Aspectos biológicos e emocionais



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Aspectos biológicos e emocionais a. Biologia da reprodução humana Do ponto de vista biológico, o objectivo do sexo é fundir dois grupos de informações genéticas, um da mãe e outro do pai, para formar um bebé que seja geneticamente diferente de seus pais. Ou seja, a espécie humana reproduz-se apenas sexualmente. Apresenta dimorfismo sexual com duas formas: homem e mulher. Ou seja, é gonocórica (dois sexos separados). O principal objectivo do sexo é unir o espermatozóide e o óvulo (fertilização) para formar um bebé. Em répteis e mamíferos (inclusive seres humanos), a fecundação ocorre dentro do corpo da fêmea (fecundação interna). Esta técnica aumenta as hipóteses de sucesso na reprodução. Pelo facto de usarmos fecundação interna, os nossos órgãos sexuais são específicos para este fim. A fecundação externa acontece fora do corpo. Por exemplo, na maioria dos peixes e anfíbios, as fêmeas colocam os óvulos em algum lugar, o macho aproxima-se e solta os espermatozóides b. Características sexuais secundárias As diferenças que facilmente permitem distinguir no adulto o homem e a mulher são definidas como características sexuais secundárias. Contudo, as mudanças físicas possuem características diferentes em cada pessoa, em relação ao momento e à intensidade em que aparecem nas etapas de desenvolvimento. Pois, por detrás, existem factores determinantes que influenciam o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários tais como, factores genéticos, alimentares, ambiente socioeconómico, estado da saúde individual, actividade física, localização geográfica, etc. Masculino Alterações morfológicas e do funcionamento do corpo masculino acontecem de uma forma muita rápida durante a adolescência. Às vezes esse crescimento ocorre de forma desarmoniosa, ou seja, desproporcional, o que pode levar a alterações da forma como os adolescentes percepcionam o seu corpo e, em muitos casos, acharem que não são normais, que possuem alguma deformação. Nos homens o nariz e o queixo tornam-se mais ossudos (angulosos) e quadrados. Os braços, as pernas e os pés crescem de uma forma desproporcional ao resto do corpo, pois ocorre um rápido crescimento desses membros. Os ombros e o peito alargam (a tal famosa expressão ganhar músculo ) e começam a engrossar os pêlos no peito, nos braços, nas pernas e, por vezes, nas costas. É de salientar que a lenda popular que utilizar Creme Nívea para estimular o surgimento dos pêlos faciais é completamente falsa. Surgem pêlos em volta do pénis e nos

testículos (pêlos púbicos), mas também nas nádegas e nas axilas. O pénis fica mais volumoso e a pele do escroto escurece, aumentando de comprimento e de diâmetro. Os testículos aumentam e em alguns casos um testículo, fica ligeiramente maior que o outro. Estes igualmente dão inicio à produção de espermatozóides. Quanto aos mamilos, em alguns casos incham. Relativamente à voz, surgem alterações e se torna mais grave. Nesta altura, a Maça de Adão (osso situado na zona da traqueia) fica mais saliente, contudo há homens em que não ocorre alterações nesse osso e por isso não se verifica, mas não quer dizer que não o tenha. Ao nível dos órgãos sexuais e do sistema reprodutor, libertam-se os primeiros espermatozóides, surge a primeira ejaculação e já existe a capacidade de procriar. Durante esta época as glândulas sudoríparas são activadas e aumenta a transpiração em todo o corpo e o cheiro torna-se mais intenso, especialmente nos órgãos genitais e nos pés. Por último, as glândulas