CARTILHA INFORMATIVA SOBRE: As consequências patrimoniais dos principais regimes de bens quando da morte de um dos cônjuges. Material produzido por Felipe Pereira Maciel, advogado inscrito na OAB/RJ sob o n 202.620 e Bacharel em Direito pela UERJ. Email: felipemaciel@fpmadvocacia.com.br Rio de Janeiro, 23 de novembro de 2016.
Sumário APRESENTAÇÃO... 3 I - INTRODUÇÃO... 4 II - GLOSSÁRIO... 5 III - Divisão de bens com o falecido deixando descendentes... 7 COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS... 7 COMUNHÃO PARCIAL DE BENS... 8 SEPARAÇÃO DE BENS... 10 SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS... 11 IV - Divisão de bens com o falecido NÃO deixando descendentes, mas deixando ascendentes... 12 V - Divisão de bens com o falecido NÃO deixando descendentes e também NÃO deixando ascendentes... 13 VI Conclusão... 14 2
APRESENTAÇÃO O regime de bens, pactuado no casamento, define tanto a partilha dos bens em um divórcio, como também define os bens que irão fazer parte da herança e a devida quota-parte do cônjuge nela. Consequência natural desse fato é a seguinte dúvida: quais são os direitos do cônjuge sobrevivente em relação aos bens do falecido? E se existirem filhos, como é feita essa divisão? Desta forma, o advogado Felipe Pereira Maciel, inscrito na OAB/RJ sob o nº 202.620 e Bacharel pela Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), disponibiliza para leitura a presente cartilha, gratuita e simplificada, buscando assim satisfazer esse questionamento muito comum da sociedade. Frise-se que essa é uma cartilha simplificada de caráter meramente instrutivo e educacional, sendo proibida a sua venda ou veiculação de forma comercial. Por fim, a presente cartilha destina-se a situações de regime de bens no casamento, não comentando sobre situações de união estável. 3
I - INTRODUÇÃO O casamento, ainda que de forma primária trate sobre demonstração de Amor, sendo uma verdadeira manifestação do amor do casal, envolve também questões patrimoniais. Por isso que a escolha do regime de bens é tão especial, pois é ele que irá guiar a divisão do patrimônio, tanto no divórcio quanto no inventário. Assim, de forma simplificada, a cartilha irá ilustrar as consequências patrimoniais dos principais regimes de bens legais quando da morte de um dos cônjuges. 4
II GLOSSÁRIO Inicialmente, para facilitar o entendimento, é vital o conhecimento do significado de alguns termos comuns quando o assunto é inventário, que são: CÔNJUGE SUPÉRSTITE = cônjuge sobrevivente; CÔNJUGE = refere-se ao casamento; COMPANHEIRO(A) = refere-se à união estável; DE CUJUS = cônjuge falecido; REGIME DE BENS = é o estatuto que visa disciplinar as relações patrimoniais entre os cônjuges ou companheiros; ATENÇÃO O regime de bens é obrigatório, tanto no casamento quanto na união estável. Na falta de escolha expressa de um regime, irá prevalecer, por força da lei, o regime de comunhão parcial de bens. MEAÇÃO = divisão do patrimônio comum do casal (metade do patrimônio comum do de cujus com o cônjuge sobrevivente), antes da divisão da herança, devido ao casamento e regulado de acordo com o regime de bens; 5
PATRIMÔNIO COMUM DO CASAL = como o nome já diz, trata-se do patrimônio que pertence a ambos os cônjuges. O alcance desse patrimônio será diferente de acordo com o regime de bens estipulado, como será explicado posteriormente; BENS ADQUIRIDOS ONEROSAMENTE = bens que não foram adquiridos de forma gratuita. Ex: apartamento que foi comprado à vista, carro que foi financiado em várias vezes, etc; BENS PARTICULARES = são os que o falecido recebeu por doação, herança e os bens adquiridos antes do casamento, por exemplo; HERANÇA = é o que sobra do patrimônio do de cujus depois da meação e do pagamento de dívidas. Meação e Herança são duas coisas diferentes. O cônjuge sobrevivente pode ser meeiro e herdeiro, ou apenas meeiro, ou apenas herdeiro, enfim, tudo vai depender do regime de bens; EXEMPLO João, que era casado e tinha filhos, morre. Primeiro se faz a meação (divisão, pela metade, do patrimônio comum do casal), essa divisão que decorre do regime de bens. E, depois, o que restou para o falecido (50% da meação + bens particulares) será identificado como herança. DESCENDENTES = filhos, netos, bisnetos; ASCENDENTES = pais, avós, bisavós. 6
III Divisão de bens com o falecido deixando descendentes DE CUJUS CÔNJUGE SOBREVIVENTE DESCENDENTES COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS a) Patrimônio comum do casal = no regime da comunhão UNIVERSAL de bens, (salvo exceções expressas), todo o patrimônio adquirido antes ou durante o casamento, de forma gratuita ou onerosa, é comum. Ou seja, tudo pertence aos dois; b) Bens particulares = Em regra não há bens particulares, pois todos fazem parte da comunhão, contudo o art. 1668, da Lei nº 10.406/2002, estipula as exceções, ou seja, o que não faz parte da comunhão universal e, consequentemente, é um bem particular que fica de fora da comunhão; 7
