BOLETIM TÉCNICO nº 09



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Transcrição:

BOLETIM TÉCNICO nº 09 PRIVADA SECA COMPOSTEIRA

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EXPEDIENTE AOPA - Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia CCA/MST - PR - Cooperativa CentraL de Reforma Agrária do Paraná COOPERAFLORESTA - Associação dos Agricultores Agroflorestais de Adrianópolis e Barra do Turvo FETRAF/SUL-Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul EMBRAPA FLORESTAS - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária UFPR - Universidade Federal do Paraná ELABORAÇÃO Lucilene Vanessa Andrade e Nelson Eduardo Correa Neto CAPA AOPA - Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia FOTOS Cooperafloresta REVISÃO Paulo Henrique Mayer e Valdemar Arl DIAGRAMAÇÃO Valdemar Arl DISTRIBUIÇÃO ELETRÔNICA www.iguatu.org.br

O que é uma Privada seca composteira? PRIVADA SECA COMPOSTEIRA É uma privada onde fezes e urina, que são ricas em nitrogênio, vão cair em caixas, onde são misturadas com pó de serra, capim picado, casca de arroz ou outro material rico em carbono. Em qualquer compostagem, é importante o equilíbrio entre carbono e nitrogênio para o bom aproveitamento dos adubos e para que o composto não cheire mal. Isto também acontece quando são forrados os chiqueiros ou currais com capim picado, formando uma cama higiênica, sem mal cheiro e que acaba virando um excelente composto. As privadas composteiras são arejadas por uma corrente de ar que entra embaixo e é puxada para cima por uma chaminé, que é pintada de preto e por isso esquenta sob o sol. O aquecimento do ar que está dentro da chaminé o faz subir, puxando o ar frio que passa por dentro do composto, e assim retira o resto de mau cheiro que possa existir na composteira. Isto areja o composto e favorece a vida dos microorganismos. Na presença de oxigênio do ar, estes microorganismos digerem os compostos de uma maneira que faz com que ele cheirem bem e se torne excelente adubo. O aquecimento do material durante a decomposição mata os micróbios e vermes que nos causam doenças. Por isto não há perigo de contaminação ao se manejar o composto que poderia ser aproveitado em qualquer lavoura, mas de maneira mais cuidadosa é usado para adubar árvores. Na natureza, as fezes de todos os animais viram alimento ou adubo, assim o aproveitamento dos alimentos é total, não gerando lixo ou poluição. Na natureza as fezes fazem parte de um ciclo que mantém tudo funcionando perfeitamente. Quando colocamos água limpa nas fezes quebramos o ciclo natural e criamos um problema. Os esgotos são a causa da maior parte das doenças que atacam a humanidade além de causarem grande parte da poluição que prejudica a vida dos rios. Para tratar os esgotos se gasta muita energia e dinheiro e nem sempre os resultados são satisfatórios. Compostar e reaproveitar as fezes é a maneira mais natural e ecológica de lidar com elas, que continuam a ser, como na natureza, solução ao invés de problema. À medida que aumenta a falta de água potável para a humanidade, compostar as fezes torna-se cada dia mais importante. Diversos povos, principalmente orientais não misturavam fezes com água potável. Os escandinavos, paises considerados de grande desenvolvimento humano já começam a adotar esta solução. Vários outros países como o México e a Austrália tem feito um sério esforço em popularizar o sistema de compostar as fezes humanas. O modelo implantado durante o Projeto Iguatu Vista por trás O modelo baseia-se em experiência desenvolvida no IPEC - Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado, localizado em Pirenópolis Go. A opção por este modelo levou em conta a facilidade, baixo custo de construção e seu bom funcionamento. Este modelo é composto por 2 caixas que recebem os dejetos. Há uma inclinação nas caixas para facilitar o escorrimento das fezes e do pó de serra para a parte traseira da caixa. Na parte de trás, o piso é plano.

O fundo das caixas tem uma inclinação de 30 graus com o chão, na parte em que se situa abaixo da posição onde ficará o assento da privada. Outro detalhe importante é a existência de uma placa assentada de cima para baixo, mas que não desce até o fundo, separando a parte da frente da caixa coletora (a parte que tem piso escorrido) da parte de trás (a parte que tem piso plano) para que o ar que entra na tampa superior traseira, que também é inclinada. O passo a passo da construção Primeira etapa: Construir as 13 placas necessárias: Vista lateral Placa nº1 e placa nº2 1,4 m 1,4 m Placa nº 4 nº1 c/ 0,50 m nº2 c/ 0,55 m 0,7 m Para construir as placas a) Nivelar um terreno de 4 metros por 4 metros para fazer as placas; b) forrar o chão com uma lona plástica (pode ser aquela preta que custa mais barato) c) Preparar argamassa com: 1,5 sacos de cimento, 3 carrinhos de mão bem cheios de areia e água até a argamassa ficar em um ponto firme; d) Utilizar ripas de 3 cm de espessura, sendo, duas 2 ripas com 1,4 metros de comprimento (ou maior) e 7 ripas com 70 cm de comprimento são suficientes para construír todas as placas; 0,7 m 0,52 m 0,15 m 0,5 m e) Colocar uma camada de argamassa de aproximadamente a metade da espessura da forma. Colocar por cima da primeira camada o sombrite ou sacos de batata ou telinha contra mosquito exatamente na medida da forma (sobras dificultam o passo seguinte). Depois completar com o resto da massa alisando com colher de pedreiro. As placas são um sanduíche de argamassa com recheio de sombrite (que faz o papel das ferragens). 3 Placas nº 3 30 º 30º 0,7 m c) Esperar secar por 5 minutos para retirar as ripas que serão usadas para armar a próxima forma d) Deixar as placas secarem na sombra por uma semana, molhando uma vez por dia.

