CAPÍTULO VI- CONCLUSÕES, LIMITAÇÕES E RECOMENDAÇÕES

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Transcrição:

CAPITULO VI CONCLUSÕES, LIMITAÇÕES E RECOMENDAÇÕES Neste capítulo iremos apresentar as conclusões do presente estudo, tendo também em conta os resultados e a respectiva discussão, descritas no capítulo anterior. Após as conclusões, serão também apresentadas algumas limitações encontradas e feitas algumas recomendações para futuros estudos a realizar nesta área. 6.1- CONCLUSÕES O presente estudo teve como objectivo principal, verificar as atitudes dos alunos sem deficiência face da integração simulada de alunos com deficiência nas suas aulas de EF. Para isso, foram realizadas aulas de Educação Física adaptada com o intuito de analisar as atitudes dos alunos e verificar qual o impacto deste tipo de aulas. Como tal, foram analisadas as seguintes variáveis: género, idade, ano de escolaridade, presença de familiares ou amigos com deficiência, presença de pessoas com deficiência na turma, presença de pessoas com deficiência na aula de EF e nível de competitividade, atitudes globais na EF, atitudes específicas na EF e atitudes face à alteração de regras, de forma a apurar as diferentes conclusões. No inicio desta investigação, tivemos a noção da sua complexidade e da dificuldade de conseguir provar todas as hipóteses enunciadas, devido ao facto de existirem poucos estudos relacionados com este tema. A partir da amostra total durante o primeiro momento de aplicação(pré-teste), foram analisadas as diferentes variaveis dependentes( atitudes globais na EF, atitudes específicas na EF e atitudes face à alteração de regras) e realizadas as comparações com as variàveis independentes. Com isso, foi possivel apurar algumas conclusões. Assim, para a variável género, podemos concluir que apesar de não haver diferenças estatisticamente significativas, o género feminino apresenta valores médios superiores nas atitudes( global na EF, específica na EF e atitude faceà alteração de regras) em comparação com o género masculino. 72

Para variável presença de familiares ou amigos com deficiência, os resultados do nosso estudo mostraram que, os alunos que possuíam familiares ou amigos com deficiência apresentaram valores médios das atitudes (Global, Especifica na EF e Face à alteração de regras) ligeiramente superiores em comparação com as atitudes relativas aos alunos que não o possuíam, no entanto, não existem diferenças estatisticamente significativas. Relativamente à variável presença de pessoas com deficiência na turma, os resultados analisados evidenciam que os valores médios das atitudes específicas na EF dos alunos que nunca tiveram presença de pessoas com deficiência na turma são ligeiramente superiores, comparativamente com os alunos que já tiveram essa experiência, embora, sem diferenças estatisticamente significativas. As atitudes globais na EF e atitudes face à alteração de regras apresentam valores médios superiores nos alunos que já tiveram a presença de pessoas com deficiência na turma, no entanto, sem diferenças estatisticamente significativas. No que respeita à variável presença de pessoas com deficiência na aula de EF, as atitudes específicas de EF, os resultados não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os inquiridos, no entanto, é importante salientar que os alunos que nunca tiveram a presença de pessoas na sua aula de educação física evidenciaram atitudes ligeiramente superiores comparativamente aos alunos que já tiveram essa experiência. Nas atitudes gerais na EF e atitudes face às alterações de regras apesar de os resultados não apresentarem diferenças estatisticamente significativas, as atitudes dos alunos que já tiveram a experiencia de possuírem alunos com deficiência nas suas aulas de EF, apresentam valores médios ligeiramente superiores comparativamente com alunos que nunca tiveram essa experiência. Em relação à variável nível de competitividade, concluímos que a atitude global na EF não apresenta diferenças estatisticamente significativas na comparação entre os níveis de competitividade, no entanto, é importante referir, que existe uma tendência ligeiramente mais positiva nas atitudes dos alunos muito competitivos. Na atitude específica dos alunos mais ou menos competitivos, apesar de não haver diferenças estatisticamente significativas os valores médios apresentados são ligeiramente 73

