FIDES REFORMATA 4/1 (1999)

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Transcrição:

1 FIDES REFORMATA 4/1 (1999) C. Leonard Allen e Richard T. Hugues, Raízes da Restauração: A Gênese Histórica do Conceito de Volta à Bíblia (São Paulo: Editora Vida Cristã, 1998), 181 pp. Traduzido do original em inglês Discovering Our Roots (1988). O livro é uma defesa do movimento de restauração, um grupo que pretende ser cristão sem estar subordinado ou ligado a outros grupos através de credos, e que é por vezes conhecido como igreja de Cristo. O movimento busca a restauração da igreja no sentido de que ela venha a estar o mais próximo possível do Novo Testamento. O propósito do livro é traçar através da história da igreja a origem da idéia sempre presente entre grupos de cristãos de se restaurar os princípios do cristianismo do século I. Os autores iniciam sua pesquisa na Reforma do século XVI, analisando o conceito de fidelidade às Escrituras acima de qualquer dogma ou doutrina humana entre grupos como os puritanos da Nova Inglaterra, os batistas, o movimento de santidade e o movimento pentecostal, entre outros. A conclusão do livro é uma tentativa de responder à indagação óbvia de se é possível alguém apegar-se à Bíblia somente sem ter qualquer credo e de responder a críticas feitas ao movimento restauracionista, como, por exemplo, a negação da história e da tradição. Os autores seguem um caminho mais moderado do que restauracionistas radicais e reconhecem a inevitabilidade da influência das tradições, defendendo um envolvimento consciente com as mesmas. (ANL) Erwin W. Lutzer, A Serpente do Paraíso: A Incrível História de Como a Rebelião de Satanás Serviu aos Propósitos de Deus (São Paulo: Editora Vida, 1998), 256 pp. Traduzido do original em inglês The Serpent of Paradise (1996). No prefácio, R. C. Sproul admite que é o melhor livro sobre a pessoa e a obra do diabo que já leu. O tema do livro é demonstrar como Satanás, mesmo havendo se rebelado contra Deus, continua subserviente ao Criador. A tese de Lutzer é que não podemos compreender apropriadamente a Satanás enquanto não entendermos a Deus corretamente. Em suas próprias palavras, o livro se propõe a colocar o diabo em seu devido lugar. O livro tenta dar uma visão geral da carreira do diabo e da sua ligação com o Todo-Poderoso. Ele descreve desde a sua queda de uma posição exaltada até a sua derrota por Cristo e sua condenação à vergonha e desprezo eternos. Lutzer tenta mostrar que Satanás sempre perde, mesmo quando vence, e que os cristãos podem lutar contra ele e vencer. As premissas sobre as quais Lutzer baseia sua argumentação são: 1) Deus tem a soberania absoluta do universo; 2) Deus usa nosso conflito com Satanás para desenvolver o nosso caráter. O livro representa uma perspectiva bíblica e bastante saudável sobre o tema da batalha espiritual. (ANL) R. C. Sproul, Eleitos de Deus (São Paulo: Cultura Cristã, 1998), 192 pp. Traduzido do original em inglês Chosen by God (1986). O autor expõe a doutrina clássica da predestinação. A tese central do livro é que a predestinação não é somente para os calvinistas, mas para todos os cristãos bíblicos. A doutrina da predestinação, argumenta Sproul, não implica num Deus caprichoso e rancoroso, mas num Deus amoroso que providencia redenção para seres humanos radicalmente corrompidos e decaídos. Apesar do caráter popular do livro, Sproul analisa com sua costumeira competência temas como predestinação e soberania de Deus, predestinação e livre arbítrio, os efeitos da queda de Adão, presciência e predestinação, e o problema da dupla predestinação, concluindo com um capítulo onde responde algumas das objeções mais comuns à doutrina da predestinação. Tratando-

2 se de um assunto tão polêmico, os leitores serão beneficiados pela abordagem clara, agradável e bíblica de Sproul. (ANL) Antônio José do Nascimento Filho, O Papel da Ação Social na Evangelização e Missão na América Latina: Uma Visão Contemporânea (Campinas: LPC Comunicações, 1999), 105 pp. O livro analisa a função do aspecto social do evangelismo e das missões na América Latina de hoje. Aborda temas associados com uma compreensão do papel da Igreja no contexto latino-americano, tais como a relação entre o aspecto social, a missão e o evangelismo, as perspectivas teológicas atuais sobre a dimensão social do evangelismo, os fundamentos bíblicos e teológicos da ação social relacionada com o evangelismo, o testemunho histórico da igreja cristã no tocante à ação social e ao evangelismo. Considerando que a igreja é uma instituição