PROJETO DE LEI Nº, DE 2015



Documentos relacionados
PROJETO DE LEI N.º 431, DE 2011 (Do Sr. Neilton Mulim)

Universidade Federal de Mato Grosso. Instituto de Linguagens. Curso de Graduação letras-libras, licenciatura

COMISSÃO DE TRABALHO ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO. PROJETO DE LEI N.º 4.673, DE 2004 (Apenso n.º de 2005)

Deficiência auditiva parcial. Annyelle Santos Franca. Andreza Aparecida Polia. Halessandra de Medeiros. João Pessoa - PB

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

POLÍTICAS DE SAÚDE PARA OS SURDOS E O PRINCÍPIO DE UNIVERSALIDADE

PARECER Nº 1.276, DE 2008

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão

I instituições e empresas empregados; II estabelecimentos de ensino 400 alunos; VI serviços de reabilitação física 60 usuários;

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Decreto Lei de LIBRAS

PROJETO DE RESOLUÇÃO Nº 22/2011

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 105, DE 2008

Minuta de Resolução Programa de Ações Afirmativas da Udesc

PROJETO DE LEI Nº DE 2007 ( Do Sr. Alexandre Silveira)

COMISSÃO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA, COMUNICAÇÃO E INFORMÁTICA PROJETO DE LEI Nº 4.628, DE 2001

Acessibilidade na Biblioteca Anísio Teixeira (BAT): as ações do Setor de Atendimento a Criança e ao Adolescente Surdo (SACAS).

PROJETO DE LEI Nº, DE 2008 (Do Sr. Antonio Carlos Mendes Thame)

PROJETO DE LEI N.º 2.571, DE 2011 (Do Sr. Junji Abe)

ATUAÇÃO DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS/ LÍNGUA PORTUGUESA NO IES 1

O artigo 1º da Lei nº /00 passou a ter nova redação após o advento do Estatuto do Idoso 2, como se vê adiante:

II Encontro MPSP/MEC/UNDIME-SP. Material das Palestras

PLC 122/06 REDAÇÃO FINAL PROJETO DE LEI Nº B, DE O CONGRESSO NACIONAL decreta:

PROJETO DE LEI Nº, DE 2014

Dispõe sobre a implementação de estrutura de gerenciamento do risco operacional.

GUIA DE ATUAÇÃO MINISTERIAL ORIENTAÇÕES SOBRE O DIREITO AO ATENDIMENTO PRIORITÁRIO ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E AOS IDOSOS

O Conselho Estadual de Educação do Estado da Paraíba, no uso de suas atribuições e considerando:

EXPEDIENTE CONSULTA Nº /2013 ASSUNTO: Possibilidade de um deficiente auditivo cursar medicina. RELATORA: Consa.ª Lícia Maria Cavalcanti Silva

O amamentar entre as mães surdas - Experiência em Mato Grosso do Sul-

Prof. Neemias Gomes Santana UESB Graduação em Letras/Libras UFSC/UFBA Especialista em Tradução e Interpretação de Libras Mestrando em Tradução

6º FÓRUM SENADO DEBATE BRASIL. Convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência : uma Constituição viva e cidadã

Quadro 28: Percentual de matrículas inclusivas no Brasil e no DF

ATO DA COMISSÃO DIRETORA Nº 15, DE 2013.

COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 110, DE 2015

GERÊNCIA EXECUTIVA DO INSS EM MACEIÓ CONSELHO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL RECOMENDAÇÃO Nº 02, DE 02 DE MARÇO DE 2005

11º GV - Vereador Floriano Pesaro PROJETO DE LEI Nº 128/2012

Atendimento Educacional Especializado

PROJETO DE LEI Nº., DE DE DE 2012.

