Fundo de compensação do trabalho



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Transcrição:

PATRÍCIA PINTO ALVES Fundo de compensação do trabalho VERBO jurídico

VERBO jurídico Fundo de compensação do trabalho: 2 Fundo de compensação do trabalho PATRÍCIA PINTO ALVES Mestre em Direito pela Escola de Direito da Universidade do Minho Investigadora Jurídica Advogada estagiária Regimes jurídicos do FUNDO DE COMPENSAÇÃO DO TRABALHO (FCT) do MECANISMO EQUIVALENTE (ME) e do FUNDO DE GARANTIA DA COMPENSAÇÃO DO TRABALHO (FGCT) INTRODUÇÃO Para começar, convém referir que foi publicada em Diário da República a Lei n.º 70/2013, de 30 de Agosto (Lei), que estabelece o regime jurídico do Fundo de Compensação do Trabalho (FCT), do Mecanismo Equivalente (ME) e do Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho (FGCT). Porém, a Lei é aplicável às relações de trabalho reguladas pelo Código do Trabalho (CT) e abrange os contratos de trabalho celebrados após a entrada em vigor da Lei, ou seja, após 1 de Outubro de 2013, tendo por referência a antiguidade contada a partir do momento de execução dos referidos contratos, estando também abrangidas pelo regime constante da Lei as empresas de trabalho temporário, independentemente da duração do contrato de trabalho celebrado com o trabalhador temporário. Inversamente, ficam excluídas as relações emergentes de contrato de trabalho de muito curta duração, regulados nos termos do artigo 142.º do CT, assim como as relações de trabalho dos trabalhadores que exercem funções públicas, designadamente as referidas nos números 1 a 4 do artigo 3.º da Lei n.º 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, com as sucessivas alterações. Destarte, a referência na Lei a compensação inclui as situações em que a mesma seja devida por aplicação direta do artigo 366.º do CT (compensação devida em caso de despedimento coletivo), ou ainda nas restantes situações em que o CT remeta para a aplicação do mencionado artigo, por exemplo, em caso de despedimento por extinção do posto de trabalho, caducidade de contrato de trabalho a termo ou cessação de contrato de trabalho em regime de comissão de serviço. Quanto à caraterização e ao destino dos fundos e o mecanismo equivalente, o FCT e o FGCT são dois fundos autónomos, de adesão individual e obrigatória por parte do empregador (exceto se

PATRÍCIA PINTO ALVES Fundo de compensação do trabalho : 3 este optar por adesão a ME em detrimento do FCT) e têm personalidade jurídica. Estes fundos destinam-se a garantir o direito dos trabalhadores ao recebimento efetivo de metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho, calculada nos termos do artigo 366.º do CT. Os fundos iniciam a sua atividade na data de entrada em vigor dos respetivos regulamentos de gestão. Ambos têm duração ilimitada e extinguem-se quando se esgotar o seu objeto, qualquer que seja o motivo, havendo nesse caso que proceder à liquidação do respetivo património. O ME é um meio alternativo ao FCT, pelo qual o empregador está obrigado a conceder ao trabalhador garantia igual à que resultaria da vinculação do empregador ao FCT. No entanto, ao ME aplica-se o regime do FCT, com as necessárias adaptações. Contudo, a adesão ao FCT ou a ME não impede a posterior transferência da totalidade dos trabalhadores ao serviço do empregador para ME ou o FCT, respetivamente, desde que tal transferência não prejudique as garantias já conferidas e os valores já assegurados aos trabalhadores, no que concerne ao período que antecede a transferência. Ora, a adesão ao FCT é obrigatória, a não ser que o empregador opte pela adesão a ME, e é efetuada em bloco, em relação à totalidade dos trabalhadores ao serviço do empregador, devendo os trabalhadores ser incluídos no FCT até à data do início dos respetivos contratos de trabalho. Com a celebração do primeiro contrato de trabalho abrangido pelo disposto na Lei, e consequente comunicação de admissão do trabalhador ao FCT, a adesão ao mesmo é concretizada de forma automática, mediante a inclusão do respetivo trabalhador no FCT. Com a adesão ao FCT, é criada pela entidade gestora uma conta global em nome do empregador, a qual prevê obrigatoriamente contas de registo individualizado respeitantes a cada um dos seus trabalhadores. Tal adesão termina com a cessação da atividade do empregador no sistema de segurança social. Agora passaremos a explicar o que significa afinal o FCT. Deste modo, o FCT trata-se de um fundo de capitalização individual cujo intuito consiste em garantir o pagamento até metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho. O FCT responde até ao limite dos montantes entregues pelo empregador acrescidos de eventual valorização positiva. A sua gestão cabe ao Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social que, por sua vez, tem o dever de disponibilizar ao empregador, através do sítio da internet http://www.fundoscompensacao.pt/, informação atualizada sobre o montante das entregas feitas, a valorização da conta do empregador e as respetivas contas de registo individualizado de cada trabalhador, quanto aos 12 meses transatos. Exceto nas situações previstas na lei, o saldo da conta global do empregador no FCT, incluindo a totalidade do saldo das contas de registo individualizado respeitante a cada um dos trabalhadores, é intransmissível e impenhorável. A adesão ao FCT determina, para o empregador, a obrigatoriedade do pagamento das respetivas entregas. Tais entregas são pagas, por meio eletrónico, 12 vezes por ano, mensalmente, nos prazos previstos para o pagamento de contribuições e quotizações à Segurança Social, e respeitam a 12 retribuições base mensais e diuturnidades, por cada trabalhador. Este valor corresponde a 0, 925% da retribuição base e diuturnidades (se aplicável) devidas a cada trabalhador (cfr. artigo 11.º do Regulamento n.º 390-B/2013). O incumprimento de tais obrigações constitui contra-ordenação

