Rio de Janeiro, 5 de junho de 2008



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Rio de Janeiro, 5 de junho de 2008 IDENTIFICAÇÃO Meu nome é Alexandre da Silva França. Eu nasci em 17 do sete de 1958, no Rio de Janeiro. FORMAÇÃO Eu sou tecnólogo em processamento de dados. PRIMEIRO DIA DE TRABALHO Lembro porque foi muito sui generis. Primeiro, a idéia que a gente tinha da empresa era uma idéia. Pensávamos que a empresa fosse grande, mas não tão grande. Então, a gente ficou assim... Eu e a turma que éramos 11, no dia 19 de abril de 2004, quando nós chegamos aqui e fomos ver, principalmente me recrutaram pra trabalhar na TI, que é a parte de tecnologia de informática da Petrobras aí que nós fomos ter noção do que era a Petrobras em termos de tecnologia. Então, tem coisas aqui que a gente viu no primeiro dia, que a gente não tinha visto em lugar nenhum. Estou me referindo a quê? Ao maquinário, aos computadores de grande porte, a computadores de processamento geológico. Então isso lá fora não existe. Então, quando você vem aqui e vê um negócio que tem alguns gigabytes de processamento, a gente estava acostumado com megabytes, você fica assim: caramba! Aí você vê um servidor que custa 300 mil, coisas assim! Aí a gente começa a ter noção do que é uma Petrobras. Uma coisa muito grande. Muito grande mesmo. Isso aí foi num baque pra todos nós. COTIDIANO Quando eu cheguei aqui me deram a função de coordenar uma equipe de suporte a sistemas especiais. Sistemas que fazem perfuração, sistemas que agendam os vôos, os helicópteros. Então, esses sistemas especiais, que tem a ver com as plataformas. Sistemas de engenharia. Eu sou coordenador de uma equipe que dá suporte aos usuários das plataformas nesses sistemas específicos. Estamos trabalhando, agora, num projeto bem específico, é auxilio à perfuração. Porque pra você perfurar você tem

uma série de dados que tem que ser coletados da sonda, ou seja, da perfuratriz. Ou seja, dados geológicos, que tipo de solo vai ser perfurado, quais são as camadas que você atravessou. Então, para tudo isso existe softwares específicos. Então, a gente tem que dar suporte e instalá-los. A gente instala na sonda e a gente consegue monitorar daqui todo esse trabalho que é feito. E o ambiente de trabalho, como é aqui na Bacia de Campos. Veja bem, o ambiente de trabalho na TI é: todo mundo irmanado no mesmo objetivo. Por quê? Além das pessoas serem pessoas que tem certo nível de conhecimento de sistemas, você não pega nenhum leigo aqui, todas as pessoas que transitam dentro desse prédio são pessoas que foram capacitadas pra trabalhar com informática. Então, todo mundo fala a mesma linguagem. Quando você fala em bytes, Kbytes, hubby, todo mundo entende. Então isso faz com que você se irmane num objetivo comum. Então, é um ajudando o outro. Quando você tem certa dificuldade sempre tem alguém pra te ajudar. E assim entre o relacionamento do próprio grupo, assim como o relacionamento das próprias gerencias e as supervisões. Então, sempre que você precisa, sempre tem alguém que vem ao seu auxílio. Isso aí é uma troca de informações que a gente faz o tempo todo. Então o ambiente só pode ser o melhor possível. RELACIONAMENTO O relacionamento dos antigos com os novos, tentando lembrar, primeiro nós estávamos chegando e o que lembro bastante foi a acolhida. É uma coisa natural, quando você recebe alguém na sua casa, aqui a gente pode chamar de casa. Então a acolhida foi a melhor possível, todo mundo ajudando todo mundo. Porque na realidade a TI é um auxiliador da produtividade. Significa o quê? Nós não estamos no negócio, nós auxiliamos no negócio. A gente está dando suporte pra que se tire mais óleo, que se perfure mais. Nós estamos em todas as áreas da empresa, mas nós não somos o objetivo final da coisa. O objetivo final é área de negócios. Nós estamos dando suporte a todos. Isso aí, quando nós chegamos aqui os antigos viram que era isso que nós íamos fazer, mesmo que se fazia. Éramos onze pessoas, tinha pelo menos quatro pessoas que já trabalhavam aqui. Eram contratados antes. Então foram eles que ciceronearam a gente. Não aconteceu nenhum trote. Mas nós ficamos conhecendo tudo, fomos à vários lugares dentro da empresa no primeiro dia, pra conhecer. Mas não teve trote, não. Se teve não é que nem um trote de faculdade, é um negócio muito mais sadio.

