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Transcrição:

Página 18 de 128 5 FICHAS DE INVENTÁRIO 5.1 Acervo eclesiástico 5.1.1 Estruturas Arquitetônicas Ficha 01 1. Município: Delfim Moreira. 3. Designação: Capela São Benedito. 5. Propriedade: Privada eclesiástica Paróquia de Delfim Moreira. 7. Situação de ocupação: Próprio. 9. Proteção legal existente: Nenhuma. 2. Distrito / Povoado: Sede / Biguá. 4. Endereço: Estrada para Biguá km 25. Bairro Biguá. 6. Responsável: Benedita Goreti. 8. Uso atual: Culto religioso. 10. Proteção legal proposta: Inventário. 11. Documentação fotográfica: Vista geral. IMAGEM: Júlia Garcia, out/2009. Fachada lateral direita. IMAGEM: Júlia Garcia, out/2009.

Página 19 de 128 Capela São Benedito na década de 80. IMAGEM: Acervo particular de Benedita Goreti, s/d. Vista interna. IMAGEM: Júlia Garcia, out/2009. 12. Histórico: A Capela São Benedito está localizada no bairro rural denominado Biguá que fica a 25 Km da área-sede de Delfim Moreira. A região foi muito importante para o desenvolvimento do município até o início da década de 1950, pois abrigou a pequena Estação Ferroviária do Biguá, que auxiliava o escoamento da produção agrícola e também de passageiros entre a Estação Delfim Moreira e outras estações vizinhas, facilitando assim, o deslocamento e o comércio na cidade. Segundo o Padre Arlindo Giacomelli, que há 55 anos é responsável pela Paróquia de Delfim Moreira, a capela de São Benedito foi construída no início da década de 1940, por um comerciante da região, chamado Onofre Gonçalves, em um terreno doado pelo fazendeiro Inácio Custódio. De acordo com o pároco, a construção do imóvel foi realizada na época do ordenado do padre Martinho Geers, que o antecedeu no município. Após a construção do templo, as famílias de Onofre Gonçalves e Inácio Custódio doaram a edificação juntamente com o terreno para a Paróquia de Delfim Moreira. A Capela de São Benedito, a exemplo da importância que os templos religiosos exerceram na fundação e consolidação de vários distritos nos interiores de Minas Gerais, bem como em muitos municípios brasileiros, surgiu no auge da formação do povoado, impulsionada pelo advento da Estação Ferroviária do Biguá, inaugurada anos antes, no final da década de 1920. A Festa de São Benedito é celebrada pela comunidade do Biguá nos meses de outubro (mês oficial de São Benedito) e novembro. A festa é considerada o principal atrativo da região, pois

