade, ambos serão beneficiados. Palavras-chave: PRECE; aprendizagem cooperativa; história. 1. INTRODUÇÃO ¹ Graduando de Engenharia de Software UFC/Quixadá ² Bacharel em Ciências da Computação (UECE), Mestre e Doutor em Engenharia de Teleinformática (DETI/UFC)
2 O objetivo deste artigo é analisar a historia do PRECE a partir de um levantamento de dados cadastrais e documentais e com base em alguns depoimentos de frequentadores da escola. Este trabalho é parte integrada das pesquisas desenvolvidas Programa de Aprendizagem Cooperativa em Células Estudantis (PACCE) vinculado a Universidade Federal do Ceará (UFC). 2. CONCEITOS INICIAIS: QUEM SOMOS? O Programa de Educação em Células Cooperativas (PRECE) é uma organização sem fins lucrativos, formado por estudantes de comunidades rurais e municípios do interior do Ceará que através do estudo em células ingressam na universidade e retornam para ajudar outros jovens através das associações estudantis chamadas de Escolas Populares Cooperativas (EPC s). Criado em 1994 na comunidade rural de Cipó, Pentecoste, o programa já levou mais de 500 estudantes para a universidade. Existem 13 EPC s nos municípios de Apuiarés, Paramoti, Pentecoste e Umirim. A experiência do PRECE inspirou a criação do Programa de Aprendizagem Cooperativa em Células Estudantis na Universidade Federal do Ceará com o objetivo de aumentar os índices de conclusão dos cursos. Além disso, a Secretaria de Educação do Estado do Ceará estabeleceu uma parceria com o PRECE para difundir a aprendizagem cooperativa para estudantes e professores do ensino médio. 3. HISTÓRIA O Programa de Educação em Células Cooperativas (PRECE) começou em 1994, na comunidade rural de Cipó em Pentecoste, sertão do Ceará quando sete jovens fora da faixa etária escolar passaram a estudar e conviver numa velha casa de farinha. Incialmente, eles tiveram a ajuda da comunidade e do professor Manoel Andrade que colaborava com o grupo aos finais de semana. E foi estudando em condições bastante precárias, mas de forma solidária e cooperativa que em 1996 veio o primeiro resultado: a aprovação de Francisco Antônio Alves Rodrigues em primeiro lugar para o curso de pedagogia da Universidade Federal do Ceará (UFC).
3 A aprovação de Francisco Antônio motivou o grupo e atraiu novos estudantes da região. Aquela forma de estudo, onde um cooperava com o outro e todos partilhavam seus conhecimentos, foi demonstrando seus resultados e com isso novos estudantes também conseguiram ingressar na universidade. Ao entrar na universidade o jovem era estimulado a retornar para suas comunidades para colaborar com os demais, foi isso que alimentou o ciclo de cooperação entre esses jovens sertanejos que viram suas vidas mudar através desse método de aprendizagem cooperativa. Em 2002, cerca de 40 estudantes da sede de Pentecoste passam a estudar no PRECE e em 2003 eles fundam a primeira Escola Popular Cooperativa na sede do município, atraindo inclusive estudantes de outros municípios. Assim, a partilha de conhecimentos e experiências multiplicou-se para mais de 500 estudantes de origem popular na universidade, 13 associações estudantis (Escolas Populares Cooperativas) em 4 municípios (Pentecoste, Apuiarés, Paramoti e Umirim). Em 2009 a UFC criou o Programa de Aprendizagem Cooperativa em Células Estudantis com o objetivo de aumentar os índices de conclusão dos cursos. A Secretaria de Educação do Estado do Ceará estabeleceu também uma parceria com o PRECE para difundir a aprendizagem cooperativa para estudantes e professores do ensino médio. EPCS: As Escolas Populares Cooperativas são associações estudantis formadas por estudantes pré-universitários, universitários e graduados que ingressaram na universidade através do PRECE, e que utilizam a aprendizagem cooperativa e a solidariedade como princípios e estratégias de ação. São 13 EPCs localizadas nos municípios de Pentecoste, Apuiarés, Paramoti e Umirim. PACCE: O Programa de Aprendizagem Cooperativa em Células Estudantis (PACCE) é um programa de bolsas de monitoria da pró-reitoria de Graduação da Universidade Federal do Ceará que tem como principal objetivo colaborar para o aumento da taxa de conclusão nos cursos de graduação. A principal estratégia utilizada é a difusão de células estudantis que utilizam a metodologia de Aprendizagem Cooperativa. 4. METODOLOGIA A aprendizagem cooperativa tem cinco princípios que são:
