Quem tem medo de Phantom Power?

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Transcrição:

Quem tem medo de Phantom Power? Autor: Fernando A. B. Pinheiro É incrível a quantidade de operadores de som que, por desconhecimento, tem verdadeiro medo de utilizar microfones condensadores, que necessitam do recurso de Phantom Power (alimentação fantasma). Já ouvi de tudo: tem risco de queimar os outros microfones? Vai dar choque no usuário? Tem problema misturar microfone que precisa com microfone que não precisa de Phantom? Vai afetar os instrumentos? E por aí vai. Até lá no curso do IATEC que fiz junto com um monte de peazeiros - alguns com anos de experiência - ainda existiam dúvidas. Para entendermos o Phantom Power, é necessário antes entendermos o princípio de funcionamento dos microfones. Basicamente, podemos dividir os microfones em dois tipos quanto à construção da cápsula: os dinâmicos, e os condensadores (ou eletretos). Existem pequenas diferenças entre os condensadores e os eletretos, mas para o objetivo de nosso estudo podemos considerá-los semelhantes. Os microfones dinâmicos são fabricados com o mesmo princípio de construção de um alto falante. Existe ímã, bobina e diafragma (que faz o papel do cone do falante), tal como nos falantes. Quando o som é emitido e atinge o diafragma, este movimenta a bobina que está envolta por um ímã, gerando uma voltagem, que "imita" as condições de pressão sonora captadas pelo diafragma. Essa voltagem passa pelos cabos até a mesa de som, e o restante da história todos podem imaginar. Já os microfones condensadores/eletretos (ou ainda "capacitivos") tem construção diferente. Existem duas placas bem finas (por isso os condensadores são muito mais frágeis que os dinâmicos), fixadas bem próximas. Uma delas faz o papel de diafragma, captando o som. As placas são polarizadas (tem voltagem positiva e negativa) e, com a variação da distância entre as placas causada pelas ondas sonoras, a voltagem das placas varia de modo semelhante.

Aqui, já vemos a necessidade de existir energia, para a polarização das placas, energia esta que terá que ser fornecida de alguma forma. Mas, além da necessidade de polarização, os microfones condensadores possuem um pequeno circuito pré-amplificador que são utilizados para aumentar o nível do sinal de uma maneira suficiente que possa ser transmitidos pelos cabos. Esse pequeno circuito também precisa de energia para funcionar. A energia necessária para o microfone funcionar pode ser fornecida através de pilhas, baterias de 9V ou... pelo Phantom Power. Por isso as mesas de som profissionais tem esse recurso, acionado em geral por uma ou mais chaves. O Phantom em geral é fornecido em até 48V (em algumas mesas, até 52V), mas não existe nenhum problema em fornecer esses 48V para um microfone que só precise de uma pilha de 1,5V, por exemplo. Isso porque os microfones só "usam" a energia que precisam, e pronto. Se precisa de 9V para funcionar, só utiliza isso e "descarta" o restante, sem prejuízo algum. Para o Phantom Power funcionar, é obrigatória a existência de um sistema balanceado, ou seja, um cabo coaxial duplo (cabo balanceado), com dois condutores internos mais uma malha (positivo, negativo e terra), e também um conector balanceado (3 pinos, XLR ou P10TRS). A tensão é enviada pelos condutores (ambos são "positivos" para o Phantom) e retorna pela malha (sempre "negativa"). Em mesas de som que contam com conectores XLR para as entradas de MIC e P10 para LINE (ou seja, praticamente todas as profissionais), o Phantom só é habilitado nos conectores XLR do canal, ainda que se use conectores P10 TRS no LINE. Aliás, existe a previsão de Phantom Power em conexão P10 TRS mas é muito raro. Existem em microfones sem fio e em outros equipamentos (placas de áudio para computador) em que, por causa do tamanho muito reduzido, não existe espaço para um conector XLR. Na dúvida, consulte o manual do equipamento, se o manual falar que é um conector balanceado, mesmo que P10 (no caso, P10 TRS), então aceita Phantom Power. Alguns microfones podem ser alimentados ou por Phantom ou por pilhas/baterias, em geral com a fonte de energia sendo selecionada por chave. Há microfones que só funcionam com Phantom e outros somente com pilhas. Tudo depende do tamanho e formato do microfone (alguns são tão pequenos que não há onde colocar pilhas) e da implementação do fabricante. Todo microfone que usa pilhas e tem conector XLR é um forte candidato a aceitar Phantom Power, mas em alguns o fabricante não implementou isso. Para saber se aceita Phantom, basta retirar a pilha/bateria e então ligue na mesa de som e acione o Phantom Power. Se o mic funcionar, ótimo. Caso contrário, somente com pilhas mesmo. Do que já aprendemos até aqui, podemos tirar as seguintes conclusões: - instrumentos musicais e outros equipamentos ligados nos conectores LINE (P10) não são afetados pelo Phantom Power (nem correm risco de serem danificados). Lembre-se que, em havendo conectores XLR e P10 no equipamento, só os XLR receberão Phantom Power. - microfones dinâmicos não são afetados pelo Phantom Power. O microfone "usa" o quanto de voltagem que precisa, e os dinâmicos não precisam de voltagem, logo não usam nada. Não queimam nem o som é afetado de alguma forma. Tal fato deu origem ao nome do recurso: alimentação fantasma (não afeta nada, é invisível, parece que não existe). - até mesmo microfones sem fio com entradas balanceadas (com conectores XLR e alguns raros com entradas P10 TRS) não são afetados pelo Phantom, pois são fabricados para isso. Não há risco de queimá-los. Problemas com o Phantom Se usarmos direito, o Phantom Power é completamente transparente. Mas todo mundo já ouviu histórias de microfones que queimaram por causa do Phantom. Pelo que já falamos, é possível entender onde é que o pessoal costuma errar: nos cabos. Quando o cabo está mal feito (solda ruim, curto, fora de padrão,

