O ARCADISMO NEOCLASSICISMO

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Transcrição:

O ARCADISMO NEOCLASSICISMO

Ordem e convencionalismo Havia, na Grécia Antiga, uma parte central do Peloponeso denominada Arcádia. De relevo montanhoso, essa região era habitada por pastores e vista como um lugar especial, quase mítico, em que os habitantes associavam o trabalho à poesia, cantando o paraíso rústico em que viviam. No século XVIII, o termo Arcádia passou a identificar as academias ou agremiações de poetas que se reuniam para restaurar o estilo dos poetas clássicorenascentistas, com o objetivo declarado de combater o rebuscamento barroco.

ARCADISMO Arcádia região montanhosa da Grécia antiga que segundo a mitologia grega era habitada por poetas e pastores. Em Portugal foi criada a Arcádia Lusitana, academia literária que promovia reuniões periódicas para cultivar a poesia pastoril. A partir desta, várias arcádias foram criadas. Quando um artista passava a frequentar uma arcádia, era comum que ele ganhasse um pseudônimo, normalmente de inspiração pastoril. No Brasil, embora não tenham surgido arcádias, manteve-se a tradição dos pseudônimos.

Contexto Histórico e Características A Companhia de Jesus perde cada vez mais espaço. Obras de pensadores como Diderot, Rousseau, Voltaire e Montesquieu ganham força dando origem ao movimento filosófico de inspiração racional chamado Iluminismo. O século XVIII fica conhecido como Século das Luzes. O Iluminismo preparou o terreno para a ascensão da burguesia que se cristaliza com a revolução Francesa. O Iluminismo representa o último suspiro da aristocracia e o primeiro da burguesia.

LIMITES CRONOLÓGICOS Marco inicial: Publicação das "Obras Poéticas", de Cláudio Manuel da Costa e fundação da Arcádia Ultramarina, movimento poético-literário que dá início ao Arcadismo, em 1768. Marco final: Publicação do livro de poemas Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, em 1836. (Romantismo)

Características Retorno a literatura clássica, revigorando valores como a clareza, a harmonia, o racionalismo, a perfeição formal e a simplicidade. Pacificidade amorosa (Há relacionamentos tranquilos); Fingimento poético (a escrita é feita sob pseudônimo); Um dos aspectos mais importantes é o pastoralismo (ou bucolismo) valorização do equilíbrio e a tranquilidade da vida campestre. Fugere urbem: fugir da cidade repulsa à intranquilidade da vida urbana; Locus amoenus: lugar ameno busca da serenidade no mundo campestre; Inutilia truncat: cortar o inútil crítica aos exageros da arte barroca; Carpe diem: colher o dia convite a aproveitar o momento presente.

Arcadismo no Brasil A exploração do ouro desloca o eixo econômico do Nordeste para o Sudeste, mais especificamente Minas Gerais. Inicia em 1768 com a publicação de Obras Poéticas de Cláudio Manuel da Costa. Foi um importante movimento no processo de formação de um público leitor brasileiro. Os cenários apresentados nos poemas mostram sempre o mesmo padrão: campos verdes, árvores frondosas, ovelhas e gado pastando tranquilos, dias ensolarados, regatos de água cristalina e aves que cantam. Este cenário foi a forma encontrada pelos autores para divulgar os ideais de uma sociedade mais igualitária e justa. Na simplicidade de pastores está a proposta de uma vida que valorize menos a pompa e a sofisticação, características das cortes europeias.

Autores árcades brasileiros: Na lírica: Claudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Silva Avarenga. Na épica: Basílio da gama, Santa Rita Durão e Claudio Manuel da Costa. Na sátira: Tomás Antônio Gonzaga Na ecomiástica: Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto. (Gênero poético destinado à exaltação ou homenagem a alguém)

Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) Obra- OBRAS POÉTICAS (1768) - Reúne a produção lírica do poeta / VILA RICA: poema épico clássico, derivação imitativa de Os Lusíadas de Camões. A substância heroica e histórica é a descoberta das minas e a fundação de Vila Rica. Há uma antecipação do nativismo e indianismo; Usava como pseudônimo- GLAUCESTE SATÚRNIO; Influência de Camões(sonetos), e resíduos cultistas (transição Barroco- Arcadismo); Dilaceramento interior provocado pelo contraste entre o rústico mineiro e a experiência intelectual e social na Europa; Platonismo amoroso. Nise é a musa mais frequente. Temas: O amante infeliz e a tristeza da mudança das coisas em relação à permanência dos sentimentos; O contraste rústico e civilizado:

