O átomo. Capítulo. Troca de ideias



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Transcrição:

Capítulo 4 Troca de ideias O átomo Professor(a), leia as orientações pedagógicas. A música Rosa de Hiroshima retrata um fato histórico lamentável: o lançamento de bombas atômicas sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial. Rosa de Hiroshima Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A antirrosa atômica NAtioNAl ArchiVeS AND records ADMiNiStrAtioN Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada Vinicius de Moraes e Gerson Conrad, 1973. Nuvem de cogumelo resultante da explosão da bomba Little Boy lançada em Hiroshima, em agosto de 1945. A energia atômica pode ser usada para fins pacíficos. Você conseguiria citar duas aplicações? Dê uma interpretação à expressão rosa hereditária, presente na letra da música. Como você descreveria um átomo? Como vimos no capítulo 1, tudo aquilo com que temos contato é formado por matéria, que por sua vez é formada por partículas minúsculas denominadas átomos. Mas como são esses átomos? De onde surgiu esse conceito? Vamos aprender um pouco mais sobre esse mundo absurdamente pequeno! 35

Modelos atômicos O entendimento da estrutura da matéria evoluiu desde a Antiguidade, sendo gradativamente elaborado e aperfeiçoado. Mesmo nos dias atuais não se pode dizer que haja um entendimento total da estrutura da matéria, mas que houve uma grande evolução. A ciência conta com um grande aliado nesse difícil trabalho de construir ou descrever algo: o modelo. Usamos um modelo quando queremos estudar um fenômeno ou conceito que ainda não compreendemos perfeitamente e para tanto lançamos mão de simplificações e generalizações. Dessa forma, os modelos atômicos representam tentativas de entender a estrutura da matéria com os conhecimentos disponíveis na época, como a filosofia grega ou a experimentação nos séculos XIX e XX. Grécia Antiga: pensamentos filosóficos sobre a constituição da matéria Por volta de 400 a.c., Demócrito, discípulo de Leucipo, verificou que um pedaço de matéria pode ser dividido muitas vezes, em partes cada vez menores, até chegar a um ponto que não mais poderíamos continuar dividindo. Nesse ponto teríamos chegado ao átomo, palavra grega que significa indivisível. Nessa época, as ideias atomistas foram muito criticadas, pois muitos filósofos acreditavam que a matéria era contínua e poderia ser dividida sem limites, infinitamente. Além disso, de acordo com o renomado filósofo Aristóteles, a matéria era constituída por quatro elementos químicos o ar, o fogo, a terra e a água e a mistura desses elementos possuiria duas das seguintes qualidades: quente, frio, úmido e seco. Embora hoje em dia saibamos que Demócrito e Leucipo estavam mais corretos do que Aristóteles, foram as ideias deste que dominaram o pensamento ocidental nos séculos seguintes, deixando o atomismo praticamente esquecido. John Dalton e o atomismo moderno Professor(a), estimule seus alunos a comparar os diversos modelos estudados, observando as evoluções presentes em cada um e, se possível, contextualizando-os com o momento histórico. Lembre-os de que um modelo não substitui o outro. O modelo de Dalton ainda nos serve perfeitamente para explicar, por exemplo, as leis ponderais nas reações químicas. Em 1808, o inglês John Dalton retomou o modelo atômico, desenvolvido pelos atomistas gregos, para explicar as descobertas que os químicos contemporâneos vinham fazendo. Seu modelo é considerado o primeiro modelo científico capaz de explicar a estrutura da matéria. Para Dalton, os átomos eram as partículas formadoras de toda a matéria, sendo indivisíveis e indestrutíveis. Por causa dessas características, seu modelo hoje é apelidado de modelo da bola de bilhar. Suas ideias foram rapidamente aceitas por conseguirem explicar várias leis científicas já conhecidas. No modelo proposto por Dalton, o átomo é maciço como uma bola de bilhar. Stillfx/Shutterstock Thomson e o pudim com passas Os experimentos realizados com a eletricidade, em meados do século XIX, levaram os cientistas a suspeitar da existência de um átomo elétrico, ou seja, de uma partícula mínima formadora da eletricidade. Em 1897, sir Joseph John Thomson, após ter realizado seus experimentos com 20 metais diferentes, suspeitou que essas partículas (chamadas de elétrons) estavam presentes em todo tipo de matéria. Para justificar a presença dessas partículas no átomo, Thomson propôs que os elétrons, de carga elétrica negativa, estivessem presos ao átomo, de carga elétrica positiva, denominada próton (termo introduzido de forma científica somente em 1919). Assim, um novo modelo atômico foi proposto e ficou conhecido como modelo do pudim com passas. Nesse modelo, os elétrons seriam o equivalente às passas e as cargas positivas formariam o pudim propriamente dito. bip O modelo de Thomson assemelha-se a um pudim com passas. 36