etc), no mínimo surgem ruídos, mas às vezes pode chegar a queimar os equipamentos. Repare: - quem usa microfones com conectores XLR (3 pinos) em ambas as pontas e com cabo coaxial simples (dois condutores, positivo e malha), fazendo uma ligação fora de padrão (jampeando a malha pino 3 no pino 1 do XLR, está simplesmente fechando um curto-circuito, que trará danos aos microfones e até para as mesas de som. COM CERTEZA VAI QUEIMAR ALGUMA COISA. - instrumentos musicais e microfones sem fio com saídas P10, quando ligados nas entradas XLR (muito comum, os desavisados fazem isso "para dar mais ganho"), através de cabos fora de padrão, COM CERTEZA VÃO SOFRER DANOS. - cabos balanceados com conectores balanceados mas feitos fora de norma também vão trazer danos aos equipamentos. Já vi cabos com o pino 1 invertido com o pino 3 em uma das pontas (resultado: curtocircuito no Phantom Power). - cabos mal-feitos, com solda ruim, onde pequenos filamentos de um dos condutores encosta em outro (fechando curto) também trará problemas. Uma dica valiosa sobre o recurso é que os microfones devem ser conectados ANTES do recurso ser acionado. Há duas razões para isso: a primeira é que, ao ligarmos um microfone em um cabo que já está alimentado pelo Phantom, existe uma chance de ouvirmos um "tiro". O outro motivo é porque há energia passando, e pode haver centelhamento, tal como acontece quando ligamos um aparelho elétrico já ligado na tomada de energia (e dá um clarão, sintoma do centelhamento). Alguns microfones são muito frágeis e esse centelhamento é prejudicial, podendo levar à queima do microfone ou mesmo à danos no canal da mesa de som. Assim, ao montar seu sistema, primeiro conecte todos os microfones e só por último acione o Phantom. Ao desmontar, primeiro desligue o Phantom, espere pelo menos 1 minuto (para a energia residual desaparecer) e só então desconecte os microfones. Conectar / desconectar microfones com o Phantom ligado pode trazer problemas imediatos, como a queima de um componente do mic ou mesmo da mesa de som. Ainda que não traga problemas imediatos (muita gente vai falar: sempre fiz isso e nunca deu problema), os componentes (do microfone e da mesa de som) sofrem com isso, e vão estragar prematuramente. Muitos fabricantes trazem esse alerta: só conectar / desconectar com o Phantom desligado! Este autor, inclusive, perdeu uma mesa de som assim. 3 canais tiveram seus CI s dos prés de microfone queimados, por falta de observância dessa regra. E, como qualquer pessoa, coloquei a culpa no fabricante da mesa, até descobrir que a culpa era toda minha mesmo! De todos os canais, queimaram logo os 3 canais onde eu usava os microfones condensadores, depois de um ano de uso. Isso é mais sério ainda em equipamentos com plugues P10 TRS e Phantom Power. Ao se colocar / tirar o plugue do conector com o Phantom acionado, vai haver não só centelhamento, mas um curto-circuito! Os danos podem ser instantâneos. Ligar e desligar rapidamente o Phantom na mesa pode inclusive dar um "tiro" no som, bem alto, que pode chegar a queimar falantes. Isso é uma característica dos capacitores de qualquer mesa de som. Então tome cuidado para não fazer isso. Direct Box e Phantom Power Muita gente que usa instrumentos musicais (contrabaixo, guitarra, violão, teclado - todos com saídas P10) e os ligam nas medusas (em geral, todas XLR) acredita que basta fazer um cabo P10-XLR para funcionar. Estão completamente enganados, e correm risco ao fazer esse tipo de conexão. A ligação tem que ser feita por Direct Box, que "casam" os níveis de sinal e fazem a correta ligação. Esses Direct Box em geral utilizam Phantom Power para funcionar, e não há problema algum em conectar os instrumentos neles. São feitos para isso mesmo. Habilitando o recurso Phantom Power na mesa de som Alguns fabricantes fazem uma chave única para o recurso Phantom Power. Ao acionar a chave, o recurso está disponível em todos os conectores XLR da mesa de som. Nesses, é necessário ter muita atenção para primeiro fazer todas as ligações, e só por último acionar a chave do Phantom. Outros fabricantes adotam chaves por grupo de canais. Uma mesa com 16 canais, por exemplo, pode ter 2 chaves, aciando o Phantom para grupos de 8 em 8 canais. Nesse caso, o cuidado é com as ligações com o grupo que estiver acionado o recurso. Já outros fabricantes adotam chaves individuais para acionar o Phantom Power, canal por canal. É o sistema mais seguro, pois podemos controlar individualmente o acionamento do recurso, mas isso

