MANDADO DE SEGURANÇA INDIVIDUAL CLASSE 2100 PROCESSO Nº. 14014-90.2015.4.01.3300 IMPETRANTE: PATRICIA FERRAZ DE MORAIS Advogada: Cristiane de Araújo Góes Magalhães OAB/BA 14.416 IMPETRADO: PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA Advogado: Euber Dantas OAB/BA 20.568 SENTENÇA Vistos etc. PATRICIA FERRAZ DE MORAIS, qualificada nos autos, impetrou o presente MANDADO DE SEGURANÇA, com pedido liminar, em face do PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA, tendo por escopo a suspensão da execução nº 38004-81.2013.4.01.3300, a vedação e suspensão de novas execuções e a não inscrição no Cadin ou, sendo o caso, que tal inscrição seja cancelada e, em caráter definitivo seja confirmada a liminar, bem como acatado o pedido de cancelamento do registro/desfiliação/licença junto ao CRA sob o nº 884/95, com efeitos desde a data 20/06/1995. Aduziu que em face da sua aprovação em concurso para a Caixa Econômica Federal CEF, cuja posse se deu em 1993, requereu o cancelamento do seu registro junto ao CRA/BA, protocolado sob o nº 884/95, em 20/06/1995, quitando as anuidades referentes aos exercícios de 1994 e 1995. Alegou, também, que foi surpreendida por uma intimação para audiência de conciliação no processo de Execução nº 38004-81.2013.4.01.3300 referente à débitos de anuidades Pág. 1/6
devidas ao CRA/BA, gerados por não ter sido cancelado o respectivo registro. Narrou, ainda, que em 09/09/2014 protocolou outro requerimento sob o nº 26.989, pleiteando à Autarquia ré que desistisse da Execução supracitada, bem como cancelasse todos os débitos, ocasião em que ocorreu, tão somente, o cancelamento do registro junto ao CRA/BA. Instruiu a inicial com procuração e documentos de fls. 22/56. Despacho de fl. 60 postergando a apreciação do pedido liminar para após a informação da autoridade apontada como coatora. Apresentadas as informações pela autoridade indigitada coatira, nas fls. 70/87, arguindo-se, preliminarmente: a) o não esgotamento da via administrativa ilegitimidade do presente writ; b) inexistência de prova pré-constituída inadmissibilidade de dilação probatória em sede de mandado de segurança e c) falta de interesse de agir. No mérito, a autoridade impetrada defendeu a legalidade da cobrança referente às anuidades pretéritas da parte impetrante, haja vista que as mesmas não foram pagas, e, por conseguinte, se revelava legítima a inclusão do débito na dívida ativa, a cobrança mediante execução fiscal e a inclusão do nome da Autora no Cadastro de Devedores Inadimplentes (CADIN-SISBACEN). Alegou, ainda, que a autora não requereu o cancelamento do registro em 20/06/95, mas sim, a licença do respectivo registro (protocolo nº 884/95), tendo sido a mesma deferida pelo prazo de 2 (dois) anos e, diante da inércia da autora quanto à sua renovação, sua inscrição profissional foi automaticamente reativada, gerando a obrigação de pagar as anuidades correspondentes. Pág. 2/6
Aduziu, ainda, que o pedido de cancelamento só ocorreu, de fato, em 09/09/2014, sob o protocolo 26989, que foi devidamente concedido em reunião plenária. A decisão de fls. 94/99 indeferiu a liminar, contra a qual foram interpostos embargos de declaração nas fls. 107/114. O Ministério Público Federal manifestou-se nas fls. 123/124, no sentido de que não vislumbra na espécie a existência de interesse público que justifique seu ofício na qualidade de custos legis. 131/143. O impetrante informou a interposição de agravo de instrumento nas fls. fundamentos. O despacho de fl. 154 manteve incólume a decisão agravada pelos seus próprios É o relatório. DECIDO As preliminares de não esgotamento da via administrativa, de inexistência de prova pré-constituída e de inadmissibilidade de dilação probatória já foi rejeitada pela decisão de fls. 94/99, o que ora ratifico. Passo, doravante, ao exame do mérito. Conforme pontuado nas decisão que indeferiu a liminar, o Mandado de Segurança, na sua conceituação clássica dada pelo Professor Hely Lopes Meireles: é o meio constitucional posto à disposição de toda pessoa física ou jurídica, órgão com capacidade processual ou Pág. 3/6