Página 20 de 128 além de ser um importante evento religioso, tornou-se ao longo dos anos um ponto de encontro entre os moradores do bairro anfitrião e as comunidades vizinhas, prestigiando as missas, apresentações musicais, cantigas e barraquinhas, além de comidas e bebidas típicas da região. As despesas e os gastos necessários para a realização das festividades são administradas pela própria comunidade. Segundo os estudos de Luis da Câmara Cascudo (2001), São Benedito foi: Santo popular na Sicília, nascido em Sanfretello e falecido em Palermo em 4 de abril de 1589, com 65 anos de idade. Preto e humilde, não aprendeu a ler e chegou a guardião do seu convento. Profeta e taumaturgo, era venerado em toda a ilha, e sua imagem foi divulgada antes da canonização regular. (...) Sua cor popularizou-o entre os negros, e no Brasil tem prestigioso culto tradicional. Os africanos consideravam São Benedito como o seu patrono, talvez pela particularidade de ser santo de cor preta, e em seu louvor celebravam festas religiosas em que se exibiam diversões profanas, uma reminiscência dos costumes pátrios, sendo a representação dos congos e congados, principalmente, uma dessas diversões. As celebrações de missas na capela não são freqüentes, pois o padre Arlindo, da Paróquia de Delfim Moreira, faz suas visitas à comunidade apenas uma vez ao mês. Segundo Benedita Goreti, ministra da eucaristia há trinta anos e uma das responsáveis pela capela, o pároco é auxiliado por dois seminaristas estrangeiros (um francês e um guatemalense), residentes na vizinha cidade de Itajubá, que quinzenalmente celebram cultos, novenas e terços junto à comunidade. Muitas reformas foram feitas na capela, sendo todas viabilizadas através da arrecadação de verbas adquiridas na organização anual da festa do padroeiro. De acordo com a ministra da eucaristia, Benedita Goreti, a primeira reforma que se tem referências data-se aproximadamente no final da década de 1980, quando foi trocado o antigo forro de madeira por PVC, bem como o piso hidráulico por cerâmica e feita uma nova pintura, mantendo sua cor original, bege, como continua atualmente. Nesta mesma época, também foram trocadas as portas de madeiras, sendo substituídas por de metal. No final da década de 1990 foi desativada a antiga Casa Paroquial nos fundos da capela, onde antes ocorria catequese para as crianças do bairro. Atualmente, este local está sendo reformado para a instalação de um Posto de Saúde comunitário. Há três anos foram trocados todos os bancos do interior da capela, como as velhas calhas do telhado, sendo feita também uma nova pintura externa no imóvel, sem alterações da cor bege. Todas essas intervenções, bem como outras provavelmente realizadas ao longo dos anos, só foram possíveis através do mutirão exercido tradicionalmente pelos moradores da comunidade do Biguá. Por tanto, a Festa de São Benedito, além de se destacar como um aspecto culturalreligioso da localidade, é peça fundamental na preservação do patrimônio material, que mantém viva e renovada as relações sociais, a devoção e coesão da comunidade e visitantes.

Página 21 de 128 13. Análise de entorno: O povoado de Biguá, bairro rural localizado na porção nordeste do município de Delfim Moreira, onde encontra-se a Capela São Benedito, é uma região de relevo ondulado com grandes áreas de pastagem, no entanto, também pode ser notado trechos densos de vegetação nativa composta em sua maior parte por matas de araucárias, gramíneas e árvores isoladas. Na região se encontra poucas unidades de cultivo agrícola, porém há intervalos destinados a plantação de eucalipto e também de capinzal, este último que serve de alimento para o gado. Percorre ainda a região o Rio do Salto que possui alcance significativo e inúmeras cachoeiras em seu percurso. O acesso ao bairro se da através de estrada de terra, MG 210, que se inicia no km 82 da rodovia MG 350, com cinco quilômetros de extensão até a Capela. A MG 210 possui grande alcance, abrangendo desde o bairro Água Limpa, mais próximo da Rodovia MG 350, até o bairro da Barra, que está localizado junto ao limite do município de Delfim de Moreira com Maria da Fé. Alguns trechos da MG 210 são remanescentes da antiga linha ferroviária que ligava Biguá ao centro de Delfim. A estrada encontra-se em estado de conservação regular, sem vegetação invadindo a pista e poucas irregularidades em seu decorrer, com largura suficiente para a passagem simultânea de dois carros, sem acostamento ou caminho de circulação específico para pedestres. O bairro Biguá conta com dois núcleos bem definidos, separados entre si por alguns quilômetros da estrada MG 210. A Capela de São Benedito, juntamente com outras edificações, delimita um desses núcleos. Núcleo que origina praça com vegetação arbórea de médio porte, gramíneas, dotada de bancos e até mesmo uma bica de água potável proveniente de uma das nascentes da região. As vias que circundam esta praça recebem revestimento em bloquete, sendo vias de mão dupla com capacidade para dois carros, incluindo a faixa de estacionamento paralelo em um dos lados da via. As edificações no entorno da praça são de uso predominantemente residencial, mas há também presença de pontos comerciais. A maioria dos imóveis é alinhado à rua, sem afastamentos laterais, sendo o fechamento a própria edificação. O passeio é cimentado e não possui rampas e escadas, com largura de aproximadamente 1,0 m. Seu estado de conservação é bom, devido ao fato de não ter irregularidades e obstáculos em sua extensão. O bairro do Biguá traz água encanada, telefone público, coleta de lixo que acontece de 15 em 15 dias e iluminação pública. O esgotamento sanitário é realizado através do lançamento deste nos córregos que por ali circulam.

