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Issáo Ishimura Eng. Agr., Dr., PqC da Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento em Agricultura Ecológica /APTA

Transcrição:

1 n. 116 - janeiro - 2011 Av. José Cândido da Silveira, 1.647 - União - 31170-495 Belo Horizonte - MG - site: www.epamig.br - Tel. (31) 3489-5000 Mosquito-dos-fungos: praga importante em substratos orgânicos de plantas ornamentais e ocasional em viveiro de mudas de cafeeiro 1 2 Rogério Antonio Silva 3 Paulo Rebelles Reis 4 Thiago Alves Ferreira de Carvalho 5 Melissa Alves de Toledo 6 INTRODUÇÃO A natureza é muito complexa e surpreendente, inclusive na entomologia, que estuda os insetos. Além das inúmeras pragas que atacam todas as culturas exploradas pelo homem, no mundo todo, existem algumas outras que se alimentam de fungos e algas, que são os mosquitos-dos-fungos ou Fungus gnats (Fig. 1). Ocorrem em substratos orgânicos utilizados em casas de vegetação para a produção de mudas de plantas ornamentais, em casas de produção de cogumelos comestíveis e, ocasionalmente, em viveiro de mudas de cafeeiro. Como exemplo, pode-se citar a infestação ocasional desses insetos ocorrida em mudas de cafeeiro, produzidas em tubetes com substrato orgânico, no viveiro da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda. (Cooxupé), no município de Guaxupé, Sul de Minas, em outubro de 1998, com perda de grande parte delas. Figura 1 - Adultos do mosquito-dos-fungos ou Fungus gnats Esta Circular Técnica, traz as informações sobre biologia, ocorrências, prejuízos e medidas de controle dos mosquitos fungófagos, com o objetivo de tornar conhecidos esses insetos que atacam viveiros de plantas ornamentais e de mudas de cafeeiro. 1 Circular Técnica produzida pela EPAMIG Sul de Minas. Tel.: (35) 3821-6244. Correio eletrônico: uresm@epamig.br 2 Eng o Agr o, D.Sc., Pesq. EPAMIG Sul de Minas-EcoCentro/Bolsista FAPEMIG, Caixa Postal 176, CEP 37200-000 Lavras-MG. Correio eletrônico: jcsouza@navinet.com.br 3 Eng o Agr o, D.Sc., Pesq. EPAMIG Sul de Minas-EcoCentro/Bolsista FAPEMIG, Caixa Postal 176, CEP 37200-000 Lavras-MG. Correio eletrônico: rogeriosilva@epamig.ufla.br 4 Eng o Agr o, D.Sc., Pesq. EPAMIG Sul de Minas-EcoCentro/Bolsista CNPq, Caixa Postal 176, CEP 37200-000 Lavras- MG. Correio eletrônico: paulo.rebelles@epamig.ufla.br 5 Graduando em Biologia, Bolsista FAPEMIG/EPAMIG Sul de Minas, Caixa Postal 176, CEP 37200-000 Lavras-MG. Correio eletrônico: thiagoafcarvalho@gmail.com 6 Eng a Agr a, M.Sc., Bolsista INCT Café/EPAMIG Sul de Minas-EcoCentro, Caixa Postal 176, CEP 37200-000 Lavras- MG. Correio eletrônico: toledo.melissa@hotmail.com

2 MOSQUITO-DOS-FUNGOS OU FUNGUS GNATS Em cafeeiro Arábica, Coffea arabica L, em viveiros de mudas, ocasionalmente ocorrem insetos que podem atacar a radícula do embrião de sementes de café em germinação. Trata-se de larvas de pequenos mosquitos, vulgarmente denominados mosquitos-dos-fungos ou Fungus gnats. Esses insetos são atraídos para solos orgânicos e úmidos, em ambientes sombreados, onde ovipositam. Suas larvas, diminutas, esbranquiçadas e hialinas e de hábitos subterrâneos, geralmente alimentam-se de algas e fungos associados à rizosfera do substrato, simultaneamente atacam e consomem a radícula do embrião da semente de café em germinação, resultando em sua ramificação. Podem também atacar estacas para a formação de mudas em estufas de viveiros de plantas ornamentais, antes ou durante o enraizamento, causando sua morte. CICLO BIOLÓGICO O mosquito-dos-fungos, borrachudo-dos-fungos ou Fungus gnats pertence à ordem Diptera e famílias Sciaridae, Foridae e Mycetophilidae, com diversas espécies, como Sciara spp., Orfelia spp., Mycetophila fungorum e Bradysia sp. Apresenta metamorfose completa, passando pelas fases de ovo, larva, pupa e adulta, que pode ser vista na Figura 2 para a espécie Bradysia sp., da família Sciaridae. Sua ocorrência foi constatada em