Quem deixa o trato pastoril amado Pela ingrata, civil correspondência, Ou desconhece o rosto da violência, Ou do retiro a paz não tem provado. Que bem é ver nos campos transladado No gênio do pastor, o da inocência! E que mal é no trato, e na aparência Ver sempre o cortesão dissimulado! Ali respira amor sinceridade; Aqui sempre a traição seu rosto encobre; Um só trata a mentira, outro a verdade. Ali não há fortuna, que soçobre; Aqui quanto se observa, é variedade: Oh ventura do rico! Oh bem do pobre!

Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) Considerado o poeta mais importante de todo século XVIII no Brasil. Sua obra satírica criticava as elites mineiras. Principais obras: Marília de Dirceu poema líricos Em 1783 conheceu Maria Joaquina Doroteia de Seixas e escreveu para ela as 23 liras que compõem a primeira parte de Marília de Dirceu. Em 1789 seu idílio com Maria Joaquina termina bruscamente. Foi preso, levado para o Rio de Janeiro e em 1792 condenado ao exílio perpétuo na África. Na cadeia escreveu mais 32 liras que constituem a segunda parte da obra. Cartas Chilenas poema satírico Preocupação com a vida social e a política arbitrária de Vila Rica. É um conjunto de 13 manuscritos em versos decassílabos brancos que circulavam entre intelectuais da época. A obra é um jogo de disfarces: Fanfarrão Minésio: é o pseudônimo do governador; chilenas equivale a mineiras; Santiago, de onde são assinadas equivale a Vila Rica.

Minha bela Marília, tudo passa a sorte deste mundo é mal segura, se vem depois dos males a ventura vem depois dos prazeres a desgraça. Estão os mesmos deuses sujeitos ao poder do ímpio fado: Apolo já fugiu do céu brilhante, Já foi pastor de gado. A devorante mão da negra morte acaba de roubar o bem que temos; até na triste campa não podemos zombar do braço da inconstante sorte qual fica no sepulcro, que seus avós ergueram, descansado; qual no campo, e lhe arranca os frios ossos ferro do torto arado. campa: túmulo qual-qual : um e outro

OUTRAS IMPORTANTES OBRAS O URAGUAI Poema épico de Basílio da Gama (1741-1795). Esse poema narra a luta dos povos indígenas de Sete Povos das Missões, no Uruguai, contra os portugueses, que queriam apossar-se do local por conta de um acordo entre Espanha e Portugal. Usou como pseudônimo TERMINDO SIPÍLIO; Dentro do Arcadismo soube fugir ao artificialismo da linguagem mitológica e aos lugares- comuns do bucolismo dominante; Com Uraguai faz menção a uma Literatura nacionalista (índio- Lindóia- heroína);

OUTRAS IMPORTANTES OBRAS CARAMURU poema épico de Santa Rita Durão (1722-1784) Obra que narra o achamento da Bahia e incorpora o elemento indígena como elementos distintivo do Arcadismo brasileiro. O autor exalta a terra brasileira dentro dos mesmo padrões, valorizando a vida natural dos índios. É evidente a influência de Camões.

Poetas líricos menores Manuel Inácio Silva Alvarenga (1749-1814)- Com seus rondós madrigais, envolvidos por intensa musicalidade, apresenta uma natureza decorativa; pode ser considerado precursor do Romantismo;- Usava como pseudônimo ALCINDO PALMIRENDO; Inácio José de Alvarenga Peixoto (1744-1793): sua obra atrelava-se a clichês árcades; Fazia poesias encomiásticas e laudatórias, enaltecendo o despotismo do Marquês de Pombal; Atribui o lema da bandeira da Inconfidência: LIBERTAS, QUAE SERA TAMEM (liberdade ainda que tardia); Domingos Caldas Barbosa (1740-1800): Localizado como poeta popular por compor modinhas que deveriam ser acompanhadas por violas; Em sua obra encontra-se lirismo, sensibilidade, tristeza nativa, sensualismo amoroso, cunho popular singelo e espontâneo.