sebáceas começam a produzir sebo (gordura) e acne, dando origem às espinhas e aos frúnculos, especialmente no couro cabeludo, na cara, pescoço e nas costas. É de salientar, que para esta última parte, mas também para as questões de odor, existem tratamentos médicos muito eficazes e de baixo custo. A maioria dos Centros de Saúde dispõem de dermatologistas (médicos especialistas em doenças da pele e do cabelo), ou então, o médico de família poderá ter a resposta para este problema ou então recomendar um especialista nos Hospitais Centrais. O homem tem dois órgãos sexuais perceptíveis, os testículos e o pénis. Os testículos são os principais órgãos sexuais masculinos e eles produzem espermatozóides e testosterona. O espermatozóide é a célula sexual masculina (gameta). Testosterona é a hormona responsável pelas características sexuais secundárias masculinas, como pêlos faciais e pubianos, cordas vocais grossas e músculos desenvolvidos. Os testículos ficam na parte externa da região principal do corpo masculino, numa bolsa chamada de escroto. Esta localização é importante, porque para os espermatozóides se desenvolverem correctamente eles devem ficar a uma temperatura um pouco mais baixa (entre 35 e 36ºC) do que a temperatura normal do corpo (36,5ºC). O espermatozóide imaturo vai dos testículos até a um tubo em espiral na superfície externa de cada um, chamado de epidídimo, onde amadurece (aproximadamente 20 dias). O pénis é feito de tecido macio e esponjoso. Quando cheio de sangue durante a excitação e na relação sexual, o tecido esponjoso endurece e faz com ele fique erecto, o que é importante para sua principal função: colocar o espermatozóide dentro da mulher.

Conforme dito antes, os espermatozóides são produzidos nos testículos. Durante a relação sexual, os músculos lisos contraem-se e lançam espermatozóides maduros da extremidade do epidídimo através de um tubo longo (canal ou ducto deferente) localizado dentro do corpo, bem abaixo da bexiga. A partir daí, os espermatozóides misturam-se com os fluidos cheios de nutrientes da vesícula seminal e uma secreção leitosa da próstata. A combinação de espermatozóides e fluidos é chamada de sémen. O sémen faz três coisas: i. Proporciona um ambiente aquoso no qual os espermatozóides podem nadar quando saem do corpo; ii. iii. Fornece nutrientes para os espermatozóides (frutose, aminoácidos, vitamina C); Protege os espermatozóides, neutralizando os ácidos presentes nos órgãos sexuais femininos. Uma vez que o sémen é produzido, ele passa por outro tubo (uretra) dentro do pénis, saindo do corpo através da abertura do pénis. Um último órgão masculino é um conjunto bem pequeno de glândulas, do tamanho de ervilhas, localizadas dentro do corpo, na base do pénis, chamadas de glândulas bulbouretrais Durante a excitação sexual, um pouquinho antes da ejecção do esperma (ejaculação), as glândulas bulbouretrais soltam uma quantidade minúscula de líquido que neutraliza qualquer sinal de acidez provocada pela urina que possa ter ficado na uretra. Acredita-se também que estas secreções servem para lubrificar o pénis e os órgãos sexuais femininos durante a relação sexual. Feminino Nas mulheres, Órgão Sexual Masculino assim como nos homens, na adolescência ocorrem diversas transformações morfológicas e do funcionamento do corpo. Embora os caracteres sexuais secundários femininos, que se desenvolvem a partir da puberdade sejam muito numerosos, um dos mais evidentes é o desenvolvimento dos seios. Porém, existem outros igualmente típicos, nomeadamente os relacionados com a pele e os seus constituintes. Pois, inicia-se o aparecimento do acne mas também, começa-se a desenvolver uma cútis mais suave, um cabelo mais abundante e sedoso que apresenta uma linha de implantação circular na extremidade superior da fronte. Em relação aos homens, possuem muito menos quantidade e espessura de pêlos no corpo e na

