Assédio Moral no Serviço Público

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Transcrição:

Assédio Moral no Serviço Público Autor: Alex Aaltonen Definição Assédio é uma conduta abusiva, intencional, frequente e repetida, que ocorre no ambiente de trabalho e que visa diminuir, humilhar, vexar, constranger, desqualificar e demolir psiquicamente um indivíduo ou um grupo, degradando as suas condições de trabalho, atingindo a sua dignidade e colocando em risco a sua integridade pessoal e profissional. 2 1

Gradação Estresse no Trabalho Assédio Moral Crimes, Atos Ilegais ou Antiéticos 3 Estresse no Trabalho: Exemplos Reais Observar promoção de um colega de baixo desempenho. Lidar com chefia autoritária, mas não desrespeitosa. Resolver problemas causados por outros. 4 2

Assédio Moral: Exemplos Reais Ter de aceitar cargo inferior na atual empresa. Ouvir críticas sem poder responder. Receber tratamento vexatório. Ser obrigado a assumir negligência profissional injustamente. 5 Crimes, Atos Ilegais ou Antiéticos: Exemplos Reais Ser pressionado a omitir fraude após executar auditoria. Ser pressionado a falsificar um documento. Ser pressionado a fraudar a contabilidade. Suportar discriminação do chefe a colegas. 6 3

Estresse no Trabalho: Exemplos Hipotéticos no Serviço Público Ter de liquidar uma instituição financeira. Ter de trabalhar em locais de difícil acesso. Ter prazo para terminar um trabalho. Trabalhar com poucos recursos. 7 Assédio Moral: Exemplos Hipotéticos no Serviço Público Ser excluído sistematicamente de trabalhos importantes. Ser atropelado na hierarquia, sistematicamente. Ser excluído sistematicamente de reuniões da sua área. 8 4

Crimes, Atos Ilegais ou Antiéticos: Exemplos Hipotéticos no Serviço Público Corrupção. Concussão: extorsão ou peculato cometido por empregado público no exercício de suas funções. Fraude no Plano de Saúde dos funcionários. 9 Modalidades Chefe Subordinado Colega Colega Subordinado Chefe 10 5

Consequências Atinge a dignidade individual e do grupo. Pode afetar a saúde. Pode levar à depressão e a não formalização da denúncia. Causa absenteísmo e pode desviar os funcionários da missão da autarquia. 11 Incidência Internacional A maior parte dos estudos: 10% e 20% de incidência. Há variações na definição: últimos 6 meses, último 1 ano ou últimos 5 anos. Inclusão ou não de assédio sexual. O mais próximo de um padrão internacional é o Questionário de Atos Negativos Revisado (NAQ-R) de 22 itens. 12 6

Situações Descritas no NAQ-R (1de5) 1) Segurarem informação que afeta o seu desempenho profissional ou de colegas. 2) Ser humilhado ou ridicularizado em conexão com seu trabalho. 3) Ser incumbido de um trabalho muito abaixo de seu nível de competência. 4) Ter áreas-chave de sua responsabilidade removidas ou substituídas por tarefas triviais ou desagradáveis. 13 Questionário de Atos Negativos Revisado (NAQ-R) (2de5) 5) Ver espalhadas fofocas e rumores a seu respeito. 6) Ser ignorado, excluído ou mandado para escanteio. 7) Receber insultos e ofensas sobre hábitos, origem étnica, atitudes ou vida particular. 8) Receber gritos e demonstrações de raiva. 9) Ser intimidado por acusações, invasões de espaço, empurrões ou bloqueios físicos. 14 7

Questionário de Atos Negativos Revisado (NAQ-R) (3de5) 10) Pistas e sinais de que você deve deixar o emprego. 11) Ser lembrado insistentemente de seus erros ou defeitos. 12) Ser ignorado ou enfrentar reação hostil quando você se aproxima. 13) Receber críticas constantes sobre seu trabalho e de seu esforço. 15 Questionário de Atos Negativos Revisado (NAQ-R) (4de5) 14) Ter suas opiniões e pontos de vista ignorados. 15) Ser alvo de piadas de pessoas que você mal conhece. 16) Receber tarefas com objetivos e prazos pouco razoáveis ou impossíveis. 17) Ter alegações feitas contra você. 18) Monitoramento excessivo do seu trabalho. 16 8