ENEM 2015 Casa dos Contos & em cada conto te cont o & em cada enquanto me enca nto & em cada arco te a barco & em cada porta m e perco & em cada lanço t e alcanço & em cada escad a me escapo & em cada pe dra te prendo & em cada g rade me escravo & em ca da sótão te sonho & em cada esconso me affonso & em cada claúdio te canto & e m cada fosso me enforco & ÁVILA, A. Discurso da difamação do poeta. São Paulo: Summus, 1978.

Casa dos Contos O contexto histórico e literário do período barrocoárcade fundamenta o poema Casa dos Contos, de 1975. A restauração de elementos daquele contexto por uma poética contemporânea revela que (A) a disposição visual do poema reflete sua dimensão plástica, que prevalece sobre a observação da realidade social. (B) a reflexão do eu lírico privilegia a memória e resgata, em fragmentos, fatos e personalidades da Inconfidência Mineira. (C) a palavra esconso (escondido) demonstra o desencanto do poeta com a utopia e sua opção por uma linguagem erudita. (D) o eu lírico pretende revitalizar os contrastes barrocos, gerando uma continuidade de procedimentos estéticos e literários. (E) o eu lírico recria, em seu momento histórico, numa linguagem de ruptura, o ambiente de opressão vivido pelos inconfidentes.

ENEM 2008 Torno a ver-vos, ó montes; o destino (verso 1) Aqui me torna a pôr nestes outeiros, Onde um tempo os gabões deixei grosseiros Pelo traje da Corte, rico e fino. (verso 4) Aqui estou entre Almendro, entre Corino, Os meus fiéis, meus doces companheiros, Vendo correr os míseros vaqueiros (verso 7) Atrás de seu cansado desatino. Se o bem desta choupana pode tanto, Que chega a ter mais preço, e mais valia (verso 10) Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto, Aqui descanse a louca fantasia, E o que até agora se tornava em pranto (verso 13) Se converta em afetos de alegria. Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.

ENEM 2008 Considerando o soneto de Cláudio Manoel da Costa e os elementos constitutivos do Arcadismo brasileiro, assinale a opção correta acerca da relação entre o poema e o momento histórico de sua produção. a) Os montes e outeiros, mencionados na primeira estrofe, são imagens relacionadas à Metrópole, ou seja, ao lugar onde o poeta se vestiu com traje rico e fino. b) A oposição entre a Colônia e a Metrópole, como núcleo do poema, revela uma contradição vivenciada pelo poeta, dividido entre a civilidade do mundo urbano da Metrópole e a rusticidade da terra da Colônia. c) O bucolismo presente nas imagens do poema é elemento estético do Arcadismo que evidencia a preocupação do poeta árcade em realizar uma representação literária realista da vida nacional. d) A relação de vantagem da choupana sobre a Cidade, na terceira estrofe, é formulação literária que reproduz a condição histórica paradoxalmente vantajosa da Colônia sobre a Metrópole. e) A realidade de atraso social, político e econômico do Brasil Colônia está representada esteticamente no poema pela referência, na última estrofe, à transformação do pranto em alegria.

UNICAMP Nos dois poemas a seguir, Tomás Antônio Gonzaga e Ricardo Reis refletem, de maneira diferente, sobre a passagem do tempo, dela extraindo uma "filosofia de vida". Leia-os com atenção: LIRA 14 (Parte I) Minha bela Marília, tudo passa; a sorte deste mundo é mal segura; se vem depois dos males a ventura, vem depois dos prazeres a desgraça.... Que havemos de esperar, Marília bela? que vão passando os florescentes dias? As glórias, que vêm tarde, já vêm frias; e pode enfim mudar-se a nossa estrela. Ah! não, minha Marília, Aproveite-se o tempo, antes que faça o estrago de roubar ao corpo as forças e ao semblante a graça. (TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA," Marília de Dirceu")

UNICAMP Quando, Lídia, vier o nosso outono Com o inverno que há nele, reservemos Um pensamento, não para a futura Primavera, que é de outrem, Nem para o estio, de quem somos mortos, Senão para o que fica do que passa - O amarelo atual que as folhas vivem E as torna diferentes. (RICARDO REIS, "Odes") a) Em que consiste a "filosofia de vida" que a passagem do tempo sugere ao eu lírico do poema de Tomás Antônio Gonzaga? b) Ricardo Reis associa a passagem do tempo às estações do ano. Que sentido é dado, em seu poema, ao outono? c) Os dois poetas valorizam o momento presente, embora o façam de maneira diferente. Em que consiste essa diferença?