face e, crescem os pêlos nos órgãos genitais (adoptam uma forma triangular com uma linha recta ao nível da extremidade superior da púbis) nas axilas, virilhas, etc. Existem igualmente diferenças evidentes no aspecto geral do corpo, provocadas pelo diferente grau de desenvolvimento dos ossos e dos músculos. Pois, apesar do desenvolvimento típico desta fase, a mulher tem, em média, uma altura inferior à do homem, uma musculatura menos desenvolvida e um esqueleto mais ligeiro, com os ombros e as costas mais estreitas. Contudo, as ancas desenvolvem-se e alargam, de modo a preparar a pélvis para eventuais partos. É igualmente perceptível uma diferente distribuição dos depósitos de gordura subcutânea, que têm a tendência para arredondarem as formas do corpo da mulher ao acumularem-se, especialmente nas ancas e nas coxas, mas também nos seios. Dado que a laringe não passa pelas alterações provocadas pelas hormonas sexuais masculinas no homem, o tom de voz da mulher é mais agudo. Por fim, existe uma maior produção da hormona estrogénio e progesterona e, é nesta fase que surge a menarca assim como a sua estabilização mensal. Assim sendo, todos os órgãos sexuais femininos - excepto a vulva - estão localizados dentro do corpo. A vulva consiste em dois conjuntos de pele dobrada (grandes lábios, pequenos lábios) que cobrem a abertura dos órgãos sexuais femininos e uma pequena saliência de tecido sensível e eréctil (clítoris), que é o que restou do pénis fetal. Existem dois ovários, que são os maiores órgãos sexuais femininos, o equivalente aos testículos. Os ovários, localizados no abdómen, produzem os óvulos, ou ovócitos, que são os gâmetas femininos e produzem estrogénio, a hormona sexual feminina. O estrogénio é responsável pelas características sexuais secundárias femininas, como pêlos púbicos, desenvolvimento dos seios, alargamento da bacia e depósito de gordura na anca e coxas. Estes desenvolvem-se dentro do ovário e são libertados pela ovulação dentro de uma espécie de tubo (o oviduto ou trompas de Falópio) revestido de projecções parecidas com dedos. Os óvulos passam pelas trompas de Falópio, onde ocorre a fecundação, indo para uma câmara de músculos chamada de útero. O útero é um órgão muito musculado revestido internamente por uma mucosa muito vascularizada (muito sangue) - o endométrio. Esta mucosa uterina sofre transformações ao longo do ciclo, com a função de criar condições óptimas para que o óvulo fecundado se albergue no endométrio, e aí se desenvolva o embrião e, posteriormente, o feto ao longo dos 9 meses. As transformações que ocorrem no endométrio podem ser agrupadas em três fases: fase menstrual, fase proliferativa e fase de secreção.

Órgão Sexual Feminino Fase Menstrual (ocorre do 1º ao 5º dia) - Quando não há fecundação a parede do útero desagrega-se se sendo destruída cerca de 4/5 mm da sua espessura. Os fragmentos de tecido e sangue provenientes dos vasos s que irrigam a parede do útero são libertados constituindo a menstruação.. A menstruação traduz-se numa hemorragia e marca o início de todo o ciclo sexual feminino e, por isso, quando aparece a menstruação deve-se contar esse dia como sendo o primeiro dia, não só do ciclo uterino mas de todo o ciclo sexual. A menstruação é uma característica única na