Lei de Responsabilidade Fiscal: implementação e resultados Dra. Selene Peres Peres Nunes Assessora Econômica do Ministério do Planejamento, Orçamento e GestãoG 10 de setembro de 2002
O QUE É A LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL? Um código de boas condutas de finanças públicas aplicável a: a 3 esferas de governo (Governo Federal, Estados, Distrito Federal e mais de 5.500 municípios) 3 Poderes (Executivo,( Legislativo e Judiciário) em conceito abrangente: toda a administração pública, p direta e indireta, incluindo fundos, fundações, autarquias e empresas estatais dependentes
LÓGICA DA GESTÃO FISCAL RESPONSÁVEL Planejamento no no processo orçamentário (PPA, LDO, LOA) + Regras e limites na na LRF (pessoal, dívida, etc.) mecanismos de de compensação e correção de de desvios Transparência e controle + Sanções: institucionais e pessoais
1º PASSO: PLANEJAMENTO NO PROCESSO ORÇAMENTÁRIO 1) PPA plano plurianual (4 anos), com metas físicas (relação custo/benefício) 2) LDO anual, com metas fiscais para 3 anos (receitas, despesas, resultado primário e nominal e dívida pública) 3) Orçamento de acordo com metas físicas f e fiscais 69% dos municípios com superávit fiscal = soma de R$ 3,47 bi (não gastam mais que arrecadam)
EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA E FINANCEIRA MECANISMO DE CORREÇÃO DE DESVIOS (União, Estados e Municípios) Programação financeira mensal e metas de arrecadação bimestrais um mês depois de publicado o orçamento Relatório Resumido de Execução Orçamentária a cada 2 meses Corte automático Se previsto o não cumprimento das metas de resultado primário ou nominal, a cada 2 meses, será obrigatória a limitação de empenho e movimentação financeira, por Poder Como? Os Poderes devem participar do contingenciamento nos termos da LDO (caput do art. 9º): ressalvadas as despesas incomprimíveis e as que a LDO determinar.
PORQUE O EQUILÍBRIO FISCAL É IMPORTANTE PARA O BRASIL? Resultados Fiscais: s: 1990-1998 1998 e 1999-200 2001 (% PIB) Média Anual Resultados Previsão Distribuição ição 1990-1994 1994 1995-1998 1998 1999 2000 2001 2002 2003 Resultado Primário rio -2,8 0,2 3,1 4,2 3,35 3,88 3,75 Governo Federal -1,5-0,3 2,3 2,8 Estados e Municípios -0,6 0,4 0,2 1,0 Empresas -0,6 0,1 0,6 0,4 1,85 0,80 2,37 0,94 0,70 0,57 2,25 0,95 0,55 Fonte: Giambiagi, Fábio (BNDES, 1999), MF e MP.
PORQUE O EQUILÍBRIO FISCAL É IMPORTANTE PARA O MUNICÍPIO? Mais recursos para: Saúde Educação Metade do orçamento gasto com educação (27%) e saúde (22%) = maioria dos municípios cumpre limites da CF Investimentos Investem R$ 7,5 bi = 52% do investimento federal (e só 5,59% é financiado por operações de crédito): poupam para investir Condição essencial para melhoria da qualidade do gasto público
2º PASSO: RESPEITAR REGRAS E LIMITES DA LRF (ou fazer as correções necessárias) Regras para receita e despesa Limites para despesa com pessoal, por Poder Limites para dívida Regras para AROS, garantias e restos a pagar (inclusive mais duras no fim do mandato)
REGRAS PARA A RECEITA Arrecadação instituir, prever e arrecadar impostos de sua competência 99% dos municípios arrecadam tributos = R$ 15,9 bi de impostos (> FPM líq. FUNDEF) Renúncia de receita estimativa do impacto orçamentário- financeiro por 3 anos, e estar de acordo com LOA e LDO, ou ser compensada por aumento de receita (elevação de alíquotas, ampliação da base de cálculo, majoração ou criação de tributo ou contribuição).
