AFEGANISTÃO Contexto: O Afeganistão, por sua posição geopolítica, marca-se na história como um centro intermediário de relações comerciais e migrações da humanidade ao longo da história. Os fluxos migratórios entre Ásia, Europa e Oriente Médio culminaram por fazer do Afeganistão uma das regiões mais contestadas e dominadas ao longo da história. Este fato mostra-se desde os tempos antigos, quando esteve sob domínio persa, macedônio e hindu, até os tempos mais modernos, sob o controle dos turcos otomanos, britânicos e soviéticos. É natural, portanto, que a história do Afeganistão seja repleta de conflitos, povos, impérios, eventos e fatos marcantes, mas estes não serão mencionados, visto que o trecho mais relevante da história desta região inicia-se em 1747. Neste ano, iniciou-se a dinastia Durrani, com a aclamação do rei Ahmad Shah Durrani, que logo conquistou a maior parte do território hoje compreendido pelo Afeganistão. Esta dinastia acaba por degenerar, uma vez que, com a morte do rei Ahmad Shah, seus filhos e demais líderes da região passaram a competir em disputas de poder, valendo-se de assassinatos e exílios. A decadência do quadro político do Afeganistão termina com a queda da dinastia Durrani, em 1826, e o início da dinastia Barakzai, com a ascensão do novo rei Dost Mohammed Khan.
Durante este período, o Afeganistão foi foco de interesse do Império Britânico e do Império Russo, o que fez com que os ingleses procurassem o maior grau de controle que pudessem, enquanto afastavam a influência russa. Iniciou-se uma série de iniciativas militares inglesas na região, o que fez com que eclodissem três guerras anglo-afegãs: a primeira, de 1839 a 1842; a segunda, de 1878 a 1880 e a terceira, em 1919. O controle foi efetivamente assumido de 1880 a 1919, período no qual o Afeganistão caracterizava-se como um protetorado do Império Britânico, até ser novamente considerado independente. A independência do Afeganistão foi conquistada sob a liderança do rei Amanullah Khan, que logo tomou medidas de inserção internacional do Afeganistão, estabelecendo relações diplomáticas com a maioria dos Estados do globo. Além disso, Amanullah Khan propunha um caminho à modernização do Afeganistão, e defendia vigorosamente medidas liberais como a abolição do véu para as mulheres, a obrigatoriedade do estudo no ensino fundamental (inclusive para mulheres) e etc. Estas mesmas medidas, no entanto, não foram bem aceitas pelos líderes locais mais radicais e religiosos, que tomaram armas e demandaram que o rei abandonasse o trono, quando Kabul ruiu diante das forças de Habibullah Kalakani. Kalakani, por sua vez, foi derrotado e assassinado em 1929, pelo primo do antigo rei Amanullah Khan, Mohammed Nadir Khan. Seguiu-se então um novo reino até 1973, quando condições sociais e políticas inaceitáveis conduziram a um golpe não violento no qual instaurou-se a república no Afeganistão. No entanto, as medidas do novo presidente e a nova constituição não foram suficientes para acalmar os ânimos no ambiente político afegão, e não houve apoio popular ao novo governo. Por este motivo, um outro golpe ocorreu em 1978, desta vez sangrento, com o assassinato do presidente e toda sua família. Iniciou-se então uma típica ditadura de esquerda, de alinhamento marxistaleninista, apoiada pela União Soviética. Apesar dos esforços para a modernização da economia afegã e a melhoria do quadro social, com ações nas áreas de saúde,
educação e transporte, a agenda do novo governo continha itens pouco aprazíveis aos olhos do povo afegão, como a instauração do Estado laico e os direitos iguais entre os sexos. Iniciou-se, então, principalmente nas regiões rurais, um levante popular contra o governo. O exército e a economia eram financiados e apoiados pela União Soviética, o que despertou iniciativas dos Estados Unidos para interromper esta influência na região. Com a revolução no Irã e a queda de influência soviética no Oriente Médio, os Estados Unidos aproveitaram para aproximar-se do governo do Afeganistão, ação considerada inaceitável pelos soviéticos. Em 1979, um embaixador norteamericano em missão foi assassinado, o que fez com que os Estados Unidos retirassem suas ações de assistência bilateral e treinamento militar. Houve, então, a invasão da União Soviética no Afeganistão. Os Estados Unidos, ao invés de entrar em conflito direto com os soviéticos, passaram a dar apoio logístico, tecnológico e militar aos mujahadeen, nome atribuído aos soldados que tentavam resistir à invasão. A invasão perdurou até 1989, quando a União Soviética se retirou devido aos gastos e ao aumento no número de mortos e feridos. Em 1992, com a queda do regime comunista no Afeganistão, os partidos políticos afegãos assinaram um acordo de paz e divisão de poder chamado de Acordos de Peshawar, no qual instaurava-se o Estado Islâmico do Afeganistão. Um dos partidos, no entanto, apoiado pelo governo do Paquistão, se opôs às medidas e passou a atacar regularmente as forças do governo em Kabul. Iniciouse então uma guerra civil, visto que outros países do Oriente Médio aproveitaram-se do quadro instável no Afeganistão para movimentar suas próprias agendas de segurança. Irã e Arábia Saudita também controlavam grupos militares na região. O Afeganistão estava completamente fragmentado, e ao sul do país, onde o governo interino não tinha autoridade, surge o Talibã. Quando o governo finalmente conseguiu defender Kabul e derrotar a oposição armada, o Talibã controlava grande parte do sul afegão. O governo interino então promoveu uma ação para instaurar a
democracia pluripartidária com eleições regulares, e consolidar a nação, convidando o Talibã a participar do processo: o Talibã recusou o convite. Iniciou-se, então, em 1996, um processo no qual o Talibã conquistou todo o território afegão à força, com massacres sistemáticos e opressão da população. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, os Estados Unidos compõem, com o Reino Unido, a iniciativa de ocupar o território afegão, derrubar o governo Talibã e instaurar a democracia. Em 2004, assume a presidência Hamid Karzai, o primeiro presidente democraticamente eleito do Afeganistão. No entanto, até hoje questiona-se a validade do processo de instauração da democracia e da vigilância dos Estados Unidos, Reino Unido e ONU sobre o Afeganistão, e há evidências de que o Talibã ainda opera na região. Até hoje o Afeganistão é tido como um dos países mais perigosos do mundo, e o governo norteamericano frequentemente é criticado por suas ações no país, com ataques a civis e desrespeito aos direitos humanos dos cidadãos afegãos. Os Estados Unidos afirmam que grande parte da resistência afegã é promovida pelo Paquistão. Uma das maiores preocupações da comunidade internacional diante do Afeganistão é a de que as armas nucleares norteamericanas instaladas no Oriente Médio pudessem ser adquiridas por terroristas extremistas, ou pelo próprio Talibã. Não há evidências de que estes grupos detêm arsenais nucleares, mas o risco de extravio de material é constante. Parceiros Comerciais: Importações: Estados Unidos, Paquistão, Rússia, Índia, Alemanha Exportações: Paquistão, Índia, Tadjiquistão, Rússia, Bangladesh Tratados Relevantes: Tratado sobre Proibição Parcial de Testes Nucleares assinado (1963) e ratificado (1964) Tratado do Espaço Exterior assinado (1967) e ratificado (1988) Tratado de Não-Proliferação assinado (1968) e ratificado (1970) Tratado de Controle de Armas no Leito Marítimo assinado e ratificado (1971) Convenção de Modificação Ambiental ratificado (1985)
Tratado para a Proibição Completa dos Testes Nucleares assinado (2003) e ratificado (2003)