Bruxa Boa em. Casa Nova

Documentos relacionados
A Rata Era uma vez uma rata que estava sozinha na toquinha. Ela morava com sua mãe e seu padrasto no castelo do rei, ela não tinha medo de nada.

1 von :36

''TU DUM, TU DUM, TU DUM'' este era o barulho do coração de uma mulher que estava prestes a ter um filho, o clima estava tenso, Médicos correndo de

Num bonito dia de inverno, um grupo de crianças brincava no recreio da sua escola,

UM DIA CHEIO. Língua Portuguesa. 6º Ano do Ensino Fundamental II. Nome: Maria Clara Gonçalves dos Santos. Professora: Maristela Mendes de Sousa Lara

Finalmente chegou a hora, meu pai era que nos levava todos os dias de bicicleta. --- Vocês não podem chegar atrasado no primeiro dia de aula.

A Professora de Horizontologia

Adeilson Salles. Ilustrações de L. Bandeira. belinha_e_lagarta_bernadete.indd 3 18/10/ :32:55

Língua Portuguesa. O pequeno e grande Miles. 6º Ano do Ensino Fundamental II. Nome: Ronaldo Rodrigues Júnior

mesma fada que presenciara o nascimento de Zé Chumaço diminuiu a alegria da mãe: Majestade, infelizmente, apesar de linda, sua filha terá pouca

AS PERSONAGENS DO SÍTIO DO PICAPAU AMARELO NA CIDADE

O MENINO FELIZ. Língua Portuguesa. 6º Ano do Ensino Fundamental II. Nome: Bryan Ferreira Fernandes. Professora: Maristela Mendes de Sousa Lara

Às vezes me parece que gosto dele, mas isso não é sempre. Algumas coisas em meu irmão me irritam muito. Quando ele sai, por exemplo, faz questão de

PRÁTICA DE ENSINO: JOGOS INTERATIVOS

Um ato de amor sonhador ao mundo

O sapo estava sentado à beira do rio. Sentia-se esquisito. Não sabia se estava contente ou se estava triste

Certo dia, chegou uma mensagem do rei, informando que sua filha, a princesa, escolheria o futuro esposo entre os jovens do reino.

Não te esqueças de mim, Pai Natal! Autor: Norbert Landa Ilustrador: Marlis Scharff-Kniemeyer

DATA: 02 / 12 / 2013 III ETAPA AVALIAÇÃO ESPECIAL DE LÍNGUA PORTUGUESA 3.º ANO/EF ALUNO(A): N.º: TURMA:

Tem uma árvore no meio da minha casa

Àhistória de uma garota

Espalhando Alegria no Natal

BANCO DE QUESTÕES - PRODUÇÃO TEXTUAL - 4º ANO - ENSINO FUNDAMENTAL

Um passinho outro passinho

Versão RECONTO. O Principezinho. PLIP003 De Antoine De Saint Exupéry

ÍNDICE. Caderno de Experiências 67. Explicação de símbolos 68. Sobre a autora 95

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

A alga que queria ser flor

Confira a seguir o excelente trabalho dessa turma!

Língua Portuguesa UMA HISTÓRIA COMO AS OUTRAS. 6º Ano do Ensino Fundamental II. Nome: Beatriz Fátima da Silva Santos

Nº 5 C Natal e Sagrada Família

Que Nevão! Teresa Dangerfield

Os meus segundos melhores amigos são a Zoe e o Oliver. Nós andamos todos na mesma escola. É uma escola normal para crianças humanas. Eu adoro-a!

HISTÓRIAS DA AJUDARIS 16. Agrupamento de Escolas de Sampaio

Língua Portuguesa. Férias na casa de meu avô. 6º Ano do Ensino Fundamental II. Nome: Camila Vilas Boas Oliveira

UM MONSTRO EM MINHA ESCOLA Iara M. Medeiros Adaptação da história de.

Rafa olhou para a bola que tinha levado. Ele ainda tinha uma bola novinha em folha em casa. Se desse esta ao Dani e a seus amigos, ele os faria

MEU ANIVERSÁRIO 01 Um dia, na escola, as meninas falaram para mim: - Samara, sabia que você vai ganhar um presente dos meninos no final da O SUSTO!

Chico. só queria ser feliz. Ivam Cabral Ilustrações: Marcelo Maffei 5

Capítulo 1 A PORTA ARRANHADA

A minha vida sempre foi imaginar. Queria ter um irmãozinho para brincar...

PROYECTO. Centro Espirita León Denis - Celd

Conto de fadas produzido coletivamente pelos alunos do 2º ano A, da EMEB Prof.ª Maria Aparecida Tomazini, sob orientação da prof.

