Resumo para o Enem: Poesia do Século XIX

Documentos relacionados
Troca do Livro LIÇÕES DE FRANCÊS, PORTUGUÊS E HISTÓRIA - 5 ano 5º A e B 5º C Semana de 9 a 13 de abril de 2018 terça-feira quarta-feira

LISTA DE EXERCÍCIOS PARA RECUPERAÇÃO FINAL DE LITERATURA 1ª SÉRIE

Prof.ª Kalyne Varela

ROMANTISMO NA ALEMANHA

LUIZ ROMERO LITERATURA ROMANTISMO PAZ NA ESCOLA

ROMANTISMO Profa Giovana Uggioni Silveira

A área de conhecimento de Linguagens e Códigos é dividida entre língua portuguesa, língua estrangeira (inglês ou espanhol), literatura, arte,

CEM 02/GAMA. O Navio Negreiro (Tragédia no mar Castro Alves)

ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE LEITURA

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

ROTEIRO DE RECUPERAÇÃO DE PROCEDIMENTOS DE LEITURA

PAZ NA ESCOLA LUIZ ROMERO LITERATURA ROMANTISMO CONTINUAÇÃO

Romantismo no Brasil 2ª e 3ª Geração

Os sentimentos estimulados pelo espetáculo trágico não são removidos de maneira permanente e definitiva... Embora tranquilize durante algum tempo.

Convite. Poesia é brincar com palavras como se brinca com bola, papagaio, pião. Só que bola, papagaio, pião de tanto brincar se gastam.

INSTRUMENTO PARA ANÁLISE E JULGAMENTO DE RECURSOS

Exercícios do ver literário. As respostas das questões desses slides estão no seu caderno. Use-as para estudar.

José Francisco da Rocha

Orientação de estudos

Romantismo: Poesia (1ª Geração)

Exatas Aula 1 Apostila 1. A Língua Portuguesa nos Novos Vestibulares

LITERATURA BRASILEIRA I ROMANTISMO POESIA

PAES 1ª ETAPA 2017 POEMAS DA INFÂNCIA. Meus oito anos

Romantismo Poesia 1ª e 2ª Geração

Simbolismo - autores e características

AULA AO VIVO - INTRODUÇÃO AOS ESTILOS DE ÉPOCA (07/03/2014)

Leia o texto para responder as questões 01, 02, 03, 04 e 05. Meus oito anos

Canção do Exílio (Gonçalves Dias) Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.

Portuguese Poetry. Meus Oito Anos Casimiro de Abreu

PORTUGUÊS. Literatura Romantismo Poesia. Prof.ª Isabel Vega

Literatura Fransergio Av. Mensal 26/02/14 INSTRUÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DA PROVA LEIA COM MUITA ATENÇÃO

Romantismo Poesia 2ª e 3ª Geração

Os direitos autorais da presente obra estão liberados para sua difusão, desde que sem fins comerciais e citada a fonte.

A Literatura no Ensino Médio

Lista de exercícios Aluno (a): Turma: 2 ANO

PARÓDIA E PARÁFRASE. Paráfrase

PORTUGUÊS.

O Navio Negreiro de Castro Alves

GOIÂNIA, / / PROFESSOR: Daniel

Simbolismo - autores e características

SEMÂNTICA PARTE II. Língua Portuguesa 3º trimestre 1º ano E. M. Prof. Eduardo Belmonte

o NAVIO NEGREIRO (Tragédia 110 Mar)

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE TANGUÁ - RJ EDITAL Nº 01/ CONCURSO PÚBLICO VESPERTINO 22/01/2017

I CANÇÃO DO EXÍLIO. Eu nasci além dos mares: Os meus lares, Meus amores ficam lá! Onde canta os retiros Seus suspiros, Suspiros o sabiá!

Preocupações com a Identidade Nacional

Roteiro de estudos 2º trimestre. Gramática Literatura-Texto-Espanhol-Inglês. Orientação de estudos

O diálogo entre o poema Meus oito anos, de Casimiro de Abreu, e a música de Chico Buarque de Hollanda, Doze anos.

1º grupo chamado de primeira geração romântica em que se destacam duas tendências básicas: o misticismo (intensa religiosidade) e o indianismo.

GOIÂNIA, / / PROFESSOR: Daniel DISCIPLINA: LITERATURA. Antes de iniciar a lista de exercícios leia atentamente as seguintes orientações:

Educaçã. Quanta Ciência há no ensino de Ciências LABORATÓRIO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA ILHA CIÊNCIA DA UNIVERIDADE FEDERAL DO MARANHÃO

17 DE DEZEMBRO DE CARGO: Contador(a)


PAZ NA ESCOLA LUIZ ROMERO LITERATURA ROMANTISMO CONTINUAÇÃO

NAVIO NEGREIRO CASTRO ALVES ADRIANA LETE/ ANA MARIA/ TELMA PAES.

7 - Romantismo. Gerações Poéticas do Romantismo

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE TANGUÁ - RJ EDITAL Nº 01/ CONCURSO PÚBLICO VESPERTINO 22/01/2017

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE TANGUÁ - RJ EDITAL Nº 01/ CONCURSO PÚBLICO VESPERTINO 22/01/2017

COLONIZAÇÃO E ECONOMIA AÇUCAREIRA. Prof. Victor Creti Bruzadelli

INTRODUÇÃO À LITERATURA. Professora Michele Arruda

Orientações. palmares zune, Rugindo os longos, encontrados leques."

