Enxofre e Dessulfuração

Documentos relacionados
EEIMVR-UFF Refino dos Aços I Verificação 2, Período 2 de SEM CONSULTA (07/01/2014)

UFF-Termodinâmica Aplicada a Aciaria

Capítulo 6. Escórias Estrutura e Propriedades

EEIMVR-UFF REFINO DOS AÇOS I Outubro 2009 Primeira Verificação

UFF-Termodinâmica Aplicada a Aciaria

Produção pirometalúrgica do estanho

REFINO DOS AÇOS I - EEIMVR-UFF /1 Primeira Verificação. lim. Lei de Henry (verde)

Produção pirometalúrgica do cobre I

ESTUDO DA INFLUÊNCIA DA MASSA DE ESCÓRIA E DE BANHO NA DESFOSFORAÇÃO DE FERRO-GUSA COM A TERMODINÂMICA COMPUTACIONAL*

Processos de Fabricação de Aço A o através Siderurgia

Processo de produção de aço

PARTIÇÃO DE FÓSFORO NOS CONVERTEDORES DA ARCELORMITTAL TUBARÃO*

MELHORIA NO RENDIMENTO DE FERRO-LIGAS E DOS PROCESSOS DE DESOXIDAÇÃO E DESSULFURAÇÃO COM A UTILIZAÇÃO DE CARBURETO DE CÁLCIO*

BALANÇO DE MASSA INTEGRADO ENTRE ALTO-FORNO E ESTAÇÃO DE PRÉ-TRATAMENTO DO GUSA*

INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS METALÚRGICOS. Prof. Carlos Falcão Jr.

Hoje é praticamente impossível encontrar alguma área da atividade humana na qual o metal não esteja presente e intimamente ligado ao desenvolvimento.

OBTENÇÃO DE PARÂMETROS DE DESFOSFORAÇÃO DE FERRO-GUSA EM DIFERENTES TEMPERATURAS DE PROCESSO*

Processos Siderúrgicos

Metalurgia de Metais Não-Ferrosos

ALTO FORNO E ACIARIA. Curso: Engenharia Mecânica Disciplina: Tecnologia Metalúrgica Período: Prof. Ms. Thayza Pacheco dos Santos Barros

Pré-tratamento do gusa

Processos Siderúrgicos

EXERCÍCIOS DE TERMODINÂMICA DAS SOLUÇÕES

Escórias e refratários

Exercício 8 Refino dos Aços - Processos Primários de Aciaria Respostas 16/03/13

Ensaio de Fluência. A temperatura tem um papel importantíssimo nesse fenômeno; Ocorre devido à movimentação de falhas (como discordâncias);

Prova de conhecimento em Química Analítica DQ/UFMG

ProIn I. Cap 2a Beneficiamento do Aço. Prof. Henrique Cezar Pavanati, Dr. Eng

PROCESSOS DE PRODUÇÃO DE FERRO E AÇO. Materiais Metálicos Profa.Dra. Lauralice Canale

1ª Série Ensino Médio. 16. O sistema a seguir mostra a ocorrência de reação química entre um ácido e um metal, com liberação do gás X:

DESFOSFORAÇÃO DE FERRO LÍQUIDO*

UTILIZAÇÃO DO FACTSAGE NO ESTUDO DA DESSILICIAÇÃO DO FERRO-GUSA*

duas etapas da metalurgia antiga a extração do ferro ocorria no estado sólido

Redução de minério de ferro em alto-forno

METALURGIA EXTRATIVA DOS NÃO FERROSOS

Soldagem por Alta Frequência. Maire Portella Garcia -

A interação entre dois componentes pode ser de mais de um tipo e consequentemente vários diagramas de equilíbrio podem ser obtidos, os quais podem

Noções de siderurgia. Materiais metálicos, processos de fabricação de ligas ferrosas

DIAGRAMAS DE EQUILÍBRIO DIAGRAMAS DE EQUILÍBRIO

Processos Metalúrgicos AULA 3 FABRICAÇÃO DO AÇO

Estudo Estudo da Química

FABRICAÇÃO DO AÇO. Introdução

21º CBECIMAT - Congresso Brasileiro de Engenharia e Ciência dos Materiais 09 a 13 de Novembro de 2014, Cuiabá, MT, Brasil

PROFESSOR: FELIPE ROSAL DISCIPLINA: QUÍMICA CONTEÚDO: PRATICANDO AULA 1

REDEMAT REDE TEMÁTICA EM ENGENHARIA DE MATERIAIS

O diagrama abaixo relaciona a solubilidade de dois sais A e B com a temperatura.

Parte 2. Química Aplicada. Professor Willyan Machado Giufrida

Processos Metalúrgicos AULA 2 PRODUÇÃO DO FERRO GUSA: ALTO -FORNO

Equilíbrio entre fases condensadas

APLICAÇÕES DOS POTENCIAIS PADRÃO DE ELETRODO

INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS METALÚRGICOS. Prof. Carlos Falcão Jr.