4 1. Interdependência positiva. 2. Responsabilidade pessoal. 3. Interação social (face-a-face). 4. Habilidades sociais. 5. Processamento de grupo. Em relação à divisão de tarefas em grupo de trabalho cooperativo, há um engajamento mútuo dos participantes em um esforço coordenado para a resolução do problema em conjunto. (ROSCHELLE e TEASLY, apud DILLEMBOURG, 1996, p. 2). Há responsabilização de todos no sucesso ou no fracasso do grupo. Sendo assim, todos os alunos envolvidos em um empreendimento colaborativo são automaticamente responsáveis por seu progresso e pelo progresso do seu grupo, num relacionamento solidário e sem hierarquia. Freitas e Freitas (2003, p. 37) apresentam as diferenças do trabalho em grupo tradicional e grupo cooperativo em um quadro baseado nas ideias de Johnson e Johnson. 5. A EXPERIENCIA DO PRECE.
5 A experiência do PRECE inspirou a implantação da aprendizagem cooperativa como a principal metodologia da Escola Estadual de Educação Profissional Alan Pinho Tabosa em Pentecoste. A gestão da escola é fruto de uma parceria entre a Secretaria de Educação do Estado do Ceará (SEDUC), a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o PRECE. Os estudantes utilizam em sala de aula os elementos principais da aprendizagem cooperativa diferenciando-se pela integração entre estudante e escola e entre escola e comunidade. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A aprendizagem cooperativa ainda não está presente de forma sistemática nas escolas e universidades. Mas é um método que precisa ser incentivado e, para isso, são necessárias intervenções do professor para desenvolver nos alunos o sentimento da importância dessa cooperação. Ao ajudar o sucesso do colega com mais dificuldade, ambos serão beneficiados. Os métodos de aprendizagem cooperativa são importantes não só na facilitação do processo ensino-aprendizagem, mas também na formação profissional, preparando cidadãos mais aptos para os trabalhos em equipe e mais comprometidos com os valores sociais e os princípios da solidariedade. A aprendizagem escolar tem sido beneficiada pela cooperação entre pares, conforme apontam inúmeros estudos (BARBOSA, 1996; SANTORO et al., 1999; JOHNSON E JOHNSON, 2000; JOHNSON et al., 2001). No entanto, além da aprendizagem dos conteúdos específicos, a escola tem a responsabilidade pela formação integral dos alunos, estando aí inseridas as questões éticas que envolvem a cidadania. Dessa forma, o desafio que se apresenta à escola é proporcionar a seus alunos, também, o desenvolvimento de atitudes e competências que permitam a sua intervenção e transformação na sociedade de que fazem parte (FREIRE, 1991).É nesse contexto que se insere este estudo, que busca investigar o desenvolvimento de atitudes cooperativas entre estudantes com vistas a aprendizagens significativas de conteúdos científicos ao mesmo tempo em que estimula o desenvolvimento de atitudes éticas. 5. REFERÊNCIAS
6 ARONSON, E.; PATNOE, S. Jigsaw Classroom. New York: Longman, 1997. BARBOSA, R. M. N.; JÓFILI, Z. Aprendizagem cooperativa e ensino de Química Parceria que dá certo. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENSINO DE QUÍMICA, 11, 2002, Recife. Anais. Recife: UFRPE, 2002. BARBOSA, R. M. N. The influence of social interaction on young pupils learning. East Ang