VERBO jurídico Fundo de compensação do trabalho: 4 grave. As entregas são devidas a partir do momento em que se inicia a execução de cada contrato de trabalho e até à sua cessação, com exceção dos períodos em que inexista contagem de antiguidade (por exemplo, no caso de faltas injustificadas ou de aplicação de sanção de suspensão do trabalho com perda de retribuição e antiguidade). A violação desta obrigação constitui contraordenação muito grave. Destarte, é ainda de salientar que no início da execução de cada contrato de trabalho, o empregador deve comunicar ao FCT o valor da retribuição base do trabalhador. A violação desta obrigação constitui contraordenação muito grave. Tal declaração deve ser atualizada sempre que se verifiquem alterações à retribuição base ou ainda das diuturnidades a que o trabalhador venha a ter direito (se aplicável). O incumprimento desta obrigação constitui contraordenação grave. Contudo, o incumprimento da entrega mensal devida determina a não capitalização do respetivo montante em falta durante o período de incumprimento e a imputação ao empregador das despesas inerentes ao procedimento de regularização, bem como das despesas administrativas de manutenção da conta, nos termos descritos no regulamento de gestão. A falta de regularização voluntária dos valores devidos ao FCT, após notificação nesse sentido da entidade gestora, determina a constituição de dívida, sem prejuízo de constituir ainda contraordenação muito grave. A dívida pode ser regularizada através do seu pagamento voluntário, o qual pode ser efetuado pelo montante global da dívida ou em prestações, mediante acordo, nos casos e nas condições aprovadas por deliberação do conselho de gestão do FCT. Porém, a preterição de regularização voluntária da dívida determina a sua cobrança coerciva, sendo equiparada a dívidas à Segurança Social. 1.Âmbito De referir que os regimes do fundo de compensação do trabalho (FCT), do mecanismo equivalente (ME) e do fundo de garantia de compensação do trabalho (FGCT), vigoram desde o dia 1 de Outubro de 2013. Ora, o diploma que os consagra tem aplica-se às relações de trabalho reguladas pelo Código do Trabalho (CT), e apenas aos contratos de trabalho celebrados após a sua entrada em vigor, tendo sempre por referência a antiguidade, contada a partir do momento da execução daqueles contratos. No entanto, é de salientar que não se encontram abrangidas as relações laborais emergentes de contratos de trabalho de muito curta duração, nem relações de trabalho abrangidas pelos regimes de vinculação, de carreiras e de remunerações da função pública. As empresas de trabalho temporário ficam sujeitas ao regime agora previsto, qualquer que seja a duração do contrato celebrado com trabalhador temporário. De mencionar que tanto o FCT como o FGCT são fundos destinados a assegurar o direito dos trabalhadores ao recebimento efetivo de metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho, calculada nos termos do CT. Trata-se de fundos autónomos, com personalidade e que não integram o perímetro de consolidação da segurança social nem o orçamento da segurança social. Tanto um como o outro são fundos de adesão individual e obrigatória pelo empregador, que pode, em alternativa à adesão ao FCT aderir a ME.

