INE5403 FUNDAMENTOS DE MATEMÁTICA DISCRETA

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Transcrição:

INE5403 FUNDAMENTOS DE MATEMÁTICA DISCRETA PARA A COMPUTAÇÃO PROF. DANIEL S. FREITAS UFSC - CTC - INE Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.1/30

3 - INDUÇÃO E RECURSÃO 3.1) Indução Matemática 3.2) Indução Forte 3.3) Definições Recursivas 3.4) Indução Estrutural 3.5) Algoritmos Recursivos Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.2/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS Algumas vezes pode ser difícil definir um objeto explicitamente, mas pode ser fácil defini-lo recursivamente. Incluindo o item que está sendo definido como parte da definição. A recursão pode ser usada para definir sequências, funções e conjuntos. Exemplo: uma sequência de potências de 2 é dada por: a n = 2 n, para n = 0, 1, 2 mas ela também pode ser definida a partir do 1o termo e de uma regra para encontrar um termo da sequência a partir do anterior, ou seja: a 0 = 1 a n+1 = 2.a n, para n = 0, 1, 2,... Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.3/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Quando definimos uma sequência recursivamente, podemos usar indução para provar resultados sobre a sequência. Quando definimos um conjunto recursivamente: especificamos alguns elementos iniciais em um passo básico e fornecemos uma regra para construir novos elementos a partir que já temos no passo recursivo. Para provar resultados sobre conjuntos definidos recursivamente, utilizamos um método chamado de indução estrutural. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.4/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES A definição recursiva de uma função cujo domínio é o conjunto dos inteiros não-negativos consiste em duas etapas: Passo básico: especificar o valor da função em zero. Passo recursivo: fornecer uma regra para encontrar o valor da função em um inteiro a partir dos seus valores em inteiros menores. Esta definição é chamada de recursiva ou ainda de indutiva. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.5/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Exemplo: Suponha que f é definida recursivamente por: f(0) = 3 f(n + 1) = 2.f(n) + 3 Encontre f(1), f(2), f(3) e f(4). Solução: f(1) = 2f(0) + 3 = 2.3 + 3 = 9 f(2) = 2f(1) + 3 = 2.9 + 3 = 21 f(3) = 2f(2) + 3 = 2.21 + 3 = 45 f(4) = 2f(3) + 3 = 2.45 + 3 = 93 Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.6/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Muitas funções podem ser estudadas recursivamente. Um bom exemplo é a função fatorial. Exemplo: Forneça uma definição recursiva para a função fatorial F (n) = n! e use-a para avaliar 5! Solução: Definição recursiva: F (0) = 1 F (n + 1) = (n + 1)F (n) Avaliando F (5) = 5!: F (5) = 5.F (4) = 5.4.F (3) = 5.4.3.F (2) = = 5.4.3.2.F (1) = = 5.4.3.2.1.F (0) = 5.4.3.2.1.1 = 120 Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.7/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES O Princípio da indução matemática garante que funções definidas recursivamente ficam bem definidas: para todo inteiro positivo, o valor da função neste inteiro é determinado de forma não ambígua ou seja, obtemos o mesmo valor qualquer que seja o modo de aplicar as duas partes da definição Em algumas definições de funções, os valores da função nos primeiros k inteiros positivos são especificados. E então é fornecida uma regra para determinar o valor da função em inteiros maiores a partir dos seus valores em alguns ou todos os inteiros que o precedem. O princípio da indução forte garante que tais definições produzem funções bem definidas. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.8/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Os números de Fibonacci, f 0, f 1, f 2,..., são definidos pelas equações: f 0 = 0, f 1 = 1 f n = f n 1 + f n 2, para n = 2, 3, 4,... Exemplo: encontre os números de Fibonacci f 2, f 3, f 4, f 5 e f 6. Solução: segue da segunda parte da definição que: f 2 = f 1 + f 0 = 1 + 0 = 1 f 3 = f 2 + f 1 = 1 + 1 = 2 f 4 = f 3 + f 2 = 2 + 1 = 3 f 5 = f 4 + f 3 = 3 + 2 = 5 f 6 = f 5 + f 4 = 5 + 3 = 8 Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.9/30

