GÉIS CONDUTORES E LUBRIFICANTES

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Transcrição:

GÉIS CONDUTORES E LUBRIFICANTES Sumário Os géis condutores e os lubrificantes de dispositivos médicos são produtos usados rotineiramente na prática clínica. Apesar de se saber que muitas das infecções nosocomiais estão associadas à contaminação destes dispositivos, a evidência científica para uma utilização adequada ainda não é bem compreendida. Objectivo O objectivo desta abordagem é fazer recomendações de forma a contribuir para uma utilização segura destes produtos. Estas recomendações destinam-se particularmente a: - Médicos - Enfermeiros - Técnicos de diagnóstico e terapêutica Âmbito A aplicação destas recomendações incide sobre géis condutores usados em: - ecografia, - Electrocardiografia, - Electrocirurgia, - desfibrilhação, etc. e como lubrificantes de partes do corpo humano e de dispositivos médicos: - cateter - endoscópio - instrumento cirúrgico, etc. 1

Introdução O que é um gel condutor? Os géis condutores são geralmente suspensões coloidais semi-sólidas, destinados a melhorar o contacto do dispositivo médico com a pele humana, no caso de transferência de corrente eléctrica ou sinais durante exames médicos ou para fins de diagnóstico. O que é um lubrificante? Os lubrificantes são normalmente óleos, líquidos, pomadas ou cremes que têm a finalidade de facilitar a manipulação do dispositivo médico no corpo humano. Que problemas podem surgir com a utilização de géis ou lubrificantes? A ocorrência, no Canadá, de vários casos de infecções nosocomiais graves associadas à contaminação de géis condutores e lubrificantes usados com a realização de ecografias transvaginal, transrectal, de orientação em biópsias da próstata, e de detecção por ultrasons de feridas cirúrgicas infectadas, foram já objecto de publicação. As conclusões da investigação de alguns destes casos mostraram que a origem do problema esteve na contaminação destes produtos durante o processo de fabrico, com microrganismos que têm a capacidade de degradar parabenos, substâncias utilizadas vulgarmente como agentes conservantes. Após conhecimento dos resultados desses estudos, os fabricantes deste tipo de dispositivos médicos iniciaram o desenvolvimento de medidas correctivas e preventivas destinadas a rectificar o problema e prevenir a sua repetição. Os microrganismos mais frequentemente identificados em amostras de sangue dos doentes foram a Burkolderia cepacia, Enterobacter cloacae, Klebsiella pneumoniae e Staphylococcus aureus, e foram também encontrados no gel e lubrificante usado nos procedimentos médicos. 2

Responsabilidades das Instituições de Saúde Diversos autores têm demonstrado que a consciencialização sobre os riscos que decorrem da utilização e manipulação destes dispositivos contribui fortemente para a prevenção de infecções nosocomiais. Os serviços de saúde devem estabelecer medidas de controlo das boas práticas de modo a prevenir infecções relacionadas com os procedimentos. A ausência de regulamentação das actividades de reprocessação e de reutilização pode, potencialmente, causar perigo para o doente devido à falta de padronização, boas práticas de processamento, garantia e controlo de qualidade e validação do procedimento. Por este motivo, não é recomendável reutilizar dispositivos médicos de uso único, críticos ou semi-críticos, destinados a serem usados em contacto com membranas mucosas ou orifícios estéreis do corpo. Entende-se por dispositivos médicos críticos, os produtos que penetram a pele, têm contacto com o sangue e/ou fluidos corporais ou cavidades do corpo estéreis; por dispositivos médicos semi-críticos, os produtos que entram apenas em contacto com membranas mucosas intactas e que não as penetram e/ou produtos que entram em orifícios não estéreis do corpo; e por dispositivos médicos não-críticos, os produtos que, normalmente, não têm contacto com os doentes ou apenas contactam com pele intacta. Recomendações / Orientações De forma a minimizar os riscos para a saúde associados à utilização de géis condutores e lubrificantes de dispositivos médicos, o INFARMED recomenda: Utilizar géis condutores e lubrificantes estéreis em: Procedimentos invasivos que penetram através de tecidos (ex: localização e aspiração com agulha, biópsia de tecidos), procedimentos que envolvam ambiente estéril ou pele não intacta e em recém-nascidos; Procedimentos realizados em membranas mucosas intactas (esofágica, gástrica, rectal ou vaginal) e em doentes com imunodeficiência ou em terapia imunosupressiva; Técnicas assépticas. 3

No caso de utilizar géis condutores e lubrificantes não estéreis: Usar preferencialmente produtos de utilização única; Para procedimentos pouco frequentes, usar produtos de uso único ou multidose de pequenas dimensões; Se forem usados recipientes reutilizáveis, estes deverão ser sempre esvaziados, lavados com detergente ou desinfectante, enxaguados cuidadosamente e secos antes do preenchimento. Os frascos não devem ficar completamente cheios. Rejeitar os frascos de reutilização que se encontrem partidos; Verificar sempre a data de validade da embalagem do gel quando reabastecer os recipientes reutilizáveis; O reabastecimento dos recipientes de reutilização deverá ser realizado próximo da sua utilização e não usar o gel residual depois de passados trinta dias; Proceder a técnicas assépticas durante o processo de reabastecimento; Rejeitar qualquer embalagem de gel ou lubrificante após um mês da sua abertura; Para o preenchimento dos recipientes reutilizáveis deverá usar um dispensador próprio; A abertura do recipiente ou do dispensador, não deve entrar em contacto directo com a pele do doente, do equipamento ou ambiente, devendo para tal colocar o gel num dispositivo limpo e de uso único para cada doente; Se o gel for usado em doentes localizados em unidades de isolamento, deverá utilizar produtos de uso único ou deixar o recipiente de reutilização nessa unidade se houver lugar a procedimentos repetidos e rejeitar o gel após suspensão do isolamento. Em caso de necessidade de aquecimento do gel: Aquecer o gel apenas quando houver necessidade para tal; A embalagem do gel deverá ser retirada do aquecimento logo que possível e imediatamente seca; Os banhos de aquecimento deverão ser limpos semanalmente com desinfectante apropriado e sempre que fiquem sujos. 4

Armazenamento de géis condutores e lubrificantes: Estes produtos devem ser armazenados em áreas secas e protegidas de potenciais fontes de contaminação como por exemplo, pó, insectos, roedores. Notificação de incidentes O que é um incidente? Um incidente é um evento ou acontecimento adverso que conduz ou potencialmente produz efeitos não esperados ou não desejados, envolvendo a saúde do doente, utilizador ou outras pessoas. Como notificar incidentes? É essencial que os profissionais de saúde conheçam as ferramentas de notificação de incidentes com dispositivos médicos e saibam como notificar. Os formulários para notificação encontram-se disponíveis no sítio do INFARMED em: http://www.infarmed.pt/pt/vigilancia/prod_saude/profissionais_saude/index.html Qualquer incidente ou risco de incidente grave relacionado com a utilização destes dispositivos médicos, deverá ser notificado ao INFARMED para os contactos abaixo indicados: Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento Departamento de Vigilância de Produtos de Saúde Parque de Saúde de Lisboa, 53, Pav. 24, 1740-004 LISBOA Telef.: 217987145 / 51 / 79 / 7225 Fax: 217987155 E-mail: dvps@infarmed.pt 5