Rutherford: bombardeando átomos Em 1910, Geiger e Marsden, alunos do físico neozelandês Ernest Rutherford, realizaram experimentos nos quais bombardearam uma finíssima folha de ouro com partículas alfa (partículas radioativas de carga positiva). Os resultados foram surpreendentes. A maioria das partículas atravessava a folha de ouro como se ela não existisse. Algumas, no entanto, se desviavam e até mesmo eram refletidas de volta. Com base nos experimentos, Rutherford concluiu que o modelo de Thomson, em que o átomo era descrito como uma esfera rígida, não era capaz de explicar os resultados obtidos. Para ele, o átomo concentrava sua carga positiva num volume muito pequeno, que foi denominado núcleo, ao redor do qual os elétrons se distribuíam, numa região chamada eletrosfera. Apesar de o núcleo conter praticamente toda a massa do átomo, a eletrosfera ocupava o maior volume. Imagine uma bolinha de gude colocada no meio do campo do estádio do Maracanã. Segundo as dimensões do modelo de Rutherford, a bolinha seria, na nossa comparação, o núcleo do átomo. O restante do átomo seria a eletrosfera! O modelo de Rutherford ficou conhecido como modelo sistema solar, por situar os elétrons como se fossem planetas circundando o Sol (nesse caso, o núcleo). Posteriormente esse modelo também sofreria modificações. Atividades Elétron Núcleo No modelo de Rutherford, se o átomo fosse comparável a um estádio de futebol, seu núcleo seria equivalente a uma bolinha de gude colocada no meio do campo. 1 Quando olhamos para uma praia de uma certa distância, temos a impressão de que a areia é contínua, e não formada por grãos. Como você relacionaria essa informação com as ideias gregas sobre a estrutura da matéria? A matéria, para Aristóteles, seria como a praia vista de longe: contínua e infinitamente divisível. Para Leucipo e Demócrito, havia um limite na divisibilidade da matéria. A matéria seria descontínua, como a areia vista de perto (formada por grãos). 2 Compare os modelos atômicos modernos que você estudou e responda: a) Modelo de acordo com o qual o átomo deixou de ser indivisível: Thomson b) Modelo que divide o átomo em duas regiões: núcleo e eletrosfera: Rutherford c) Modelo que apresenta o átomo como indivisível: Dalton 3 O modelo atômico proposto pelos gregos na Antiguidade foi retomado por Dalton, mais de 2 mil anos depois. Quais as diferenças entre essas ideias e o modelo da bola de bilhar? O modelo grego era puramente filosófico. O átomo de Demócrito e Leucipo tinha características geométricas, sendo arredondado, liso, pontudo etc.; era eterno e imutável. Dalton propôs que, embora eterno e imutável, os átomos difeririam entre si por suas massas. Além disso, suas ideias eram corroboradas por experimentos científicos levados a cabo por diversos cientistas. 37