PATRÍCIA PINTO ALVES Fundo de compensação do trabalho : 5 O FCT é um fundo de capitalização individual, que visa garantir o pagamento até metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho, calculada nos termos definidos para a compensação por despedimento coletivo, e que responde até ao limite dos montantes entregues pelo empregador e eventual valorização Positiva. Trata-se de um fundo de natureza mutualista, visando garantir o valor necessário à cobertura de metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho calculada nos termos referidos, subtraído do montante já pago pelo empregador ao trabalhador. O FGCT não responde por qualquer valor sempre que o empregador já tenha pago ao trabalhador valor igual ou superior a metade da compensação devida por cessação do contrato de trabalho calculada nos termos referidos. Em alternativa, o empregador pode aderir ao ME, pelo qual fica vinculado a conceder ao trabalhador garantia igual à que resultaria da vinculação do empregador ao FCT. Em conclusão, exceto em certos casos previstos na lei, o saldo da conta global do empregador no FCT, incluindo a totalidade do saldo das contas de registo individualizado, respeitantes a cada um dos seus trabalhadores, é intransmissível e impenhorável (cfr. artigo 10.º da Lei n.º 70/2013, de 30 de Agosto). 2. Obrigação de pagamento (artigo 11.º da Lei n.º 70/2013, de 30 de Agosto) A adesão ao FCT ou ao ME obriga o empregador a pagar a respetiva entrega para o FCT- 0,925% de retribuição base e diuturnidades e para o FGCT 0,075% de retribuição base e de diuturnidades durante o período de execução do contrato, exceto nos períodos em que não ocorra contagem de antiguidade. Porém, as entregas são feitas 12 vezes por ano, mensalmente, nos prazos previstos para o pagamento das quotizações e contribuições para a segurança social, por cada trabalhador. No entanto, o pagamento de tais entregas aos Fundos é efetuado através de multibanco ou por via eletrónica, através de homebanking. Antes, tem de ser emitido documento de pagamento que contém a identificação da referência multibanco, dos montantes a pagar ao FCT e FGCT, e o respetivo prazo, obtido no site www.fundoscompensacao.pt. Assim, a emissão de documento para pagamento é realizada no site supra mencionado, a partir do dia 10 de cada mês. A aplicação informática determina o valor a pagar em cada mês em função dos dados inseridos pelo empregador referentes aos contratos de trabalho que celebrou com os seus trabalhadores, pelo que este terá apenas que validar aquele valor. Tal validação dá origem à criação do documento que contém as referências para pagamento. O pagamento é devido entre os dias 10 e 20 de cada mês e pode ser efetuado numa caixa multibanco (pagamento de serviços) ou através de homebanking. O pagamento pode ainda ser

VERBO jurídico Fundo de compensação do trabalho: 6 realizado até ao dia 8 do mês seguinte, mas sujeito a contagem de juros diários a partir do dia 20. Os juros correspondentes serão incluídos no pagamento do mês seguinte. Para as entidades empregadoras aderentes ao FCT, o pagamento das entregas para aquele fundo e para o FGCT é efetuado em simultâneo, estando as parcelas destinadas a cada um dos fundos devidamente identificadas. As entregas são efetuadas exclusivamente via liquidação do documento para pagamento, não sendo aceite qualquer outra via para o cumprimento da obrigação contributiva por parte do empregador. O documento é liquidado na íntegra, não sendo possível o seu pagamento parcial, e tem como validade o dia 8 do mês seguinte (cfr. artigo 8.º do Regulamento n.º 390-A/2013). A falta de pagamento da entrega mensal devida ao FCT ou ao FGCT pelo empregador implica que este será notificado pela entidade gestora para proceder à respetiva regularização, constando da notificação as consequências do incumprimento. Esta notificação é feita para o endereço eletrónico do empregador. Ora, o pagamento voluntário dos valores em dívida é efetuado em conjunto com o pagamento das entregas do mês seguinte, conforme documento de pagamento obtido no site eletrónico mencionado. De mencionar ainda que o empregador pode ainda solicitar o pagamento em prestações mensais dos valores em dívida, mediante requerimento fundamentado dirigido ao presidente do conselho de gestão do respetivo Fundo, do qual conste proposta de número de pagamentos, através do mesmo site. A decisão será comunicada ao empregador para o respetivo endereço eletrónico. Assim, o valor das prestações acordadas acresce ao valor das entregas seguintes, conforme documento de pagamento emitido mensalmente, obtido no sítio eletrónico. 3. Reembolso (artigo 11.º da Portaria n.º 294-A/2013, de 30 de Setembro) Podemos referir que em qualquer caso de cessação do contrato de trabalho, o empregador pode solicitar ao FCT, com uma antecedência máxima de 20 dias relativamente à data de cessação do contrato de trabalho, o reembolso do saldo da conta do registo individualizado do trabalhador, incluindo a eventual valorização positiva. Ora, após a apresentação do pedido, o reembolso deve ser efetuado pelo FCT no prazo máximo de 10 dias. Porém, se a cessação do contrato não implicar a obrigatoriedade de pagar compensação, o valor reembolsado pelo FCT reverte para o empregador. Destarte, se, depois de apresentado o pedido de reembolso pelo empregador ao FCT, a cessação do contrato de trabalho não ocorrer, o empregador tem de devolver o montante recebido ao FCT no prazo de 10 dias a contar da não verificação da cessação do contrato de trabalho. Todavia, o pedido de reembolso do saldo da conta de registo individualizado do trabalhador, por cessação do contrato de trabalho, é efetuado pelo empregador no site www.fundocompensacao.pt, identificando o trabalhador e indicando a data da cessação do contrato de trabalho. De facto, caso a cessação do contrato de trabalho não venha a ocorrer, o empregador comunica nessa data aos Fundos a manutenção do vínculo do trabalhador, nos termos previstos para a adesão. Ora, no caso de o trabalhador ser reintegrado em virtude de decisão judicial que declare a ilicitude do despedimento, o empregador comunica tal reintegração nos termos previstos para a