INDUÇÃO & RECURSÃO Existe uma conexão natural entre recursão e indução: É comum ser usada uma sequência natural em definições recursivas de objetos. É comum a indução ser o melhor (talvez o único) modo de provar resultados sobre objetos definidos recursivamente. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.10/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Pode-se usar a definição recursiva dos números de Fibonacci para provar muitas propriedades destes números. Exemplo: Mostre que, sempre que n 3, temos que f n > α n 2, onde α = (1 + 5)/2. Solução: podemos provar esta desigualdade usando indução forte: Seja P (n): f n > α n 2 Queremos provar que P (n) é V sempre que n 3. Passo básico: 2 = f 3 > α 3 = f 4 > α 2 = (3 + 5)/2 de modo que P (3) e P (4) são ambas V. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.11/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Exemplo (cont.): f n > α n 2, para n 3 Solução: Passo indutivo: vamos assumir que P (j) é V, ou seja: f j > α j 2, j, com 3 j k, onde k 4 (Temos que mostrar que P (k + 1) é V, ou seja: f k+1 > α k 1 ) Como α é uma solução de x 2 x 1 = 0, temos α 2 = α + 1 Portanto: α k 1 = α 2.α k 3 = (α + 1)α k 3 = α α k 3 + 1 α k 3 = α k 2 + α k 3 Pela hipótese indutiva, se k 4, segue que: f k+1 = f k + f k 1 > α k 2 + α k 3 = α k 1 Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.12/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Exemplo: Considere a seguinte definição recursiva da função fatorial: 1! = 1 n! = n(n 1)!, n > 1 Queremos provar que: n 1, n! 2 n 1 Solução: podemos provar esta desigualdade usando indução forte. Seja P (n): n! 2 n 1 Passo básico: P (1) é a proposição 1! 2 0 o que é V, já que 1! = 1 Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.13/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Exemplo (cont.): Provar que: n 1, n! 2 n 1 Solução: Passo indutivo: Queremos provar que P (k) P (k + 1) é uma tautologia. Suponha que k! 2 k 1, para algum k 1 Daí, pela definição recursiva, o lado esquerdo de P (k + 1) é: (k + 1)! = (k + 1)k! (k + 1)2 k 1 usando P (k) 2 2 k 1 k + 1 2, pois k 1 = 2 k lado direito de P (k + 1) Portanto, P (k + 1) é V Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.14/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Vamos agora mostrar que o algoritmo de Euclides usa O(log b) divisões para obter o mdc dos inteiros positivos a e b (onde a b). Nota (princípio do algoritmo): mdc(a, b) = mdc(b, a mod b) Para isto, vamos precisar do resultado a seguir. Teorema de Lamé: Se a e b são inteiros positivos com a b, o número de divisões usado pelo algoritmo de Euclides para encontrar mdc(a, b) é a 5 vezes o número de dígitos decimais em b. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.15/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Teorema de Lamé: nro de divisões no algoritmo de Euclides para mdc(a, b) é a 5 X nro de dígitos decimais em b. Prova (1/3): uma aplicação do algoritmo (a = r 0 e b = r 1 ): r 0 = r 1 q 1 + r 2 0 r 2 < r 1 r 1 = r 2 q 2 + r 3 0 r 3 < r 2 r n 2 = r n 1 q n 1 + r n 0 r n < r n 1 r n 1 = r n q n note que: n divisões foram usadas para chegar a r n = mdc(a, b) q 1, q 2,..., q n 1 são todos 1 q n 2, pois r n < r n 1 Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.16/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Teorema de Lamé: nro de divisões no algoritmo de Euclides para mdc(a, b) é a 5 X nro de dígitos decimais em b. Prova (2/3): em uma aplicação do algoritmo n divisões usadas para chegar a r n = mdc(a, b) todos os q i 1, mas q n 2 (pois r n < r n 1 ) o que permite escrever: r n 1 = f 2, r n 1 2r n 2f 2 = f 3, r n 2 r n 1 + r n f 3 + f 2 = f 4,. r 2 r 3 + r 4 f n 1 + f n 2 = f n, b = r 1 r 2 + r 3 f n + f n 1 = f n+1. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.17/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Teorema de Lamé: nro de divisões no algoritmo de Euclides para mdc(a, b) é a 5 X nro de dígitos decimais em b. Prova (3/3): logo, se n divisões são usadas pelo algoritmo: temos que: b f n+1 mas já sabemos que: f n+1 > α n 1 (para n > 2) logo: b > α n 1 log 10 b > (n 1)/5 n 1 < 5 log 10 b agora suponha que b tem k dígitos decimais: então: b < 10 k k = log 10 b + 1 de modo que: log 10 b < k log 10 b + 1 segue que: n 1 < 5k n 5k Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.18/30