Romantismo Poesia 1ª e 2ª Geração

POESIA E MÚSICA: DIÁLOGOS SOBRE A INFÂNCIA

LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA

AS GERAÇÕES ROMÂNTICAS NO BRASIL

GOIÂNIA, / / PROFESSOR: Daniel. Antes de iniciar a lista de exercícios leia atentamente as seguintes orientações:

Português. 1. Leia os seguintes poemas e faça o que se pede:

A um poeta Olavo Bilac

Exercícios de Revisão dos Temas

Eis que chega meu grande amigo, Augusto dos Anjos, ele com seu jeitão calado e sempre triste, me fala que não irá existir palavra alguma para

SONETO. SONETO Fagundes Varela ( )

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

QUESTÕES. 2. Quais os principais autores e obras do movimento naturalista?

CASTRO ALVES O ABOLICIONISTA

O ENEM E A INTERTEXTUALIDADE. 1- (Enem 2009)

POESIAS Olavo Bilac. Edição especial para distribuição gratuita pela Internet, através da Virtualbooks.

CEM 02/GAMA. Minha terra tem palmeiras. As aves, que aqui gorjeiam, Nosso céu têm mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores,

2ª e 3ª Gerações Românticas

PRECEDENTE HISTÓRICO. Castro Alves- Navio Negreiro. Negros vindos em navio negreiros.

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

GUAMARÉ, RETALHOS POÉTICOS

Lit. Diogo Mendes (Maria Carolina)

Comigo mais poesia. Nelson Martins. Reflexões e Sentimentos

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

Obra: A menina que só falava em versos Autor: J. J. Dacosta LIVRO 32 - A MENINA QUE SÓ FALAVA EM VERSOS

OXUM PONTOS DE LINHA. 2. Olha o barquinho de Cinda > Cinda é quem vem trabalhar >2x Cinda é mamãe Oxum, aieiêo > Cinda é a cobra coral >2x

Metamorfose. Francisco Júlio Barbosa Lima Filho 2º Master Ensino Médio - Tarde

Haicai - Uma viagem pela poesia japonesa tradicional

ROMANTISMO. Exercícios de revisão - Romantismo brasileiro

FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA

Colégio Santa Dorotéia

Simulado ENEM Interpretação de Textos Prof. Bruno Luiz QUESTÃO 02

Transcrição:

Resumo para o Enem: Poesia do Século XIX Texto 1 Canção do exílio Kennst du das Land, wo die Citronen blühn, Im dunkeln Laub die Gold-Oragen Glühn, Kennst du es wohl? Dahin, dahin! Möcht ich ziehn.* (Goethe) Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar sozinho, à noite Mais prazer encontro eu lá; Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, (Gonçalves Dias) * Conheces o país onde florescem as laranjeiras? Ardem na escura fronde os frutos de ouro. Cenhece-lo? Para lá quisera eu ir! (Tradução: Manuel Bandeira)

Texto 2 Meus oito anos (fragmento) Oh! que saudades que eu tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência! Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é lago sereno, O céu um manto azulado, O mundo um sonho dourado, A vida um hino d amor! Que auroras, que sol, que vida, Que noites de melodia Naquela doce alegria, Naquele ingênuo folgar! O céu bordado d estrelas, A terra de aromas cheia, As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar! Oh! dias de minha infância! Oh! meu céu de primavera! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez de mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minha irmã! Livre filho das montanhas, Eu ia bem satisfeito, De camisa aberta ao peito, Pés descalços, braços nus Correndo pelas campinas À roda das cachoeiras, Atrás das asas ligeiras Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos Ia colher as pitangas, Trepava a tirar as mangas, Brincava à beira do mar; Rezava às Ave-Marias, Achava o céu sempre lindo, Adormecia sorrindo, E despertava a cantar! (Casimiro de Abreu) Texto 3 Navio negreiro (fragmento) Era um sonho dantesco... o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar de açoite... Legio es de homens negros como a noite, Horrendos a dançar... Negras mulheres, suspendendo a s tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em a nsia e mágoa vãs! E ri-se a orquestra iro nica, estridente... E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais... Se o velho arqueja, se no chão resvala, Ouvem-se gritos... o chicote estala. E voam mais e mais... Presa nos elos de uma so cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que martírios embrutece, Cantando, geme e ri! No entanto o capitão manda a manobra, E apo s fitando o céu que se desdobra, Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros: "Vibrai rijo o chicote, marinheiros! Fazei-os mais dançar!..."

E ri-se a orquestra iro nica, estridente... E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais... Qual um sonho dantesco as sombras voam!... Gritos, ais, maldiço es, preces ressoam! E ri-se Satanás!... (Castro Alves) Texto 4 A um poeta Longe do estéril turbilhão da rua, Beneditino, escreve! No aconchego Do claustro, na paciência e no sossego, Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua! Mas que na forma se disfarce o emprego Do esforço; e a trama viva se construa De tal modo, que a imagem fique nua, Rica mas sóbria, como um templo grego. Não se mostre na fábrica o suplício Do mestre. E, natural, o efeito agrade, Sem lembrar os andaimes do edifício: Porque a beleza, gêmea da Verdade, Arte pura, inimigo do artifício, É a força e a graça na simplicidade. (Olavo Bilac) Texto 5 Cavador do Infinito Com a lâmpada do Sonho desce aflito E sobe aos mundos mais imponderáveis, Vai abafando as queixas implacáveis, Da alma o profundo e soluçado grito. Ânsias, Desejos, tudo a fogo, escrito Sente, em redor, nos astros inefáveis. Cava nas fundas eras insondáveis O cavador do trágico Infinito. E quanto mais pelo Infinito cava mais o Infinito se transforma em lava E o cavador se perde nas distâncias... Alto levanta a lâmpada do Sonho.

E como seu vulto pálido e tristonho Cava os abismos das eternas ânsias! (Cruz e Sousa)