viveiros de flores e plantas ornamentais, como os da Cooperativa de Holambra, SP, em 1995. São pouco conhecidos no Brasil. Para a espécie Bradysia sp., a fase de ovo dura três dias, larva, 14 dias; pupa, dois dias, quando emerge o adulto. Assim, o seu ciclo evolutivo de ovo a adulto é de aproximadamente 19 dias. O ciclo evolutivo varia entre as espécies, sendo de 4 a 6 dias para ovo, 12 a 14 para larva e 5 a 6 dias para pupa, totalizando 21 a 26 dias, podendo chegar a 28 dias, de acordo com a temperatura do ambiente. Os mosquitos adultos são de ambos os sexos, machos e fêmeas, e medem 2,5 mm de comprimento. Apresentam como características corpo delgado, asas escuras e pernas longas, como as dos mosquitos pernilongos (Fig. 3). Vivem de sete a dez dias. Sua reprodução é sexuada. Cada fêmea coloca de 100 a 150 ovos, podendo chegar a 300, dependendo da espécie. A fêmea copulada do mosquito coloca ovos no substrato orgânico (cama) de mesas de estaquia contendo estacas, em estufas de viveiros de plantas ornamentais, ou no substrato orgânico em tubetes, em viveiro de café. Os ovos são brancoamarelados, bem pequenos, e medem 0,2 mm de comprimento e 0,1 mm de largura. São colocados agrupados em número de 20 a 25 por ponto, junto das estacas. Após a fase de ovo ou embrionária, eclode pequena larvinha esbranquiçada, afilada e transparente, que passa a se alimentar de fungos presentes no substrato. Ao mesmo tempo que alimenta, aumenta de tamanho ao passar por mudas de pele ou ecdises. Completamente desenvolvida mede 5,5 mm de comprimento (Fig. 4). Após a fase de larva para de alimentar e passa para a fase de pupa, no formato de um pequeno barril, envolvido Pupa 2 dias Adulto 7 dias Ovos 3 dias Adulto 7 dias Ciclo de Bradysia sp. Sciaridae Larva 14 dias Figura 2 - Esquema do ciclo de vida do mosquito-dos-fungos Bradysia sp. Figura 3 - Adulto do mosquito-dos-fungos Bradysia sp.

3 por um casulo de seda, que a protege, no próprio substrato. Após a fase de pupa, que dura aproximadamente cinco dias, e que varia entre as espécies, emerge o adulto, com função única reprodutiva, para iniciar um novo ciclo. Podem ocorrer várias gerações durante o ano. OCORRÊNCIA A Figura 4 - Larvas de Bradysia sp. em diferentes detalhes Em viveiros de mudas de plantas ornamentais No início de 1995, vários produtores da Cooperativa de Holambra, SP, tiveram algumas espécies de plantas ornamentais de suas culturas atacadas por larvas de mosquitos da família Sciaridae, causando prejuízos nas mesas de enraizamento, em estacas. Na propriedade de Alfredo Borges, em Holambra, por exemplo, os prejuízos foram de 30% a 100% na produção de mudas de árvores-da-felicidade Polyscias fruticosa e P. guilaleya, da família Araceae, e em Syngonium sp. (var. White Butterfly). Prejuízos também ocorreram em estacas Schefflera sp. da família Araliaceae, devido terem sido muito atacadas, com perda total das mesas de mudas. Segundo informações, em uma única estaca morta pelo ataque dos mosquitos foram contadas 18 larvas (Fig.5). Figura 5 - Esquema de alimentação das larvas de sciarídeos em estaca de planta ornamental B Joaquim Goulart de Andrade Em viveiros de mudas de cafeeiro Ataque desses mosquitos em viveiro de mudas de cafeeiro foi observado, pela primeira e única vez, em outubro de 1998, no viveiro comercial da Cooxupé, no Sul de Minas. O viveiro era totalmente coberto por sombrite, formando um ambiente escuro. As mudas foram formadas em tubetes, com substrato orgânico, composto de turfa, raspa de pinho, vermiculita, FTE e superfosfato simples, por meio de semeadura direta, Naquela época, esses insetos, até então desconhecidos na cafeicultura por produtores, técnicos e pesquisadores, ocorreram em substrato orgânico de tubetes por meio de suas larvas, resultando em prejuízos praticamente totais pelo descarte das mudas atacadas para a formação de novas lavouras. No viveiro da Cooxupé, o ataque das larvas dessa mosca passou