A construção do mapa temático em sala de aula Cássio Alves Prado (alves_prado@hotmail.com) Francisco Napolitano Leal Pedro Benetazzo Serrer Pedro Ivan Menezes de Carvalho (pimc17@hotmail.com) Universidade de São Paulo Seção São Paulo (agbsaopaulo@yahoo.com.br) Resumo Partimos do pressuposto que há um hiato de formação dos professores no que diz respeito ao ensino da linguagem constituinte dos chamados mapas temáticos. O mapa não serve apenas como ilustração, os mapas devem ser vistos e compreendidos. Como diz Jacques Bertin A linguagem gráfica dos mapas é algo que se aprende (1986). A finalidade da Oficina é construir junto com participantes um modelo de prática de exercícios que facilitam a compreensão não apenas da Cartografia Temática, mas de modo geral de toda a Geografia trabalhada no ensino médio. Através de exercícios de cartografia que instigam e fortalece a apreensão dos alunos, os professores participantes da oficina poderão aprender e depois aplicar tais exercícios em seus discentes. A Oficina será dividida em três pontos: 1º ponto será um exercício de variáveis visuais (formas de implantação e a sensação que é passada). 2 ponto uma discussão sobre erros cartográficos através de um pequeno texto de Jacques Bertin. 3º ponto será um exercício de Construção de Mapa Temático a partir do método das figuras geométricas proporcionais. Palavras-chave: Ensino; Linguagem; Cartografia Temática. Introdução A proposta que se apresenta é uma série de exercícios elaborados para se trabalhar com alunos do primeiro ano do ensino médio e tem por objetivo a construção de um mapa temático. Além disso, essa atividade procura tratar dos principais conceitos da linguagem gráfica, objetivando dar suporte à formação de estudantes mapeadores e ao 1
mesmo tempo críticos e observadores dos mapas existentes. A importância do mapa, como linguagem a serviço da Geografia no ensino é de conhecimento de todos. Porém é necessário desnaturalizar esse mapa e apresentá-lo como construção ou possibilidade de construção, portanto sujeito a erros possíveis de serem identificados e corrigidos. A iniciativa de preparar essa oficina foi baseada nas discussões realizadas no nosso grupo de estudos sobre Cartografia no Ensino Médio na Universidade de São Paulo sobre a orientação da Professora Doutora Fernanda Fonseca Padovesi, e também na própria experiência assistindo aulas no primeiro ano do ensino médio das escolas estaduais de São Paulo. Objetivo A oficina tem por objetivo elucidar a melhor abordagem da Cartografia e também a necessidade de desenvolvimento de recursos teórico metodológicos no campo da Cartografia, relacionando mais estreitamente as necessidades do ensino pelo mapa na sala de aula do ensino médio. Isso se dará com a discussão sobre quais são os elementos que compõem os mapas temáticos e como devem ser a interpretação e compreensão dos mesmos. Ademais, será discutida a importância da Cartografia Temática na apreensão de fenômenos. De maneira prática, será feita a construção de um mapa temático. Metodologia A parte prática da oficina consiste na realização de dois exercícios, um sobre variáveis visuais e outro uma construção de mapa temático. A parte teórica consiste em uma explicação sobre variáveis visuais e linguagens. A demonstração de erros cartográficos encontrados no cotidiano é ilustrativo para a reflexão sobre o olhar cartográfico. A duração proposta para a atividade é de 3 aulas de 50 minutos,(na apresentação da oficina no ENG teremos 3 horas e meia para apresentá-la) entretanto esse período pode variar a depender da turma que se trabalha. 1ª parte: Exercício de Variáveis Visuais As variáveis visuais se dividem em 3 formas modos de implantação: 2
