CONCEITO NATUREZA DO INQUÉRITO POLICIAL

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Transcrição:

CONCEITO Inquérito Policial é todo o procedimento policial destinado a reunir elementos necessários à apuração da pratica de uma infração penal. É destinado sempre ao Ministério publico ou diretamente ao ofendido (nos casos de ação penal privada). O inquérito policial é um procedimento administrativo informativo destinado a subsidiar a propositura da própria ação penal, constituindo-se em um dos poderes de autodefesa do Estado na esfera de repressão ao crime. NATUREZA DO INQUÉRITO POLICIAL Todas as peças do Inquérito Policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. Art. 9º do CPB. O inquérito policial é uma peça de natureza administrativa, realizada por alguns princípios e regras principais e vigentes no processo penal. Tais princípios visam: a. Legalidade b. Oficialidade c. Impulso Oficial d. Indisponibilidade e. Verdade Real CARACTERÍSTICAS Deve se seguir o princípio da licitude das provas, pois são admissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. O processo é extremamente formal, ou seja, deve seguir todos os ritmos previamente estipulados para sua conclusão.

O inquérito, como o próprio nome diz, é inquisitorial. O indiciado não tem direito ao contraditório, pois não se incrimina ninguém com o inquérito. O inquérito é apenas uma peça informativa que vai auxiliar o promotor de justiça quando da denúncia. Mas, caso o indiciado se recuse a atender o chamado da autoridade policial, a fim de comparecer a delegacia para ser qualificado interrogado, identificado, pode a autoridade determinar-lhe a condução coercitiva, nos termos do art., aplicável também a fase pré- processual. No inquérito utiliza-se o in dubio pro societa (em dúvida, pela sociedade). Já em juízo segue-se o in dubio pro réu (em dúvida, pelo réu). A lei 2.033, de 20/09/1871, foi à primeira regra que estabeleceu normas sobre o inquérito policial. FINALIDADE DO INQUÉRITO POLICIAL A principal finalidade do inquérito policial seria a de servir de base para a própria ação penal a ser promovida pelo Ministério Publico, fornecendo elementos probatórios que possibilitem ao juiz determinar a pena a ser aplicada a cada caso. Assim inquérito policial visa à apuração da existência de infração penal e a respectiva autoria, a fim de que o titular da ação penal exponha de elementos que o autorizem a promovê-la. MODALIDADES DO INQUÉRITO PENAL A. Inquérito Policial RT. 4º do CPP B. Inquérito Administrativo art. 4º, parágrafo único do CPP C. Inquérito Policial Militar D. Inquérito Judicial art. 103 da LF DL 7661 E. Comissão Parlamentar de Inquérito CPI Lei 1579/53 INSTALAÇÃO DO INQUÉRITO A instalação pode se dar quando a própria autoridade instala o inquérito por si só. A materialização do inquérito se dá com a portaria. Também pode ser instalado por requisição do juiz ou do promotor de justiça. Ou por requerimento do ofendido ou representante legal.

DIFERENÇAS ENTRE REQUISIÇÃO E REQUERIMENTO A. REQUISIÇÂO E uma ordem emanada de uma autoridade. Dá-se nos crimes de ação pública. B. REQUERIMENTO É um pedido feito através de comunicação oficial (ofício ou ainda petição). Somente o ofendido ou representante legal pode requerer. Dá-se nos crimes de alçada eminentemente privada e nos crimes de ação pública condicionada. INÍCIO DO INQUÉRITO 1. AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONAL: a) Portaria da autoridade policial; b) Ofício requisitório do Promotor de justiça; c) Ofício requisitório do Juiz de Direito; d) Auto de prisão em flagrante. 2. AÇÃO PENAL PÚBLICA DEPENDENTE DE REPRESENTAÇÃO a) Representação da vítima ou de quem legalmente a represente (quando a representação for dirigida à autoridade policial); b) Ofício requisitório do Promotor ou do Juiz, acompanhado da representação (quando esta for feita àquela autoridade); c) Auto em prisão em flagrante, com as peculiaridades específicas. 3. AÇÃO PENAL PRIVADA a) Mediante requerimento da vítima ou de quem legalmente a represente; b) Auto de prisão em flagrante, com peculiaridades específicas. A ação penal é dita pública, quando o crime tiver relevância no sentido físico da agressão, no sentido patrimonial e moral. Assim, quando o legislador diz que em tal ou qual caso somente se procede mediante queixa, é sinal de que a citada infração é de ação privada. Queixa é, pois, o ato processual através do qual se promove a ação penal privativa. Em se tratando de contravenção, a ação penal é pública.