desapercebido pela ausência de sintomas na parte aérea das mudas, naquela ocasião nos estádios de palito de fósforo e orelha de onça. Porém, em inspeção rotineira das mudas, observou-se a raiz principal bifurcada e mesmo trifurcada, ou seja, ramificada, anormalidade essa irreversível e resultante de algum fator que a induziu (Fig. 6). Para o cafeeiro Arábica, em que as mudas são produzidas por semente e apresentam uma raiz principal característica, essa situação é anormal e não pode acontecer. A principal medida para evitar a bifurcação da raiz principal da muda é fazer semeadura direta, sem repicagem, ou transplantar sementes no estádio de esporinha do germinador de areia para o substrato definitivo, garantindo a formação normal da raiz principal. Assim, no caso do viveiro da Cooxupé, o fator que induziu a raiz principal a bifurcar-se ou a trifurcar-se ou mais foi o ataque de larvas de mosquito-dos-fungos dentro da semente, as quais feriram e comeram a radícula do embrião, no início da germinação. Escavando o substrato do tubete com semente em início de germinação, foram observadas pequenas larvas esbranquiçadas e transparentes nessas sementes alimentando-se diretamente delas, comendo a radícula e os fungos não patogênicos que se desenvolvem no substrato, inclusive na região que as envolve (Fig. 7). Assim, no ato de alimentarem-se desses fungos, ferem e comem da radícula, que é muito tenra, sensível e frágil, resultando na bifurcação, trifurcação ou mais da raiz principal, anormalidade essa irreversível e que compromete a muda para a formação de novas la-

4 vouras. A muda apresenta-se aparentemente normal, em termos de parte aérea. Do ferimento causado pelas larvas, observou-se também a ramificação da raiz principal e a paralisação do seu crescimento (Fig. 8). Figura 6 - Raízes de mudas de café com sintomas do ataque de Fungus gnats Figura 7 - Sementes com pequenas larvas de mosquito-dosfungos Hipótese para a ocorrência de Fungus gnats em mudas de cafeeiro Em sua primeira ocorrência em outubro de 1998, em mudas produzidas em tubetes, levantouse a hipótese de ovos desses mosquitos terem vindo no substrato orgânico adquirido da Eucatex, no estado de São Paulo. Essa hipótese é aceitável já que substratos orgânicos podem conter ovos desses mosquitos, em quiescência, ovos postos por fêmeas adultas no local de sua origem, no caso, a Eucatex. Assim, esses ovos quiescentes sob condições ideais de umidade e temperatura, observadas no viveiro e nos tubetes, fez com que as larvas eclodissem e passassem a se alimentar preferencialmente de fungos e algas presentes no substrato e também da radícula do embrião, na semente. Naquela época, na mesma data, foram mencionadas infestações desses mosquitos em alguns viveiros de mudas formadas em sacolas plásticas, em substrato comum (terra de subsolo, esterco de galinha, cloreto de potássio e superfosfato simples) sem maiores prejuízos, por técnicos da cafeicultura. Essas infestações não puderam ser comprovadas pela pesquisa, porém, pelos 38 anos de grande experiência de entomologistas da EPAMIG pode-se afirmar que os borrachudos-dos-fungos ou Fungus gnats só ocorrem em substratos orgânicos e em ambiente escuro, que não é o caso dos viveiros tradicionais em formação de mudas de cafeeiro em substrato comum. Assim, nesse longo período, jamais a pesquisa presenciou tal infestação nos incontáveis viveiros visitados. Portanto, as medidas de controle recomendadas por entomologistas para o controle dos Fungus gnats são para viveiros sombreados, com formação de mudas em tubetes ou outro recipiente com substrato orgânico. MEDIDAS DE CONTROLE Medidas recomendadas para o controle dos mosquitos-dos-fungos. Figura 8 - Ramificação da raiz principal e a paralisação do crescimento desta Uso de armadilha adesiva colorida para a captura de adultos Usar armadilhas adesivas de cor amarela, nas dimensões de 12 x 25 cm (cartões) para atrair e capturar esses mosquitos na fase adulta. As armadilhas funcionam para indicar a presença desses mosquitos no interior do viveiro e também ajudam no seu controle, reduzindo sua população. As armadilhas são dependuradas sobre os canteiros, a 5 cm de dis-