PATRÍCIA PINTO ALVES Fundo de compensação do trabalho : 7 adesão, devendo ainda indicar os elementos necessários ao apuramento das entregas em falta, em relação ao período de pendência da ação judicial. Nesta situação, e se por isso o trabalhador for reintegrado, o empregador fica obrigado a, no prazo de 30 dias contados a partir da data do trânsito em julgado daquela decisão: incluir o trabalhador de novo no FCT ou no ME; repor o saldo da conta do registo individualizado do trabalhador à data do despedimento, e realizar as entregas que deixou de fazer em relação a esse trabalhador desde essa data; devolver os valores que tenham sido utilizados com recurso ao FGCT, se este tiver sido acionado. Ora, nos casos em que haja adesão ao FCT, com a comunicação referida o FCT procede à reativação da conta de registo individualizado do trabalhador. Nestes casos o empregador tem o dever de devolver o valor reembolsado pelo FCT e demais valores em dívida aos Fundos nos prazos previstos pela lei, conforme documentos de pagamento obtidos no site supra referido. 4. Pagamento pelo FGCT É de frisar que o FGCT efetua o pagamento dos montantes devidos ao trabalhador desde que este apresente requerimento no site www.fundoscompensacao.pt. Tal fundo pagará então ao trabalhador o montante necessário de forma a perfazer 50% do valor da compensação a que este tenha direito na sequência da cessação do seu contrato de trabalho descontado do valor que lhe tiver sido entregue pelo empregador. Ora, após o recebimento do requerimento do trabalhador, o FGCT solicita ao empregador, para o respetivo endereço eletrónico, a informação concernente à cessação do contrato de trabalho, nomeadamente a que título esta operou, assim como relativa aos montantes eventualmente pagos pelo empregador ao trabalhador a título de compensação, devida por cessação do contrato de trabalho, calculada nos termos do CT. Porém, quando o empregador não preste a informação referida, o FGCT solicita os elementos necessários à ACT. Destarte, é ainda de explicitar a forma como a decisão acerca do requerimento é notificada aos interessados. Assim, esta é realizada da seguinte maneira: ao trabalhador, por carta registada com aviso de receção; ao empregador, para o respetivo endereço eletrónico; ao Fundo de Garantia Salarial, por meios eletrónicos. Contudo, o FGCT emite declarações anuais para efeitos fiscais. Havendo lugar à devolução dos valores que tenham sido pagos pelo FGCT ao trabalhador, pode este proceder ao pagamento global da dívida conforme documento de pagamento previamente emitido, ou requerer o respetivo pagamento em prestações no sítio eletrónico.