Ministério da Educação Secretaria de Educação Especial

11º GV - Vereador Floriano Pesaro

PROJETO DE LEI N O, DE 2004

PROJETO DE LEI N.º 7.966, DE 2014 (Do Sr. Valmir Assunção)

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 03, DE 1º DE SETEMBRO DE Art. 1º Baixar as seguintes instruções a serem observadas pela Fiscalização do Trabalho.

I. GARANTIA DE ACESSIBILIDADE AOS CANDIDATOS SURDOS, OPORTUNIZANDO IGUALDADE DE CONDIÇÕES COM OS DEMAIS CANDIDATOS I.

Sugestão Legislativa nº 35, de 2003

COMO ENVIAR AS CONTRIBUIÇÕES?

PROJETO DE LEI Nº, DE 2003

PROJETO DE LEI N.º 866, DE 2015 (Do Sr. Izalci)

PROJETO DE DECRETO LEGISLATIVO N O, DE (Do Sr. Eduardo Barbosa) O Congresso Nacional decreta:

GRUPO DE TRABALHO QUE PROMOVE A CÂMARA DE NEGOCIAÇÃO DEDESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

GRUPO 5 - COMUNICAÇÃO

Estado do Rio Grande do Sul Conselho Municipal de Educação - CME Venâncio Aires

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL 1988

A Educação Bilíngüe. » Objetivo do modelo bilíngüe, segundo Skliar:

A inclusão do surdo na escola: um jogo de fazde-conta? Adail Sobral (UCPEL)

LIBRAS LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS LIBRAS LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS

PARECER Nº, DE RELATOR: Senador FLEXA RIBEIRO

PORTARIA Nº 375, DE 10 DE MARÇO DE 2014

DECRETO N.º 418/XII. Cria o Inventário Nacional dos Profissionais de Saúde

Esfera: 10 Função: 12 - Educação Subfunção: Educação Especial UO: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação

ELIZANETE FÁVARO TÉCNICO- PEDAGÓGICA SEED/DEEIN DIRETORA REGIONAL FENEIS Pedagoga e Professora da Língua de Sinais netefavaro@hotmail.

PROJETO DE LEI DO SENADO, de O CONGRESSO NACIONAL decreta:

O artigo 427, da CLT, determina que o empregador, cuja empresa ou estabelecimento ocupar menores, seja obrigado a conceder-lhes o tempo que for

1 - EDUCAÇÃO PROPOSTAS APROVADAS

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão

VIII JORNADA DE ESTÁGIO DE SERVIÇO SOCIAL

1. Direitos das pessoas com Autismo e suas famílias. Beatriz Valério Direito da Família e Sucessões

O tradutor e intérprete de língua brasileira de sinais e língua portuguesa

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/ NÚCLEO DE APOIO À INCLUSÃO DO ALUNO COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS

Prevenção de HIV e Aids para Pessoas Surdas

NOTA DE ESCLARECIMENTO DA FENEIS SOBRE A EDUCAÇÃO BILÍNGUE PARA SURDOS (EM RESPOSTA À NOTA TÉCNICA Nº 5/2011/MEC/SECADI/GAB)

O Dever de Consulta Prévia do Estado Brasileiro aos Povos Indígenas.

LEVANTAMENTO DOS MARCOS LÓGICOS E LEGAIS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Antonio Carlos Cardoso Professor de Libras da Univasf Campus Juazeiro/BA e Colaborador das Políticas de Educação Inclusiva

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: CAPÍTULO I DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO

EIXO 2 PROTEÇÃO E DEFESA DOS DIREITOS: PROPOSTAS APROVADAS OBTIVERAM ENTRE 80 e 100% DOS VOTOS

ATUAÇÃO DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LÍNGUA DE SINAIS NO ENSINO SUPERIOR

ESTADO DO AMAZONAS CÂMARA MUNICIPAL DE MANAUS GABINETE DO VEREADOR EVERALDO FARIAS

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

PROJETO DE LEI Nº, DE 2011

Parecer Consultoria Tributária Segmentos Controle de Ponto do Trabalhador terceirizado

FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DE BARRETOS DR. PAULO PRATA

PARECER Nº, DE RELATOR: Senador CRISTOVAM BUARQUE

a convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência 2007 e o decreto n o 6.949, de 25 de agosto de

Processo PGT/CCR/ICP/Nº 7698/2014

A DESCRIÇÃO DO NOVO PERFIL PROFISSIONAL EXIGIDO EM PROCESSOS SELETIVOS DO RJ A ATUAÇÃO DO PROFESSOR- INTÉRPRETE NA EDUCAÇÃO DE SURDOS.

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 522, DE 2013

Transcrição:

PROJETO DE LEI Nº, DE 2015 (Do Sr. Carlos Gomes) Assegura às pessoas com deficiência auditiva o direito a atendimento por tradutor ou interprete de LIBRAS nos órgãos e entidades da administração pública, direta e indireta, fundacional e nas empresas concessionárias de serviços públicos. O Congresso Nacional decreta: Art. 1.º Esta Lei altera a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, a Lei nº 10.048, de 24 de abril de 2000, e a Lei nº 10436, de 24 de abril de 2002, com o objetivo de assegurar às pessoas com deficiência auditiva o direito a atendimento por tradutor ou intérprete de LIBRAS nos órgãos e entidades da Administração pública, direta, indireta e fundacional e nas empresas concessionárias de serviços públicos. Art. 2º O art. 2º da Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 2º... IV na área de recursos humanos: 1

d) a contratação de tradutores ou intérpretes de LIBRAS, por concurso público, terceirização ou convênio celebrado com entidades públicas ou privadas especializadas no atendimento às pessoas com deficiência auditiva, para implantação de serviço de atendimento diferenciado e imediato ao deficiente auditivo nos órgãos e entidades da Administração pública direta e indireta e fundacional, e nas concessionárias de serviços públicos. 2º Os órgãos e entidades do Poder Público federal, estadual, distrital e municipal, inclusive suas concessionárias de serviços públicos, implementarão, no âmbito de suas competências, serviços de atendimento para pessoas com deficiência auditiva, prestado por meio de intérpretes, tradutores ou pessoas capacitadas em Língua Brasileira de Sinais LIBRAS. (NR) Art. 3º O art. 2º da Lei nº 10.048, de 24 de abril de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 2º Os órgãos e entidades da Administração direta, indireta e fundacional e as empresas concessionárias de serviços públicos, em todos os níveis da federação, deverão dispensar atendimento prioritário, por meio de serviços individualizados que assegurem tratamento diferenciado e atendimento imediato às pessoas a que se refere o art. 1º. 1º... 2º O tratamento diferenciado de que trata o caput abrangerá, dentre outras medidas, a implementação de serviços de atendimento a pessoas com deficiência auditiva, prestados por intérpretes, tradutores ou pessoas capacitadas em Língua Brasileira de Sinais LIBRAS. (NR) 2

Art. 4 o O art. 2º da Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, passa a vigorar acrescido dos seguintes parágrafos: Art. 2º.... 1º Fica assegurado às pessoas com deficiência auditiva o direito a atendimento por tradutor ou intérprete de LIBRAS nos órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional, e nas empresas concessionárias de serviços públicos. 2 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no âmbito de suas competências, disciplinarão a implementação do serviço de atendimento diferenciado e prioritário aos deficientes auditivos por meio tradutores e intérpretes de LIBRAS, bem como regulamentarão sistemas de controle da qualidade e de avaliação pelo usuário (NR) Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Sala das Sessões, em de fevereiro de 2015. Dep. CARLOS GOMES PRB/RS 3