BANCO DE QUESTÕES - LÍNGUA PORTUGUESA - 4 ANO - ENSINO FUNDAMENTAL

Produção de texto. Observe a imagem e produza um texto narrativo, com no mínimo 10 linhas, a partir do título proposto

AULA 5 FINANÇAS PARA CRIANÇAS. Nome: Data: / /. Eu vi uma boneca maravilhosa na televisão, exclamou Sara. Quero comprar uma igual agora mesmo!

de peluche preferido, mas a minha mãe deu lhe vida através da magia com a varinha dela. Ela consegue fazer magia e encantamentos porque é uma fada!

Unidade Portugal. Ribeirão Preto, de de AVALIAÇÃO DO CONTEÚDO DO GRUPO IV 2 o BIMESTRE. João e o pé de feijão

A minha vida sempre foi imaginar. Queria ter um irmãozinho para brincar...

Constrói a tua história!

Em um feriado, a família do Fernando resolveu dar uma volta no parque, em uma cidadezinha no interior. Muitas coisas interessantes

Essa história aconteceu há

Era Domingo, dia de passeio! Estava eu e as minhas filhas no

Versão COMPLETA. O Ribeiro que queria Sorrir. PLIP004 Ana Cristina Luz. Ilustração: Margarida Oliveira

ESCOLA MUNICIPAL ANÁPOLIS, PROFESSORA: ALUNO (A): ANO: 1 OBSERVE SUA SALA E SEUS COLEGAS E PINTE OS QUADRADINHOS:

Atividades de férias. As férias estão chegando, aproveite para descansar, brincar, divertir-se com sua família, passear, viajar...

PETRA NASCEU COMO TODAS AS CRIANÇAS. ERA UMA

Este livro pertence a

Priscila e sua família foram passear na casa da vovó! Vamos ver o que a Priscila aprendeu lá?

Depois, levou os filhotes para o pátio do castelo. Todos parabenizaram a pata: a sua ninhada era realmente bonita... Exceto um: o patinho das penas

Jostein Gaarder. Juca e os. Ilustrações: Jean-Claude R. Alphen. Tradução: Luiz Antônio de Araújo

Como Ajudar o Mundo?

O Menino NÃO. Era uma vez um menino, NÃO, eram muitas vezes um menino que dizia NÃO. NÃO acreditam, então vejam:

O Pequeno Trevo e os Amigos da Rua

Aninha era uma menina muito medrosa, que tinha medo de tudo. Uma manhã a mãe dela acordou-lhe Aninha.Mas a mãe de Aninha nunca acordava ela.

Muitas Trombas Tornam o Trabalho Mais Leve

Quando eu era pequeno, à noite, e já estava sentado na cama, a mãe dizia

Fonte: Arquivo recebido no Grupo de Evangelização Infantil-Yahoo, de autoria do Centro Esp.Amor e Humildade do Apóstolo,Brasil.

A rapariga e o homem da lua

Garoto extraordinário

Chapeuzinho Vermelho

texto Fabiana Zayat ilustrações Gil Soares de Mello

Shué. o pequeno canário

Sabe, eu tenho um novo amigo aqui na escola. Ele vê as coisas de maneira diferente do jeito que a gente vê.

JOÃO E OS COELHINHOS HELENA FRENZEL QUINTEXTOS.BLOGSPOT.COM

Literatura brasileira contemporânea - prosa. Profª Neusa

Escrita e ilustrada pelos alunos da Escola Básica do Primeiro Ciclo da Benquerença Ano Lectivo 2008/2009

O LENHADOR E OS CAJUEIROS

Meu Amigo Bolacha. Natael Noé Santana

O Amor se resume em se sentir bem, especial, incrivelmente Feliz. Um estado espiritual destinado a trazer muitas coisas boas. As vezes ele existe em

O Peixinho e a Minhoca

Que Grande Abóbora Mimi! Valerie Thomas e Korky Paul

A conta-gotas. Ana Carolina Carvalho

De vez. Apresentação dos livros infantis De Onde Venho? e Por Quem Me Apaixonarei? Miguel Vale de Almeida MIGUELVALEDEALMEIDA.

SEMANA DOS SEMINÁRIOS 2ª FEIRA

P/1 E qual a data do seu nascimento? Eu te ajudo. Já te ajudo. Dia 30 de março de 1984.

P O D E R D A S C O R E S

Língua Portuguesa A GRANDE AVENTURA DE JOÃO PEDRO. 6º Ano do Ensino Fundamental II. Nome: Gustavo Venâncio Sales de Souza

A DESCOBERTA DE BELINHA TEXTO: SABRINA SARAIVA ILUSTRAÇÕES: ISABELA SARAIVA

AVALIAÇÃO 2º BIMESTRE

Bando das Cavernas. Ruby: Como a sua melhor qualidade é o bom senso, é ela quem, na maioria dos casos, põe ordem no bando.