Página 22 de 128 14. Descrição: A Capela de São Benedito apresenta partido profundo e volumetria de um pavimento. O cercamento do terreno é feito por muro baixo com base de pedra, trecho em alvenaria e acabamento em gradil com barras de ferro batido. Este circunda a fachada frontal e lateral direita, delimitando o adro da ermida; as demais fachadas são abraçadas por muro somente em alvenaria. Para se ter ingresso ao terreno há ainda um lance de escada, com planta semicircular, seguida por portão em ferro batido. Um caminho revestido por pedra São Tomé leva até a edificação. A parcela do adro que circunda o templo é cimentada e sem uso prédefinido. A edificação está implantada em terreno com leve declive em direção a lateral esquerda, sendo possível observar arrimo nas extremidades do terreno com o intuito de nivelar o memo. O afastamento posterior é parcialmente ocupado com a implantação da casa paroquial, banheiros e por anexo da edificação. Já o afastamento lateral esquerdo é totalmente ocupado por galpão alongado destinado a festas e comemorações religiosas. O acesso principal ao interior da capela é feito pela fachada frontal, onde há dois planos levemente avançados que compreendem um patamar e dois degraus que o antecede. O templo apresenta outros dois acessos secundários, pela fachada lateral direita e esquerda. O sistema construtivo é autoportante em tijolos maciços, com revestimento em reboco e com aplicação de camada de tinta bege externamente. A cobertura do corpo principal da Igreja é feita por telhado de cinco águas em telha francesa. O coroamento frontal é feito por platibanda e cimalha, enquanto o lateral é feito por guarda-pó em argamassa, ornamentado por friso em argamassa com borda sinuosa que cinge toda a fachada. Já a torre que se ergue na porção frontal do templo é encimada por um coruchéu piramidal, com faces ogivais totalmente revestidas por relevo em argamassa que configura uma escama ondulada na cor dourado envelhecido. Esta é ainda arrematada com cruz instalada em seu ponto mais elevado e possui a mesma camada pictória do restante do coruchéu. O telhado que envolve o acréscimo da Capela possui cinco águas revestidas por telha francesa e conta também com mais uma água independente, referente a um dos banheiros de acesso externo. A fachada frontal apresenta uma porta, duas janelas e quatro óculos, todos com esquadrias metálicas e vedação em vidro incolor e nas cores azul e verde. A porta central, com verga em arco pleno, é composta por bandeira fixa e duas folhas de abrir. É ladeada por duas janelas de dimensões verticais, também com verga em arco pleno, cuja vedação em caixilhos metálicos com vidro é fixa em sua totalidade. As janelas possuem ainda enquadramento em argamassa e

