TERMO DE AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA

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Transcrição:

TERMO DE AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA 1 Auto de Prisão em Flagrante n.º 7692-82.2016.811.0042 Código 431852 Autuado: MARCOS CESAR MARTINS CAMPOS. Presentes: Marcos Faleiros da Silva, Juiz de Direito; José Norberto de Medeiros Junior, Promotor de Justiça; Rodrigo Leite da Costa, Advogado Constituído OAB/MT n.º 20362/0, e o autuado Marcos Cesar Martins Campos. Aos 27 de março de 2016, na sala de Audiências de Custódia do Fórum da Comarca de Cuiabá/MT, Estado de Mato Grosso, sob a presidência do MM. Juiz de Direito Dr. Marcos Faleiros da Silva. Nos termos da Resolução nº. 9/2015/TP do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, com fundamento no artigo 5º, inciso XXXV da CF (Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição) e Art. 7º, item 5, da Convenção Americana de Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), promulgada por meio do Decreto Presidencial nº. 678, de 06 de novembro de 1992, o MM Juiz de Direito declarou aberta a presente AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA, com a apresentação do Autuado, que teve a prévia oportunidade de entrevista reservada com seu Defensor constituído, passando a qualificá-lo: Qual seu nome? MARCOS CESAR MARTINS CAMPOS. Cumpridas as formalidades legais e apregoadas as partes, o MM. Juiz de Direito passou a proferir perguntas relacionadas às circunstâncias da prisão (fumus comissi delicti e periculum libertatis), vinculadas à análise das providências cautelares, conforme mídia audiovisual que segue em anexo. Em seguida o MM Juiz de Direito concedeu a palavra ao Ministério Público para manifestar quanto a regularidade da prisão, bem como acerca das hipóteses previstas

no artigo 310 e/ou art. 319, ambos do Código de Processo Penal, pugnando pela homologação do auto de prisão em flagrante, bem como pela concessão de liberdade provisória, com medidas protetivas, conforme termos gravados em mídia audiovisual. 2 Concedeu-se a palavra à Defesa que requereu a liberdade provisória, conforme termos gravados em mídia audiovisual. Em seguida, o MM Juiz de Direito passou a proferir decisão, em mídia audiovisual, passando a transcrever o teor da decisão: Vistos, etc. Trata-se de auto de prisão em flagrante de MARCOS CESAR MARTINS CAMPOS, autuado pela prática do crime previsto no art. 129, 9º do Código Penal c/c Lei 11.340/06, pelos fatos e circunstâncias narradas no Boletim de Ocorrência e nota de culpa. No âmbito da ciência do flagrante, nos termos do disposto no art. 310 do CPP (com a nova redação da Lei n.º 12.403/11), passo a decidir. Nos termos do Provimento n.º 14/2015, do Presidente do Conselho da Magistratura do E. Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o autuado foi entrevistado, advindo as manifestações do Ministério Público e da Defesa. Primeiramente, deve ser salientado que a prisão em flagrante está material e formalmente em ordem, não havendo que se falar em relaxamento. Em cognição sumária, da análise dos elementos informativos existentes nos autos, verifica-se que há prova da materialidade delitiva e indícios suficientes de autoria delitiva, consoante se infere dos depoimentos dos policiais militares, bem como o termo de declarações da vítima Camila Campagnoli Tagliari. De outra feita, não se verifica a necessidade da manutenção da segregação cautelar do autuado. O artigo 310, caput e parágrafo único do Código de Processo Penal dispõe que não ocorrendo quaisquer das hipóteses autorizadoras da prisão preventiva, a liberdade provisória é possível de ser concedida. No presente caso, nenhuma das hipóteses que autorizam a custódia preventiva se fazem presentes. Com efeito, em contato telefônico com a vítima, durante a audiência, esta relatou que o indiciado a agrediu fisicamente na frente de sua filha, porém não a ameaçou de morte. O caso foi muito grave, a vítima ficou muito machucada e a filha dela

