TÍTULOS DE CRÉDITO ELETRÔNICOS



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Transcrição:

TÍTULOS DE CRÉDITO ELETRÔNICOS

TÍTULOS DE CRÉDITO Conhecida é a definição de TÍTULO DE CRÉDITO dada por Cesare Vivante e adotada em nosso Código Civil, no sentido de que título de crédito é o documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido e somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei (art. 887). TÍTULOS DE CRÉDITO são instrumentos representativos de crédito que permitem circulação e transferência de créditos, contemplando obrigações pautadas por NORMAS JURÍDICAS ESPECÍFICAS. Essas normas trazem os princípios do direito cambiário: o formalismo (exigências impostas pela lei), a cartularidade (condição de materialidade do título), a literalidade (teor do título) e a autonomia (desvinculação do cumprimento das obrigações constantes do título em relação a qualquer outra condição alheia ao mesmo título).

TÍTULOS DE CRÉDITO Pelo princípio do Formalismo, são títulos de crédito os tratados em diplomas específicos, tais como: Código Civil Brasileiro de 2002 Lei Uniforme de Genebra e Decreto nº 57.663 Notas Promissórias e Letras de Câmbio Lei nº 7.357/85 Cheque Lei nº 5.474/68 Duplicatas Lei nº 10.931/04 Cédula de Crédito Bancário (CCB) Cédula de Crédito imobiliário (CCI) Lei nº 8.929/94 Cédula de Produto Rural (CPR) Lei nº 11.076/04 Certificado de Depósito Agropecuário (CDA), Warrant Agropecuário (WA), Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

TÍTULOS DE CRÉDITO - EVOLUÇÃO Suporte inicial físico, eminentemente o papel. Com o avanço tecnológico e o desenvolvimento de sistemas de tecnologia da informação, os documentos vão sendo inseridos na dinâmica da comunicação eletrônica. Sistema integrado de rede: surgimento e aperfeiçoamento da Internet, possibilitando o contato em tempo real entre indivíduos situados em locais diferentes. Títulos de crédito: início de inserção no meio eletrônico, respeitando suas principais características. Experiência pioneira na França, em 1973, com o registro eletrônico de obrigações cambiais através da cambial-extrato (Lettre de Change- Relevé, sob a forma papelizada ou em fita magnética). Ocorre, na atualidade, uma utilização maciça do sistema eletrônico para efetuar contratações.

TÍTULOS DE CRÉDITO - EVOLUÇÃO O Código Civil, na norma contida no 3º de seu artigo 889, esboça uma abordagem a respeito da emissão de títulos de crédito em meio eletrônico Art. 889. (...) 3º O título poderá ser emitido a partir dos caracteres criados em computador ou meio técnico equivalente e que constem da escrituração do emitente, observados os requisitos mínimos previstos neste artigo. Permissão somente para emissão dos títulos por meio do computador, permanecendo como necessário o suporte físico para sua existência e validade. O Código Civil não contém norma alguma acerca da circulação de títulos de crédito em suporte eletrônico.

TÍTULOS DE CRÉDITO - PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA FUNCIONAL Em 1997, a ONU, por sua Comissão de Direito Comercial Internacional (UNCITRAL), editou a Lei Modelo sobre Comércio Eletrônico, recomendando a criação de legislação similar no Direito interno dos países membros. A Lei Modelo trouxe o conceito da Equivalência Funcional, em seu artigo 5º, determinando o reconhecimento jurídico das mensagens de dados. "Não se negarão efeitos jurídicos, validade ou eficácia à informação apenas porque esteja na forma de mensagem eletrônica.. Assim, todos os documentos eletrônicos devem gerar a mesma eficácia de documentos físicos (papelizados), não se permitindo a aplicação de regime jurídico distinto entre eles, apenas em razão do suporte utilizado pelo emissor para a criação do documento.