A ESTRELINHA DO MAR. Rosa Maria Teixeira da Cruz. Rui Mendes Oliveira. texto. ilustração

Alice no país das bruxas

O mundo doce de Maria

O SEGREDO DO ARCO-ÍRIS

a) Onde estava o peixinho quando foi pescado? R.: b) Quem pescou o peixinho? R.: c) Onde morava o peixinho? R.:

Ensino Português no Estrangeiro Nível A1 Prova A (13A1AS) 60 minutos

grande andava muito cansado é um herói! perdeu a cabeça conquista o universo

Transcrição:

Bruxa Boa em Casa Nova

No primeiro livro da Bruxa Boa, uma avó chamada Lilibeth viveu algumas aventuras divertidas com sua neta Tatinha. A luta contra as Bruxas Más, Cara-de-Janela e Cara-de-Panela, o nascimento das maninhas gêmeas Isa e Dora, os trabalhos como aprendiz de bruxinha, um passeio à praia e outras coisas mais. Depois disso, houve novidades: nasceu Diogo, o netinho menor de Lilibeth; outros netos cresceram, dois deles foram morar longe, um entrou para a faculdade. A vida continuava, com tristezas e alegrias como a vida de todo mundo, e com algumas coisas bem engraçadas. A aventura maior foi a mudança de casa. Aquela chamada casa velha, onde Lilibeth morava no térreo, e Tatinha com seus pais e irmãs gêmeas no andar de cima, era uma casa antiga num jardim pequeno. Havia muitas plantas e flores, com lugarzinhos mágicos como a pedra debaixo da qual morava Dona Minhoca. Certa vez, Tatinha teve de lhe pedir um pum para colocar num vidro e fabricar uma poção mágica especial a fim de combater as Bruxas Más. - 10 - - 11 -

Mas Vovó começou a viajar muito, a casa dava um trabalho enorme, e o andar de cima foi ficando pequeno para tanta criança. Então resolveram se mudar. Lilibeth encontrou, no mesmo bairro, perto da escola e do shopping, um belo apartamento, não muito moderno, nem velho demais, com um terraço enorme. Das janelas e do terraço podia-se quase tocar as árvores de um grande parque. Os pais das meninas encontraram um apartamento bem ao lado do edifício da Vovó, de modo que quando brincavam no pátio elas podiam chamar Lilibeth, e ela descia para ficar com as netas, ou abanava da sua janela. Filhos e netos continuavam a vir almoçar ou brincar no apartamento de Lilibeth. Aos poucos, o terraço foi ficando cheio de plantas, passarinhos, duas redes e uma pequena piscina para os dias quentes demais. No começo, Tatinha sentiu saudades da casa, mas logo se acostumou ao apartamento, de onde se via aquele parque com tantas árvores pertinho. Parecia até que moravam num sítio. - 12 - - 13 -

Certa vez, ela perguntou a Lilibeth: Vovó, você não acha que esse terraço pode virar um jardim encantado? Claro respondeu Lilibeth. Vai depender de nós. Isa e Dora começavam a freqüentar o maternal da mesma escola do primo Diogo, onde Tatinha já estava na primeira série. Nos primeiros dias ficavam meio choronas, Mamãe tinha de sentar-se no pátio lendo para que elas a pudessem enxergar e ficar mais tranqüilas. Depois de uns dias se acostumaram, e Mamãe ficou toda orgulhosa: Minhas três filhas são mesmo umas princesas dizia brincando. Em poucos dias se acostumaram com a escola, e logo se acostumaram também com a casa nova. O Diogo também se acostumou logo disse uma das gêmeas, que estava ouvindo a conversa. Lilibeth comentou que quando as mães e os pais ficam tranqüilos, as crianças em geral também ficam. Nervosismo, alegria, ansiedade, tudo isso contagia as crianças disse Vovó. - 14 - - 15 -