mulher. A vagina conecta o útero ao exterior do corpo, e a sua abertura é coberta pelos grandes lábios. Recebe o pénis durante a relação sexual e é por onde sai o bebé durante o nascimento. É normalmente estreita (excepto ao redor do cérvix), mas dilata durante a relação sexual e o parto. Por último, dois conjuntos os de glândulas, a glândula vestibular maior e a glândula vestibular menor, estão localizadas em ambos os lados da vagina e drenam a sua secreção nos grandes lábios. As secreções destas glândulas lubrificam as dobras labiais durante a excitação e a relação sexual. Fase Proliferativa (ocorre do 6º ao 14º dia) - após a menstruação a mucosa uterina é reconstituída, em que os vasos sanguíneos e tecidos são reconstituídos, passando de 1 a 5 mm de espessura. Fase de Secreção (ocorre do 15º ao 28º dia) - O endométrio enriquece-se de glândulas e vasos sanguíneos. As glândulas produzem um muco que é particularmente abundante na ovulação. Deste modo, o útero está pronto para receber e alojar nesta camada fofa e esponjosa um embrião. Caso não tenha ocorrido uma fecundação esta camada degenera, iniciando-se assim um novo ciclo com a fase menstrual. Relação entre os Ciclos Ovárico e Uterino

Existe uma estreita relação entre o ciclo do ovário e o uterino. Efectivamente, sem ovários não há ciclo uterino. Com ovários reimplantados, em qualquer parte do corpo, o ciclo reiniciase. Isto acontece porque o ovário actua sobre o útero através de hormonas que lança no sangue, não sendo por isso determinante a sua localização. Estas hormonas ováricas - estrogénios e progesterona - actuam no útero comandando as transformações do endométrio, ou seja, o ciclo uterino. Durante a fase folicular os estrogénios, produzidos em quantidade crescente pelo folículo em desenvolvimento, estimulam o crescimento da mucosa uterina, o que corresponde à fase reparativa ou proliferativa. Após a ovulação, durante a fase do corpo amarelo, este produz principalmente progesterona mas também estrogénios. Estas hormonas, ao chegarem ao endométrio, provocam o seu crescimento e aumentam a sua complexidade, isto é, determinam o início da fase de secreção. Se não houver fecundação, o corpo amarelo degenera, deixando de produzir estrogénios e progesterona. A diminuição destas hormonas ováricas faz degenerar o endométrio, ocorrendo a fase menstrual. Tal como foi afirmado anteriormente, a menstruação é uma característica única na mulher. A primeira menstruação tem o nome de menarca e aparece entre os 12 e os 13 anos, paralelamente com o desenvolvimento dos botões mamários, dos pêlos púbicos, ganho de peso, desenvolvimento das ancas, das coxas e das nádegas. Ou seja, dá-se a maturação sexual nas mulheres, que ocorre mais cedo do que nos homens. Por outras palavras, a mulher está preparada fisiologicamente para reproduzir. Contudo, devido ao surgimento da cultura dos adolescentes, no séc. XX, verificamos que a maturação psicológica e emocional é adiada, pela sociedade actual, e levando a existir um desfasamento entre maturação fisiológica e maturação psicológica. Esta diferença leva em alguns casos à doença mental (ex. toxicodependência, depressão, perturbações do comportamento alimentar, tais como anorexia e bulimia e perturbações da personalidade). A menarca deve ser vista como algo positivo, como um sinal de mudança e desenvolvimento pessoal, que deve ser valorizado e que confere mais estatuto à menina que se tornou mulher. Deixou de fazer parte de um grupo, grupo das meninas, e agora pertence ao grupo dos mais crescidos e com maiores capacidades de socialização.

