TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO VIGÉSIMA SEXTA CÂMARA CÍVEL/CONSUMIDOR AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0003412-46.2014.8.19.0000 JUÍZO DE ORIGEM: VARA ÚNICA DA COMARCA DE IGUABA GRANDE AGRAVANTE: ELISABETE GUIMARÃES TEIXEIRA AGRAVADO: UNIMED LESTE FLUMINENSE RELATORA: DESEMBARGADORA MYRIAM MEDEIROS DA FONSECA COSTA AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C REVISIONAL. AUMENTO EXORBITANTE DA MENSALIDADE DO PLANO DE SAÚDE DA AUTORA. DECISÃO QUE INDEFERIU A ANTECIPAÇÃO DE TUTELA QUE DEVE SER REFORMADA, EIS QUE CONTRÁRIA À PROVA DOS AUTOS. MENSALIDADE QUE FOI REAJUSTADA EM MAIS DE 50% APÓS A AUTORA COMPLETAR 59 ANOS DE IDADE. VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES DA AGRAVANTE. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO 3º DO ART. 15, DO ESTATUTO DO IDOSO. VEDAÇÃO DE REAJUSTE EM RAZÃO DE MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. RECEIO DE DANO IRREPARÁVEL OU DE DIFÍCIL REPARAÇÃO. POSSIBILIDADE DE REVERSIBILIDADE DO PROVIMENTO JUDICIAL, PODENDO A AGRAVADA, EM CASO DE EVENTUAL IMPROCEDÊNCIA (7) Agravo de Instrumento nº 0003412-46.2014.8.19.0000 1
DO PEDIDO, EFETUAR AS COBRANÇAS DAS DIFERENÇAS DE MENSALIDADE. PROVIMENTO DO RECURSO. DECISÃO MONOCRÁTICA Trata-se de agravo de instrumento contra decisão proferida pela Vara Única da Comarca de Iguaba Grande, nos autos da ação de obrigação de fazer c/c revisional, em que a autora alega que a ré reajustou a mensalidade de seu plano de saúde além dos limites permitidos pela ANS após completar 59 anos de idade, passando de R$478,56, em outubro de 2013, para R$955,21, no mês seguinte. O Juízo a quo indeferiu o pedido de antecipação de tutela para determinar que a ré emitisse boleto com o valor da mensalidade no valor de R$478,56, a fim de possibilitar o respectivo pagamento pela autora, por entender que há necessidade de dilação probatória. Sustenta a agravante que não possui recursos financeiros para arcar com as mensalidades do plano de saúde, diante do aumento abusivo perpetrado pela ré. É o relatório. Passo a decidir. Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso. Ab initio, cumpre lembrar que a tutela jurisdicional antecipada permite a produção de algum ou de alguns dos efeitos da sentença de (7) Agravo de Instrumento nº 0003412-46.2014.8.19.0000 2
procedência do pedido do autor, desde o início do processo ou desde o momento em que o Juiz se convença da probabilidade de existência do direito afirmado, devendo, para sua concessão, haver o fundado receio de dano grave, de difícil ou impossível reparação, ou o abuso do direito de defesa por parte do demandado (art. 273, I e II do CPC). De todo modo, cabe ao Juiz, segundo o seu prudente arbítrio, analisar se presentes ou não os pressupostos para a sua concessão, só devendo tal decisão ser reformada pelo Juízo ad quem se restar evidenciado que a mesma é teratológica, contrária à lei ou à evidente prova dos autos, consoante entendimento consagrado pela súmula 59 deste Egrégio Tribunal de Justiça, devendo esta ser aplicada ao caso sub judice, vez que as provas constantes dos autos são suficientes para demonstrar a verossimilhança das alegações. Senão, vejamos: em outubro de 2013, a autora pagava o valor de R$478,56 pelo plano de saúde. Já no mês seguinte, a ré passou a cobrar R$955,21. Verifica-se que, coincidentemente, no dia 10/10/2013 a autora completou 59 anos de idade, pelo que se presume