VERBO jurídico Fundo de compensação do trabalho: 8 5.Limite da cobertura O FGCT não responde por qualquer valor sempre que o empregador tenha pago ao trabalhador valor igual ou superior a metade da compensação devida por cessação do contrato de trabalho. 6.Adesão O empregador é obrigado a aderir ao FCT, salvo se resolver optar por aderir a ME. Para isso essa opção é feita em bloco, relativamente à totalidade dos trabalhadores ao serviço do respetivo empregador. No entanto, com a celebração do primeiro contrato de trabalho abrangido por este regime, e consequente comunicação de admissão do trabalhador ao FCT ou a ME, a adesão aos mesmos efetivase automaticamente, através da via da inclusão do respetivo trabalhador naqueles. Ora, todas as declarações concernentes à adesão e identificação dos dados necessários dos empregadores e trabalhadores, a prestar pelos empregadores, são efetuadas no site supra referido. Porém, o empregador tem a obrigação de incluir os trabalhadores no FCT ou em ME até à data do início de execução dos respetivos contratos de trabalho. Após a celebração do primeiro contrato de trabalho abrangido por este regime, o empregador procede à comunicação ao FCT e ao FGCT da admissão de novos trabalhadores, para efeitos da sua inclusão no FCT e no FGCT. Com a adesão ao FCT é criada, pela entidade gestora, uma conta global, em nome do empregador, que prevê obrigatoriamente contas de registo individualizado, respeitantes a cada um dos seus trabalhadores. Ora, em caso de adesão a ME, a admissão de novos trabalhadores deve ser comunicada, pelo empregador, ao FGCT, até à data do início da execução dos respetivos contratos de trabalho. Mas, o incumprimento destas regras constitui contraordenação muito grave. A informação atualizada sobre o montante das entregas feitas e a valorização da conta do empregador e respetivas contas de registo individualizado de cada trabalhador, relativamente aos 12 meses transatos, é igualmente disponibilizada no site www.fundoscompensacao.pt. Contudo, a adesão ao FCT é efetuada pelo empregador mediante declaração efetuada no referido site quando for admitido o primeiro trabalhador abrangido pelo regime que cria aqueles fundos. Com essa declaração, é automaticamente efetivada a adesão do empregador ao FGCT. O empregador deve comunicar a admissão de cada trabalhador que venha a ser admitido até à data do início de execução do respetivo contrato, para efeitos da sua inclusão. De realçar que são definidos os elementos de identificação do empregador, do trabalhador e do contrato de trabalho. Todas as alterações a estes elementos têm de ser comunicadas pelo empregador, no site, no prazo de cinco dias. De todo o modo, é dever do empregador o de comunicar a atualização do valor da retribuição base e de diuturnidades quando se verifiquem alterações a estes valores, em data anterior à produção

PATRÍCIA PINTO ALVES Fundo de compensação do trabalho : 9 de efeitos dessa alteração. Ora, por outro lado, sempre que estas alterações resultem de facto que preveja efeitos retroativos, o empregador deve comunicá-las na data em que tenha conhecimento da situação ou do facto relevante. Quando se verifique situação que determine a não contagem de antiguidade do trabalhador, o valor das entregas nos meses em que tal se verifique e cesse é calculado com base na retribuição base e diuturnidades devidas pelo empregador nesses meses. Para estes efeitos, o empregador deve comunicar a situação que determine a não contagem de antiguidade do trabalhador na data em que tenha conhecimento da situação ou do facto relevante, operando a regularização devida no valor da entrega seguinte. 7.Como alterar contrato A entidade empregadora é obrigada a comunicar toda e qualquer modificação nos termos do contrato dos trabalhadores abrangidos que determine alteração do valor da sua retribuição base ou das diuturnidades a que ele tenha direito. á ainda obrigada a comunicar toda e qualquer modificação que tenha impacto na forma de cálculo da compensação devida pela cessação do contrato de trabalho, designadamente os períodos de indisponibilidade suscetíveis de diminuir o tempo de antiguidade do trabalhador (ex. faltas injustificadas). O empregador deve, portanto, manter atualizados os registos relativos aos seus trabalhadores. A violação deste dever constitui contraordenação grave e é reportada à ACT, nos termos da Lei 70/2013 de 30 de Agosto. As alterações aos registos dos trabalhadores são realizadas em www.fundoscompensacao.pt e produzirão efeitos a partir do período de pagamento seguinte. Sem prejuízo, se das alterações comunicadas resultar o recálculo de contribuições passadas, tais acertos serão sempre refletidos nos pagamentos futuros. Se tal recálculo vier a determinar que o empregador pagou menos do que devia, no pagamento a efetuar no mês seguinte será incluída a totalidade do valor em falta. Verificando-se situação contrária (empregador pagou dinheiro a mais), o pagamento seguinte virá deduzido do valor pago a mais. Em qualquer dos casos será reportado à ACT o não cumprimento tempestivo pelo empregador do dever de atualização das informações relativas aos contratos de trabalho dos seus trabalhadores, incorrendo este em contraordenação grave. 8.Cessação da adesão A adesão ao FCT e ao FGCT termina com a cessação da atividade do empregador no sistema de segurança social. No entanto, a adesão ao FCT implica que o empregador tem de pagar as respetivas entregas, assim como a adesão ao FCT ou a ME determina, para o empregador, a obrigatoriedade do pagamento de entregas para o FGCT. Estas entregas são devidas a partir do momento em que se inicia a execução

