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Transcrição:

PARECER PDPE Nº 13.167 Prorrogação de contrato não prevista no edital e no contrato. Divergência doutrinária. Impossibilidade, salvo em caráter excepcional. Princípio da isonomia. Procede o presente expediente da Secretaria da Fazenda do Estado. Consulta esta Procuradoria a respeito de prorrogação de prazo contratual. O Estado do Rio Grande do Sul e a empresa VLS Turismo Ltda. celebraram contrato objetivando a prestação de serviços de transporte de até 12 (doze) passageiros por viagem, exclusivamente para servidores da Secretaria da Fazenda, em exercício no Posto Fiscal de Goio-En, no trecho entre a Praça da Bandeira, localizada defronte à Prefeitura Municipal de Erechim e o Posto Fiscal, com 2 (duas) viagens diárias de ida e volta (fls.3-8) O contrato foi firmado pelo prazo de seis meses. Em 21 de março do corrente ano, foi firmado o primeiro termo aditivo(fl.9), prorrogando sua vigência pelo período de 06 (seis meses) a contar de 22 de março do mesmo ano. Encaminhado o expediente à Contadoria e Auditoria-Geral do Estado para pronunciamento acerca da prorrogação do contrato, aquela Contadoria concluiu pela impossibilidade da medida nos seguintes termos(fls. 18-23): Por todo o exposto, conclui-se que, nos contratos de prestação de serviços contínuos, a prorrogação só será possível se houver previsão expressa no instrumento convocatório e no contrato. A Supervisão de Administração divergiu do posicionamento da CAGE/DEO, sugerindo o encaminhamento do processo à esta Procuradoria. Após a tramitação de praxe(fls. 25-27), o Dr. Secretário da Fazenda, substituto, determinou o envio à PGE. É o relatório. A questão que se discute é a de saber se é possível a prorrogação de um contrato quando inexiste previsão para tanto, no ato convocatório e no próprio contrato.

A Lei 8.666/93 dispõe : art. 57. A duração dos contratos regidos por esta Lei ficará adstrita à vigência dos respectivos créditos orçamentários, exceto quanto aos relativos:... II à prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter a sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas a obtenção de preços e condições mais vantajosas para a Administração, limitada a sessenta meses; Os serviços contínuos envolvem prestações continuadas, que não devem sofrer interrupção, devendo pois ser executados pela Administração. A doutrina divide-se com relação ao tema. contraria a lei: Floriano Azevedo Marques Neto 1 entende que a prorrogação não... Com a alteração introduzida pela Lei nº 9.648/98 no art. 57, II, da Lei nº 8.666/93, a possibilidade de prorrogação de prazo nos serviços de natureza contínua passou a ser independente de previsão no edital e no contrato, pois que se opera por força de lei, dispensando previsão editalícia ou contratual. Havendo interesse e conveniência administrativa, poderão tais contratos ser prorrogados até o prazo máximo de 60 meses. Gasparini, 2 O autor em pauta reproduz trecho de artigo de Diógenes também no mesmo sentido:... Destarte, impedir que a prorrogação se processe porque não foi prevista no instrumento convocatório, quando por meio dela a Administração Pública pode conseguir preços e condições de pagamento mais vantajosas, é excessivo formalismo, especialmente ante o fato inconteste de que a Lei federal das Licitações e Contratos da Administração Pública não exige, no caso, esse comportamento. Em sentido contrário, pode-se mencionar Marçal Justen Filho : 3 1 Prorrogação de Contratos Administrativos Serviços Prestados de Forma Contínua Não Aplicação dos Limites de Acréscimo, BLC de agosto/2000, p. 429-436. 2 Gasparini, Diógenes. Apud Floriano Azevedo Marques, op. cit. p. 431. 3 Justen Filho, Marçal. Comentários á lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 1988, p. 486.