Página 23 de 128 saliências ao longo dos peitoris. Na altura do coro se avistam duas aberturas, sendo dois óculos que remetem a forma de um trevo de quatro folhas, com fechamento fixo, um em cada porção da fachada. Um terceiro óculo, idêntico aos dois anteriores, porém em escala maior, encontrase centralizado no plano avançado do corpo da torre, em posição superior aos outros dois óculos. Ainda no mesmo plano da torre, em porção superior, é encontrado um óculo circular sem fechamento, com falso enquadramento retangular externo formado por relevo na massa. Tal óculo e enquadramento se repetem nas duas fachadas laterais da torre. Na face frontal o óculo possui um holofote instalado ao centro. A platibanda que faz o coroamento frontal acompanha a inclinação do telhado e é arrematada por cimalha em argamassa. O mesmo elemento está presente no coroamento da torre, abaixo do coruchéu. Esta fachada possui dois planos proeminentes. O plano que se encontra mais a frente se refere à porção inferior da fachada, antecedendo a porta principal, esta compreendida entre duas colunas de base quadrada, corpo cilíndrico e arremate em cimalha, encimadas por um pequeno frontão triangular, ornamentado por uma cruz sobre o vértice superior. Logo atrás deste plano um segundo surge tendo continuidade até o alto da torre. Este último compreende dois óculos citados anteriormente e possui falsos cunhais em relevo, estabelecido por figuras retangulares em recorte. O programa arquitetônico do imóvel é constituído pela ampla nave e altar-mor, este último separado da nave por dois degraus, ambos revestidos por piso cerâmico. Há ainda dois cômodos que complementam esse programa, que se encontram na porção posterior da planta, sendo uma sacristia e um banheiro, também com piso cerâmico. O coro, um mezanino situado acima do átrio frontal, é acessado por uma escada em cerâmica inserida junto à fachada lateral direita. Toda a Igreja exibe forro em PVC. 15. Intervenções: No final da década de 1980 ocorreu uma grande intervenção na Capela, quando foi trocado o antigo forro de madeira por PVC, bem como o piso hidráulico por cerâmica e feita uma nova pintura, mantendo sua cor original, bege, como continua atualmente. Nesta mesma época, também foram trocadas as portas de madeiras, sendo substituídas por esquadrias metálicas com vedação em vidro. Há três anos foram trocados todos os bancos do interior da capela, bem como as calhas do telhado. Atualmente, a antiga Casa Paroquial que se instalava nos fundos da Capela está sendo reformada para a instalação de um Posto de Saúde comunitário. 16. Estado de conservação: Bom.

Página 24 de 128 17. Análise do estado de conservação: A edificação apresenta-se em bom estado de conservação. A Capela está passando por reformas e ainda assim alguns aspectos negativos foram percebidos como a presença de manchas de umidade salpicadas pelas fachadas, trincas e irregularidades no piso externo e quebras de pequenas partes de alguns degraus. E ainda, o embasamento de pedra do muro que cerca o terreno está tomado por musgos e manchas de infiltração. 18. Fatores de degradação: Os principais fatores de degradação do imóvel correspondem às intempéries e à falta de manutenção constante. 19. Medidas de Conservação: Realizar limpeza, imunização e pintura das paredes, principalmente nas áreas com manchas de umidade, sanando a patologia; Imunizar todo o madeiramento; Inspecionar constantemente as telhas e calhas, a fim de evitar goteiras e infiltrações, principalmente nos períodos chuvosos; Não substituir qualquer elemento compositivo ou estrutural sem antes a avaliação de um técnico especializado; Inspecionar constantemente as áreas de risco e os ambientes para verificação de curtos e focos de incêndio;não realizar ligações elétricas improvisadas e, quando necessário, consultar um técnico especializado; Realizar manutenção periódica das instalações hidráulico-sanitária 20. Referências: BIBLIOGRÁFICAS E DOCUMENTAIS CASCUDO. Luis da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. Ed. Global. São Paulo. 2001.p.62. ORAIS Pe. Arlindo GIACOMELLI. Entrevista, out/2009. Benedita. Goreti. Entrevista, out/2009. 21. Informações complementares: Sem referências. 22. Ficha técnica: Levantamento (Out/2009): Júlia Garcia (estagiária de arquitetura), Rafael Teixeira (Turismólogo), Ricardo Ferreira (Historiador) e Luiz Antônio Magalhães Silva (Secretário Municipal de Turismo). Elaboração (Out e Nov/2009): Júlia Garcia (estagiária de arquitetura), Rafael Teixeira (Turismólogo) e Ricardo Ferreira (Historiador). Revisão (Dez/2009): Memória Arquitetura.