Crédito e lançamento tributário Levar o entendimento ao aluno sobre o que é, como se processa o crédito e as formas do lançamento do crédito tributário. Vamos lá, pessoal, na aula passada vimos a integração da matéria que estamos estudando, notamos que não conseguimos pensar num tributo isoladamente, mas sim em todo o seu contexto, como a competência, fato gerador, etc., agora, vamos estudar o lançamento do crédito tributário. Crédito tributário Para o estudo do crédito tributário, temos que compreender conforme nos ensina Schoueri (2011), que o Código Tributário Nacional distingue dois grandes momentos na relação jurídica tributária, o primeiro é o fato jurídico denominado "obrigação tributária", e somente quando esta obrigação estiver determinada e quantificada, o Código passa a se referir a "crédito tributário" Vejamos o que diz a Legislação: CF/88 - Art. 146 Cabe àc ei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária especialmente sobre: (...) b) Obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributária. Assim, o Código Tributário Nacional (CTN), como lei complementar, vem cumprir o mandamento constitucional e dispõe: CTN Art. 139 O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Um melhor entendimento do crédito tributário está na lição de Führer (2008), que, quando se verifica a hipótese de incidência (fato gerador), nasce a obrigação tributária, entretanto, a obrigação não é exigível. É necessário que o Poder Tributante constitua o crédito tributário correspondente, e isso decorrerá o lançamento tributário. (CTN. Art. 141) Ainda nos ensina Führer (2008, p.58): "É possível a existência de obrigação sem o correspondente crédito (ainda não houve lançamento), mas o crédito sem obrigação é nulo e poderá constituir crime." (CP. Art. 316, 1º e 2º)
Código Penal Decreto-lei 2848/40 Art. 316 Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função, ou antes, de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida: 1º - Se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatória ou gravosa, que a lei não autoriza: (Redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990). 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu indevidamente para recolher aos cofres públicos. Já sabemos que o crédito tributário decorre da obrigação, entretanto, somente poderá ser exigido quando conhecido o seu valor e procedido o seu lançamento. Isso mesmo! Agora, vamos aprender o que é o lançamento do crédito tributário para complementar nosso raciocínio. Lançamento do crédito tributário Vamos iniciar nosso estudo do lançamento do crédito tributário com o conceito dado pelo Art. 142 do Código Tributário Nacional, como sendo "(...) o procedimento administrativo vinculado que verifica a ocorrência do fato gerador, identifica o sujeito passivo da obrigação tributária, determina a matéria tributável, aponta o montante do crédito e aplica, se for o caso, a penalidade cabível". Notem que somente após a lavratura do lançamento do crédito tributário, o sujeito ativo (Municípios, Estados, Distrito Federal ou União) terá o direito de exigir o montante correspondente, isto é, terá o direito líquido e certo de exigir do sujeito passivo a obrigação tributária ou o tributo correspondente. Vamos estudar agora como se constitui o lançamento tributário. Constituição do lançamento tributário A constituição do lançamento do crédito tributário só ocorre quando o poder tributante (Poder Público) identifica o sujeito passivo da obrigação, o fato gerador, a base de cálculo e a aplicação da alíquota para conhecer o valor real do crédito e lançá-lo a favor do sujeito ativo correspondente contra o sujeito passivo. Após o seu lançamento, o sujeito ativo poderá exigi-lo, e este lançamento é imutável e somente poderá ser regularmente alterado por impugnação do sujeito passivo ou por força de decisão judicial (Poder Judiciário).
Alteração do lançamento do crédito tributário Embora seja imutável o lançamento do crédito tributário, ele somente poderá ser alterado nos estritos termos do Artigo 145 do Código Tributário Nacional (CTN. Art. 145), vejamos: O referido artigo traz que o lançamento pode ser alterado em virtude de: a) impugnação do sujeito passivo; b) recurso de ofício; c) iniciativa de ofício da autoridade administrativa nos casos de revisão de ofício (CTN. Art. 149); a) Impugnação do sujeito passivo. Alteração - Lançamento b) Recurso de ofício. c) Revisão de ofício. a) Impugnação do sujeito passivo. Alteração - Lançamento b) Recurso de ofício. c) Revisão de ofício. Modalidade de lançamento do crédito tributário O Código Tributário Nacional contempla três modalidades de lançamento do crédito tributário, são elas: a) lançamento de ofício (ex-officio) ou direto; b) lançamento por declaração ou misto; c) lançamento por homologação. Vamos entender cada um deles:
Lançamento de ofício (ex-officio) ou direto O lançamento direto ou de ofício é quando o Poder Público lança o tributo e notifica do lançamento o sujeito passivo que não participa deste lançamento. A primeira classe destes tributos lançados pelo Poder Público de ofício ou direto temos aqueles que fazem partes da classe dos que possuem fato gerador da espécie persistente, por exemplo, o lançamento do IPTU e do IPVA. Haverá também este modo de lançamento nos casos de omissão do Fisco ou do Contribuinte, nas hipóteses do Artigo 149 do CTN Incisos II à IX do Código Tributário Nacional. Lançamento por declaração ou misto Nesta modalidade de lançamento do crédito tributário, há a participação efetiva do contribuinte na sua formação. Vale dizer que o Poder Tributante (Fisco) depende da declaração prestada espontânea do contribuinte (sujeito passivo) para o seu lançamento, conforme disposto no Artigo 147 do CTN. Aqui, podemos exemplificar o ITR (Imposto Territorial Rural), tributos aduaneiros por meio da declaração de importação. Lançamento por homologação Previsto no Artigo 150 do CTN, o lançamento por homologação é o tipo mais comum e corriqueiro, e a atividade da administração pública é quase que nula, entretanto, falamos que nesta espécie de lançamento ocorre a participação do sujeito passivo e ativo. Nesse lançamento por homologação, o sujeito passivo apura o montante devido e recolhe aos cofres públicos, que será controlado e fiscalizado pela administração pública tributária a veracidade da declaração e a equivalência do pagamento; procederá a homologação do lançamento. O prazo para a homologação do lançamento tributário é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Notem que se a administração pública tributária deixar de proceder a homologação do crédito no prazo citado, o crédito se tornará extinto. Temos como exemplo a declaração e o pagamento do IPI e do ICMS. Chegamos ao final desta aula e já conseguimos aprender como a administração pública tributante procede aos lançamentos tributários, na próxima aula. vamos ver o que pode ocorrer com este crédito.
Para fixar o seu aprendizado, resolva os exercícios, e não esqueça que as dúvidas deverão ser levadas aos Fóruns ou contate o seu professor. A seguir, preencha a(s) lacuna(s) com a(s) palavra(s) adequada(s) às afirmações. Referências Código Tributário Nacional. Códigos 3 em 1. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Constituição Federal. Códigos 3 em 1. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. COSTA, Regina Helena. Curso de Direito Tributário: Constituição e Código Tributário Nacional. 2. Tiragem. São Paulo: Saraiva, 2009. FÜHRER, Maximilianus Cláudio Américo; FÜHRER, Maximiliano Roberto Ernesto. Resumo de Direito Constitucional. 7. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2004. FÜHRER, Maximilianus Cláudio Américo; FÜHRER, Maximiliano Roberto Ernesto. Resumo de Direito Tributário. 19. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2008. SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011. SILLOS, Lívio Augusto de. Planejamento Tributário Aspectos teóricos e práticos. São Paulo: Livraria e Editora Universitária de Direito LEUD, 2005.