Conhece a Ana. // Perfil

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Transcrição:

Conhece a Ana // Perfil Nome: Ana Rodrigues Idade: 21 anos Nacionalidade: Portuguesa Cidade: Caxarias/Ourém Escola: Escola Superior de Saúde (ESSLei) Curso: Licenciatura em Dietética País Escolhido: Lituânia

1. Qual o 1.º impacto do país? Cheguei bastante tarde, mas fui logo acolhida por um grupo de turcos que estava a beber chá, o típico chá preto. Tudo o que te dizem sobre Erasmus, aqui começa desde logo a fazer sentido. No minuto a seguir à minha chegada já me sentia em casa. Cheguei bastante tarde, mas fui logo acolhida por um grupo de turcos que estava a beber chá, o típico chá preto. No dia seguinte, ofereceram-se para ajudar em tudo. Tratei de todos os papeis necessários, fiz uma pequena viagem pela cidade, para ficar a saber onde se situavam os locais mais importantes e essenciais (escola, serviços académicos, supermercado, cafés ). A cidade não é muito grande, assemelha-se a Leiria, o que facilita a adaptação. Quando cheguei ainda estava um pouco de calor e como a cidade de situa ao lado do mar, organizámos idas à praia. O que poderia pedir mais? Todos os professores, todos os meus, na altura, conhecidos se prontificavam a ajudar. Portanto, posso dizer que o primeiro impacto foi muito positivo.

2. Como foi sair da zona de conforto? O tempo passou e a saudade apertou, voltei a querer ir embora, pedia que os dias passassem rápido, estava o tempo todo ao telefone com amigos de Portugal. Entretanto o trabalho e as atividades passam a ocupar todo o meu dia e os dias começaram mesmo a passar rápido, rápido de mais. S air da zona de conforto a mim fez-me, e ainda me faz, sentir um misto de emoções enorme. Cheguei até a duvidar da minha sanidade mental. Passei toda a viagem até à Lituânia a chorar, não queria ir embora e deixar tudo para trás, provavelmente um drama desnecessário. Não queria começar sozinha e do zero, num país onde não conheço nada nem ninguém. Quando cheguei a vontade de querer conhecer tudo e todos falou mais alto e já só queria ficar. O tempo passou e a saudade apertou, voltei a querer ir embora, pedia que os dias passassem rápido, estava o tempo todo ao telefone com amigos de Portugal. Entretanto o trabalho e as atividades passam a ocupar todo o meu dia e os dias começaram mesmo a passar rápido, rápido de mais. Hoje sinto-me super integrada, tenho aulas, estágio e montes de trabalhos para fazer em inglês e traduzir de lituano; sair da zona de conforto obriga-te a aprender uma língua, ou várias ou mesmo tempo, sais do conforto que é a tua língua materna e entras num mundo cheio de novos horizontes. Tenho aulas de francês e alemão e dou aulas de português. Entretanto vou ao ginásio todos os dias, saio à noite e ainda vou viajar. Eu Ana, menina mimada e filha única chego a um local onde não conheço nada nem ninguém, não sei falar a língua, aqui eles mal falam inglês e eu também não sou a melhor. Nunca partilhei quarto, levava carro para todo o lado, raramente andei de transportes públicos, não estou habituada a que não me entendam, porque passo a vida a falar, nunca tinha lidado com

pessoas com crenças completamente diferentes das minhas, o que para mim não importava para eles era crime e nunca partilhei casa com pessoas de outros continentes com modos de vida completamente diferentes. Por estranho que pareça, nenhuma destas novas mudanças me incomodou e posso mesmo dizer que é só uma das coisas mais fantásticas que me poderia ter acontecido.

3. Como aconteceu o convite para dar aulas? Nunca me tinha imaginado a dar aulas, sobretudo a pessoas da nossa idade ou mais velhos. Temos um grupo no facebook onde estão todos os estudantes de Erasmus desta cidade, os mentores são fantásticos e estão sempre a organizar programas e atividades novas. Organizaram um projeto onde nos podíamos inscrever para ensinar a nossa língua materna a todos os estudantes da faculdade interessados e eu inscrevi-me. Nunca me tinha imaginado a dar aulas, sobretudo a pessoas da nossa idade ou mais velhos.

4. O que é que foi mais fácil e o mais difícil desta experiência? Também difícil achei a adaptação às ementas por eles usadas, ou seja, como o meu curso é dietética e estou a estagiar no departamento de restauração de um hospital tenho de saber avaliar as ementas, que vão muito para além do típico prato de carne intervalado com peixe ou da mistura de arroz, massa e batata que estava habituada a ver em Portugal. P osso dizer que o mais fácil foi a adaptação, fazer novas amizades e viajar por países próximos. O mais difícil talvez tenha sido, e continua a ser, comunicar com as pessoas locais; não nos podemos esquecer que até há bem pouco tempo este país estava em guerra, sobre a ocupação russa, por isso, não podemos exigir um nível de evolutivo igual ao nosso, nota-se que as pessoas mais velhas são um pouco frias quando se trata de comunicar com alguém que não conhecem e são raras as pessoas lituanas que sabem falar inglês corretamente; também difícil achei a adaptação às ementas por eles usadas, ou seja, como o meu curso é dietética e estou a estagiar no departamento de restauração de um hospital tenho de saber avaliar as ementas, que vão muito para além do típico prato de carne intervalado com peixe ou da mistura de arroz, massa e batata que estava habituada a ver em Portugal.

5. Uma frase para definir esta experiência Nunca esperes por ninguém para realizar os teus sonhos, arrisca e verás o mundo gigante de conhecimento que tens à tua espera!