Reprodução e crescimento c. Formação das células sexuais Depois da fecundação do óvulo, temos dois conjuntos de órgãos: um que pode desenvolver-se e dar origem aos órgãos sexuais femininos e outro que pode desenvolver-se e dar origem aos órgãos sexuais masculinos. O tipo de órgão sexual a ser desenvolvido depende da presença da testosterona, pois na verdade o protótipo de ser humano é o feminino, ou seja, é mais fácil a natureza produzir um ser feminino de que masculino: Se o embrião for masculino (cromossomas XY), a testosterona estimula a desenvolver os órgãos sexuais masculinos; Se o embrião for feminino (cromossomas XX), não há efeito de testosterona. (As mulheres produzem testosterona. A diferença é que é em muito menor grau do que os homens) Se o embrião for masculino (XY), mas houver algum defeito que não permita a produção de testosterona, pode ocorrer a transformação em órgãos sexuais femininos inactivos. Neste caso, tem-se o intersexo, ou sexo intermediário. São muitos os tipos de intersexo, e são subdivididos de acordo com o genótipo e o fenótipo que apresentam, e o funcionamento ou não da glândula sexual. O desenvolvimento dos órgãos sexuais ocorre até o terceiro mês de desenvolvimento. (É nesta altura que o sexo é definido. Até aqui, não há órgãos sexuais.) A partir da puberdade, o homem produz células sexuais (na forma de espermatozóides) continuamente. Em contrapartida, assim que uma mulher nasce, ela já produziu todos os óvulos que deveria produzir para toda a vida. Quando chega à puberdade, os óvulos começam a desenvolver-se e são libertados. Este processo é contínuo até à menopausa. Em homens e mulheres, a produção de células sexuais envolve meiose, um tipo de divisão celular onde os nossos dois grupos de instruções genéticas são reduzidos a um único grupo para a célula sexual. (Podes falar da meiose e mitose quando se funda o espermatozóide e o óvulo) Cada célula no nosso corpo contém um conjunto de cromossomas da nossa mãe (XX) e do nosso pai (XY). Quando o corpo produz células sexuais (espermatozóides ou óvulos), ele deve reduzir o número de cromossomas pela metade para entrar nas células sexuais. Para fazer isso, ele combina aleatoriamente cromossomas de ambos os grupos em uma divisão celular e redu-los à metade em outra. Portanto, cada espermatozóide ou óvulo que nosso corpo produz é único e diferente, com uma combinação

diferente dos genes dos nossos pais. É por isso que dois irmãos na mesma família podem parecer e agir de forma totalmente diferente um do outro, mesmo vindo dos mesmos pais - tudo depende de quais os genes (cromossomas) foram escolhidos na produção das células sexuais da mãe e do pai. b. Regulação endócrina Dois outros órgãos são importantes para as funções sexuais em homens e mulheres: O hipotálamo, consiste em células nervosas que libertam uma hormona chamada de hormona libertadora de gonadotrofina (GnRH) nos vasos sanguíneos que levam à glândula hipófise; A glândula hipófise fica logo abaixo do cérebro - a hormona libertadora de gonadotrofina faz com que as células pituitárias libertem duas hormonas, hormona luteinizante (LH) e hormona folículo-estimulante (FSH), na circulação sanguínea. LH e FSH agem nos testículos/ovários para estimular a produção e o amadurecimento das células sexuais e a produção de hormonas sexuais (testosterona, estrogénio, progesterona). A cada 90 minutos, as células nervosas libertam pequenas quantidades de GnRH, fazendo com que a hipófise liberte pequenas quantidades de LH e FSH. As hormonas sexuais dos testículos/ovários comunicam com o hipotálamo e a glândula hipófise para regular a secreção de GnRH, LH e FSH. Esta interacção é chamada de sistema de retroalimentação negativa (feedback negativo). A interacção química entre o hipotálamo, a glândula hipófise e os testículos/ovários é importante para o desenvolvimento sexual, mantendo o funcionamento sexual e a reprodução. Um erro nesta interacção química pode ser a causa da infertilidade. A testosterona é uma hormona masculina que é produzida no organismo humano, tanto no homem como na mulher. Na produção da testosterona o colesterol tem um papel importante e há várias possibilidades de diferentes vias de produção da testosterona a partir deste. A testosterona é responsável pelo desenvolvimento e manutenção das características masculinas normais, sendo também importante para a função sexual normal e o desempenho sexual. Apesar de ser encontrada em ambos os sexos, em média, o organismo de um adulto do sexo masculino produz cerca de vinte a trinta vezes mais a quantidade de testosterona que o organismo de um adulto do sexo feminino, tendo assim um papel determinante na diferenciação dos sexos na espécie humana. As duas hormonas ovarianas, o estrogénio e a progesterona, são responsáveis pelo desenvolvimento sexual da mulher e pelo ciclo menstrual. Estas hormonas, como as hormonas adrenocorticais e a hormona masculino testosterona, são ambos