universalidade reconhecida por lei, para a proteção de direito individual líquido e certo, não amparado por habeas corpus, lesado ou ameaçado de lesão, por ato de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça (MEIRELLES, Hely Lopes; Mandado de Segurança, Ação Popular, Ação Civil Pública, Mandado de Injunção e Habeas Data. Malheiros, 17ª edição). Trata-se de mandado de segurança objetivando comando judicial que determine à impetrada acatar o pedido de cancelamento do registro/desfiliação/licença feito pela impetrante junto ao CRA sob o nº 884/95, com efeitos desde a data de 20/06/1995, bem como suspender a execução nº 38004-81.2013.4.01.3300, vedando-se novas execuções, proibindo-se a sua inscrição no Cadin ou, sendo o caso, determinando o seu cancelamento. Conforme pontuei na decisão de fls. 94/99, não vislumbro, irrefutavelmente, a ocorrência de irregularidades na cobrança das anuidades devidas ao Conselho Regional de Administração da Bahia CRA-BA. De fato, os argumentos centrais que embasam o pedido trazido pela parte autora desenvolvem-se em torno do alegado requerimento de cancelamento do registro/desfiliação/licença junto ao CRA/BA, realizado em 20/06/1995, sob o nº 884/95, que, por não ter sido devidamente apreciado, gerou pendências referentes às respectivas anuidades. O documento acostado aos autos na fl. 36 revela que, em verdade, a impetrante pleiteou naquela oportunidade a licença do seu registro e não o cancelamento do mesmo como alegado na exordial. assim dispõem, in verbis: Os arts. 14 e 16 da Resolução Normativa 136 do CRA, de 18 de Junho de 1993, Art. 14 A licença de registro será concedida por prazo de até 2 (dois) anos, Pág. 4/6
renovável por iguais períodos, ao profissional que estiver em dia com suas obrigações, mediante requerimento ao Presidente do CRA, apresentando as razões do seu pedido, acompanhado da documentação comprobatória da causa que a justifique e da Carteira de Identidade Profissional. (*). (grifei). Art. 16 O cancelamento de registro será concedido ao profissional que estiver em dia com suas obrigações, mediante requerimento ao Presidente do CRA, apresentando as razões do seu pedido, acompanhado da documentação comprobatória que o justifique. Assim, a parte impetrada deferiu o pedido de licença, pelo prazo de 02 (dois) anos, nos termos do documento de fl. 79, ao fim do qual não houve, em princípio, pedido de renovação da mencionada licença, fazendo com que sua inscrição profissional fosse automaticamente reativada, gerando, com isso a obrigação de pagar as respectivas anuidades. Desta forma, tendo havido um equívoco em que a única responsável foi a impetrante, não vislumbro na hipótese a existência de direito líquido e certo apto a amparar o pleito da impetrante. DISPOSITIVO Com tais razões, e considerando o mais que dos autos consta, DENEGO A SEGURANÇA vindicada, à míngua de direito líquido e certo na espécie Custas pela impetrante. Sem honorários (Súmula 512 - STF). Oficie-se à Digna Autoridade impetrada mediante ofício instruído com cópia desta sentença. Intime-se a União Federal (Fazenda Nacional). Pág. 5/6
Oficie-se ao Exmo. Sr. Dr. Desembargador Federal Novély Vilanova relator do Agravo de Instrumento de nº 53697-43.2015.4.01.0000, dando-lhe ciência desta sentença. do TRF/1ª Região. Dê-se vista desta sentença ao Ministério Público Federal, consoante orientação P.R.I. Salvador (BA), 17 de março de 2016. CARLOS D ÁVILA TEIXEIRA Juiz Federal da 13ª Vara Cível na Bahia Pág. 6/6