ASSINATURA E CERTIFICAÇÃO DIGITAL Por força do princípio da liberdade das formas, expresso no artigo 107 do Código Civil e que determina que "A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir.", inúmeras transações bancárias são realizadas de maneira eletrônica, sem qualquer suporte em papel. Essa utilização, porém, oferece riscos quanto à segurança das transações, vulneráveis a ataques e contaminações. ASSIM, COMO CONFERIR AOS DOCUMENTOS ELETRÔNICOS VALIDADE, AUTENTICIDADE E INTEGRIDADE SEM ASSINATURA DO EMISSOR? A solução está na certificação digital, método de segurança exclusivamente eletrônico que confere AUTENTICIDADE e INTEGRIDADE a um documento.

CERTIFICAÇÃO DIGITAL O art. 7º da Lei Modelo da UNCITRAL abona a certificação digital, ao dar lineamentos para que uma mensagem eletrônica substitua a assinatura requerida por lei para o aperfeiçoamento do ato jurídico: "Artigo 7 - Assinatura - 1) Quando a Lei requeira a assinatura de uma pessoa, este requisito considerar-se-á preenchido por uma mensagem eletrônica quando (a) for utilizado algum método para identificar a pessoa e indicar sua aprovação para a informação contida na mensagem eletrônica e (b) tal método seja tão confiável quanto seja apropriado para os propósitos para os quais a mensagem foi gerada ou comunicada, levando-se em consideração todas as circunstâncias do caso, incluindo qualquer acordo a respeito das partes.". CERTIFICAÇÃO DIGITAL, portanto, consiste em um processo lógicomatemático de registro de informações por um sistema de criptografia, que codifica mensagens e impede sua identificação e alteração por terceiros não autorizados, proporcionando a integridade do documento e preservação de sua autoria enquanto armazenado eletronicamente.

CERTIFICAÇÃO DIGITAL A autoria de documentos eletrônicos fica resguardada porque, na emissão de um documento, o sistema de certificação gera automaticamente um código específico para a transação. Nesse momento, a chave privada (e exclusiva) do emissor criptografa o código, vinculando o documento à sua autoria. Ato contínuo, o receptor da mensagem utilizará a chave pública do emissor, enviada juntamente com o documento, para reverter a criptografia e acessar a chave privada do emissor e do documento. Nesse momento, havendo identidade entre o par de códigos criptográficos, o documento será validado, quanto à sua autenticidade e quanto à sua autoria. Eventual alteração do conteúdo entre a emissão e a recepção será denunciada pela incongruência entre os códigos criptográficos, indicando a afetação da integridade original do documento.

CERTIFICAÇÃO DIGITAL A Certificação Digital está disciplinada na MP 2.200-2/01, que instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira, a fim de garantir a realização de transações eletrônicas seguras, preservando a autenticidade, a integridade e a validade de documentos eletrônicos, das aplicações de suporte e das aplicações habilitadas que utilizem certificados digitais. Segundo o art. 10 da MP 2.200-2/01, os documentos certificados eletronicamente podem assumir natureza pública ou particular: "Consideramse documentos públicos ou particulares, para todos os fins legais, os documentos eletrônicos de que trata esta Medida Provisória.". Além disso, gozam de presunção de veracidade em relação a seus emissores, conforme prescreve o 1º do mesmo art. 10: "As declarações constantes dos documentos em forma eletrônica produzidos com a utilização de processo de certificação disponibilizado pela ICP-Brasil presumem-se verdadeiros em relação aos signatários, na forma do art. 131 da Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 - Código Civil". ESTANDO EM CONSONÂNCIA COM A MP 2.200-2/01, A ASSINATURA ELETRÔNICA GOZA DE AUTENTICIDADE E TEM O MESMO VALOR JURÍDICO DE UMA ASSINATURA FÍSICA DO EMISSOR LANÇADA EM DOCUMENTO PAPELIZADO.

DUPLICATAS ELETRÔNICAS Duplicatas escriturais ou eletrônicas são pioneiras em relação à emissão, circulação e cobrança exclusivamente por meio eletrônico. Os emissores das duplicatas enviam aos Bancos todas as informações a elas relativas através de meios magnéticos ou eletrônicos. Os bancos incorporam as informações em seus sistemas e passam a circular somente as informações, encaminhando, ao final, a cobrança ao sacado. Em caso de não pagamento do crédito, os dados eletrônicos são encaminhados ao Cartório de Protesto por meio magnético. Eis um exemplo de admissão de uma exceção ao princípio da cartularidade dos títulos de crédito.