ANÁLISE DE MANGANÊS NA PIROLUSITA

A B EQUILÍBRIO QUÍMICO. H 2 + 2ICl I 2 + 2HCl. % Ach

DIAGRAMAS DE FASES DIAGRAMAS DE FASES

ESTUDO TERMODINÂMICO DE ESCÓRIAS PRIMÁRIAS E FINAIS DE ALTO-FORNO UTILIZANDO THERMO-CALC 1

MODELO DINÂMICO POR BALANÇO DE MASSA E ENERGIA EM CONVERSOR LD*

HIDROMETALURGIA E ELETROMETALURGIA. Prof. Carlos Falcão Jr.

A reatividade é um parâmetro importante na operação de: 1. Alto forno, 2. Forno de redução direta 3. Gaseificador.

DRAFT. Química CONCURSO PETROBRAS. Questões Resolvidas TÉCNICO(A) DE OPERAÇÃO JÚNIOR. Produzido por Exatas Concursos

química química na abordagem do cotidiano

A partir das informações do texto, assinale a afirmativa INCORRETA.

Fluxograma da Metalurgia Primária

MÉTODO DE DESFOSFORAÇÃO EM PANELA PARA PRODUÇÃO DE AÇOS ULTRABAIXO CARBONO*

Fundamentos da Pirometalurgia

ESCOLA SECUNDÁRIA DE CASQUILHOS 8º Teste sumativo de FQA 20. maio Versão 1 11º Ano Turma A Professor: Maria do Anjo Albuquerque

Processo de Soldagem Eletrodo Revestido

SFI 5769 Físico Química e Termodinâmica dos Sólidos. SCM 5702 Termodinâmica dos Materiais. Prof. José Pedro Donoso

Tecnol. Mecânica: Produção do Ferro

Goela: Parte cilíndrica superior do onde é feito o carregamento do alto-forno. Contém equipamentos de distribuição da carga, e sensores que medem o

Potencial Elétrico e Pilhas

Estequiometria. Priscila Milani

3ª Série / Vestibular. As equações (I) e (II), acima, representam reações que podem ocorrer na formação do H 2SO 4. É correto afirmar que, na reação:

Qui. Allan Rodrigues Xandão (Gabriel Pereira)

Universidade Federal do Acre Engenharia Agronômica PET- Programa de Ensino Tutorial. Termoquímica

Reações de oxirredução

FELIPE FARDIN GRILLO ESTUDO DA SUBSTITUIÇÃO DA FLUORITA POR ALUMINA OU SODALITA E DE CAL POR RESÍDUO DE MÁRMORE EM ESCÓRIAS SINTÉTICAS DESSULFURANTES

INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS METALÚRGICOS. Prof. Carlos Falcão Jr.

SUMÁRIO. 1 Introdução Obtenção dos Metais Apresentação do IBP... xiii. Apresentação da ABENDI... Apresentação da ABRACO...

Departamento de Física e Química Química Básica Rodrigo Vieira Rodrigues

Transcrição:

Enxofre e Dessulfuração O enxofre é uma impurezas crítica para os aços. Assim como o oxigênio, tem pouca solubilidade no ferro sólido e elevada solubilidade no ferro líquido, como mostra o diagrama Fe-S abaixo. FeS Diagrama de equilíbrio Fe-S (1 atm). Para garantir a ausência de líquido de baixo ponto de fusão, de acordo com o diagrama de equilíbrio de fases é necessário manter o teor de enxofre abaixo de cerca de 0,01%, como mostra o diagrama da região rica em ferro. δ+liq γ+liq γ+fes Diagrama de equilíbrio Fe-S (1 atm). Reprodução proibida. 1998 André Luiz V. da Costa e Silva ver.1 1

Na presença de oxigênio, oxisulfetos podem se formar. A presença de enxofre (associado ou não a oxigênio) é reconhecida como uma das principais causas de baixa dutilidade a quente (fragilidade a quente ou hot-shortness. A semelhança do fósforo, o enxofre reage para formar sulfeto ou sulfato, dependendendo do potencial de oxigênio reinante no sistema. A Figura abaixo mostra a faixa de potencial de oxigênio em que as diferentes reações são possíveis. Teor de S em escórias. Pontos abertos: escórias CaO-FeO 1873K, PSO=6-8%. Pontos pretos: CaO-FeO-SiO 1773K PSO=% McGannon 1964 Desta figura, é evidente que a remoção de enxofre do aço ocorrerá em condições redutoras, em vista do potencial de oxigênio associado ao equilíbrio: CaS+ O = CaSO 4 Por este motivo, a maior parte da remoção do enxofre ocorre no altoforno, ou em pré-tratamento do gusa ou, eventualmente em forno panela, onde é possível obter potenciais de oxigênio bastante baixos e escórias básicas. (Antes do advento da metalurgia de panela, era comum ter-se uma etapa redutora na elaboração em forno elétrico. Este tipo de processamento se torna muito caro, em função da ocupação do forno elétrico por um tempo longo com uma operação para a qual não é otimizado). Reprodução proibida. 1998 André Luiz V. da Costa e Silva ver.1