- Ponto - Zona - Linha Estas formas podem passar ao leitor a sensação de: - Ordem - Quantidade -Desordem As variáveis visuais são noções bastante intuitivas, por isso é interessante que o próprio aluno (participantes da oficina) faça um esforço para chegar as suas conclusões independentemente. Para tanto elaboramos um exercício visando dar conta desses conceitos. Com os exercícios já prontos, aprofunda-se a parte teórica sobre o tema, onde se explica a aplicação das variáveis visuais. Após essa exposição é interessante que os alunos (participantes da oficina) sejam estimulados a identificar os erros cometidos no exercício anterior e refaçam-no. 2ª parte: Erros Cartográficos Nesta parte os erros cartográficos evidenciados por Bertin no seu texto Ver ou Ler, de 1968, serão focados. Além de explicar os erros cartográficos, serão elucidadas de forma clara e concisa as duas perguntas propostas por Bertin, as quais todo mapa deve responder: 1- Em tal lugar, o que há? 2- Tal fenômeno, qual sua Geografia? Depois de ter esclarecido o conteúdo haverá uma apresentação de uma série de mapas com erros e a partir disso um diálogo com os participantes da oficina, de modo que os participantes passem a identificar tais erros. 3ª parte: Exercício de Construção do Mapa Temático Para encerrar o processo de desnaturalização do mapa os participantes farão, eles próprios, um mapa. Pois bem, as possibilidades para essa etapa da atividade são várias, e é uma oportunidade dos participantes da oficina trazer a discussão acumulada até o momento para uma escala mais próxima do cotidiano dele mesmo, buscando representar 3
fenômenos da cidade ou região onde vivem. Após definir qual será a área representada, será elaborado um fundo de mapa com as divisões políticas em questão. É importante lembrar que essa divisão estará em consonância com os dados levantados. Esse fundo de mapa deve contar espaço para a elaboração de título e legenda. Com o fundo de mapa e a tabela de dados em mãos, o passo seguinte será trabalhar os dados de população absoluta (a partir daqui descreveremos as etapas do exemplo em questão), eles serão representados através do método da figuras geométricas proporcionais (círculos), para tanto é preciso antes chegar aos diâmetros desses círculos, para isso devesse tirar a raiz quadrada dos valores da tabela. É possível que os valores obtidos ainda não resultem em um bom mapa, para isso devesse obter uma constante, que multiplique ou divida os valores. Depois de achar valores satisfatórios, são desenhados os círculos com um compasso no centro geométrico das subdivisões políticas do fundo de mapa. A elaboração de um Histograma de Freqüência será necessário para a definição das classes de cores que serão divididos os dados relativos. Após essa classificação, os círculos desenhados deverão ser pintados, chegando ao fim da construção de um mapa quantitativo e ordenado. Material e Equipamento Necessário: computador e projetor. Para os participantes: lápis preto; borracha; lápis de cor; régua (preferência de 30cm); compasso. Bibliografia BERTIN, Jacques. Ver ou Ler Seleção de Textos (AGB), São Paulo, n.18, p.45-62, maio 1988. Sémiologie Graphique: les diagrammes les réseaux les cartes. Paris, Les Ré-impressions. 1999. Neográfica e o tratamento gráfico da informação. Curitiba: Universidade Federal do Paraná. 1986. 273p. BORD, Jean-Paul. O Geógrafo e o Mapa: ponto de vista e questionamento da parte de um geógrafo cartógrafo. In: Colóquio <<30 anos de semiologia gráfica>>. Tradução de 4
Andréa de Castro Panizza. Anais XVI Encontro Nacional dos Geógrafos FONSECA, Fernanda Padovesi. A inflexibilidade do espaço cartográfico, uma questão para a Geografia: analise das discussões sobre o papel da Cartografia. Tese (doutorado em Geografia), FFLCH-USP, 2004. 250 p. MARTINELLI, Marcello. Cartografia Temática: Caderno de Mapas São Paulo, EDUSP, 2003. Curso de Cartografia Temática São Paulo, Contexto, 1991. SIMIELLI, Maria Helena Ramos. Cartogrfia no Ensino Fundamental e Médio. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri (Org.) A Geografia na Sala de Aula. São Paulo. Contexto, 1999. 5
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