Mamãe concordou, e disse: Mas não é fácil, a gente sempre se preocupa com os filhos. Mesmo quando eles já têm filhos! completou Lilibeth, e todos começaram a rir. Um dos filhos da Bruxa Boa tinha acabado de se mudar também, com sua mulher e os dois meninos, João e José, para muito longe, para outra região do Brasil. Todos sentiam falta uns dos outros, mas também foram se acostumando. Além disso, acabavam se comunicando muito pelo computador. Morar perto é bom, mas melhor ainda é gostar um do outro, mesmo morando longe escreveu o primo João num e-mail. A geografia não importa muito, importa o carinho respondeu Vovó também pelo e-mail. Os primos trocavam brincadeiras e notícias por e-mail com Tatinha, que já sabia ler, e esta ia contando tudo para as irmãs menores. Assim foram todos aprendendo que mudar não é só perder, e que mudanças, mesmo dando susto, podem trazer novidades boas. E que família pode ser unida mesmo morando separada. Uma família não se faz com paredes e portas disse Vovó um dia, mas com carinho e cuidado. Com tantas novidades, Tatinha esquecera as duas Bruxas Más, Cara-de-Janela e Cara-de-Panela, que tinham dado tanto trabalho na casa velha. Vovó, você acha que elas vão aparecer por aqui, nesse andar tão alto? perguntou um dia, espiando no escritório onde Vovó lidava no seu computador, enquanto as gêmeas Isa e Dora desenhavam no quarto de brincar. Para Lilibeth, nenhuma casa do mundo era boa sem um quarto de crianças. - 16 - - 17 -

Vovó tirou os óculos, e olhou com aquela sua cara de Bruxa Boa: Filhota, a gente nunca sabe do que uma bruxa é capaz. Logo vamos descobrir. E com um sorrisinho meio esquisito virou-se de novo para o computador, e continuou a escrever. Mas Tatinha insistiu: Vovó, a senhora trouxe aquelas poções mágicas que a gente preparou? Claro que sim respondeu Lilibeth sem tirar os olhos do computador. Você acha que sua avó é boba? Tatinha voltou para o quarto de brincar pensando que, se Lilibeth tinha trazido as poções, com certeza esperava que algum dia Cara-de-Janela e Cara-de-Panela aparecessem. Será que as vassouras delas tinham força para subir até o andar onde Lilibeth morava agora? Num sábado, como fazia muitas vezes, Lilibeth tinha organizado um almoço de família na casa nova. Viriam Tatinha com suas irmãs e seus pais. Viriam também o filho de Vovó que morava na cidade, com a mulher e dois filhos Diogo, o menorzinho dos netos dela, e Antônio, o maior de todos. Quando estavam todos na sala, conversando e rindo, Lilibeth pediu silêncio e anunciou: Vamos subir ao terraço, porque lá tem uma novidade! As crianças começaram a pular ao redor dela gritando: Conta o que é, Vovó, conta o que é! Lilibeth insistiu: Deixem de ser preguiçosas, crianças. Vamos ao terraço e vocês vão descobrir. - 18 - - 19 -

No andar de cima, foram todos, pé ante pé, até o canto onde ficava uma jabuticabeira trazida com a mudança da outra casa. Estava plantada num vaso bem grande, e parecia contente, cheia de folhas novas. Olhem! disse Lilibeth apontando o dedo gordinho, e inclinando-se para enxergar melhor assim de perto. O quê, o quê? perguntaram as três meninas ao mesmo tempo. Jabuticabas! disse Lilibeth, feliz como se fosse criança também. As primeiras frutas no terraço da minha casa nova! A jabuticabeira também gostou da mudança, e está cheia de frutas! As meninas adoraram a novidade, e ficaram felizes, pois as frutinhas redondas já estavam maduras, pretas e doces, prontas para serem comidas. Lilibeth lavou as jabuticabas na cozinha, e ficaram sentados todos na sala comendo. De repente Lilibeth deu uma risada e disse: Tem coisas que não mudam. Vocês sabem que, quando a mãe e os tios de vocês eram crianças, sentavam assim comigo comendo jabuticaba de outra árvore no pátio da casa? E que quando eu era criança fazia isso com minha mãe no jardim de outra casa ainda, aquela onde eu nasci, bem longe daqui? Vovó, conta do dia em que você subiu numa árvore e não conseguia mais descer! pediu Isa, a mais perguntadeira das gêmeas. Ah disse Lilibeth com uma risada, essa história eu já contei mil vezes! As três meninas e o primo Diogo começaram a pedir juntos: Conta, vovó! Conta, vovó! Lilibeth começou a contar para as netas a história que elas não se cansavam de ouvir: - 20 - - 21 -

Ela tinha sido uma menina bem arteira, numa casa com jardim grande. Um dia subiu numa árvore e não conseguiu mais descer. Aí o jardineiro veio com uma escada, e ajudou a menina a chegar de novo no chão. Enquanto escutavam as histórias de Vovó, Tatinha achou que estava ouvindo no terraço, lá em cima, um barulho muito esquisito. Não era pássaro nem vento, embora de repente soprasse um pé-de-vento bem forte. Esquisito, porque nem havia nuvens no céu. Será que não era a risada das Bruxas Más, que moravam num buraco debaixo da calçada da rua da casa velha, com ratos pretos, feios e fedorentos? - 22 - - 23 -