incorporada em um ambiente sócio-político, o autor indaga como ela pode funcionar melhor como agente eficaz da evangelização em um dado contexto sócio-político, nesse caso, a América Latina. Após expor a dimensão do problema, o autor analisa as principais obras existentes sobre o assunto, discutindo em seguida os fundamentos bíblicos e teológicos da ação social da igreja em relação à obra de evangelização. Ele conclui que o povo de Deus está investido de uma responsabilidade ética especial em relação ao pobre, que o zelo de Deus pelo pobre aparece coerentemente dentro do contexto da justiça de Deus, que a igreja do Novo Testamento não se omite da obrigação de proceder com justiça na evangelização, que a missão da igreja neste mundo é mais que proclamação verbal e que a obra social cristã está alicerçada numa compreensão mais profunda do caráter de Deus. No final do livro, aparecem três recomendações para a comunidade cristã quanto à proclamação do Evangelho: 1) a necessidade de alcançar os latino-americanos dentro de seu próprio contexto; 2) a ênfase na igreja como uma comunidade assistencial e amorosa; 3) a importância das escolas e centros de assistência médica cristãos na obra evangelística da igreja. A obra é densa, analítica e desafiadora e deverá servir como leitura proveitosa para os estudantes de missiologia. (ANL) Jakob Van Bruggen, Para Ler a Bíblia (São Paulo: Cultura Cristã, 1998), 191 pp. Traduzido do original em holandês Het Lezen van de Bijbel (1986). Esse livro trata da interpretação das Escrituras e procura responder à pergunta como podemos ler a Bíblia hoje. Apesar do formato popular, Van Bruggen desenvolve sua resposta à luz dos desafios propostos pelo método histórico-crítico de interpretação e das hermenêuticas pós-modernas. Ele aborda temas como a natureza da Bíblia, a sua inspiração, a relação entre o texto original e as traduções, a importância e a influência do meio em que viviam os escritores da Bíblia, a atualidade e relevância das referências e questões históricas encontradas na Bíblia, entre outros. Após examinar a questão da possibilidade de se ler a Bíblia inteligivelmente (atualmente existem estudiosos que negam inclusive essa possibilidade!), Van Bruggen discute questões relacionadas com aspectos dessa leitura, entre eles a exegese, a determinação do texto original, as traduções, os contextos históricos e literários, o estilo, a situação dos leitores e a exegese aplicada. Depois, ele trata de uma questão bastante polêmica e que sempre despertou a atenção dos interessados na interpretação bíblica, que é o alcance das palavras dos profetas. Nessa parte, Van Bruggen trata de profecia e cumprimento, bem como profecia e tipologia, concluindo com a exegese das parábolas. Ao fim do livro encontra-se uma bibliografia seleta de obras relacionadas com os vários aspectos da leitura e interpretação das Escrituras. Van Bruggen é reformado,

3 comprometido com a autoridade das Escrituras. Seu livro representa uma abordagem dos meios acadêmicos reformados da Europa à interpretação das Escrituras. (ANL) Daniel Salinas e Samuel Escobar, Pós-Modernidade: Novos Desafios à Fé Cristã (São Paulo: ABU, 1999), 99 pp. Traduzido do original em espanhol Postmodernidad Nuevos Desafios a la Fe Cristiana (s/d). O livro é composto de duas obras separadas que versam sobre o mesmo tema, a igreja e a pós-modernidade. O objetivo de ambas as partes é abordar alguns dos desafios lançados pela pós-modernidade à igreja de Cristo, tais como a pertinência e relevância do Evangelho para o mundo pós-moderno e as maneiras pelas quais o cristãos deve viver e proclamar a sua fé nesse contexto. A primeira parte, escrita por Daniel Salinas, trata do modernismo e de sua influência na igreja, do principal dogma do pósmodernismo, que é a ausência de valores absolutos, e de como a igreja deve evangelizar em um mundo pós-moderno. O autor conclui com uma análise crítica da escatologia evangélica popular, das teologias da libertação e da hermenêutica dos sentidos. A segunda parte, escrita por Escobar, aborda a fé cristã frente ao choque de culturas, analisa diversos momentos culturais dentro de um mesmo país, a situação cultural pós-moderna (relativismo moral, hedonismo, declínio da razão, crescimento explosivo do protestantismo popular) e conclui com orientações quanto ao viver como cristãos em um mundo pós-moderno. O caráter do livro é evangélico e as análises feitas pelos autores são consistentes e pertinentes. (ANL) Beatriz Muniz de Souza e outros organizadores, Sociologia da