JUSTIFICAÇÃO O reconhecimento do status linguístico das línguas de sinais é recente. A UNESCO, em 1984, declarou que a língua de sinais deveria ser reconhecida como um sistema linguístico legítimo Em 1987, o Encontro Global de Especialistas recomendou que pessoas surdas e com grave impedimento auditivo devem ser reconhecidas como uma minoria linguística, com o direito de ter a sua língua de sinais nativa aceita como sua primeira língua oficial e como o meio de comunicação e instrução, tendo serviços de intérpretes. A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência considera fundamentais para a efetividade dos direitos humanos das pessoas surdas: o acesso e o reconhecimento da língua de sinais, o respeito pela identidade linguística e cultural, a educação bilíngue, o recurso aos intérpretes de línguas de sinais e outros meios de acessibilidade. Democratizar a LIBRAS garante a possibilidade de reconhecimento e legitimação desta forma de comunicação e permite que os surdos se compreendam também como comunidade. A LIBRAS também propicia uma melhor compreensão e interação entre surdos e ouvintes. A LIBRAS é reconhecida como língua oficial brasileira pela Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que a define como forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. A mesma Lei também determina que o Poder Público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos devem garantir formas institucionalizadas de apoiar o uso e a difusão da LIBRAS 4

como meio de comunicação objetiva, cuja forma mais direta é o atendimento por tradutor ou intérprete de LIBRAS quando o cidadão com deficiência auditiva recorre ao Poder Público ou suas entidades para exercer seus direitos. Este é o escopo do presente projeto. Na Lei n. 10.048, de 2000, que trata da prioridade de atendimento, em seu art. 2º, determina que as repartições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos estão obrigadas a dispensar atendimento prioritário, por meio de serviços individualizados que assegurem tratamento diferenciado e atendimento imediato às pessoas portadoras de deficiência. No caso das pessoas com deficiência auditiva, o Decreto n. 5296, de 2004, que regulamentou as Leis 10.048 e 10.098, ambas de 2000, já prevê, especificamente, no inciso III, do 1º, de seu art. 6º, que o tratamento diferenciado inclui, dentre outros: (...) III serviços de atendimento para pessoas com deficiência auditiva, prestado por intérpretes ou pessoas capacitadas em Lingua Brasileira de Sinais LIBRAS e no trato com aquelas que não se comuniquem em LIBRAS, e para pessoas surdocegas, prestado por guias-intérpretes ou pessoas capacitadas neste tipo de atendimento. Paralelamente, a Lei nº. 12.319, de 2010, que regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais, em seu art. 6º, inciso IV, incluiu entre as atribuições do tradutor e intérprete a atuação no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim das instituições de ensino e repartições públicas. É necessário, pois, que a Administração direta e indireta, bem como as concessionárias de serviços públicos organizem-se para atender ao comando legal, uma vez que a presença do tradutor e intérprete permite o acesso às informações para garantia de direitos básicos dos cidadãos surdos perante a Administração Pública. 5

Além disso, a presente proposta também abre precedentes para o cumprimento do Decreto nº 3.298/1999, que regulamenta a Lei 7.853/1989 e dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (hoje Pessoa com Deficiência), pois além de beneficiar os cidadãos que vão aos departamentos públicos em busca de seus direitos, assegura o mesmo aos surdos que têm, por lei, o direito a trabalhar nesses locais e que, na maioria das vezes, se veem marginalizados pela dificuldade em interagir no ambiente de trabalho. Dessa forma tornaremos esse profissional um elo para a promoção da democracia e da verdadeira inclusão social para a população. A compreensão dos conceitos de diversidade e diferença, além de considerar a construção da identidade surda como um movimento político, social e histórico, faz prevalecer a tão almejada inclusão social dos surdos e despreza toda forma de discriminação e preconceito com essa comunidade, que sofreu por um longo tempo com a imposição de um padrão unilateral de normalidade e de forma de comunicação. Assim, diante da importância do tema aqui tratado, esperamos contar com o apoio dos ilustres pares na aprovação desta proposição. Sala das sessões, de de 2015. Dep. CARLOS GOMES PRB/RS 6