Alcindino José de Oliveira * Nascimento: 03/10/1948 Falecimento: 11/05/2012 Quem nos conta a história de Alcindino José de Oliveira é sua filha Renata de Oliveira. Alcindino nasceu em 3 de outubro de 1948, no interior de Encruzilhada do Sul. Teve uma infância difícil, pois nasceu e cresceu no interior, trabalhando na agricultura. Era o único filho homem de Maria e Bruno Oliveira, tendo mais oito irmãs mulheres. Estudou pouco, apenas até a quinta série, mas sempre foi muito autodidata. Adorava ler, sempre que tinha um tempo disponível estava lendo, principalmente jornais. Era inteligente e apaixonado pelo conhecimento, por estes motivos sempre lamentou não ter conseguido estudar mais. Foi um grande sonhador. Trabalhador e empreendedor. Foram seus persistentes sonhos e sua vontade de mudar de vida que impulsionaram Alcindino a sair do interior e mudar-se para a cidade de Encruzilhada do Sul. Foi lá que decidiu abrir seu próprio negócio. Abriu uma pequena lancheria, na qual ele mesmo produzia os lanches a serem vendido. Também era apaixonado por cálculos, resolvia-os de cabeça sem nenhuma dificuldade, pois, apesar do pouco ensino que teve, tinha um raciocínio fantástico.
Morou em Encruzilhada do sul por aproximadamente quarenta e quatro anos. Mudando-se para Santa Cruz do Sul em 1992. Já nos novos ares da cidade resolveu trabalhar como taxista, pois gostava de gente, da cidade e de movimento, da mesma forma como gostava de dinheiro. Sempre foi um homem sério e fechado. Só se permitia conversar abertamente e fazer brincadeiras com a família ou com os amigos mais próximos. Se casou com Jacira Pedroso de Oliveira. Ele a conhecia deste que eram crianças, e aos sete anos de idade ela já dizia que iria se casar com ele. Alcindino quando jovem era muito namorador, um verdadeiro galanteador da época, gostava muito de sair e de conhecer gente nova. Mas foi surpreendido pela irreverencia de Jacira e acabou apaixonando-se por ela. Se casaram em 28 de setembro de 1970, quando tinham 22 anos de idade. Do casamento veio a maior felicidade do casal, uma filha chamada Renata. E esta lhes deu uma neta, Betina Pedroso de Oliveira, na qual Alcindino gostava de botar apelidos e ficar brincando com ela. Alcindino era fanático por futebol, especificamente pelo grêmio, seu time de coração. Também assistia outros jogos de várzea, nos quais levava a filha
sempre junto para assistir. Apesar de ser gremista e a filha ser colorada, o que a principio o deixou chateado, mas fez com que mais tarde ele a apoiasse a ser colorada, pois assim teriam como fazer brincadeiras durante os grenais. Quanto a sua comida favorita, era louco por carnes em geral, comia muita carne. Apesar de gostar muito de uma comida bem feita, não costumava cozinhar em casa, apenas na lancheria quando estava trabalhando. Quando as suas qualidades, não haveria papel suficiente para descrever todas elas. Sempre foi um homem extremamente sincero, por vezes até sincero demais. E apesar de ser conservador quanto aos seus costumes e tradições, era um homem sem preconceitos. Convivia com todas as pessoas, de todas as etnias, de todas as classes e gêneros, pois entendia a importância do caráter e de ser quem se é. Tinha muitos amigos, mas aquele com quem mais conversava era Ronaldo Schwantz. Além deste, a pessoa mais próxima de Alcindino era sua filha Renata.
Passarem por algumas dificuldades, principalmente quando a filha engravidou na adolescência e Alcindino não aceitava, por sempre ser um pai um tanto rígido nos cuidados com a família. Mas ele e a filha eram muito amigos, pois foi uma filha muito esperada, pois ele sempre quis ter uma filha mulher, desde que na infância leu um livro que ganhou da professora e gostou do nome da protagonista, Renata. Foto com a filha Renata. O maior obstáculo enfrentado foi a mudança para Santa Cruz do Sul, pois passava por problemas pessoais na época, o que dificultou a adaptação. Também ficou chateado por a filha não ter continuado os estudos, que Alcindino queria tanto que ela seguisse estudando.
Entre as características mais fortes da personalidade de Alcindino, encontrava-se o costume de jamais ter dividas. Sempre prezava a importância de manter o nome limpo e de arcar com as consequências de todos os atos. Sempre foi um grande fã de Milionário e José Rico, e sempre dizia que não iria morrer sem ir a um show de sua dupla preferida. Realizou este sonho, foi em um show deles e adorou, ficou extasiado e muito feliz por finalmente ouvir ao vivo as musicas que tanto gostava. Uma das curiosidade sobre a vida de Alcindino, é quando descobriu que a filha fumava não ficou bravo com ela, nem achou ruim. Pois ele também fumava muito, e na perspectiva dele, a partir daquele momento teria alguém que lhe faria companhia para fumar enquanto estava em casa. De acordo com a filha Renata, Alcindino sempre foi um boêmio, gostava de levar a vida sem transtornos e fazer de tudo para viver na mais pura
facilidade, levando a vida desregrada de acordo com as necessidades que lhe surgiam e como lhe faziam feliz. Gostava da noite, tanto pela calmaria e pela negritude do céu, quanto pelo movimento das festas e das pessoas. A vida para ele era uma passagem pela terra e uma possibilidade de aproveitar, de ser feliz e de fazer o bem.
Ensinou as pessoas que o cercavam a importância de se levantar quando cair, de aprender a se reconstruir, e de moldar a si e ao mundo ao seu redor. Sempre aceitando o mundo e as pessoas que nos cercam, sem julgar ninguém, apenas fazendo amigos e pregando a felicidade. Aproveitou o que pode da vida, foi feliz com a família durante o tempo que a vida lhe permitiu. Descobriu o câncer pouco tempo antes de falecer. Foi para o hospital em uma quarta feira para fazer exames, foi internado na sexta feira e na outra sexta veio a falecer, dia 11 de maio de 2012. Se pudesse dizer algo sobre a vida, certamente diria que foi feliz. Recomendaria à família e aos amigos para aproveitar cada momento ao lado de quem se ama, e de seu jeito boêmio, diria a todos que o cercavam, para fazer o bem e aceitar o mundo e as pessoas, pois somos apenas um grão de areia nessa imensidão.