Capitães da Areia. Jorge Amado

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Transcrição:

Capitães da Areia Jorge Amado

Jorge Amado 1912-2001 Baiano, sua Literatura busca retratar os costumes locais Sucesso internacional: Traduzido para 49 idiomas Membro do Partido Comunista desde 1945; caçado pela Ditadura Vargas

Maiores sucessos do autor Terras do Sem Fim (maior romance, na opinião da crítica) Tieta; Gabriela; Dona Flor e seus dois maridos; Capitães da Areia

Temas de Jorge Amado Bahia (divisão geográfica e social cidade alta / cidade baixa ) Relações humanas de um Brasil multicultural e multirracial Crítica ao sistema político-econômico vigente (influência comunista --> Marx) Sensualidade da mulher brasileira Amor (emotivo e erótico)

Duas fases da obra de Jorge Amado Divisão "grosso modo" Primeira fase: Literatura de cunho social Segunda fase: Literatura de temática amorosa; preocupação com as relações humanas

Capitães da Areia Romance publicado em 1937 ( Modernismo; Prosa Regionalista de 30) No mesmo ano do lançamento, 808 exemplares foram queimados em praça pública Grupo de crianças de rua, 7 a 15 anos de idade Uso frequente do discurso indireto livre

Personagens Pedro Bala: líder do grupo, idealizado, cicatriz no rosto João Grande: Protetor dos menores, alto, forte, bondoso, parvo Professor: intelectual do grupo, roubava livros, sabe ler, conta histórias para os Capitães Sem-Pernas: coxo, carregado de ódio, humilhado, traumatizado (pesadelos polícia)

Personagens Pirulito: místico do grupo, possui imagens de santos, sonha tornar-se padre Gato: malandro do grupo. Apaixona-se pela prostituta Dalva (35). Volta-Seca: mulato, sertanejo, fã de Lampião. Sonha tornar-se cangaceiro. Boa-Vida: outro típico malandro. Tenta seduzir Gato. NOTA: a homossexualidade passiva causava expulsão do grupo.

Divisão do livro Cartas à redação 3 partes: I. Sob a lua, num velho trapiche abandonado II. Noite da grande paz, da grande paz dos teus olhos III. Canção da Bahia, canção da liberdade

Cartas à Redação Cartas e notícias fictícias de jornal Trata dos crimes cometidos pelos Capitães da Areia; e da eficácia/ineficácia do reformatório Crítica à fundação CASA (antiga FEBEM) da época Padre José Pedro e costureira Maria Ricardina: denunciam maus tratos Juiz de menores e diretor do reformatório: a favor do local Visão final do jornal: a favor da instituição (não descobriu a verdade)

Primeira Parte Cap. 1 a 3 Apresentação das personagens e do trapiche (armazém) abandonado, onde moram os Capitães Visão lírica e poética da marginalidade e da exclusão social: vestidos de farrapos, sujos, semiesfomeados, agressivos, soltando palavrões e fumando pontas de cigarro, eram, em verdade, os donos da cidade, os que a conheciam totalmente, os que totalmente a amavam, os seus poetas (p.27).

Primeira Parte Cap. 4: As luzes do carrossel Grande carrossel japonês Grande, mal cuidado mas belo Elemento lírico da narrativa

O Sem-Pernas botou o motor para trabalhar. E eles esqueceram que não eram iguais às demais crianças, esqueceram que não tinham lar, nem pai, nem mãe, que viviam de furtos como homens que eram temidos na cidade como ladrões. (...) Esqueceram tudo e foram iguais a todas as crianças, cavalgando os ginetes do carrossel, girando com as luzes. As estrelas brilhavam, brilhava a lua cheia. Mas, mais que tudo, brilhavam na noite da Bahia as luzes azuis, verdes, amarelas, roxas, vermelhas, do Grande Carrossel Japonês.

Primeira Parte Cap. 5: Docas Pedro Bala descobre sua origem Mãe morreu quando P.B. tinha 6 meses Pai (apelidado Loiro) era um grevista Morto pela polícia Desperta em P.B. a consciência sobre a problemática social Cap. 6: A aventura de Ogum Pedido de Don Aninha (mãe de santo) Imagem de Ogum (na verdade, São Jorge) na delegacia No Brasil religiões africanas eram proibidas Sincretismo religioso

Primeira Parte Cap. 8: Família Sem-Pernas na casa de Dona Ester Sem-Pernas começa seu golpe habitual Dona Ester trata-o muito bem, pois lembra-se de Augusto, o filho falecido Sem-Pernas tem medo que a bondade do casal apagasse seu ódio Após o roubo, sai no jornal: família preocupada busca paradeiro de Sem- Pernas Sem-Pernas chora, desconsolado

Primeira Parte Cap. 10: Alastrim Alastim: epidemia de bexiga branca (tipo de sarampo) Almiro, um capitão da areia, contrai a doença Briga para expulsá-lo, Pedro Bala defende sua permanência No fim: levado para junto da mãe, com a ajuda do Padre José Pedro Cap. 11: Destino Capítulo curto Velho diz que ninguém pode mudar o destino dos pobres Pedro Bala discorda; reconhece-se, com respeito, o filho do Loiro.

