Fortaleza/CE - A cidade e a memória Em todo o quarteirão da Igreja de São Pedro, na Beira Mar, tombada pelo Município, só é permitido construir prédios novos de até quatro andares, mas um projeto de uma torre residencial está sendo tocado na área. Tombada pelo patrimônio municipal, a Igreja de São Pedro dos Pescadores, cujas
origens remontam ainda ao século XIX, é um dos poucos registros originais na orla de Fortaleza (Gabriel Gonçalves). A gênese da vila do Mucuripe ainda está presente naquele pedaço da Beira Mar, mesmo tanto tempo e tantos prédios depois. Debaixo das castanholas, consertam-se os barcos e as redes de pescar. O mar está coalhado de botes e jangadas, o comércio do peixe é na areia e nos boxes do mercado. A cachaça também. O povo que viveu a época das dunas e da vila filmada por Orson Welles está lá. Do outro lado da pista, a Igreja de São Pedro dá a benção aos pescadores, donos históricos do lugar. Em 2008, a igrejinha, que na verdade é uma capela, foi tombada pelo Município e ficou a salvo dos interesses do mercado numa área que tem o metro quadrado mais caro da cidade e quase nenhum terreno para novos empreendimentos. Naquele ano, foi definida também uma poligonal, uma área no entorno do bem tombado que garanta sua visibilidade, ambiência e integração, como explica a Coordenação de Patrimônio Histórico-Cultural da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). A princípio, ela ia até a Travessa Caetano, a rua na esquina à esquerda da porta da igreja, até a rua Bauxita, a de trás, e a avenida Beira Mar, formando um triângulo. Em 2010, a poligonal foi estendida até o fim do quarteirão do lado direito, já um pouco tarde para garantir o destaque do bem tombado na paisagem. A igrejinha tem como vizinho um prédio bem alto. Fica ali, meio escondida para quem não presta atenção, um registro precioso de um tempo e emblemático dessa gênese da vila de pescadores que ainda resiste. A segunda e atual poligonal pega o terreno onde ficava a Peixada do Meio, a 50 Sabores e o posto de gasolina. Tudo recentemente vendido para a construção de torres residenciais no mesmo padrão do restante da Beira Mar: paisagem
verticalizada e arquitetura moderna. Acontece que a Lei Municipal de Proteção do Patrimônio Histórico-Cultural e Natural do Município de Fortaleza diz que qualquer alteração física só pode ser feita depois de prévia autorização da Coordenação de Patrimônio Histórico Cultural da Secultfor, não sendo permitido qualquer tipo de uso ou ocupação que possa prejudicar a harmonia arquitetônica e urbanística do bem tombado. Os investidores derrubaram parte das construções da área comprada à revelia do Conselho de Patrimônio Histórico- Cultural (Comphic). De acordo com Clélia Monastério, coordenadora de Patrimônio na Secultfor, o órgão procurou identificar os investidores quando começaram as demolições, enviou fiscais ao local, consultou a Secretaria do Meio Ambiente e Controle Urbano (Seman), mas somente no mês passado os empresários e o Comphic sentaram para uma primeira conversa. Quando se faz um empreendimento, você tem que consultar órgãos públicos para ver a viabilidade. A área da poligonal é de conhecimento da Semam, por exemplo, e de outros órgãos pesquisados. As pessoas ignoram apostando que vai dar certo. Talvez eles tenham até vendido alguma unidade do projeto, lamenta Clélia. Quem decide se o projeto vai ser ou não aprovado mesmo indo contra o gabarito estabelecido para a poligonal, que permite construções de até quatro pavimentos -, é o Comphic e a comunidade. Essa é a pauta da próxima reunião do conselho, formado por representantes da sociedade civil e do poder público. O quê Entenda a notícia O projeto de um edifício residencial na pontinha da Beira Mar área de proteção em decorrência do tombamento da Igreja de São Pedro, que fica no mesmo quarteirão pode gerar uma briga entre o mercado e o Conselho de Patrimônio Histórico-Cultural (Comphic).
Saiba mais A pedra fundamental da igreja dos pescadores foi colocada em 1852. Na época, ela era chamada de Capella Nossa Senhora da Saúde do Mucuripe. A Igreja ficou fechada durante sete anos, sendo reaberta em 1937, com o nome de Capella de Nazaré, para só depois receber o nome de São Pedro dos Pescadores. Fonte original da notícia RJ: prefeito anuncia novo plano inclinado da Igreja da Penha O prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes apresentou, na manhã deste domingo, o projeto de construção do novo Plano Inclinado
da Igreja de Nossa Senhora da Penha, na zona norte da cidade. A prefeitura investirá R$ 17,6 milhões na construção de dois planos inclinados sobre trilhos, um com 188 m e outro com 58 m de extensão. O equipamento terá cabine panorâmica, com capacidade para transportar 25 passageiros. Esta obra vai dar continuidade ao plano inclinado implantado em 2003 e possibilitar a integração com a Vila Cruzeiro, também na zona norte. No projeto também está prevista a revitalização da área do antigo parque de diversões e melhorias na Igreja da Penha. Entre as mudanças estão a recuperação nas fachadas e no telhado, limpeza e pintura da amurada no entorno da Igreja, recuperação do piso no entorno, além da restauração e pintura dos guarda-corpos da escadaria de acesso à Igreja. Fonte original da notícia