DUPLICATAS ELETRÔNICAS - PROTESTO A Lei nº 9.492 de 1997, que regulamenta o protesto de documentos de dívida, em seu art. 8º, estabelece o procedimento em relação ao protesto de títulos e a duplicatas mercantis, em especial: Art. 8º - Os títulos e documentos de dívida serão recepcionados, distribuídos e entregues na mesma data aos Tabelionatos de Protesto, obedecidos os critérios de quantidade e qualidade. Parágrafo Único. Poderão ser recepcionadas as indicações a protestos das Duplicatas Mercantis e de Prestação de Serviços, por meio magnético ou de gravação eletrônica de dados, sendo de inteira responsabilidade do apresentante os dados fornecidos, ficando a cargo dos Tabelionatos a mera instrumentalização das mesmas..

DUPLICATAS ELETRÔNICAS - JURISPRUDÊNCIA Superior Tribunal de Justiça entende que, sendo inegável a desmaterialização das duplicatas, conforme o desenvolvimento tecnológico, é plenamente viável a execução da duplicata sem sua via física. AÇÃO DE EXECUÇÃO. TÍTULO EXECUTIVO. As duplicatas virtuais, como exceção ao princípio da cartularidade, podem ser executadas mediante a apresentação, apenas, do instrumento de protesto por indicação e do comprovante de entrega e recebimento das mercadorias. Precedentes. DERAM PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME. (Apelação Cível Nº 70044528321, Décima Quinta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Otávio Augusto de Freitas Barcellos, Julgado em 26/10/2011). AGRAVO DE INSTRUMENTO AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL DUPLICATAS VIRTUAIS REQUISITOS LEGAIS RECURSOS PROVIDO Inegavelmente as duplicatas são documentos indispensáveis à propositura da ação, considerando que a pretensão do autor é o recebimento dos valores descritos nas cártulas. No caso ora em apreço, tais documentos estão representados por duplicatas virtuais, as quais preenchem os requisitos da lei de regência. Recurso provido. (Agravo de Instrumento Nº 1.0024.12.091533-5/001, Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Relator: Saldanha da Fonseca, Julgado em 26/09/2012.

CÉDULAS DE CRÉDITO BANCÁRIO Cédula de Crédito Bancário é título de crédito emitido em favor de instituição financeira ou entidade equiparada, representativa de promessa de pagamento em dinheiro, decorrente de operação de crédito, de qualquer modalidade. Característica legal de título executivo extrajudicial (art. 28) representativa de dívida em dinheiro, certa, líquida e exigível, SEJA PELA SOMA NELA INDICADA (literalidade), seja pelo saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo, ou nos extratos da conta corrente (reconhecimento do STJ). Requisitos básicos da emissão incluem (i) forma escrita; (ii) número de vias igual ao número de intervenientes; (iii) assinatura do Emitente e seus Garantidores. A Lei obriga a emissão em suporte que admita a expressão de todas as características do título POR ESCRITO. O suporte pode ser físico ou virtual (eletrônico), preenchendo os requisitos legais de validade.

CÉDULAS DE CRÉDITO BANCÁRIO REQUISITO DA ASSINATURA DO TÍTULO, em se tratando de emissão eletrônica - Lei Modelo UNCITRAL, art. 6º: qualquer informação escrita tida por lei específica como essencial para o aperfeiçoamento de ato jurídico poderá ser substituída por uma mensagem eletrônica, desde que a informação possa ser acessada para consulta posteriormente. ART. 41 DA LEI 10.931/04 - Inadimplida a obrigação representada pelo título, se torna possível a apresentação para lavratura do protesto POR INDICAÇÃO, desde que o credor declare ser possuidor de sua única via negociável (NORMAS DE SERVIÇOS DA CGJ TJ/SP 11.6.XV). Esse procedimento encontra respaldo no parecer 359/2009-E da CGJ do TJ/SP, que reconhece que a CCB: comporta protesto por indicação, por transmissão dos elementos ao Tabelião, com declaração de posse de via negociável pelo credor e que os credores podem assinar e enviar tais declarações eletronicamente, desde que observadas as normas da ICP-Brasil, para fins de autenticidade, integridade e validade dos títulos.