Segunda Parte Essa parte foca-se em Dora e seus efeitos no grupo Única menina do grupo Filha de Bexiguento, órfã com o irmão Zé Fuinha Papéis de mãe e irmã do grupo Para Pedro Bala: papel de noiva/esposa

Segunda Parte Cap. 4: Reformatório Pedro Bala vai preso durante assalto Castigo: cubículo por 8 dias; feijão muito salgado e pouca água Foge com ajuda do Sem-Pernas Cap.5: Orfanato Dora fica presa, doente e frágil Resgatada pelos Capitães

Segunda Parte Um mês de orfanato bastou para matar a alegria e a saúde de Dora. Nascera no morro, infância em correrias no morro. Depois da liberdade das ruas da cidade, a vida aventurosa dos Capitães da Areia. Não era uma flor de estufa. Amava o sol, a rua, a liberdade. (p. 217)

Segunda Parte Cap. 6-8 Dora piora Doente, febril, moribunda, faz um último pedido a Pedro Bala: que perdesse com ele sua virgindade Após o ato sexual, Dora morre Corpo levado para o mar

Terceira Parte Cap1 Vocações Professor sofre por Dora Conceito de união forma de resolver a problemática social dos meninos de rua Padre despedida (punição da Igreja) Pirulito desperta o desejo de ser padre Boa Vida passa a ser músico, afasta-se dos Capitães (malandro profissional)

Terceira Parte Personagens que se afastam dos Capitães: Padre José Pedro: mandado para outra paróquia (punição da Igreja) Professor: sofrendo por Dora, sai do Trapiche em busca de uma nova vida (futuro: pintor no Rio de Janeiro) Pirulito: vocação de um dia ser padre, vai trabalhar de engraxate Boa Vida: vira sambista, malandro profissional Gato: vai para Ilhéus Volta Seca: após ser preso, entra pro brando de Lampião João Grande: vai trabalhar num cargueiro

Terceira Parte Cap 4 Como um Trapezista de Circo Roubo na casa da rua Rui Barbosa dá errado Sem-Pernas fica encurralado pela polícia Sua vingança final

Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. Os guardas vêm nos seus calcanhares. Sem-Pernas sabe que eles gostarão de o pegar, que a captura de um dos Capitães da Areia é uma bela façanha para um guarda. Essa será a sua vingança. Não deixará que o peguem, não tocarão a mão no seu corpo. Sem-Pernas os odeia como odeia a todo mundo, porque nunca pôde ter um carinho. E no dia que o teve foi obrigado ao abandonar porque a vida já o tinha marcado demais. Nunca tivera uma alegria de criança.

(... ) Apanhara na polícia, um homem ria quando o surravam. Para ele é este homem que corre em sua perseguição na figura dos guardas. Se o levarem, o homem rirá novo. Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que elevai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não pára. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo. A praça toda fica em suspenso por um momento. Se jogou, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro.

Terceira Parte Ciclo rotativo: nova geração dos Capitães da Areia Conhece João de Adão, líder dos grevistas Pedro Bala vira ativista político Pedro Bala sai do grupo, e Barandão é eleito novo chefe do grupo

Terceira Parte Cap. 8 Uma pátria e uma família Circulação de jornais clandestinos Pedro Bala é procurado em 5 estados Final revolucionário e idealista.

O Final No ano em que todas as bocas foram impedidas de falar, no ano que foi todo ele uma noite de terror, esses jornais (únicas bocas que ainda falavam) clamavam pela liberdade de Pedro Bala, líder da sua classe, que se encontrava preso numa colônia. E, no dia em que ele fugiu, em inúmeros lares, na hora pobre do jantar, rostos se iluminaram ao saber da notícia. E, apesar de que fora era o terror, qualquer daqueles lares era um lar que se abriria para Pedro Bala, fugitivo da polícia. Porque a revolução é uma pátria e uma família.

Exercícios no livro sobre "Capitães da Areia" Página 130 Questões 5 a 7