Prova Escrita de Português



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Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta indelével, azul ou preta.

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Versão 1. Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta indelével, azul ou preta.

Transcrição:

EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de março Prova Escrita de Português 12.º Ano de Escolaridade Prova 639/Época Especial 8 Páginas Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. 2012 Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta indelével, azul ou preta. Não é permitido o uso de corretor. Em caso de engano, deve riscar de forma inequívoca aquilo que pretende que não seja classificado. Não é permitida a consulta de dicionário. Escreva de forma legível a numeração dos grupos e dos itens, bem como as respetivas respostas. As respostas ilegíveis ou que não possam ser claramente identificadas são classificadas com zero pontos. Ao responder, diferencie corretamente as maiúsculas das minúsculas. Se escrever alguma resposta integralmente em maiúsculas, a classificação da prova é sujeita a uma desvalorização de cinco pontos. Para cada item, apresente apenas uma resposta. Se escrever mais do que uma resposta a um mesmo item, apenas é classificada a resposta apresentada em primeiro lugar. Para responder aos itens de escolha múltipla, escreva, na folha de respostas: o número do item; a letra que identifica a opção escolhida. As cotações dos itens encontram-se no final do enunciado da prova. A ortografia dos textos e de outros documentos segue o Acordo Ortográfico de 1990. Prova 639/E. Especial Página 1/ 8

GRUPO I A Leia o poema seguinte. 1 5 A espantosa realidade das coisas É a minha descoberta de todos os dias. Cada coisa é o que é, E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, E quanto isso me basta. Basta existir para se ser completo. 10 15 Tenho escrito bastantes poemas. Hei de escrever muitos mais, naturalmente. Cada poema meu diz isto, E todos os meus poemas são diferentes, Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto. Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra. Não me ponho a pensar se ela sente. Não me perco a chamar-lhe minha irmã. Mas gosto dela por ela ser uma pedra, Gosto dela porque ela não sente nada, Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo. Outras vezes oiço passar o vento, E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido. 20 25 30 Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto; Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem esforço Nem ideia de outras pessoas a ouvir-me pensar; Porque o penso sem pensamentos, Porque o digo como as minhas palavras o dizem. Uma vez chamaram-me poeta materialista, E eu admirei-me, porque não julgava Que se me pudesse chamar qualquer coisa. Eu nem sequer sou poeta: vejo. Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho: O valor está ali, nos meus versos. Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade. Fernando Pessoa, Poemas de Alberto Caeiro, 7.ª ed., Lisboa, Ática, 1979 Prova 639/E. Especial Página 2/ 8

Apresente, de forma clara e bem estruturada, as suas respostas aos itens que se seguem. 1. Explique, de acordo com as quatro primeiras estrofes do poema, em que consiste a «espantosa realidade das coisas» (v. 1). 2. Refira dois sentimentos que a descoberta da «espantosa realidade das coisas» (v. 1) provoca no sujeito poético, justificando a resposta com citações pertinentes. 3. Explicite o modo como o sujeito poético define a sua poesia ao longo do poema. 4. Indique um dos valores expressivos das anáforas presentes na quarta estrofe do poema, fundamentando a sua resposta. B Leia o excerto seguinte da carta sobre a génese dos heterónimos, enviada por Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro em 13 de janeiro de 1935. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Fernando Pessoa, Correspondência 1923-1935, ed. de Manuela Parreira da Silva, Lisboa, Assírio & Alvim, 1999 Explique, fazendo apelo à sua experiência de leitura, em que medida a poesia de Fernando Pessoa ortónimo se afasta dos ensinamentos do mestre, fundamentando a sua exposição em dois aspetos significativos. Escreva um texto de oitenta a cento e trinta palavras. Observações: 1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2012/). 2. Um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até cinco pontos) do texto produzido. Prova 639/E. Especial Página 3/ 8