Atividades complementares 4 Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) para cada item a seguir: O átomo é indivisível, segundo o modelo atômico de Thomson. De acordo com Rutherford, os elétrons estão contidos no núcleo do átomo. Os elétrons têm carga elétrica negativa e os prótons têm carga elétrica positiva. Demócrito e Leucipo basearam-se em experimentos científicos ao proporem o atomismo. 6 Complete: Segundo o modelo atômico de Rutherford, os prótons estão contidos no e os elétrons na. 7 Em qual modelo surge o conceito de carga elétrica? 8 Em qual modelo o átomo passa a ser dividido em núcleo e eletrosfera? 9 Em qual modelo o átomo deixa de ser indivisível? O que levou a essa mudança? 5 Corrija os itens falsos da questão anterior, reescrevendo-os corretamente. Estrutura atômica Embora a palavra átomo tenha se consagrado, hoje sabemos que o átomo não é indivisível. Nos dias atuais, os cientistas conhecem uma variedade de subpartículas atômicas. Para compreendermos a estrutura básica do átomo, analisaremos apenas suas partículas principais e suas duas regiões distintas: o núcleo e a eletrosfera. Núcleo Como vimos no modelo de Rutherford, o núcleo atômico é muito denso e positivamente carregado. Em 1932, o físico inglês James Chadwick descobriu, no núcleo, mais uma partícula: o nêutron. Apesar de ter uma massa semelhante à do próton, o nêutron possui carga elétrica igual a zero, o que dificultou seu reconhecimento. 10 Qual era o ponto de vista dos filósofos gregos que se opunham ao atomismo? Professor(a), neste item será abordada a estrutura básica de um átomo. O objetivo é fornecer subsídios para que o aluno, ao chegar ao ensino médio, possa se aprofundar em conceitos mais abstratos, como a distribuição eletrônica pelo diagrama de Pauling. No núcleo atômico encontramos os prótons, de carga elétrica positiva, e os nêutrons, sem carga elétrica. Número atômico (Z) Você já sabe que existem tipos diferentes de átomos, e a maioria pode ser encontrada naturalmente. Mas o que diferencia um átomo de outro? O número de prótons presentes no núcleo de um átomo é a característica que deve ser considerada para se definir elemento químico, que é um importante conceito químico. Dessa forma, todos os átomos que possuem 26 prótons em seus núcleos são pertencentes ao elemento químico ferro. Dizemos, então, que o número atômico do ferro é 26 (ou, de forma simplificada, Z = 26). O número atômico do hidrogênio, Elemento químico: conjunto de átomos de mesmo número atômico. o elemento químico mais abundante do Universo, é 1. Portanto, todos os átomos de hidrogênio terão, em seus núcleos, apenas um próton. 38

Número de massa (A) A massa de um átomo está praticamente toda concentrada em seu núcleo. No núcleo, porém, encontramos não apenas prótons, mas também nêutrons. A soma do número de prótons e de nêutrons presentes em um núcleo atômico recebe o nome de número de massa, já que os elétrons possuem uma massa tão pequena que pode ser considerada desprezível em relação à massa dos prótons e dos nêutrons. Como representamos o número de prótons por Z e o número de massa por A, podemos relacioná-los da seguinte maneira: A = Z + n ou A = p + n em que n é o número de nêutrons. Portanto, o número de massa de um átomo é a soma do número atômico com o número de nêutrons. Dessa forma, um átomo de ferro que apresente 26 prótons e 30 nêutrons terá número atômico igual a 26 (Z = 26) e número de massa igual a 56 (A = 56), ou seja, 26 prótons + 30 nêutrons. Eletrosfera Em 1897, com a descoberta da relação entre a carga e a massa do elétron, Thomson demonstrou a existência de partículas cerca de 1.800 vezes menores que o próprio átomo: os elétrons. Ao contrário dos prótons, que têm carga elétrica positiva, os elétrons são negativamente carregados. Essas partículas estão distribuídas ao redor do núcleo, na eletrosfera, em camadas ou níveis de energia. Embora não haja um limite teórico para o número de camadas dispostas ao redor do núcleo, os elementos químicos conhecidos até o momento apresentam, no máximo, sete camadas, designadas pelas letras maiúsculas K, L, M, N, O, P e Q. Quanto mais distante do núcleo, mais energia possui a camada. Assim, a camada K é a de menor energia e a camada Q é a de maior energia. Professor(a), este é o momento de introduzir o conceito de distribuição eletrônica. Optou- -se, aqui, por recorrer a um modelo simplificado, capaz de atender satisfatoriamente os elementos representativos. Dependendo das exigências e do aproveitamento da turma, pode-se também optar pela distribuição segundo o diagrama de Linus Pauling. Modelo de um átomo de sódio com os elétrons distribuídos em camadas na eletrosfera. Para determinarmos de que forma os elétrons estão distribuídos nas camadas, usaremos algumas regras simplificadas, que, embora haja exceções, servirão aos nossos propósitos no momento. Inicialmente precisamos saber que as camadas não comportam a mesma quantidade de elétrons. Algumas, como a K, só podem receber até dois elétrons. Outras, como a N, recebem até 32! Observe a tabela: Camada K L M N O P Q Número máximo de elétrons 2 8 18 32 50 72 98 Embora as camadas O, P e Q possam receber, respectivamente, 50, 72 e 98 elétrons, nenhum elemento conhecido até o momento atingiu esses números. O máximo que se conhece são 32 para a O, 18 para a P e 8 para a Q. Ao se distribuírem os elétrons na eletrosfera, não basta completar as camadas na ordem em que elas aparecem. Devemos ter o cuidado de ocupar a última camada do elemento com um máximo de oito elétrons. Essa camada, conhecida como camada de valência, é de grande importância para as ligações químicas. 39