VERBO jurídico Fundo de compensação do trabalho: 10 de cada contrato de trabalho e até à sua cessação, salvo nos períodos em que inexista contagem de antiguidade. Destarte, no início da execução de cada contrato de trabalho o empregador deve declarar ao FGCT e, quando aplicável, ao FCT o valor da retribuição base do trabalhador, devendo esta declaração ser objeto de atualização sempre que se verifiquem alterações do seu montante ou das diuturnidades a que o trabalhador venha a ter direito. Ora, constitui contraordenação muito grave a violação no que respeita à falta de declaração inicial do valor da retribuição base do trabalhador. De referir que, constitui contraordenação grave a violação da obrigação de comunicação de atualização, sempre que devida. Qualquer comportamento, do empregador ou do trabalhador, conducente ao acionamento do FCT ou do FGCT fora das condições e fins previstos na presente lei determina a recusa de pagamento dos valores requeridos. 9. Transmissão de empresa ou de estabelecimento (artigo 16.º da Lei n.º 70/2013, de 30 de Agosto) Para começar, iremos mencionar que em caso de transmissão, por qualquer título, da titularidade de empresa ou de estabelecimento ou ainda de parte de empresa ou de estabelecimento que constitua uma unidade económica, o transmissário assume a titularidade da conta global que pertencia ao transmitente. Sempre que essa transmissão imponha que o transmitente mantenha a titularidade da conta global em relação a trabalhadores não abrangidos pela transmissão, o saldo da conta de registo individualizado dos trabalhadores incluídos na transmissão, incluindo a eventual valorização positiva, deve ser transmitido para a conta global do transmissário, já existente à data da transmissão. Neste caso, se o transmissário não dispuser ainda de conta global no FCT, a mesma deve ser constituída, por adesão do transmissário àquele, aplicando-se, com as necessárias adaptações, as regras concernentes à adesão. Destarte, em caso de transmissão de empresa, de estabelecimento ou de posição contratual, o empregador originário deve comunicar, na data em que se verifique, a transmissão da empresa ou estabelecimento, total ou parcial, ou a transmissão da posição contratual, assim como a identificação do novo empregador, devendo este, no prazo legal, dar cumprimento às regras relativas à adesão ou à inclusão dos trabalhadores. 10.Regularização da dívida ao FCT e ao FGCT A dívida pode ser regularizada através do seu pagamento voluntário. O pagamento voluntário pode ser efetuado pelo montante global da dívida ou em prestações, mediante acordo, a celebrar com

PATRÍCIA PINTO ALVES Fundo de compensação do trabalho : 11 o FCT ou com o FGCT, nos casos e nas condições aprovadas por deliberação dos respetivos conselhos de gestão. A preterição de regularização voluntária da dívida determina a sua cobrança coerciva, uma vez que esta é equiparada a dívidas à segurança social. No entanto, a cobrança coerciva tem por base certidão. Esta certidão é emitida pelo presidente do conselho de gestão do respetivo fundo, com assinatura devidamente autenticada, a data em que foi emitida, o nome e o domicílio do devedor, a proveniência da natureza dos créditos e a indicação, por extenso, do seu montante, bem como a data a partir da qual são devidos juros de mora e sobre que importância estes incidem. Contudo, sendo o património do empregador insuficiente para garantir o pagamento da totalidade dos créditos referidos, designadamente os da massa insolvente, os créditos em que o FGCT ficou sub-rogado são pagos imediatamente após satisfeitos os créditos dos trabalhadores. Por fim, há que realçar que a fiscalização e o procedimento de contraordenações previstas relativas à conduta do empregador são da competência da ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho). 11.Tratamento fiscal das entregas e dos reembolsos De mencionar que os pagamentos aos trabalhadores, são tributáveis nos termos do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS). Ora, é de destacar que as entregas efetuadas ao FGCT são consideradas gasto fiscal, no período de tributação em que são efetuadas. O reembolso à entidade empregadora do saldo da conta de registo individualizado do respetivo trabalhador é considerado rendimento para efeitos fiscais, pelo montante correspondente à valorização positiva gerada pelas aplicações financeiras dos valores afetos ao FCT, deduzido das respetivas despesas administrativas. 12. Procedimentos Os procedimentos inerentes ao funcionamento dos Fundos processam-se através do site www.fundoscompensacao.pt. Porém, falta ainda ser publicada a portaria que vai definir a relação entre os empregadores e o Mecanismo Equivalente e entre os Fundos e o mesmo. As declarações efetuadas são utilizadas para o apuramento de responsabilidade por cada um dos Fundos. Ora, o FCT e o FGCT utilizam os dados declarados no site supra mencionado relativos ao empregador e aos trabalhadores para as comunicações legalmente previstas à ACT e para efeitos de interconexão de dados com o sistema de Segurança Social com vista à obtenção dos dados necessários