Religião no Brasil (São Paulo: PUC/SP e UMESP, 1998), 166 pp. O livro é uma coletânea de textos apresentados por estudiosos brasileiros em um seminário promovido em 1996 pela PUC/SP e pela Universidade Metodista de São Paulo, sobre o crescimento do protestantismo popular no Brasil, especialmente o pentecostalismo. O objetivo do seminário, refletido agora no livro, foi discutir metodologias de pesquisa e de classificação dos fenômenos religiosos no Brasil, em especial, do pentecostalismo. O livro é dividido em três partes, cada uma delas encerrando com um debate. A primeira parte versa sobre a sociologia da religião no Brasil e contém artigos sobre questões metodológicas, tais como o dilema entre a academia e instituições religiosas, o equilíbrio entre adaptação e criatividade e o conflito de interpretações sobre o fenômeno religioso. A segunda parte trata mais especificamente do pentecostalismo, suas terminologias e classificações, com artigos sobre as concepções históricas de sua classificação, a dinâmica das classificações do pentecostalismo brasileiro, pentecostalismo e modernização. A terceira parte trata de métodos e técnicas de pesquisa nos estudos de religião no Brasil, com um artigo específico focalizando o problema da pesquisa entre grupos pentecostais. A obra beneficia um público restrito por sua ênfase em questões metodólogicas, que interessam, via de regra, somente os pesquisadores da área. A abordagem sociológica do fenômeno do crescimento do pentecostalismo pode incomodar a muitos leitores que preferem entendê-lo como uma ação de Deus no Brasil. (ANL) John MacArthur, Jr., editor, Redescobrindo o Ministério Pastoral: Moldando o Ministério Contemporâneo aos Preceitos Bíblicos (São Paulo: CPAD, 1998), 453 pp. Traduzido do original em inglês Rediscovering Pastoral Ministry (1995). É no mínimo surpreendente a publicação pela CPAD de um livro escrito por John MacArthur e professores do seminário por ele fundado, especialmente por causa da conhecida aversão de MacArthur pelo movimento pentecostal. Mas pode-se

4 compreender, visto que o livro limita-se a tratar do ministério pastoral. O propósito triplo do livro é validar os absolutos bíblicos para o ministério pastoral, elaborar as qualificações bíblicas para os pastores de igrejas locais e delinear as prioridades do ministério pastoral. A primeira parte trata das perspectivas bíblicas do ministério pastoral e traz artigos sobre o ministério pastoral na história e a concepção bíblica do ministério, entre outros. A segunda parte trata de perspectivas preparatórias para o ministério, com artigos que enfocam o caráter do pastor, seu chamado, treinamento e ordenação. A terceira parte aborda perspectivas pessoais do ministério, como a família do pastor, sua vida de oração pessoal e ministerial, seu estudo e sua compaixão pelas almas. Na quarta e última parte são tratados assuntos relacionados com perspectivas pastorais, tais como o culto, a pregação, o exemplo do pastor e sua liderança, evangelização, discipulado, vigilância, e observação das ordenanças, concluindo com um artigo de MacArthur onde procura responder as perguntas mais freqüentes quanto ao pastorado. O livro contém apêndices que tratam de questões relacionadas com a ordenação ao ministério. A obra é de cunho reformado e serve como uma atualização complementar do clássico Lições aos Meus Estudantes, de Charles H. Spurgeon. (ANL) L. Harris, G. Archer e B. Waltke, Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 1998), 1789 pp. Finalmente chega ao público evangélico brasileiro o excelente dicionário publicado por três renomados estudiosos do Antigo Testamento, o DITAT. O dicionário reúne artigos de 46 estudiosos conservadores, na maioria norte-americanos, esclarecendo o sentido de importantes termos no contexto da literatura e teologia do Antigo Testameto. São 3067 verbetes alfabéticos em hebraico e aramaico, seguidos de um grande índice remissivo em português. Para todos os verbetes do dicionário que têm maior relevância teológica encontra-se uma breve bibliografia sobre o tema. Trata-se de obra de excelente padrão acadêmico e editorial. Os autores interagem bem com a literatura de sua época, dentro de seus respectivos campos (a obra foi publicada há cerca de vinte anos). Essa obra é singular para o público evangélico e brasileiro por ser única no seu caráter e única em português. Deve ser usada não só por professores e ministros, mas também por todo aquele que se interessa por um estudo mais profundo do Antigo Testamento. Ainda que seja um livro caro, vale