Vamos exemplificar o preenchimento da eletrosfera com o elemento químico cálcio, que apresenta um total de 20 elétrons: Camada K Camada L Camada M Camada N 2 elétrons 8 elétrons 8 elétrons 2 elétrons No exemplo, a camada K recebeu o máximo de elétrons permitido para ela, e o mesmo ocorreu com a camada L. No entanto, a camada M poderia receber os 10 elétrons restantes (já que ela comporta até 18), mas só recebeu 8, sendo os outros dois agrupados na camada N. Lembre-se de que a última camada (a camada de valência) não pode conter mais do que 8 elétrons, o que ocorreria se colocássemos os 10 elétrons na camada N. Assim, jogamos o excedente para a camada seguinte. Os íons Num átomo eletricamente neutro, o número de prótons deve ser igual ao número de elétrons. Assim, um átomo de sódio, que apresenta 11 prótons, deverá apresentar também 11 elétrons. No entanto, existem situações nas quais esse número não é o mesmo. A eletrosfera pode, em determinadas situações, perder ou receber elétrons, dando origem a átomos eletricamente carregados chamados íons. Você deve estar se perguntando se os prótons também podem ser perdidos ou recebidos, mas tal fato não ocorre, a não ser em complexas reações nucleares, que não são o objetivo deste curso. Caso haja a perda de elétrons, o átomo fica com excesso de cargas positivas e se transforma num cátion. Se, por outro lado, ele ganhar elétrons, ficará com excesso de cargas negativas e se transformará num ânion. Vamos resumir? transforma-se em Átomo neutro perde elétrons cátion positivamente carregado transforma-se em Átomo neutro ganha elétrons ânion negativamente carregado Parece estranho que um átomo fique negativo ao ganhar uma partícula, mas é necessário lembrar que o elétron tem carga negativa. Assim, quanto mais elétrons um átomo recebe, mais negativo ele fica. Atividades 11 Considerando as partículas elementares constituintes do átomo, responda: a) Quais estão localizadas no núcleo atômico? Prótons e nêutrons. b) Quais as cargas elétricas associadas a cada uma delas? Prótons: carga elétrica positiva; elétrons: carga elétrica negativa, nêutrons: sem carga elétrica. 40

12 Complete: a) Região onde está concentrada a massa do átomo: núcleo. b) Região que contém a maior parte do volume do átomo: elestrofera. 13 O silício é o principal componente do vidro, do cimento e da cerâmica. O silício apresenta número de massa igual a 28 e possui, quando neutro, 14 elétrons. Pede-se: a) seu número atômico: Z = 14 b) o número de nêutrons em seu núcleo: A = Z + n w 28 = 14 + n w n = 14 14 Complete a tabela a seguir: Elemento p e n Z A Sódio 11 11 12 11 23 Ferro 26 26 30 26 56 Alumínio 13 13 14 13 27 Urânio 92 92 146 92 238 15 Distribua os elétrons do alumínio (Z = 13) em suas respectivas camadas. K = 2; L = 8; M = 3 Atividades complementares Texto para as questões 16 e 17. O cálcio é um elemento químico indispensável para a formação dos ossos e dentes. Ele aparece na corrente sanguínea na forma de um íon com dois elétrons a menos do que o átomo neutro. 16 O átomo presente na corrente sanguínea é um cátion ou um ânion? Justifique. 17 Se o íon em questão tem 18 elétrons, qual o número atômico do cálcio? 18 O elemento químico polônio recebeu esse nome para homenagear o país de origem da cientista Marie Curie. Ele está presente, em quantidades diminutas, nos minérios de urânio. Sabendo que o número atômico do polônio é 84 e seu número de massa é 210, determine: a) o número de elétrons do polônio quando neutro. b) o número de nêutrons do polônio. 19 Distribua os elétrons do rubídio (Z = 37) em suas respectivas camadas. 20 Ao fazer a distribuição eletrônica do elemento césio, de número atômico 55, um estudante afirmou que ele apresenta 2 elétrons na camada K, 8 na L, 18 na M e 27 na N. Essa distribuição está correta? Justifique. 41

