MÓDULO 4 COMPORTAMENTOS ADITIVOS

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Transcrição:

Agrupamento de Escolas de Mértola Ano Letivo 2012-2013 Curso profissional de Técnico de Apoio Psicossocial 11º B Disciplina: Psicopatologia Geral MÓDULO 4 COMPORTAMENTOS ADITIVOS

O consumo de drogas remonta aos primórdios da humanidade, havendo registos do consumo de ópio e canábis em 4000 A.C. 1 As drogas ao longo da história

O consumo de substâncias psicoativas é um fenómeno civilizacional - sempre existiu em todas as culturas humanas o uso de substâncias que alteram o humor, os estados de consciência.

A utilização de drogas pelo ser humano remonta às civilizações antigas, como os egípcios e os maias. Os índios brasileiros já possuíam técnicas para fabrico rudimentar de substâncias calmantes, alucinogénias ou curativas, retiradas, basicamente, de frutos, cascas de árvores e fluidos de animais.

Descobertas arqueológicas: 5000 AC vinho na região do atual Irão; 4000 AC Canabis na China; 3000 AC folhas de coca na América do Sul. 4200 AC encontrados vestígios do consumo de ópio na gruta de Albuñol, perto de Granada, em Espanha.

Na mitologia: Dionísio deus grego do vinho Baco versão romana do mesmo deus O vinho era o néctar dos deuses e exercia um poder embriagador. O seu uso comedido provocava boa disposição, alegria, mas aqueles que se entregavam ao seu consumo desmedido ou compulsivo eram considerados loucos, errantes, degenerados. Baco, pintura de Caravaggio, na Galleria degli Uffizi, Florença

O que tem procurado o homem através do consumo destas substâncias? A nutrição; remédio para as suas doenças; alimentar sonhos ou alcançar o transcendente; procurar a paz ou a excitação; simplesmente, abstrair-se do mundo que o cerca e perturba num determinado momento da sua existência.

2 - Conceito de droga Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), droga é toda a substância que introduzida no organismo vivo modifica uma ou mais das suas funções. Esta definição engloba substâncias ditas lícitas bebidas alcoólicas, tabaco e certos medicamentos e, igualmente, as substâncias ilícitas, como a cocaína, LSD, ecstasy, opiáceos, entre outras.

3 - Uso, dependência, tolerância e escalada USO SOCIAL uso ocasional de álcool e outras drogas, geralmente em situações sociais; droga usada a título de experiência, curiosidade, uso recreativo, sem impacto significativo na saúde física e mental da pessoa. USO ABUSIVO (ou USO NOCIVO) um padrão contínuo de uso de substância psicoativa, que provoca danos na saúde ou na vida social/relacional. Os danos podem ser físicos (hepatite, por exemplo), psicológicos (depressão, alucinações), sociais (problemas relacionais na escola, família, trabalho).

DEPENDÊNCIA de acordo com a definição da OMS, trata-se de um estado psíquico e por vezes físico, caraterizado por comportamentos e respostas que incluem sempre a compulsão e a necessidade de tomar droga, de forma contínua ou periódica, de modo a experimentar efeitos físicos ou para evitar o desconforto da sua ausência, podendo a tolerância estar ou não presente. TOLERÂNCIA - A tolerância acontece quando o organismo acaba por se habituar ou fica tolerante à droga, ou seja, a droga faz cada vez menos efeito. Assim para se obter o que se deseja (o estado de excitação, tranquilidade, etc.), é preciso ir aumentando cada vez mais as doses. A tolerância pode dar origem ao efeito de escalada necessidade de consumir doses superiores da substância aditiva.

4 - Critérios para dependência de álcool e outras drogas (DSM IV) Existe uma situação de dependência quando se verifica um padrão de uso de determinada substância, que conduz a sofrimento clinicamente significativo e se manifesta em três (ou mais) dos seguintes critérios, ocorrendo a qualquer momento no mesmo período de 12 meses: 1. Tolerância, definida por: a) uma necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância para adquirir o efeito desejado; b) acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade de substância.

Critérios para dependência de álcool e outras drogas (DSM IV) 2. Abstinência, manifestada por : a) síndrome de abstinência característica para cada substância; b) a mesma substância (ou uma substância relacionada) é consumida para aliviar ou evitar sintomas de abstinência; 3. A substância é frequentemente consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido; 4. Existe um desejo persistente ou esforços malsucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância;

Critérios para dependência de álcool e outras drogas (DSM IV) 5. Muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância (por ex., consultas a múltiplos médicos ou fazer longas viagens de automóvel), na utilização da substância (por ex., fumar em grupo) ou na recuperação dos efeitos. 6. Importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da substância. 7. O uso da substância continua, apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente que tende a ser causado ou exacerbado pela substância. É a chamada compulsão.