Questionário de Atos Negativos Revisado (NAQ-R) (5de5) 19) Receber pressão para não reinvindicar algo que você tem direito (ex.: licença saúde, férias, despesas de viagem). 20) Ser alvo de excesso de sarcasmo. 21) Ser exposto a um volume de trabalho impraticável. 22) Receber ameaças de violência física ou violência física praticada contra si. 17 Contraste entre Assédio Moral e Assédio Sexual para Política de RH Assédio Moral Assédio Sexual Repetitivo Basta um episódio Por um período de tempo Instantâneo 22 situações no NAQR Fora do NAQR Dificilmente reversível Irreversível 18 9

Legislação e Litigiosidade Até Jun2011, 22mil processos trabalhistas de assédio moral tramitavam em 1.a instância. Legislação não é específica ainda. Processos trabalhistas são por dano moral, que não precisa ser frequente ou repetido. Assédio Moral pode ser visto como uma sequência de danos morais. 19 Sugestões de Ações de Prevenção (1de2) Analisar os casos existentes no Banco Central. Motivo: ter foco. Política de prevenção ao assédio moral no Manual de Serviço de Pessoal. Motivo: evoluir nossa cultura organizacional. Comitê que inclua, ao menos, Depes, Sindicato, Assistente Social, Ouvidoria e Área Afetada para apurar denúncias e aconselhar o procedimento. Motivo: obter legitimidade. 20 10

Sugestões de Ações de Prevenção (2de2) Treinar os demais colegas. Motivo: envolver a todos. Divulgar a política e o funcionamento do comitê. Motivo: consolidar. 21 Sugestões para Política de RH e Legislação Incluir frequente e repetida na definição de assédio moral. Distinguir de estresse no trabalho, dano moral, abuso sexual ou crime. Colaboração de advogado para mapear legislação atual sobre esses temas. Discutir a questão do sigilo do denunciador. 22 11

Bibliografia (1de4) BASÍLIA, Patrícia. Assédio moral atinge 66% dos bancários no Brasil. Folha de São Paulo. 31 de julho de 2011. BILGEL, Nazan; AYTAC, Serpil; BAYRAM, Nuran. Bullying in Turkish white-collar workers. Occupational Medicine, Oxford, v. 56, n. 4, p. 226 231, Jun2006. 23 Bibliografia (2de4) FREITAS, Maria Ester de. Assédio Moral e Assédio Sexual: faces do poder perverso nas organizações. RAE - Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 41, n. 2, p. 8-19, Abr./Jun. 2001. FREITAS, Maria Ester de. Quem paga a conta do assédio moral no trabalho? RAE eletrônica, São Paulo, v. 6, n. 1, Art. 5, Jan./Jun. 2007. FREITAS, Maria Ester de; HELOANI, Roberto, BARRETO, Margarida. Assédio Moral no Trabalho. São Paulo: Cengage Learning, 2008, 144 p. 24 12

Bibliografia (3de4) HODSON, Randy; ROSCIGNO, Vincent J.; LOPEZ, Steven H. Chaos and the Abuse of Power: Workplace Bullying in Organizational and Interactional Context. Work and Occupations, London, v. 33, n. 4, p. 382-416, Nov2006. RODRIGUES, Míriam; AALTONEN, Alex. Quem dá resposta ao assédio moral? In: XXXV ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO, 17 p., Rio de Janeiro: ANPAD, 2011, CD-ROM. 25 Bibliografia (4de4) SINAL. Avaliação do Ambiente de Trabalho e do Assédio Moral no Banco Central. Porto Alegre, 2010. TSUNO, Kanami; KAWAKAMI, Norito; INOUE, Akiomi; ABE, Kiyoko. Measuring Workplace Bullying: Reliability and Validity of the Japanese Version of the Negative Acts Questionnaire. Journal of Occupational Health, Tokyo, v. 52, n. 4, p. 216-226, 2010. 26 13

As visões expressas neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente representam as opiniões do Sinal, do Banco Central do Brasil ou de seus membros. alex.aaltonen@bcb.gov.br Outubro de 2011 27 14