Elementos químicos Professor(a), neste item desenvolveremos em maiores detalhes o conceito de elemento químico. É importante que o aluno compreenda que a origem dos nomes dos elementos deve-se a fatores variados, mas são convencionados e usados internacionalmente. Além disso, é necessário que ele consiga integrar a simbologia já vista (número atômico e número de massa) aos símbolos dos elementos químicos. Por fim, o conceito de isótopo mostrará que alguns átomos, embora diferentes, podem pertencer ao mesmo elemento químico. Os alquimistas eram verdadeiramente obcecados por duas ideias, principalmente: transformar metais comuns em ouro e buscar a pedra filosofal! As técnicas desenvolvidas para atingir esses objetivos nunca tiveram sucesso, mas eles as cercavam de mistério e até se organizavam em sociedades secretas. Naquela época, os alquimistas não tinham acesso ao conhecimento científico de que dispomos atualmente. Suas tentativas baseavam-se, principalmente, nas ideias de Aristóteles sobre os quatro elementos que formariam o Universo terra, fogo, ar e água e sobre como eles poderiam ser transformados. Por incrível que pareça, os alquimistas foram parcialmente vingados. Atualmente, por meio de reações que ocorrem no núcleo do átomo, é possível converter um átomo em outro. Mas, quem estiver pensando em transformar ferro em ouro, pode, por ora, ir desistindo Vimos que a característica que define um elemento químico é o número de prótons em seu núcleo. Assim, todos os átomos que compartilharem o mesmo número atômico (ou seja, que tiverem o mesmo número de prótons no núcleo) pertencerão ao mesmo elemento químico. Até a Idade Média alguns elementos químicos já eram conhecidos. Carbono, mercúrio, ouro, prata e cobre eram alguns deles. Esses elementos receberam nomes de acordo com suas características visíveis, como a cor ou o local onde apareciam em abundância. Muito tempo depois, outros elementos foram sendo descobertos e nomeados de acordo com suas características, como é o caso do elemento oxigênio (oksys gen, que significa gerador de ácidos ), ou como forma de homenagear pessoas, lugares ou deuses: cúrio é uma homenagem à cientista polonesa Marie Curie; germânio homenageia a Alemanha, e titânio, os Titãs, deuses gregos. Com tantos nomes diferentes, Jacob Berzelius introduziu, em 1811, uma norma para nos referirmos aos elementos químicos por símbolos, usando letras. Alguns elementos químicos são representados pela primeira letra do seu nome, sempre maiúscula: C Carbono O Oxigênio Nos casos em que as letras se repetiriam, os elementos foram representados por duas letras, sendo a primeira maiúscula e a segunda minúscula: Co Cobalto Ni Níquel Cr Cromo O símbolo que representa um elemento químico pode ser ainda ligado ao seu nome em latim: Au representa o elemento ouro (em latim, aurum) Na representa o elemento sódio (em latim, natrium) K representa o elemento potássio (em latim, kalium) Hg representa o elemento mercúrio (em latim, hydrargyrum) Para representarmos um elemento químico, devemos saber indicar corretamente seu número atômico e seu número de massa. Considere o elemento químico platina, cujo símbolo é Pt. Ele possui número atômico 78 e número de massa 195. Para representarmos a platina e os outros elementos químicos de uma forma simplificada, usamos a seguinte simbologia: Número de massa (A) Número atômico (Z) 195 Símbolo do Pt ou Pt 78 elemento 78 Número atômico (Z) 195 Número de massa (A) 42