compostos esteróides, formados, principalmente, de um lipídio (colesterol). Os estrogénios são, realmente, várias hormonas diferentes chamados de estradiol, estriol e estrona, mas que têm funções idênticas e estruturas químicas muito semelhantes. Por esse motivo, são considerados num todo, como uma única hormona. c. Concepção Fecundação A longa jornada até à fecundação pode durar de 12 a 48 horas (pode durar até 48 horas. O espermatozóide mantém-se vivo no útero até um máximo de 48 horas, enquanto que o óvulo a ser fecundado somente 24 horas), antes que os espermatozóides morram. Eles têm que atravessar a barreira da cérvix, que vai estar fluida e aquosa se a mulher tiver acabado de ovular (consideraremos que a relação ocorreu algumas horas após a ovulação). Uma vez que os espermatozóides atravessaram o muco cervical, eles sobem pela superfície interna do útero até às trompas de Falópio (apenas uma das trompas contém um óvulo - muitos espermatozóides vão para o lugar errado). Menos de mil espermatozóides, entre milhões, conseguem chegar até às trompas. Muitos espermatozóides ficam ao redor do óvulo na trompa. A cabeça de cada espermatozóide (acrossomo) liberta enzimas que começam a quebrar a camada gelatinosa externa da membrana do óvulo, tentando penetrar nele. Assim que um único espermatozóide penetra, a membrana muda as suas características eléctricas (despolariza-se). Esse sinal eléctrico faz com que pequenas bolsas logo abaixo da membrana (grânulos corticais) joguem seu conteúdo no espaço que rodeia o óvulo. Este conteúdo incha, empurrando os outros espermatozóides para longe do óvulo (reacção cortical). Os outros espermatozóides morrem em 48 horas. A reacção cortical assegura que apenas um espermatozóide fecunde o óvulo. O ovo fecundado é agora chamado de zigoto. A despolarização causada pela penetração do espermatozóide resulta em um último ciclo de divisão no núcleo do óvulo, formando um pró-núcleo contendo apenas um grupo de informação genética. Os pró-núcleos de um óvulo misturam-se com o núcleo de um espermatozóide. Assim que dois pró-núcleos se unem, dá-se o início da divisão celular. O zigoto em divisão é empurrado pela trompa de Falópio. Até mais ou menos quatro dias após a fecundação, o zigoto tem aproximadamente 100 células e é chamado de blástula ou blastocisto. Quando a blástula chega à parede interna do útero, flutua por uns dois dias e finalmente implanta-se na parede uterina até ao sexto dia após a fecundação. Agora que está nesta posição, ele

liberta gonadotrofina coriónica, que sinaliza que uma gravidez se inicia. A blástula continua a se desenvolver no útero por nove meses. Conforme o bebe vai crescendo, o útero dilata-se até ao tamanho de uma bola de futebol, mas de forma oval. Às vezes, dois folículos dominantes desenvolvem óvulos e ovulam. Se ambos forem fecundados e então implantados no útero, dois embriões se desenvolvem: são gémeos. Pelo facto de se desenvolver a partir de óvulos separados que foram fecundados por espermatozóides diferentes, são chamados de gémeos fraternos (Vulgos gémeos falsos). Gémeos fraternos não dividem mais informações genéticas do que irmãos que nasceram separadamente. Além disso, as duas células filhas que permanecem após um óvulo fecundado ter passado pela primeira divisão podem separar-se e dividirem-se independentemente. Quando isso acontece, elas permanecem ligadas livremente na trompa de Falópio, e as duas blástulas fixam-se na parede uterina. Elas desenvolvem-se como dois embriões separados. Pelo facto desses embriões terem vindo do mesmo óvulo fecundado, dividem material genético idêntico e são chamados de gémeos idênticos (ou univitelinos).