TÍTULOS DE CRÉDITO DO AGRONEGÓCIO - LEI Nº 8.929/94 Lei nº 8.929/94 Institui a Cédula de Produto Rural, primeiro título para financiamento privado do agronegócio, que consiste na promessa de entrega de produto rural, emitida por produtores rurais (art. 1º), admitindo liquidação financeira (art. 4º-A, denominada "CPR Financeira"). Emissão obrigatoriamente mediante suporte físico, devendo ser registrada em Cartório de Registro de Imóveis e em sistema de registro e de liquidação financeira. SERÁ CARTULAR ANTES DO REGISTRO E APÓS A BAIXA; SERÁ ELETRÔNICA DURANTE O PERÍODO EM QUE FICAR REGISTRADA NO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO. Não há prejuízo na transmutação de suporte, pois todos os registros serão mantidos pela entidade registradora, até que se encerre o ciclo de negociações, prevalecendo a titularidade do credor cujo nome constar por último.

TÍTULOS DE CRÉDITO DO AGRONEGÓCIO - LEI Nº 11.076/04 Lei nº 11.076/04 Institui os novos títulos de financiamento privado do agronegócio: CDA - Certificado de Depósito Agropecuário, que representa promessa de entrega de produtos agropecuários, armazenados conforme Lei 9.973/00 WA - Warrant Agropecuário, que representa promessa de pagamento em dinheiro, conferindo penhor sobre o CDA e o produto armazenado, Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

TÍTULOS DE CRÉDITO DO AGRONEGÓCIO CDA / WA O Certificado de Depósito Agropecuário e o Warrant Agropecuário são títulos de crédito unidos, emitidos simultaneamente pelo armazém depositário dos produtos, podendo ser transmitidos unidos ou separadamente, nos mercados de bolsa e de balcão. É obrigatório o registro em sistema de registro e de liquidação em 30 dias da emissão, devendo ser precedido da entrega dos títulos à custódia de instituição autorizada a tanto, que efetuará o endosso dos títulos ao credor, quando da baixa do sistema eletrônico. SERÃO CARTULARES ANTES DO REGISTRO E APÓS A BAIXA; SERÃO ELETRÔNICOS DURANTE O PERÍODO EM QUE FICAREM REGISTRADOS NO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO, DEVENDO SER AS NEGOCIAÇÕES ATUALIZADAS ELETRONICAMENTE PELA ENTIDADE REGISTRADORA.

TÍTULOS DE CRÉDITO DO AGRONEGÓCIO CDCA LCA CRA Promessas de pagamento em dinheiro vinculadas a direitos creditórios de negócios relacionados a produtos ou insumos agropecuários, podendo ser distribuídos publicamente e negociados em bolsa e em mercados de balcão organizados. CDCA: pessoas jurídicas que exerçam a atividade ligada a produtos agropecuários. LCA: emitidos por instituições financeiras públicas ou privadas. CRA: companhias securitizadoras. É obrigatório o registro dos direitos creditórios que lastreiam esses títulos em sistema de liquidação, sendo custodiados por instituições autorizadas. EMISSÃO ESCRITURAL - Art. 35 - emissão dos títulos de forma escritural, desde que (i) haja registro em sistema de liquidação financeira e (ii) ocorram transferências somente através de registros constantes do sistema de registro e liquidação.

TÍTULOS DE CRÉDITO DO AGRONEGÓCIO Permissão expressa de existência somente em formato escritural. Inaplicabilidade do princípio da cartularidade. Circulação: somente através de meio eletrônico, inclusive em possível distribuição pública. Registro em cartório: encaminhamento de cópia simples do documento que possua a certificação digital; envio do título por meio eletrônico ao cartório.