5 tância dos tubetes, a 5 m uma da outra. Fazer um mapa das armadilhas dentro do viveiro, identificando-as por números ou letras. Devem ser inspecionadas duas a três vezes por semana e trocadas semanalmente, com o objetivo de monitorar a presença dos mosquitos-dos-fungos no viveiro. Constatada a presença de mosquitos adultos capturados nas armadilhas adesivas, fazer uma pulverização espacial com um inseticida piretroide, com o objetivo de matar possíveis adultos presentes no interior do viveiro. A pulverização deverá ser repetida se novas capturas de mosquitos adultos forem constatadas nas armadilhas. Fazer uma pulverização espacial, preventiva, após o enchimento dos tubetes e antes da semeadura. O período de colocação das armadilhas deve ser antes da semeadura até o estádio de palito de fósforo. As armadilhas adesivas de cor amarela, de baixo custo, podem ser adquiridas em rolos e cortadas e preparadas na propriedade. Monitoramento de larvas no substrato dos tubetes O substrato orgânico dos tubetes deve ser constantemente inspecionado a fim de detectar a presença de larvas dos mosquitos-dos-fungos, mesmo que não ocorram. A inspeção deve ser realizada desde antes da germinação da semente até o estádio de palito de fósforo. Controle de larvas no substrato Uma vez constatadas larvas de mosquitosdos-fungos no substrato, aplicar em rega um inseticida biológico à base de Bacillus thuringiensis, como por exemplo, Vectobac, na dosagem de 60 ml/20 L de água, comercialmente utilizado no controle de culicídeos e simulídeos, ou o inseticida fisiológico ciromazina (Trigard 750 PM, 15 g/100 L de água). A rega nos canteiros tem como objetivo matar as larvas ali presentes. Os dois inseticidas não matam por contato e sim por ingestão. São de classe toxicológica IV, pouco tóxicos e de tarja verde. Segundo informações de literatura, são necessárias duas a três regas a intervalo de sete dias. Os dois inseticidas recomendados devem ser alternados. Os inseticidas convencionais, segundo resultados de experimentos realizados em viveiros de plantas ornamentais, não matam as larvas dos mosquitos-dos-fungos. Para maior tranquilidade dos viveiristas, pode-se fazer o controle preventivo dos mosquitosdos-fungos aplicando um inseticida à base de B. thuringiensis, em rega, na dosagem recomendada, independentemente de ter ou não larvas, em duas a três regas a intervalo de sete dias, antes e/ou após a semeadura. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os mosquitos-dos-fungos praticamente só ocorrem em ambiente escuro, após constatada a presença de seus adultos, machos e fêmeas. As fêmeas, uma vez copuladas, fazem posturas em substrato orgânico. As larvas dos mosquitos-dos-fungos não ocorrem em germinador de areia. Só ocorre em substrato orgânico, rico em matéria orgânica, o que não é o caso da areia do germinador. Em mudas de cafeeiros já enraizadas, as larvas dos mosquitos-dos-fungos não atacam as raízes. Nos Estados Unidos, em casas de vegetação, os adultos desses mosquitos são atraídos pela luz e mortos em armadilhas de eletrocução. Também utilizam solo esterilizado para prevenir infestações dos mosquitos-dos-fungos, já que substratos orgânicos adquiridos podem conter ovos. Em locais com substratos onde se cultivam cogumelos comestíveis, nos quais podem eventualmente ocorrer infestações de larvas dos mosquitosdos-fungos, medidas de controle podem ser adotadas pelos produtores. Nesse caso, só usar o inseticida à base de B. thuringiensis. Os nomes comerciais apresentados nesta Circular Técnica são citados apenas para conveniência do leitor, não havendo por parte da EPAMIG preferência por este ou aquele produto comercial. Departamento de Publicações