INGRESSO NA PETROBRAS É um negócio interessante. Porque eu lembro que eu trabalhava numa empresa na Urca e nesse tempo, há muito tempo atrás, tinha um logotipo de uma empresa copiadora no aterro do Flamengo. E o presidente Figueiredo foi fazer um movimento dos Pracinhas e na foto saiu esse logotipo, que era em cima do prédio. Então ele mandou tirar. Antes de ele tirar, eu olhei para aquele logotipo e falei: Você tem que trabalhar numa empresa daquelas. Fui trabalhar lá durante 20 anos. Eu estive no centro da cidade trabalhando para essa mesma empresa e lá eu vi o prédio da Petrobras. Eu falava pra mim mesmo: Um dia eu vou trabalhar naquele prédio ali. E assim que eu saí da empresa que estava eu falei: Agora vou fazer a segunda coisa que eu ia fazer. Aí fui prestar concurso pra Petrobras. Eu saí de uma excelente empresa pra entrar na melhor empresa do mundo. A empresa era a Xerox, eu trabalhei 20 anos lá. DESAFIOS O nosso desafio é diário porque faz parte do nosso negócio. A gente dá suporte a quem faz o trabalho duro. A quem perfura. O maior desafio nosso é diário: não pode deixar essa coisa parar. Se parar não sai petróleo. Então nosso desafio é diário. Esse desafio diário faz com que a gente sempre tente melhorar as coisas. Sempre tente olhar um pouco mais a frente pra que não venha a acontecer alguma coisa de ruim no presente. Então a gente está sempre... Exemplo, a gente tem que sempre monitorar os servidores dos computadores pra ver se o espaço de disco, durante algum tempo, pode nos permitir uma gravação. Então nós temos que ver antes, fazer um histórico: Isso aqui daqui a um tempo não vai ter mais capacidade de armazenar, então nós temos que adquirir outro. Na realidade, o nosso desafio é diário em relação ao suporte aos sistemas. Mesmo porque a gente não saiba o que vai acontecer na frente. Não posso dizer pra você qual foi o maior. Porque amanhã é outro dia e, com certeza, a gente tem que estar preparado pra ele. FUTURO Nós temos um plano que engloba toda a parte de TI, que a diretoria fez e a nossa tecnologia tem que avançar assim como o mercado tem. Vão lançando a tecnologia a

gente vai vendo se essa tecnologia se adéqua às nossas necessidades, se a gente tem que mudar algum processo para que essa tecnologia venha ajudar no nosso negócio. Isso aí, a gente também tem planos a curto, médio e longo prazo. Por quê? Você não pode chegar dizendo assim: eu quero comprar determinado equipamento amanhã. Não é assim que é feito o negócio. Você tem uma verba anual e você tem que se adequar àquela verba. Alguma coisa que você já viu há algum tempo atrás. Aquela verba, tem que gastar aquilo e só no próximo ano eu posso comprar. Hoje tenho que prever alguma coisa pra o ano seguinte. Se vai ter alguma coisa muito maior do que eu previ; não sei. Por exemplo, pode surgir um equipamento que me faça mais do que eu previa; de repente, eu tenho que me adequar a isso e melhorar minha visão. Em vez de ser o produto A vai ser o B. Porque o B me atende mais. A TI ela trabalha assim: vendo a tecnologia. Não tem outro jeito. E a gente fica muito dependente de tudo o que aparece no mercado. Então a gente sabe o que quer, como fazer, mas a gente sempre tem que estar olhando o mercado pra ver o que aparece de novo. Pra gente poder nos adequar. SER PETROLEIRO É ter responsabilidade, responsabilidade social, família, não só fora, mas dentro também. Lidar com seres humanos. E ver o Brasil crescer. A gente sabe que a gente está fazendo um trabalho pro Brasil. Responsabilidade social envolve tudo, as cidades, as pessoas com quem a gente lida, as cidades que nós estamos. Por onde nós viajamos; com quem a gente conversa. Isso é ser petroleiro. É pensar no Brasil e fazer a empresa crescer. BACIA DE CAMPOS Meu trabalho é mais ou menos linear, não tem muita variação. Meu trabalho na Petrobras é um sonho e eu consegui realizá-lo. Todos nós fazemos diferença. Esse que é o grande legado da própria Petrobras. Todo mundo tem importância. Porque no fundo, no fundo, é o ser humano que faz acontecer. PROJETO MEMÓRIA

Eu fiquei muito feliz em saber que isso está sendo feito. Fiquei muito feliz também em participar. Por quê? Primeiro por ser um legado, as pessoas vão ver isso no futuro. Vão saber como era. De repente, a Petrobras vai estar em Marte. Como é que faziam na Terra? Então eu acho que é muito bom isso, foi uma iniciativa muito boa, me surpreendeu bastante. A maioria das empresas não se preocupa com isso, ouvir as pessoas que fazem a diferença. Ouvir as pessoas que fazem acontecer as coisas. Geralmente as pessoas são descartáveis. Trabalhou 20 anos e foi embora? Só tem uma ficha dizendo que você esteve lá. E isso é super importante, o que vocês estão fazendo. E eu fiquei muito feliz em estar participando dessa história.