A prorrogabilidade do inc. II depende de explícita autorização no ato convocatório. Omisso ele, não poderá promover-se a prorrogação. Essa asserção deriva do princípio da segurança. Não é possível que se instaure a licitação sem explícita previsão acerca do tema. Os eventuais interessados deverão ter plena ciência da possibilidade de prorrogação. Hely Lopes Meirelles 4 comunga da mesma orientação: Prorrogação do contrato é o prolongamento de sua vigência além do prazo inicial, com o mesmo contratado e nas mesmas condições anteriores. Essa extensão de vigência, nos contratos que se extinguem pelo decurso do prazo, é admitida em nosso Direito sem licitação, desde que prevista expressamente no edital e no instrumento original. E compreende-se que assim seja, porque, se a prorrogação pressupõe o mesmo contratado, não pode admitir qualquer modalidade de licitação que possibilite sua substituição. O essencial é que se preveja a prorrogação, a qual, na época própria, deverá ser consubstanciada em termo de prorrogação do ajuste inicial, mediante aditamento. Prossegue o autor: O prazo de prorrogação pode ser igual ou inferior e até mesmo superior ao do contrato inicial, observadas as limitações do art. 57 da Lei 8.666/93, que examinamos precedentemente. Muito embora o prazo máximo dos contratos administrativos se adstrinja à vigência dos respectivos créditos orçamentários, com as ressalvas da lei (art. 57, II e IV), são legítimas as prorrogações sucessivas desde que essa possibilidade tenha sido prevista no instrumento convocatório da licitação ou no ajuste inicial. Toda e qualquer modalidade de contrato administrativo comporta prorrogação, atendidos os requisitos que acabamos de enunciar, a previsão de recursos orçamentários e as exigências peculiares de cada ajuste, expressos em suas cláusulas ou contidos no regulamento do serviço. (grifei) sentido: O Tribunal de Contas da União já se pronunciou no mesmo SERVIÇOS CONTÍNUOS. Prazo contratual, Duração total previamente fixada no edital e contrato. Prorrogação excepcional. O prazo de duração total dos contratos de prestação de serviços contínuos deve ser previamente dimensionado pela Administração e fixado no edital e no contrato, conforme inciso II do art. 37(sic) da Lei 8.666/93. Referidos contratos não admitem prorrogação, exceto em caráter excepcional, na forma do 4º acrescido ao mesmo artigo pela MP 1.081, de 28.7.95 (atual MP 1400, de 11.4.96) (TCU.TC- 18.728/95-2. Rel. Min. Bento José Bugarin, 27.3.96. BLC, jun/96, p. 300). 4 Meirelles, Hely Lopes. Licitação e Contrato Administrativo. São Paulo: Malheiros Editores, 1986, p. 200-201.

O prazo é um dos elementos essenciais ao contrato administrativo. A lei 8.666/93 veda os contratos por prazo indeterminado(art. 57, 3º). A prorrogação nada mais é que uma continuação do contrato, além do prazo fixado. Por tal razão, os licitantes ao participarem de um certame, desejando contratar com a administração, têm o direito de saber claramente o prazo da avença que pretendem entabular. Esse direito inclui o de ter conhecimento acerca da possibilidade positiva ou negativa de uma prorrogação, porquanto a possibilidade de alongar o contrato no tempo constitui um alteração no prazo com outras repercussões financeiras e técnicas. È preciso considerar que o prazo de duração do contrato, estabelecido no edital e no contrato, sem antevisão de prorrogação pode atuar como desestímulo de eventuais interessados em concorrer em uma licitação. Se o ato convocatório e o contrato silenciam a respeito e, posteriormente, vem-se a acordar a prorrogação, se estaria ferindo o princípio constitucional da isonomia que deve presidir a licitação, bem como o princípio da vinculação ao instrumento convocatório (art. 3º da Lei 8.66/93). A prorrogação contratual deverá ser sempre prevista no edital e no contrato. Enfatize-se que em se tratando de serviços contínuos, cumpre à autoridade administrativa levar em conta tais características e prever de antemão por ocasião da abertura do certame se a prorrogação será admissível ou não. Em conclusão, respondendo-se a consulta formulada, a prorrogação contratual só será cabível quando prevista no edital e no contrato. É o parecer. Porto Alegre, 03 de setembro de 2.001. MARIA ALICE COSTA HOFMEISTER PROCURADORA DO ESTADO Exp.026565-14.00/01-2

Processo nº 026565-14.00/01.2 Acolho as conclusões do PARECER nº 13.167, da Procuradoria do Domínio Público Estadual, de autoria da Procuradora do Estado Doutora MARIA ALICE COSTA HOFMEISTER. Restitua-se o expediente ao Excelentíssimo Senhor Secretário do Estado da Fazenda. Em 16 de novembro de 2001. Paulo Peretti Torelly, Procurador-Geral do Estado.