presenciou toda essa situação de violência doméstica, sendo que ela relatou que está com bastante medo do indiciado. 3 A vítima relatou também que já tiveram outras discussões anteriores, mas nada de grave, que foi um surto dele. Vê-se assim que foi um ato isolado na vida do flagrado, sendo ele primário, não responde a nenhuma ação penal, tem ocupação lícita. Muito embora os crimes derivados de violência doméstica possam causar desassossego social, o delito, por si só, não é ação suficiente a fundamentar os requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal, impondo-se, pois, o cotejo entre o poder-dever de punir do estado e o ius libertatis do indigitado no caso concreto. O magistrado não pode agir com espírito de vingança, nesse sentido, analisados as provas produzidas nos autos, não restou demonstrado a ameaça à ordem pública, conveniência da instrução criminal e aplicação da lei penal. Registra-se ainda, que deve-se levar em consideração que, no caso em comento, os delitos imputados ao flagranteado, quais sejam, lesões corporais e ameaça, possuem pena de detenção e brando apenamento, e não incidiriam em uma eventual condenação a ser cumprida em regime fechado. Observo, assim, que manter ele custodiado provisoriamente caracteriza medida mais gravosa do que a pena em concreto imposta pelo tipo penal que será indicado na denúncia. Todavia, para preservar a integridade física e psíquica da vítima e da sua filha medidas alternativas a prisão cautelar se fazem necessário, até para prevenir e desestimular novas condutas criminosas por parte do indiciado. Diante do exposto, CONCEDO LIBERDADE PROVISÓRIA nos termos do artigo 310, inciso II do Código de Processo Penal ao autuado MARCOS CESAR MARTINS CAMPOS. Todavia aplico-lhe as seguintes medidas cautelares: 1) Afastamento do lar (devendo apresentar endereço diverso da vítima); 2) Monitoração eletrônica, com entrega de botão de pânico para a vítima e sua filha (um para cada), não poderá retirar ou deixar que alguém retire a tornozeleira; deverá carregar a bateria todos os dias por 3 (três) horas consecutivas; deverá zelar pela conservação do aparelho não podendo queimar, quebrar, abrir, forçar ou inutilizar a tornozeleira ou qualquer um dos equipamentos que a acompanham; deverá zelar para que terceiro não o

danifique). Em caso de descumprimento, o sistema de monitoramento deverá comunicar ao Juízo da causa. 4 3) Proibição de manter contato com a vítima e com a filha dela por qualquer meio (celular; redes sociais; telefone; whatsap; entre outros); 4) Proibição de se aproximar (em qualquer hipótese) da vítima e da filha dela, não podendo procura-lás na residência delas, na escola da adolescente ou no local de trabalho da vítima (edífico To Tower, localizado à avendia do CPA), bem como deve manter uma distância de 500 (quinhentos) metros delas. Fixo, ainda, o compromisso de comparecer a todos os atos do processo, não se ausentar da Comarca por período superior a 07 (sete) dias, e, tampouco, mudar de endereço, sem aviso prévio e autorização do Juízo da causa. Expeça-se o competente ALVARÁ DE SOLTURA, devendo o flagrado ser, imediatamente, colocado em liberdade, salvo se por outro motivo estiver preso. Intime-se a vítima acerca do inteiro teor da presente decisão, nos termos do art. 21 da Lei n.º 11.340/2006. Saem os presentes devidamente intimados e o autuado cientificado das medidas cautelares e obrigações acima fixadas e inclusive advertido das consequências de seu descumprimento. Após, cientificado da concessão de liberdade provisória com as medidas cautelares impostas, pelo autuado, foi dito estar ciente das consequências do não atendimento das exigências legais, comprometendo-se a comparecer em Juízo, ou fora dele, sempre que intimado. Não havendo óbice na utilização de sistema de gravação audiovisual em audiência, todas as ocorrências, manifestações, declarações entrevistas foram captados em áudio e vídeo, conforme CD identificado, [anexado e autenticado pelos presentes neste termo]. Nada mais. Eu, Luciano Vítor S. B. da Silva (Assessor de Gabinete I), digitei. Marcos Faleiros da Silva Juiz de Direito José Norberto de Medeiros Junior Promotor de Justiça

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