TÍTULOS DE CRÉDITO ELETRÔNICOS TRANSMUTAÇÃO E REGISTRO CUSTÓDIA: física a cargo do registrador, que mantém sob sua guarda o título em papel; eletrônica a cargo da entidade que opera o sistema de liquidação e mantém controle sobre a cadeia de negociações dos títulos. TRANSMUTAÇÃO do suporte de papel em meio eletrônico. O suporte será materializado antes do registro eletrônico e após a baixa; será desmaterializado durante todo o período em que permanecer em circulação. REGISTRO FÍSICO: obrigatoriedade legal para fins de publicidade e efeitos perante terceiros, podendo ser implementado através de uma cópia simples do documento original encaminhada ao cartório. REGISTRO ELETRÔNICO: realizado em sistema de liquidação, com a segurança de que a certificação digital garantirá a integridade do documento, que não será alterado por terceiros não autorizados. Todos os atos relativos ao título de crédito eletrônico deverão ser registrados em sistema. Quaisquer outros atos realizados sem registro no sistema serão considerados nulos.

TÍTULOS DE CRÉDITO ELETRÔNICOS - EXECUÇÃO É requisito para propositura da execução a instrução da petição inicial com o o título executivo extrajudicial (art. 614, I do CPC). O título de crédito com certificação digital revela-se suficiente para tanto, ao assegurar a autenticidade do conteúdo do título. Pode ser apresentado através de instrumento de protesto de que constem fielmente os elementos de constituição do crédito, além da própria certificação da autoridade certificadora. Respalda esse entendimento a regra do art. 225 do Código Civil, que dá força probante aos documentos eletrônicos quanto à ocorrência de fatos e existência de coisas, caso não lhes impugne a exatidão a parte contra quem forem exibidos.

TÍTULOS DE CRÉDITO ELETRÔNICOS - EXECUÇÃO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA tem considerado que a apresentação dos títulos originais para início da ação de execução é dispensável, desde que os títulos estejam custodiados e sejam atendidos os demais requisitos previstos em lei. Precedentes relevantes REsp nº 1.024.691-PR (2008/0015183-5) Relatora Min. Nancy Andrighi - 22/3/2011 Embargos de Divergência nº 1.024.691-PR (2011/0102019-6) Relator Min. Raul Araújo - 22/08/2012 AgRgAgREsp nº 121.263-GO (2011/0281898-6) Relator Min. Massami Uyeda - 20/11/2012 REsp nº 1.037.819-MT (2008/0052098-0) Relator Min. Massami Uyeda - 23/02/2010

TÍTULOS DE CRÉDITO ELETRÔNICOS PROCESSO ELETRÔNICO A Lei nº 11.419/06, instituidora do processo eletrônico, admite a juntada de documentos eletrônicos aos autos. O art. 11 considera que "Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos eletrônicos com garantia da origem e de seu signatário (...) serão considerados originais para todos os efeitos legais.". Textualmente, a Lei confere caráter de documento original ao documento eletrônico, desde que produzido de maneira a que reste assegurada a sua integridade e a sua autoria, conforme o disposto na MP 2.200-2/01.

TÍTULOS DE CRÉDITO ELETRÔNICOS PANORAMA GERAL Conclui-se que a constituição e a formalização dos títulos de crédito eletrônicos são plenamente viáveis e encontram embasamento legal. Amparo legal quanto à existência de documentos e títulos eletrônicos. Leis mais recentes posicionam-se no sentido de permitir a existência exclusivamente escritural (Projeto de Lei instituindo o Novo Código Comercial). Emissão, circulação e cobrança: necessidade de um sistema eletrônico eficiente e capaz de permitir cumprimento de todas as necessidades operacionais (exemplo das Câmaras de Registro e Liquidação de Ativos). Restrições à virtualização: títulos em que se exige expressamente sua existência de forma física. Sistema processual: necessidade de adaptação do sistema brasileiro, para possibilitar de forma expressa a existência e validade dos títulos de crédito eletrônicos como meio de prova (materialização da experiência jurisprudencial).

Muito Obrigado! Fabio de Almeida Braga (5511) 3356-1668 fbraga@demarest.com.br