que o aumento foi em decorrência de aumento de faixa etária (fls. 12 indexador 00001). Diante disso, a decisão que indeferiu a antecipação dos efeitos da tutela merece reforma, em razão do disposto no parágrafo 3º do art. 15, do Estatuto do Idoso, que veda o referido reajuste. Há de se ressaltar que não existe perigo de irreversibilidade da medida concedida, tendo em vista que, em caso de eventual improcedência do pedido, poderá a agravada proceder à cobrança das diferenças de mensalidade. (7) Agravo de Instrumento nº 0003412-46.2014.8.19.0000 3
Nesse sentido, confira-se a jurisprudência deste E. Tribunal: 0067720-28.2013.8.19.0000 - AGRAVO DE INSTRUMENTO 1ª Ementa DES. PETERSON BARROSO SIMAO - Julgamento: 18/12/2013 - VIGESIMA QUARTA CAMARA CIVEL CONSUMIDOR AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE REVISÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS C/C REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE DE MENSALIDADE POR MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA ACIMA DE 60 ANOS. IMPOSSIBILIDADE. DIREITO DO CONSUMIDOR. ABUSIVIDADE DA CLÁUSULA QUE IMPÕE AO CONSUMIDOR DESVANTAGEM EXAGERADA. PROTEÇÃO DO IDOSO PELA LEI Nº 10.741/2003 ESTATUTO DO IDOSO CONTRA A DISCRIMINAÇÃO ATRAVÉS DE COBRANÇA DE VALORES DIFERENCIADOS. APLICABILIDADE IMEDIATA DO ESTATUTO DO IDOSO. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE DESTE TRIBUNAL NO SENTIDO DA ABUSIVIDADE DO AUMENTO POR FAIXA ETÁRIA. PROVA INEQUÍVOCA E VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES DO AGRAVADO. RECEIO DE DANO IRREPARÁVEL OU DE DIFÍCIL REPARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE IRREVERSIBILIDADE DO PROVIMENTO ANTECIPATÓRIO. APLICAÇÃO DE MULTA PELO DESCUMPRIMEO. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO. 0059591-34.2013.8.19.0000 - AGRAVO DE INSTRUMENTO 1ª Ementa DES. FLAVIO MARCELO DE A.HORTA FERNANDES - Julgamento: 01/11/2013 - VIGESIMA QUARTA CAMARA CIVEL CONSUMIDOR (7) Agravo de Instrumento nº 0003412-46.2014.8.19.0000 4
AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO REVISIONAL. PLANO DE SAÚDE. ESTATUTO DO IDOSO. MAJORAÇÃO DA MENSALIDADE EM RAZÃO DA FAIXA ETÁRIA. PROVA DOCUMENTAL QUE CORROBORA A VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES AUTORAIS. AUMENTOS SUBSTANCIAIS LANÇADOS SUCESSIVAMENTE À ÉPOCA DOS ANIVERSÁRIOS DA CONSUMIDORA. DIREITO À SAÚDE. PRESENÇA DE PERIGO DE LESÃO IRREPARÁVEL. PRECEDENTES. RECURSO A QUE SE DÁ PROVIMENTO, EX VI DO ART. 557, 1º-A, DO CPC. Saliente-se que, todavia, deverá a autora pagar eventuais reajustes permitidos pela ANS. Por conta dos fundamentos acima expostos, dou provimento ao recurso, na forma do artigo 557, 1º-A, do CPC, para determinar que a ré reenvie à autora novos boletos das mensalidades que eventualmente se encontram em aberto, no valor de R$478,56 cada uma, acrescido apenas de eventual reajuste permitido pela ANS, com o prazo de 15 dias para pagamento, devendo abster-se de efetuar novas cobranças em razão de mudança de faixa etária. Em caso de regularidade nos referidos pagamentos, deverá a ré ainda abster-se de cancelar o plano de saúde da autora, ou reativá-lo, no prazo de 24 horas, caso isto já tenha ocorrido, nos mesmos moldes contratados, sem carência, sob pena de multa de R$1.000,00 (mil reais) em quaisquer dos casos. Rio de Janeiro, 10 de março de 2014. MYRIAM MEDEIROS DA FONSECA COSTA DESEMBARGADORA RELATORA (7) Agravo de Instrumento nº 0003412-46.2014.8.19.0000 5