superiores em comparação com os alunos muito competitivos e nada competitivos. Verificamos ainda que nas atitudes face à alteração de regras, os resultados não apresentam diferenças estatisticamente significativas, no entanto, os alunos muito competitivos apresentam valores médios ligeiramente mais favoráveis em comparação com os alunos nada competitivos e mais ou menos competitivos. Com a realização da intervenção inclusiva (semana de EF adaptada), pudemos posteriormente criar um grupo de controlo e um grupo experimental. Foi aplicado o segundo momento (pós-teste), e com isso, comparamos os resultados das atitudes do Grupo experimental com o grupo de controlo. Assim, concluímos que o no primeiro momento de aplicação dos questionários (antes da semana de EF adaptada), os resultados obtidos indicam que as atitudes (globais, específicas na EF e face à alteração de regras) não apresentam diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos, no entanto, houve uma tendência ligeiramente positiva no grupo de controlo. Com a aplicação do segundo momento houve uma reviravolta nos resultados, sendo que apesar de não haver diferenças estatisticamente significativas, o grupo experimental (participantes na aula de EF adaptada), apresentou atitudes (Globais na EF, específica na EF e face à alteração de regras) com tendência ligeiramente mais positiva do que o grupo de controlo. Quanto ao grupo experimental, comparamos o pré-teste com o pós-teste. Pudemos concluir que apesar de não haver diferenças estaticamente significativas entre os dois momentos de aplicação, existe uma tendência ligeiramente mais positiva nas atitudes (globais na EF, específica na EF e face á alteração de regras) do pós-teste em comparação com o pré-teste. Ainda no grupo experimental, comparamos as atitudes entre os géneros e chegámos à conclusão que apesar de não haver diferenças estatisticamente significativas, os valores médios das atitudes (globais na EF, específica na EF e face á alteração de regras) do género feminino são ligeiramente superiores ao género masculino. Com os resultado obtidos, e partindo do nosso objectivo principal, concluímos que a intervenção inclusiva (aula de EF adaptada) teve uma ligeira influência positiva nas diferentes atitudes (globais na EF, específicas de EF e face à alteração de regras) 74

dos alunos. Isto poderá indicar que a implementação deste tipo de aulas, influencia de um modo positivo as atitudes dos alunos sem deficiência, não só no meio educativo como também no meio social. Contudo, existe uma necessidade de mais investigação neste domínio para generalizar ainda mais estes resultados. 6.2-LIMITAÇÕES Na continuidade do que foi concluído, é importante referir as limitações metodológicas e processuais encontradas ao longo da realização deste estudo: Inicialmente para a elaboração deste estudo, pretendíamos elaborar um evento com a participação de toda a comunidade escolar, envolvendo as instituições de pessoas com deficiência (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Montemor-o-Velho e Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Coimbra). Após a avaliação inicial, concluímos que existiam incompatibilidades de horário entre as instituições e a população escolar. Optámos então por reformular toda a actividade. Posto isto, surgiu a oportunidade de realizar a semana de EF adaptada em que a população alvo seria apenas as nossas (estagiários de Montemor-o-Velho) turmas, existindo a certeza da sua participação. O carácter exploratório da investigação. Como já foi referido, não existem muitos estudos na área das atitudes dos alunos sem deficiência face à inclusão de alunos com deficiência nas aulas de EF, sobretudo no nosso país. Internacionalmente, este tipo de investigação também não é muito frequente. Pudemos também constatar que nenhum estudo realizado no nosso país utilizou o instrumento de avaliação aplicado nesta investigação. Desta forma, tudo o que foi referido anteriormente provocou algumas limitações no nosso estudo, designadamente ao nível da revisão da literatura e consequentemente na discussão dos resultados. O facto de as aulas de EF adaptada não ter tido a participação de individuos com deficiência, poderá ter influênciado os resultados obtidos. 75

6.3- RECOMENDAÇÕES Com base nas limitações anteriormente referidas, foram elaboradas algumas recomendações de forma a serem utilizadas em estudos futuros relacionadas com esta área de investigação. Sendo a nossa amostra (N=80), torna-se um pouco reduzida para efectuar considerações mais generalizadas, pelo que, seria benéfico a elaboração deste tipo de estudo com uma amostra um pouco superior, de forma a obter resultados mais conclusivos; Integração de indivíduos com deficiência nas aulas de EF adaptada, de modo a tornar esta investigação mais realista; Abranger um maior número de aulas de EF adaptada, dando ao estudo um carácter mais longitudinal; Estender este estudo a alunos de faixas etárias menores (ensino básico), de modo a explorar outro tipo de situações pertinentes para esta área de investigação, como é o caso de identificar as diferenças entre as atitudes dos alunos do ensino básico e do ensino secundário; Averiguar as atitudes dos alunos noutras disciplinas, e assim poder comparar com a disciplina de EF. 76