Segunda etapa : Montagem da privada seca composteira a) Preparar o terreno no lugar onde vão ser assentadas as placas que compõem o fundo das privadas. Deixar o chão debaixo da parte dianteira da privada com 30 graus de inclinação com a horizontal, ou será necessário calçar a placas nesta posição. b) Para a emenda das placas, faz-se 2 furinhos com prego ou furadeira elétrica perto de cada lado da placa que vai ser unida e dá-se 2 pontos de costura com o arame. A montagem das placas passo a passo: Primeiro Passo : - Assentamento do fundo da parte de trás das privadas (placa 1). - Assentamento do fundo da parte da frente, que recebe os dejetos (placa 2). Esta pode ser assentada com mais facilidade em terreno inclinado, quando o banheiro está em local plano, é necessário calçar a placa 2 para obtenção de uma inclinação de 30 graus com o chão e unir com arame os dois lados de 1,40 metros de comprimento. Segundo passo: - Assentamento das placas nºs 3 que comporão as laterais das caixas coletoras unindo com arame seu lado A com o fundo inclinado da parte da frente e o lado B com o fundo plano da parte de trás da privada. Terceiro Passo: - Assentamento da placa nº4 (Frente das privadas), unindo seu lado de 70 cm de comprimento aos lados da placa nº 3 e seu lado de 1,4 metros ao fundo inclinado. Quarto passo: - Assentamento da divisória entre as privadas (terceira placa nº 3). Neste ponto onde já estarão montadas as laterais, os fundos e a frente montados, passa-se argamassa (traço: 2 de areia par 1 de cimento) por dentro e por fora colando as placas, o que resulta num conjunto firme depois de secar por cerca de meia hora. - A partir deste ponto, toda vez que é assentada uma nova placa, usa-se argamassa para colar a nova placa as demais. Quinto Passo - Assentamento das duas placas nº 5( que dividem pelo alto cada uma das privadas, impedindo que o ar que o ar suba para a chaminé sem passar por dentro do composto. Esta placa é portanto colada entre duas placas nº 3 (uma lateral da privada e uma divisória). Seu lado de 50 cm é colado ao lado E (15 cm) das placa nº 3 (e seu prolongamento dentro da chapa), formando uma parede vertical suspensa 20 cm do chão. Para facilitar o serviço é bom escorará-la nesta posição com tijolos conforme se vê na foto ao lado. Outro detalhe é o cuidado para que o recorte circular (por onde saírá a chaminé fique na parte superior.

-Assentamento da tampa superior que fica sobre o fundo na parte de trás (placa 7), unindo os lados d das três placas nº 3 com o lado de 52 centimetros da placa nº 6, onde acaba sobrando uma beiradinha para encaixar as tampas laterais traseiras. Oitavo passo: -Assentamento das duas placas que comporão a lateral traseira (placas nº 8). Estas placas servirão como portas por onde é retirado o composto depois que ficar curtindo fechado até o enchimento da outra caixa coletora. - Deve-se colocar pouca argamassa no assentamento destas placas, para facilitar sua remoção na hora de retirar o composto. - No lugar destas placas pode-se assentar portas de correr ou com dobradiças para facilitar a remoção do composto, No entanto, retirar as placas com auxilio de um pontalete e depois reassentá-las usando um pouquinho de argamassa, parece mais simples do que fazer as portas e vedá-las com perfeição. Como usar o sanitário? Sexto Passo: - Assentamento das duas placas nº 6 (assentos do vaso sanitário) unindo os lados f de uma placa nº 3 lateral e divisória com os lados de 50 cm da placa nº 6. Sétimo passo: Na hora da descarga ao invés de água, joga-se duas mãos cheias de pó de serra ou outro material rico em carbono. Quando uma caixa fica cheia é fechada para o composto fermentar durante os quatro a seis meses em que a outra caixa está em uso. Este modelo esta dimensionado para o uso diário de uma família com 5 pessoas.. Se as privadas forem muito utilizadas e se encherem mais rápido que 3 meses, o tempo pode ser curto demais para que o composto fique pronto na hora em que for necessário retirá-lo para voltar a utilizar a caixa. Por isto pode-se usar o mesmo modelo, mas é necessário aumentar a altura das caixas.

Área de atuação do Projeto Iguatu São jerônimo da Serra Imbaú Barra do Turvo/SP Ponta Grossa Cerro Azul Cantagalo Irati Adrianópolis Guarapuava Teixeira Soares Rio Azul Palmeira Campo Magro Rio Branco do Sul São João do Triunfo Lapa Itaperuçú Bituruna Rebouças General Carneiro São Mateus União da Vitória Realização Patrocínio Rua Monte Castelo, 940 - Tarumã - Curitiba, Paraná. CEP 82.530-200. Fone (041) 3363 7021 - aopa2@terra.com.br - www.aopa.com.br