GRUPO II Leia o texto seguinte. Em caso de necessidade, consulte o glossário apresentado. 1 5 10 15 20 25 O termo «imagem» é tão utilizado, com tantos significados sem ligação aparente, que parece muito difícil apresentar uma definição simples e que abarque todas as maneiras de a empregar. De facto, numa primeira abordagem, o que haverá de comum entre um desenho de uma criança, um filme, uma pintura rupestre ou impressionista, um graffiti, um cartaz, uma imagem mental, uma imagem de marca, uma imagem verbal e por aí fora? O mais notável é que, apesar da diversidade dos significados desta palavra, compreendemo-la. Compreendemos que ela designa algo que, embora não remetendo sempre para o visível, toma de empréstimo alguns traços ao visual e, em todo o caso, depende da produção de um sujeito: imaginária ou concreta, a imagem passa por alguém que a produz ou a reconhece. O uso contemporâneo da palavra «imagem» remete, a maior parte das vezes, para a imagem mediática. A imagem invasora, a imagem omnipresente, aquela que criticamos e que faz ao mesmo tempo parte da vida quotidiana de cada um é a imagem mediática. Anunciada, comentada, adulada ou vilipendiada pelos próprios media, a imagem torna-se então sinónimo de televisão e de publicidade. Empregamos também o termo «imagem» para falar de certas atividades psíquicas tais como as representações mentais, o sonho, etc. A imagem mental corresponde à impressão que temos quando, por exemplo, lemos ou ouvimos a descrição de um lugar, à impressão de o ver quase como se lá estivéssemos. Uma representação mental é elaborada de um modo quase alucinatório e parece pedir emprestadas as suas características à visão. Vê-se. A proliferação de usos da palavra «imagem» não dá, todavia, conta daquilo que se designa, muitas vezes a medo, como «a proliferação das imagens». Na vida quotidiana, a televisão propõe cada vez mais emissões e oferece a oportunidade de utilizar numerosos jogos vídeo, que incluem imagens, mesmo que rudimentares. Também o computador permite utilizar imagens graças a programas de criação de imagens ou de simulações visuais. Mas haver uma multiplicação de ecrãs é uma coisa; que eles sejam sinónimos de imagem e apenas imagem é outra coisa. O som e a escrita, por exemplo, têm também o seu lugar (e não dos menos importantes) nos ecrãs. Martine Joly, Introdução à Análise da Imagem, Lisboa, Edições 70, 1999 (adaptado) GLOSSÁRIO vilipendiada (linha 13) tratada com desprezo. Prova 639/E. Especial Página 4/ 8

1. Para responder a cada um dos itens de 1.1. a 1.7., selecione a única opção que permite obter uma afirmação correta. Escreva, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida. 1.1. De acordo com o primeiro parágrafo do texto, a compreensão da palavra «imagem» é possível porque, entre outras razões, todos os seus significados (A) se dissociam completamente do mundo visível. (B) são equivalentes uns aos outros. (C) pressupõem a existência de um sujeito. (D) se associam ao mundo mediático. 1.2. Em relação à expressão «atividades psíquicas» (linha 15), a referência ao «sonho» (linha 16) constitui (A) um exemplo. (B) uma consequência. (C) uma comparação. (D) uma definição. 1.3. Para pôr em causa a associação entre «proliferação das imagens» (linha 21) e «multiplicação de ecrãs» (linha 25), a autora refere que (A) os ecrãs utilizam vários tipos de imagens. (B) o uso da palavra «imagem» é excessivo. (C) os ecrãs utilizam vários tipos de linguagens. (D) o uso das imagens anula o som e a escrita. 1.4. No último período do primeiro parágrafo, o uso dos dois pontos introduz (A) uma citação. (B) uma enumeração. (C) uma frase no discurso direto. (D) uma explicação. 1.5. Com o uso da locução «mesmo que» (linha 23), introduz-se um valor de (A) adição. (B) concessão. (C) causa. (D) alternativa. Prova 639/E. Especial Página 5/ 8

1.6. A utilização da expressão «De facto» (linha 3) contribui para a coesão (A) lexical. (B) frásica. (C) interfrásica. (D) temporal. 1.7. O ato ilocutório presente em «O uso contemporâneo da palavra imagem remete, a maior parte das vezes, para a imagem mediática.» (linhas 10 e 11) é (A) declarativo. (B) compromissivo. (C) diretivo. (D) assertivo. 2. Responda de forma correta aos itens apresentados. 2.1. Identifique a função sintática desempenhada pelo pronome relativo presente em «a imagem passa por alguém que a produz ou a reconhece.» (linha 9). 2.2. Identifique o tipo de deixis assegurado pelo advérbio «lá» (linha 18). 2.3. Classifique a oração «que incluem imagens» (linha 23). Prova 639/E. Especial Página 6/ 8

GRUPO III Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, apresente uma reflexão sobre a importância da imagem no mundo contemporâneo. Fundamente o seu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. Observações: 1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2012/). 2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, há que atender ao seguinte: um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido; um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos. FIM Prova 639/E. Especial Página 7/ 8

COTAÇÕES GRUPO I A 1.... 20 pontos (12 pontos) Estruturação do discurso e correção linguística (8 pontos) 2.... 15 pontos (9 pontos) Estruturação do discurso e correção linguística (6 pontos) 3.... 20 pontos (12 pontos) Estruturação do discurso e correção linguística (8 pontos) 4.... 15 pontos (9 pontos) Estruturação do discurso e correção linguística (6 pontos) B... (18 pontos) Estruturação do discurso e correção linguística (12 pontos) 30 pontos 100 pontos 1. 2. GRUPO II 1.1.... 5 pontos 1.2.... 5 pontos 1.3.... 5 pontos 1.4.... 5 pontos 1.5.... 5 pontos 1.6.... 5 pontos 1.7.... 5 pontos 2.1.... 5 pontos 2.2.... 5 pontos 2.3.... 5 pontos 50 pontos GRUPO III Estruturação temática e discursiva... Correção linguística... 30 pontos 20 pontos 50 pontos TOTAL... 200 pontos Prova 639/E. Especial Página 8/ 8