Olhando para representações como essas, saberemos que o número de massa está indicado pelo número de cima e o número atômico, pelo número de baixo; assim, a platina possui 78 prótons e 117 (195 78) nêutrons. Os isótopos Mesmo pertencendo a um mesmo elemento químico, dois átomos podem ser diferentes entre si, se possuírem diferentes números de nêutrons. Nesse caso, eles possuem o mesmo número atômico (Z) e diferentes números de massa (A), sendo chamados de isótopos. O elemento químico hidrogênio, por exemplo, existe na natureza como a mistura de três tipos diferentes de átomos: Prótio: variedade do hidrogênio que apresenta apenas um próton e nenhum nêutron. É o mais abundante na natureza, ocorrendo na porcentagem de 99,98%. Deutério: apresenta um próton e um nêutron, sendo também chamado de hidrogênio pesado. Ocorre na natureza na porcentagem de 0,015%. Trítio ou tritério ou trício: apresenta um próton e dois nêutrons, sendo radioativo. Ocorre em quantidades muito diminutas. Repare que, apesar de diferentes, esses três tipos de átomos pertencem ao mesmo elemento químico, pois possuem o mesmo número de prótons. Muitos elementos químicos possuem isótopos. O estanho, por exemplo, apresenta dez isótopos naturais. Atividades 21 Considere o exemplo da platina, citado neste capítulo, para representar adequadamente os elementos abaixo: a) Alumínio, símbolo Al, um dos metais mais utilizados pela indústria atual. Tem 13 prótons e 14 nêutrons. A representação adequada é: 27 13 Al b) O astato, símbolo At, é o elemento químico mais raro do planeta. Possui 85 prótons e 125 nêutrons. A representação adequada é: 210 85 At Professor(a), omitimos a análise dos isóbaros e isótonos, uma vez que eles representam apenas coincidências numéricas e não têm relevância prática na química. Insista no fato: para que dois átomos sejam do mesmo elemento químico, eles não precisam ser absolutamente iguais: basta que tenham o mesmo número atômico. 22 Dois átomos apresentam o mesmo número de prótons. Logo, eles são iguais. A afirmação está correta? Corrija-a, se necessário. Não, está incorreta. Dois átomos que apresentem o mesmo número de prótons pertencem ao mesmo elemento químico, mas não são necessariamente iguais. Eles podem ser isótopos, apresentando diferentes números de nêutrons. 23 Represente adequadamente os três diferentes isótopos do elemento químico hidrogênio. Prótio w 1 1 H Deutério w 2 1 H Trítio w 3 1 H 43

24 Em grupos, leiam as instruções e, com a ajuda de seu (sua) professor(a), realizem a atividade proposta. Professor(a), veja orientações Construindo um modelo pedagógicas. Material: caixas de sapatos; fita adesiva; objetos diversos: borracha, lápis, apontador etc. Este trabalho é para ser feito em grupos de, no mínimo, três alunos, que deverão se posicionar em pontos distintos da sala. Sem que os grupos vejam uns aos outros, cada grupo deverá colocar dentro da caixa objetos diversos (por exemplo, duas borrachas, um lápis e um apontador). Depois a caixa deve ser lacrada com a fita adesiva e trocada com outro grupo. Os grupos deverão tentar descobrir o conteúdo das caixas sem abri-las. Ao final, cada grupo deve confeccionar seu próprio modelo (por meio de um desenho, descrição de cada objeto etc.) sobre o conteúdo da caixa. E então? Vocês conseguiram construir um modelo igual ao que realmente havia na caixa? Por quê? 25 O carbono aparece na natureza numa mistura de três isótopos; o mais abundante é o carbono-12. Além deste, existem o carbono-13 e o carbono-14, o mais raro dos três. Nos seres vivos, a concentração do carbono-14 mantém-se constante durante toda a vida, graças aos mecanismos de troca de carbono com o ambiente, como a respiração. Após a morte do organismo, a quantidade de carbono-14 diminui pela metade a cada 5.600 anos, aproximadamente. Como esse isótopo emite radiação, com o uso de aparelhos adequados, é fácil detectar sua presença e quantificá-lo. Pesquise e responda: por que a determinação da quantidade de carbono-14 em materiais como rochas e fósseis é importante para a ciência? Atividades complementares Professor(a), veja orientações pedagógicas. 26 Em 1994, um grupo de cientistas da Alemanha conseguiu produzir o elemento químico de número atômico 111, batizado de roentgenium (símbolo Rg). Na reação de formação, um átomo de bismuto, 209 64 Bi, fundiu-se a um átomo de níquel, Ni, formando o roentgenium e 83 28 liberando um nêutron no processo. Qual o número atômico e de massa do roentgenium? 27 Complete: a) Isótopos são átomos que têm o mesmo número de e número de diferente. b) Os elementos químicos são átomos que apresentam o mesmo. 28 Julgue os itens a seguir, assinalando V (verdadeiro) ou F (falso): Dois átomos que possuem o mesmo número de nêutrons pertencem ao mesmo elemento químico. Dois átomos com o mesmo número de elétrons em suas camadas de valência pertencem ao mesmo elemento químico. Dois átomos que possuem o mesmo número de prótons pertencem ao mesmo elemento químico. Considere as informações para responder às questões 29 e 30. No lixo atômico de uma usina nuclear foram encontrados os seguintes átomos: A (Z = 92, A = 238) B (Z = 92, A = 234) C (Z = 90, A = 230) D (Z = 90, A = 234) 29 Quantos elementos químicos foram encontrados nesse lixo? 30 Quais os pares de isótopos encontrados? 44