VERBO jurídico Fundo de compensação do trabalho: 12 ao funcionamento dos fundos que permitam simplificação das obrigações declarativas da responsabilidade dos empregadores. 13.Majoração do período de férias De referir que por força do Acórdão n.º 602/2013, foi declarado a inconstitucionalidade de algumas normas contidas no Código do Trabalho na redação que lhe foi dada pela Lei n.º 23/2012 de 25 de Junho. Ora, no que aos setores representados pela APICCAPS concerne, há que repor a constitucionalidade no que se refere: À majoração do período de férias estabelecida pelo CCT celebrado antes da Lei 23/2012, pelo que terá de ser cumprido os n.ºs 3 e segs da cláusula 61.º do CCT as empresas terão de até final do corrente ano conceder aos trabalhadores, que tenham direito, o acréscimo de dias de férias (acréscimo de 3, 2 ou 1 dias), que não gozadas este ano pelo trabalho prestado em 2012. Descanso compensatório por trabalho suplementar cumprir com o n.º 5 da cláusula 28.º do CCT. CONCLUSÕES: 1. Enquanto a Lei 70/2013 de 30 de Agosto estabelece os Regimes Jurídicos do FUNDO DE COMPENSAÇÃO DO TRABALHO (FCT) do MECANISMO EQUIVALENTE (ME) e do FUNDO DE GARANTIA DA COMPENSAÇÃO DO TRABALHO (FGCT), a portaria 294 A de 30 de Setembro estabelece a regulamentação dos procedimentos para operacionalizar o funcionamento dos Fundos. 2. Os Fundos aplicam-se apenas aos trabalhadores admitidos a partir de 01 de Outubro de 2013 e o seu funcionamento processa-se através do sítio eletrónico que foi devidamente criado para o efeito. 3. A portaria referida supra prevê uma interconexão entre os Fundos e a Segurança Social. 4. A relação dos empregadores que optem pelo MECANISMO EQUIVALENTE (ME) e da interligação entre os Fundos e o ME, vai ser objeto de Portaria autónoma. 5. Relativamente à operacionalização do funcionamento, o FCT e o FGCT é operacionalizado através do sítio próprio www.fundoscompensacao.pt/ com todas as declarações e identificações necessárias quer dos empregadores quer dos trabalhadores. 6. Quanto à adesão, a adesão ao FCT é efetuada mediante declaração no sítio eletrónico e automaticamente efetivada a adesão do empregador ao FGCT com a declaração efetuada no sítio eletrónico e automaticamente efetivada a adesão do empregador ao FGCT com a declaração de admissão do primeiro trabalhador após 01/10/2013.

PATRÍCIA PINTO ALVES Fundo de compensação do trabalho : 13 7. No que concerne aos elementos de identificação do empregador, do trabalhador e do contrato de trabalho Art. 4 e 5 da PORTARIA, o empregador deve comunicar a atualização dos valores da retribuição. Porém, o pagamento ao FCT é feito através de multibanco ou homebanking mediante prévia emissão de documento de pagamento. De mencionar ainda que os montantes em dívida pagam-se conjuntamente com o pagamento das entregas do mês seguinte, mediante documento obtido no sítio eletrónico. 8. Quando ocorrer a cessação do contrato, o empregador faz o pedido de reembolso do saldo da conta individualizada do trabalhador mediante a introdução, no sítio eletrónico da identificação do trabalhador e da data da cessação do contrato. 9. Porém, se a cessação não vier a ocorrer, o empregador comunica ao FCT a manutenção do contrato com o trabalhador. O Fundo de Garantia e Compensação do Trabalho (FGCT), cuja entrega é de 0,075% da retribuição base e diuturnidades de cada trabalhador abrangido, pode ser acionado, mediante requerimento, pelo trabalhador no caso de o empregador não ter pago pelo menos metade da compensação. O FGCT após receção do requerimento do trabalhador, solicita informação ao empregador e se este não responder ao ACT. 10. A Lei 70/2013 estabelece os seguintes regimes jurídicos: Do Mecanismo Equivalente ME (artigo 36.º da referida lei); Do Fundo de Compensação do Trabalho FCT; Do Fundo de Garantia de Compensação do Trabalho FGCT. 11. O FCT e o FGCT são fundos destinados a assegurar o direito dos trabalhadores ao recebimento efetivo de metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho. 12. O FCT é um fundo de capitalização individual, a ser acionado pelo empregador, que visa garantir o pagamento de metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho. 13. O ME é um meio alternativo ao FCT, a constituir em entidades sujeitas à supervisão do Banco de Portugal, I.P., pelo qual o empregador fica vinculado a conceder ao trabalhador garantia igual à que resultaria da vinculação do empregador ao FCT. 14. O FGCT é um fundo de natureza mutualista, que poderá ser acionado pelo trabalhador nos casos em que não tenha recebido do empregador, pelo menos, o montante correspondente a metade do valor da compensação devida por cessação do contrato de trabalho. Num momento inicial, a gestão dos fundos será assegurada pelas entidades competentes na área da solidariedade e segurança social, em virtude da experiência acumulada e reconhecida em termos de mitigação de risco. 15. No entanto, relativamente aos aspetos principais relacionados com a adesão e funcionamento destes Fundos, o empregador é obrigado a aderir ao FCT, exceto opção por adesão a ME. Ora, a opção supra prevista é efetuada em bloco, relativamente à totalidade dos trabalhadores ao serviço do respetivo empregador.