c) Meação = o cônjuge sobrevivente tem direito a 50% de todo o patrimônio comum do casal acima descrito; d) Herança = os 50% restantes serão divididos somente entre os descendentes, pois no regime UNIVERSAL de bens o cônjuge sobrevivente não tem direito a herança. e) Resumo da comunhão Universal: Meação cônjuge sobrevivente fica com 50% de todo o patrimônio (salvo exceções legais); Herança formada pelos 50% restantes do patrimônio e será dividida entre os descendentes. No regime UNIVERSAL de bens o cônjuge não participa da divisão da herança. COMUNHÃO PARCIAL DE BENS a) Patrimônio comum do casal = no regime da comunhão PARCIAL de bens, em regra, todos os bens adquiridos onerosamente durante casamento, mesmo que apenas um dos cônjuges tenha contribuído financeiramente para a sua aquisição, faz parte do patrimônio comum do casal. No entanto o art. 1.659, da Lei nº 10.406/2002, traz as exceções legais. Nesse regime, os bens particulares e os adquiridos antes do casamento NÃO fazem parte do patrimônio comum do casal. 8
b) Bens particulares = todos os bens adquiridos antes do casamento, como os sub-rogados nesse sentido, os recebidos pelo falecido por herança ou doação, entre outros determinados por lei; c) Meação = o cônjuge sobrevivente tem direito a 50% de todo o patrimônio comum do casal, o que não inclui os bens particulares descritos; d) Herança = no regime PARCIAL de bens será composta pelos 50% restantes do patrimônio comum do casal + os bens particulares. No regime PARCIAL de bens o cônjuge sobrevivente irá concorrer na herança com os descendentes somente quando o cônjuge falecido deixar bens particulares. Resumo da comunhão Parcial: Meação Cônjuge sobrevivente fica com 50% de todo o patrimônio comum do casal (o que não inclui os bens particulares); Herança será composta pelos 50% restantes do patrimônio comum do casal + os bens particulares. No regime PARCIAL o cônjuge sobrevivente irá concorrer na herança, como herdeiro necessário, com os demais herdeiros (descendentes), somente quando o cônjuge falecido deixar bens particulares. 9
SEPARAÇÃO DE BENS a) Patrimônio comum do casal = não existe patrimônio comum do casal, apenas bens particulares; b) Bens particulares = cada bem que um cônjuge adquirir, de forma onerosa ou gratuita, antes ou durante o casamento, faz parte do seu acervo de bens particulares, cabendo a cada um a administração exclusiva, do seu respectivo bem, inclusive aliená-los livremente; podendo c) Meação = não há meação, pois não existe patrimônio comum do casal; d) Herança = todo o patrimônio do de cujus é dividido entre o cônjuge sobrevivente e os descendentes, observando os ditames legais. Resumo da separação de bens: Meação como não existe patrimônio comum do casal, não existe a meação; Herança todo o patrimônio do de cujus é dividido entre o cônjuge sobrevivente, como herdeiro necessário, e os descendentes (demais herdeiros), na forma da lei. 10
SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DE BENS Em algumas situações a lei impõe o regime de separação obrigatória de bens. Por exemplo, como quando um dos cônjuges, ou os dois, conta com mais de 70 anos no momento do casamento. Os casados sob esse regime não possuem direitos aos bens deixados pelo cônjuge falecido. Nem de meação, tampouco de herança. Entretanto, a Súmula 377 do Supremo Tribunal Federal (STF) abre a possibilidade de que o cônjuge sobrevivente, sob esse regime obrigatório, fique com metade do que foi adquirido durante o casamento, ainda que não tenha contribuído para a sua aquisição. Não há unanimidade na aplicação dessa súmula, no caso concreto a decisão vai depender do entendimento do juiz da causa. 11
IV - Divisão de bens com o falecido NÃO deixando descendentes, mas deixando ascendentes. ASCENDENTE (PAI AINDA VIVO DO DE CUJUS) DE CUJUS CÔNJUGE SOBREVIVENTE Na hipótese do falecido não ter descendentes, mas tiver ascendentes vivos, o cônjuge sobrevivente dividirá os bens com eles, observando os preceitos legais. Os ascendentes só IMPORTANTE Quando não houver participam da sucessão, descendentes, apenas ascendentes, o divisão da herança, na cônjuge sobrevivente irá participar da absoluta falta de herança, independentemente do seu descendentes. regime de bens! Os impedimentos vistos anteriormente só existem na concorrência Insta salientar que, do cônjuge com os descendentes. nessa situação, irá ser aplicada a regra da proximidade, onde o grau mais próximo retira da sucessão o grau mais afastado. Em outras palavras, caso a mãe 12
(parente de 1 grau) do falecido esteja viva, o avô paterno (2 grau) não irá participar da sucessão. V - Divisão de bens com o falecido NÃO deixando descendentes e também NÃO deixando ascendentes. DE CUJUS CÔNJUGE SOBREVIVENTE Se o falecido não tiver descendentes ou ascendentes, o cônjuge sobrevivente herdará todo o patrimônio, seja qual for o regime de bens. ATENÇÃO Em hipótese alguma o Cônjuge Sobrevivente partilha a Herança com os Colaterais (irmãos, sobrinhos e tios) do De Cujus. 13
VI Conclusão O Direito nada mais é do que uma ferramenta para a sociedade alcançar a paz social e também, consequentemente, para o cidadão obter à Justiça que necessita. Dessa forma, o Direito não pode ser algo estrangeiro ao cidadão, ao contrário, deve ser algo cada vez mais comum ao seu rol de conhecimentos. Espero ter atingido o meu intento com essa cartilha, qual seja, ter contribuído para a proliferação, de forma instrutiva e educativa, do conhecimento jurídico. Cordialmente, Felipe Maciel. Material produzido por Felipe Pereira Maciel, advogado inscrito na OAB/RJ sob o n 202.620 e Bacharel pela Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). E-mail: felipemaciel@fpmadvocacia.com.br 14