DEFINIÇÕES RECURSIVAS DE FUNÇÕES Voltando à demonstração de que o algoritmo de Euclides utiliza O(log b) divisões para encontrar o mdc(a, b): Pelo teorema de Lamé, sabemos que: nro de divisões para obter mdc(a, b) 5(log 10 b + 1) Ou seja: O(log b) divisões são necessárias para encontrar mdc(a, b) pelo algoritmo de Euclides (com a > b). Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.19/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Definições recursivas de conjuntos também têm duas partes: Passo básico: uma coleção inicial de elementos é especificada. Passo recursivo: regras para formar novos elementos a partir daqueles que já se sabe que estão no conjunto. Definições recursivas também podem incluir uma regra de extensão: estipula que um conjunto definido recursivamente não contém nada mais do que: os elementos especificados no passo básico ou gerados por aplicações do passo indutivo assumiremos que esta regra sempre vale. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.20/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Exemplo: Considere o subconjunto S dos inteiros definido por: Passo básico: 3 S Passo indutivo: se x S e y S, então x + y S Elementos que estão em S: 3 (passo básico) aplicando o passo indutivo: 3 + 3 = 6 (1ra aplicação) 3 + 6 = 6 + 3 = 9 e 6 + 6 = 12 (2da aplicação) etc... Mostraremos mais tarde que S é o conjunto de todos os múltiplos positivos de 3. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.21/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Definições recursivas são muito importantes no estudo de strings. String sobre um alfabeto Σ: sequência finita de símbolos de Σ. O conjunto Σ, de strings sobre o alfabeto Σ pode ser definido por: Passo básico: λ Σ (contém a string vazia) Passo recursivo: se w Σ e x Σ, então wx Σ O passo recursivo estabelece que: novas strings são produzidas pela adição de um símbolo de Σ ao final das strings já em Σ a cada aplicação do passo recursivo, são geradas strings contendo um símbolo a mais. Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.22/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Exemplo: se Σ = {0, 1}: Σ é o conjunto de todas as strings de bits Strings que estão em Σ : λ 0 e 1 (1 a aplicação do passo recursivo) 00, 01, 10, 11 (após 2 a aplicação do passo recursivo) etc... Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.23/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Definições recursivas podem ser usadas para definir operações ou funções sobre os elementos de conjuntos definidos recursivamente. Sejam: Exemplificado na combinação de duas strings mostrada a seguir. Σ um conjunto de símbolos Σ o conjunto das strings formadas com símbolos de Σ. A concatenação de duas strings ( ) é definida como: passo básico: se w Σ, então w λ = w passo recursivo: se w 1 Σ e w 2 Σ e x Σ, então: w 1 (w 2 x) = (w 1 w 2 )x Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.24/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Uma aplicação repetida da definição recursiva mostra que: a concatenação de duas strings w 1 e w 2 consiste dos símbolos em w 1 seguidos pelos símbolos em w 2. Exemplo: concatenação de ab e cde: (ab) (cde) = (ab cd)e = (ab c)de = (ab λ)cde = abcde Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.25/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Exemplo: Forneça uma definição recursiva de l(w), o comprimento de uma string w Solução: l(λ) = 0; se w Σ e x Σ: l(wx) = l(w) + 1 Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.26/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Um outro importante exemplo do uso de definições recursivas é na definição fórmulas bem formadas (FBFs) de vários tipos. Exemplo: FBFs para formatos de proposições compostas: envolvem V, F e: variáveis proposicionais operadores do conjunto: {,,,, }. e são definidas como: Passo básico: V, F, e p (uma variável proposicional), são fórmulas bem formadas. Passo recursivo: se E e F já são fórmulas bem formadas, então também o serão: ( E), (E F ), (E F ), (E F ), e (E F ) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.27/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Pelo passo básico, sabemos que: V, F, p e q são fórmulas bem formadas. Por uma aplicação inicial do passo recursivo: (p q), (p F), (F q) e q F são fórmulas bem formadas. Uma 2 a aplicação do passo recursivo mostra que são FBFs: ((p q) q F)) q (p q)) ((p F) V) Note que não são fórmulas bem formadas: p q, pq e pq Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.28/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Exemplo: FBFs para operadores e operandos: envolvem: variáveis, numerais operadores do conjunto {+,,, /, } e são definidas como: Passo básico: x é uma FBF se x é um número ou variável. Passo recursivo: se F e G já são fórmulas bem formadas, então também o serão: (F + G), (F G), (F G), (F/G), e (F G) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.29/30

CONJS. E ESTRUTURAS DEFINIDOS RECURSIVAMENTE Pelo passo básico, sabemos que: x, y, 0 e 3 são fórmulas bem formadas. FBFs geradas por uma aplicação do passo recursivo incluem: (x + 3), (3 + y), (x y), (3 0), (x 3), (3 y) (3/0), (x/y), (3 x) e (0 3) Uma 2 a aplicação do passo recursivo mostra que são FBFs: ((x + 3) + 3) e (x (3 y)) Note que não são fórmulas bem formadas: x3+, y +x e x/y (não podem ser obtidas usando: passo básico + aplicações do recursivo) Prof. Daniel S. Freitas - UFSC/CTC/INE/2007 p.30/30