A reação de dessulfuração pode ser expressa, em meio oxidante, por: O + S + O - = SO 4 - Para avaliar a capacidade de sulfeto neste caso, estuda-se a reação: ½ O + SO + O - = SO 4 - Como visto acima, a reação mais importante, é a desulfuração em meio redutor, que pode ser expressa por: S + O - = O + S - ou ½ S + O - = ½ O + S - Conhecida a constante de equilíbrio desta equação, a capacidade de sulfeto da escória (em condições redutoras) pode então ser expressa por: K a p 1/ S O γ = 1/ = a p C S O S K a O = = (% S) γ S (% S) p p p 1/ S escoria O 1/ a p O S As Figuras a seguir apresentam valores medidos de capacidade de sulfeto para alguns sistemas de escórias de interesse para siderurgia. escoria O S 1/ Capacidade de sulfeto (10 3 ) a 1500 o C em escórias CaO-CaF -AlO3 (Kor e Richardson, 1969) Reprodução proibida. 1998 André Luiz V. da Costa e Silva ver.1 3

Capacidades de sulfeto a 1650 o C para vários sistemas (Richardson, 1974) Curvas de isocapacidade de sulfeto para escórias CaO-AlO3-MgO a 1600 o C. Valores numéricos são log Cs. Hino, Kitagawa e Ban-ya (1993). Reprodução proibida. 1998 André Luiz V. da Costa e Silva ver.1 4

Efeito da adição de SiO ou MgO sobre a capacidade de sulfeto para escórias CaO- AlO3-X a 1600 o C. Hino, Kitagawa e Ban-ya (1993). Capacidade de sulfeto para escórias CaO-AlO3-SiO a 1600 o C, Hino, Kitagawa e Ban-ya (1993). Reprodução proibida. 1998 André Luiz V. da Costa e Silva ver.1 5

Razão de Partição Da mesma forma que discutido para o fósforo, a razão de partição Ls=(%S) esc/%s só tem significado se o potencial de oxigênio for conhecido. Assim, não é conveniente tabelar valores de Ls. Entretanto, na prática diária, estes valores são úteis. Uma alternativa interessante no caso de escórias complexas em que dados de Cs são de difícil obtenção é o cálculo empregando programas de termodinâmica computacional. É evidente que nestes casos tanto Cs como Ls podem ser calculados, dependendo da aplicação desejada. As Figuras abaixo apresentam exemplos de cálculos de equilíbrio metal-escória envolvendo enxofre, utilizando o programa Thermocalc, e o banco de dados do IRSID. 0.03% Al 0.006% Al Razão (%S)/%S calculada para escórias CaO- AlO3- SiO com 40%AlO3, em função do teor de SiO da escória. O aço contém 0.03 ou 0.006%Al a 1600 o C. Dados experimentais de Turkdogan 1997. Reprodução proibida. 1998 André Luiz V. da Costa e Silva ver.1 6

Valores de Ls a 1600 o C para escórias CaO- AlO3- SiO. Aços com 0.04%Al. Lange, 1988. Razão (%S)/%S calculada para escórias CaO-Al O 3 -SiO com 57% CaO, em função do teor de SiO na escória. Aço com 0.04%Al a 1600 o C. Relações Empíricas Como no caso da desfosforação, não é possível obter uma relação (%S) escória/%s para cada escória, pois esta razão de partição é função do nível de oxidação do banho. Turkdogan propõe um indicador para a capacidade de sulfeto como: Reprodução proibida. 1998 André Luiz V. da Costa e Silva ver.1 7

S k SO = (% ) escoria % O % S A figura abaixo apresenta uma relação proposta por Turkdogan entre k e a concentração de óxidos ácidos na escória (%SiO +0,84 %P O 5). Capacidade de enxofre para várias escórias em função da basicidade e do teor de óxidos ácidos (Turkdogan 1997) A basicidade ótica apresenta correlação razoável com a capacidade de sulfeto para ampla gama de escórias como pode ser observado da Figura abaixo: Reprodução proibida. 1998 André Luiz V. da Costa e Silva ver.1 8

Correlação entre capacidade de sulfeto e basicidade ótica a 1500 o C (Sano, 1997) Gaye e colaboradores (1987) apresentaram uma expressão empírica derivada destas observações e incluindo o efeito da temperatura. De forma semelhante a relação emprírica de Turkdogan (1997) foi proposta uma capacidade de sulfeto: C (% S) S = escoria kso = % O f % S que pode ser aproximada por: B 13300 log CS = +, 8 A T B = 5, 6 % CaO + 4, 15 % MgO 115, % SiO + 1, 46 % Al O A = % CaO + 1, 39 % MgO + 187, % SiO + 1, 65 % Al O s 3 3 Reprodução proibida. 1998 André Luiz V. da Costa e Silva ver.1 9

Reprodução proibida. 1998 André Luiz V. da Costa e Silva ver.0 10