VERBO jurídico Fundo de compensação do trabalho: 14 16. De referir que com a celebração do primeiro contrato de trabalho abrangido por esta lei, e consequente comunicação de admissão do trabalhador ao FCT ou a ME, a adesão aos mesmos efetiva-se de forma automática, por via da inclusão do respetivo trabalhador naqueles. 17. O empregador deve incluir os trabalhadores no FCT ou em ME até à data do início de execução dos respetivos contratos de trabalho. 18. Porém, após a celebração do primeiro contrato de trabalho abrangido por esta lei, o empregador procede à comunicação ao FCT e ao FGCT da admissão de novos trabalhadores, para efeitos da sua inclusão no FCT e no FGCT. 19. Com a adesão ao FCT é criada, pela entidade gestora, uma conta global, em nome do empregador, que prevê obrigatoriamente contas de registo individualizado, respeitantes a cada um dos seus trabalhadores. 20. Ora, a adesão ao FGCT opera de modo automático, com a adesão do empregador ao FCT ou a ME. 21. De referir que o valor das entregas da responsabilidade do empregador para o FCT corresponde a 0,925% da retribuição base e diuturnidades devidas a cada trabalhador abrangido. 22. O valor das entregas da responsabilidade do empregador para o FGCT corresponde a 0,075% da retribuição base e diuturnidades devidas a cada trabalhador abrangido pelo FCT ou ME. 23. As entregas são pagas 12 vezes por ano, mensalmente, nos prazos previstos para o pagamento de contribuições e quotizações à segurança social e respeitam a 12 retribuições base mensais e diuturnidades, por cada trabalhador. 24. O pagamento das entregas ao FCT e ao FGCT é efetuado nos termos e através dos meios eletrónicos que serão oportunamente definidos através de portaria. 25. Em qualquer caso de cessação do contrato de trabalho o empregador pode solicitar ao FCT, com uma antecedência máxima de 20 dias relativamente à data da cessação do contrato de trabalho, o reembolso do saldo da conta de registo individualizado do respetivo trabalhador, incluindo a eventual valorização positiva. 26. O Mecanismo Equivalente (ME) é um meio alternativo ao FCT, através do qual o empregador concede aos seus trabalhadores garantia igual à que resultaria da sua adesão ao FCT, isto é, a garantia do pagamento parcial (até 50%) da compensação por cessação do contrato de trabalho. 27. Trata-se de um mecanismo designado pela entidade empregadora e gerido por uma entidade privada sujeita à supervisão do Banco de Portugal ou do Instituto de Seguros de Portugal e que esteja legalmente autorizada a exercer a gestão e comercialização desse instrumento, que deverá ser identificado como ME. 28. A constituição de determinado instrumento como ME é precedida de prévia comunicação às entidades competentes e depende da emissão de parecer prévio de conformidade de tal

PATRÍCIA PINTO ALVES Fundo de compensação do trabalho : 15 instrumento com os objetivos e os interesses que o regime visa proteger com a criação do FCT. 29. Ao contrário do que acontece com o FCT, a entidade empregadora pode optar por aderir a diferentes ME relativamente aos seus trabalhadores, desde que daí não resulte prática discriminatória em relação a qualquer trabalhador. 30. A opção inicial por FCT ou ME pode, a qualquer momento, ser revertida, podendo a entidade empregadora solicitar em www.fundoscompensacao.pt/ a transferência de FCT para ME ou vice-versa. 31. O regime aplicável ao ME é, genericamente, o mesmo que se aplica ao FCT, incluindo o regime contraordenacional. PATRÍCIAPINTOALVES Portal Verbo Jurídico 03-2015