PROVAS DO INQUÉRITO As provas do inquérito até o oferecimento da denuncia, são tidas como medidas cautelares. Quando existe vestígio do ato criminoso, o Delegado deve pedir o laudo pericial. A prova pericial não vincula o juiz quanto a sua decisão. Dentre as medidas que o Delegado deve tomar ressalta-se a reprodução simulada do crime. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, mas o juiz poderá, no curso da instrução, ou antes, de proferir sentença, determinar, de ofício, diligencia para dirimir dúvida sobre ponto relevante. INSTRUMENTOS DO CRIME Qualquer objeto encontrado deverá ser periciado como, por exemplo, um pedaço de pau, cano, pois podem ter sido utilizados para praticar o crime e neles poderão ser encontrados vestígios. Findo o inquérito, o Delegado deve fazer um RELATÓRIO. O Delegado deve dar um parecer geral do caso. Não deve se preocupar em identificar o caso concreto, nem tão pouco prejudicar o réu. Chega ao Fórum, é abertas vistas ao Promotor. Este pode: 1. DENUNCIAR; 2. REQUERER O ARQUIVAMENTO assim procede quando: a) a autoria é desconhecida; b) o fato é atípico; c) não há prova razoável do fato ou da sua autoria. 3. Pode devolver, requisitado novas diligências imprescindíveis ao oferecimento da denuncia. 4. Requerer a extinção da punibilidade.

O arquivamento do inquérito é função exclusiva do juiz. Contudo, deve se manifestar o promotor pedindo o arquivamento. O juiz só pode arquivar com o pedido. Vai para a Procuradoria Geral de Justiça se não coincidir o entendimento do Juiz e do Promotor. Se a Procuradoria-Geral entender que a razão está com o Promotor, arquiva-se o inquérito e o Juiz é obrigado a atender. Por outro lado, se entender o juiz como certo, a Procuradoria-Geral oferece a denuncia ou designa qualquer membro do PM para oferecê-la, menos o Promotor que requereu o arquivamento, pois não seria justo que violasse a consciência jurídica do Promotor oficiante. ENCERRAMENTO DO INQUERITO POLICIAL Concluída as investigações, deve se fazer minuciosamente um relatório do que tiver sido apurado no inquérito policial. Nesse relatório poderá indicar testemunhas que não tiveram sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas. Quanto às instruções do inquérito policial, a autoridade já deve classificar o delito, ou seja, dar a capitulação ou definição jurídica do ilícito penal praticado, que pode sofrer nova classificação após a conclusão das investigações, face os elementos aí colhidos. Concluído o inquérito policial, será este remetido ao Poder Judiciário competente, onde recebe em despacho ordinatório do juiz. FASES DO INQUÉRITO POLICIAL I. CONHECIMENTO DO FATO: aqui se faz um juízo de admissibilidade quanto à instauração do inquérito policial, dá-se através de registros de ocorrência, representação e requerimento. II. INSTAURAÇÃO: ocorre com a elaboração da Portaria e remessa ao cartório para iniciar. III. DILIGÊNCIAS: constitui na fase mais importante, no qual se refere à instrução do feito e formação de provas. IV. RELATÓRIO: vejam-se os requisitos específicos retro. V. REMESSA: deve ocorrer nos prazos especificados, dá-se, após o relatório, mediante simples despacho da autoridade policial de remessa. VI. ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL: só pode ser arquivado, mediante Autoridade especificar seus motivos.

REGERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS WIKIPEDIA. Inquérito Policial. Janeiro 2012 [acesso em Mar 2012]. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/inqu%c3%a9rito_policial>. WENDT, Emerson. Artigos Jurídicos. Inquérito Policial. [acesso em Mar 2012]. Disponível: < http://www.advogado.adv.br/artigos/2001/emerson/inqpolicial.htm>. ALBERTI, Giovana Zibetti. Jus Navigandi. Inquérito Policial. Julho 2000 [acesso em Mar 2012]. Disponível em: < http://jus.com.br/revista/texto/1048/o-inquerito-policial>.