também eleva o preço final do produto. Mesas de som que não tem Phantom Power De vez em quando surge uma pessoa querendo ligar um microfone condensador em uma mesa de som que não tem o recurso de Phantom Power. Isso é possível, mas não recomendo. Vejamos o porquê. Alguns fabricantes disponibilizam fontes Phantom Power externas, para uso com mesas que não possuem o recurso. A fonte é ligada à tomada de energia elétrica (ou usam baterias de 9V ou pilhas), e em geral tem conexões para dois microfones. Infelizmente são caras, R$ 100,00 ou mais. Uma fonte externa para 4 canais tem o preço próximo ao de muitas pequenas mesas de som com 6 canais, sendo 4 deles XLR e... com Phantom Power! Mas antes de pensar em comprar uma fonte Phantom Power externa, vamos pensar um pouco... Se a mesa não tem Phantom, é porque ela não é feita para o mercado profissional. Se não é profissional (algumas "semi-profissionais" até tem conectores XLR, ganho e outros recursos que as fazem "parecer profissionais"), o fabricante também deve ter economizado em outros componentes, principalmente nos prés e na equalização (partes internas e "invisíveis" ao usuário, mas plenamente "audíveis"). E microfones condensadores, em geral de alta sensibilidade, pedem e merecem uma mesa de boa qualidade. Assim, se a mesa não tem Phantom Power e a pessoa quer utilizar microfones que o exigem, sugerimos a aquisição de uma nova mesa de som, com maior qualidade sonora que a disponível atualmente. Ou que procure um microfone semelhante que aceite pilhas, por exemplo. O gasto será muito maior, mas em compensação a qualidade sonora do sistema de sonorização também vai melhorar. Pela prática, já vi muita gente gastar dinheiro na fonte Phantom Power e se arrepender de utilizar um microfone condensador, principalmente por não conseguir controlar as microfonias, e já vi muita gente dizer que a troca da mesa de som foi a melhor coisa que já aconteceu com eles no som da igreja. Choques elétricos e Phantom Power Phantom Power foi pensado para dar segurança ao usuário. O risco de choques é praticamente inexistente, desde que você use o cabo adequado. Ainda assim, de vez em quando sabemos pela mídia que um ou outro usuário "tomou um choque" por causa do microfone. Há casos até de mortes. O último que vimos no jornal se refere a um pastor que morreu dentro de um tanque de batismo, nos EUA, ao segurar o microfone. Isso não se deve ao Phantom Power, mas sim a problemas de aterramento elétrico. Ele não tomou choque de 48V, mas sim de 110V ou 220V. Montagem de Cabos XLR para uso com Phantom Power Eis abaixo o padrão (norma IEC 268) que deve ser seguida para a montagem de cabos com conectores XLR-XLR, com a utilização de fios balanceados (2 condutores internos + malha). As cores indicadas "vermelho" e "branco" são apenas indicativos, variam de fabricante para fabricante. O que importa é que cada fio condutor seja ligado nos pino correspondente nos dois conectores. Fio azul (ou roxo, ou preto,...) no pino 2 e pino 2, por exemplo, com malha SEMPRE no pino 3. Essa figura me foi enviada por um fabricante de microfones, e contém uma ligação que a norma não prevê: a ligação do pino 1 com a carcaça do conector (em destaque, um círculo em volta). Essa ligação é necessária em plugues com carcaça de plástico, raríssimos hoje, e portanto atualmente é completamente desnecessária. Em plugues com carcaça de metal (os mais comuns), apesar de teoricamente não fazer diferença alguma

se a ligação existe ou não, muita gente reclama que, com ela, aparece indução de ruído. Isso acontece quando a ligação é feita de um lado do XLR e do outro não. Para resolver, ou se faz a ligação nas duas pontas ou se remove a ligação na ponta em que existir. Como a norma não a prevê, é melhor não fazê-la. Conclusão Ninguém precisa ter medo de Phantom Power, mas é importante saber usar corretamente o recurso. Se conhecermos os princípios de funcionamento e utilizarmos cabos dentro do padrão, não há risco algum, e os benefícios do uso do recurso serão muitos!