o esforço ter à mão obra de tal importância e relevância. (MFM) W. Lasor, D. Hubbard e F. Bush, Introdução ao Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova, 1999), 851 pp. Traduzido do original em inglês Old Testament Survey (Grand Rapids: Eerdmans, 1982). Esse livro preenche uma lacuna na área dos estudos do Antigo Testamento em língua portuguesa. Ainda que seja uma obra relativamente antiga, a tradução é de uma edição recente e revisada (1996) que contém os últimos avanços na área de introdução ao Antigo Testamento. A obra é de caráter conservador, sendo uma excelente alternativa às muitas introduções de cunho liberal que já estão publicadas em português. Não deve ser, no entanto, tomada sem critérios quanto ao conteúdo, como em qualquer obra desse porte. O livro é dividido em quatro partes que tratam sucessivamente do Pentateuco, dos Profetas e dos Escritos. A quarta parte trata de vários temas importantes nos estudos do Antigo Testamento, como a autoridade do Antigo Testamento para os cristãos, revelação e inspiração, cânon, formação do Antigo Testamento, geografia, cronologia, arqueologia e messianismo. Trata-se, sem dúvida, de uma grande contribuição para os estudos introdutórios ao Antigo Testamento. (MFM)

5 William Hendriksen, 1 e 2 Tessalonicenses (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998), 320 pp. Tradução de Hope Gordon Silva e Valter Graciliano Martins do original em inglês New Testament Commentary, 1 e 2 Tessalonians (Grand Rapids: Baker, 1995). O livro é o quarto da série Comentário do Novo Testamento, que está sendo publicada pela Editora Cultura Cristã. Os que o antecederam foram Filipenses, Efésios e Colossenses e Filemon. Os comentários da série original começaram a ser escritos por William Hendriksen e se tornaram uma referência de qualidade como comentários de linha reformada, tanto pela sua erudição quanto pelo seu aspecto devocional e pastoral. Com a morte de Hendriksen, Simon Kistemaker continuou esse trabalho. Os comentários de Hendriksen, assim como os de Kistemaker, que esperamos também venham a ser traduzidos como parte da série, são de marcante profundidade teológico-exegética, sem serem necessariamente técnicos. Visam suprir o estudioso das Escrituras, especialmente o pastor, de uma valiosa ferramenta para a compreensão do texto do Novo Testamento, com os resultados de um trabalho exegético sério, mas sem molestar o leitor com discussões de caráter demasiadamente técnico. Estas, quando necessárias, são colocadas em notas de rodapé, e não no texto da obra. Além do comentário propriamente dito, Hendriksen apresenta uma introdução ao livro, tratando de questões de autoria, data, problemas de crítica textual, etc., uma tradução própria do texto grego, um resumo ou síntese de cada unidade (perícope) do texto que comenta e um esboço do conteúdo de cada livro. É uma obra de valor, que vem enriquecer o nosso acervo, infelizmente ainda pobre de bons comentários em língua portuguesa. (JAS) D. Martyn Lloyd-Jones, Romanos Exposição sobre o Capítulo I O Evangelho de Deus (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1998), 478 pp. Traduzido por Odayr Olivetti do original em inglês The Gospel of God (Banner of Truth, 1985). O livro é a tradução do primeiro volume de uma série de exposições da carta aos Romanos feitas pelo Dr. Lloyd-Jones, às sextas feiras, durante o seu ministério na Capela de Westminster, em Londres, e editadas e publicadas posteriormente. Não são apenas comentários teológicos sobre essa epístola, por mais preciosos e úteis que eles sejam, mas preleções de um pastor ao seu rebanho, no estilo direto e pessoal e com a profundidade e piedade que caracterizam as obras de Lloyd-Jones. Depois de apresentar a carta e o seu autor, Lloyd-Jones expõe, versículo por versículo, o ensino do texto, aplicando-o aos seus ouvintes/leitores. Como se percebe no subtítulo, o livro compreende apenas o estudo do capítulo 1 de Romanos. As preleções de Lloyd-Jones sobre Romanos foram até o capítulo 14, versículo 17, quando, em 1968, por motivo de enfermidade, teve de deixar seu ministério de pregação para dedicar-se à editoração de seus sermões, até sua morte em 1981, como se lê no prefácio da obra. A publicação desta série de sermões ou estudos sobre Romanos já preenche vários volumes no original em inglês, e ainda não está concluída. Esperamos que outros, senão todos, sejam também traduzidos e publicados em português, para benefício de nosso público evangélico e alegria dos que apreciam os escritos de Lloyd-Jones. (JAS)