REGRAS PARA A GERAÇÃO DE DESPESAS EM GERAL (ART. 16) PPA LDO LOA PROGRAMAÇÃO FINANCEIRA DECLARAÇÃO DO ORDENADOR DE DESPESA (+ IMPACTO ORÇAMENTÁRIO E FINANCEIRO) (+ COMPENSAÇÃO, SE NECESSÁRIO - ART.17) LICITAÇÃO EMPENHO CONTRATO CF + LRF + Lei 4.320 + Lei 8.666 = Ordem Orçamentária e Financeira LIQUIDAÇÃO PAGAMENTO
LIMITES PARA DESPESAS COM PESSOAL NOS MUNICÍPIOS ESFERA DE GOVERNO / PODER % Receita Corrente Líquida (1) Nova Lei Camata LRF média nacional = 40,6% UNIÃO 50,0 50,0 Executivo 40,9 GDF e Ex-territórios 3,0 Demais 37,9 MPU 0,6 Legislativo 2,5 Judiciário 6,0 ESTADOS 60,0 60,0 Executivo 49,0 Ministério Público 2,0 Legislativo 3,0 Judiciário 6,0 MUNICÍPIOS 60,0 60,0 Executivo 54,0 Legislativo 6,0 98% dos municípios cumprem (1) Receita Corrente Líquida inclui Tributária, Transferências Correntes Líquidas, Serviços, Patrimonial, etc.
LIMITES PARA DESPESAS COM PESSOAL NOS ESTADOS ESFERA DE GOVERNO / PODER % Receita Corrente Líquida (1) Nova Lei Camata LRF média nacional = 43% UNIÃO 50,0 50,0 Executivo 40,9 GDF e Ex-territórios 3,0 Demais 37,9 MPU 0,6 Legislativo 2,5 Judiciário 6,0 ESTADOS 60,0 60,0 Executivo 49,0 Ministério Público 2,0 Legislativo 3,0 Judiciário 6,0 MUNICÍPIOS 60,0 60,0 Executivo 54,0 Legislativo 6,0 Em 2001, 2 Estados não cumprem. (1) Receita Corrente Líquida inclui Tributária, Transferências Correntes Líquidas, Serviços, Patrimonial, etc.
PROCESSO GRADUAL DE AJUSTE NOS ESTADOS O número de ajustados aumentou: Em 1996, só 6, dos 27 Estados/DF, cumpriam; Em 2000, 18 cumprem. Em 2001, todos cumprem. Os níveis de desenquadramento também se alteraram: em 1996, 13 estavam acima de 70%; em 2000, apenas 2 estavam acima de 70%. OS 9 ESTADOS QUE EXCEDERAM O MÁXIMO EM 2000: Ajustam 50% do do excesso até até dez/2001 e o restante até até dez/2002
LIMITES PARA A DÍVIDA CONSOLIDADA (RESOLUÇÃO Nº 40 DO SENADO FEDERAL) ESFERA DE GOVERNO Limite (/ RCL) Trajetória de 15 anos UNIÃO 3,5 --- ESTADOS 2,0 Reduz 1/15 do excedente inicial a cada ano. MUNICÍPIOS 1,2 Reduz 1/15 do excedente inicial a cada ano. 92% dos municípios estão enquadrados; 1,63% é a média da dívida/rcl nos Estados; 6 Estados estão desenquadrados: Alagoas (2,09), Goiás s (2,55), Maranhão (2,10), Mato Grosso do Sul (2,85), Mato Grosso (2,14), Rio Grande do Sul (2,82).
Limites da Resolução 43 - SF Operações de crédito/ano Serviço da Dívida ARO's Garantias 16% da RCL 11,5% da RCL 7% da RCL 22% da RCL Condiciona a análise dos pleitos de operações de crédito
OUTROS PONTOS DE MUDANÇA DE CULTURA PROMOVIDOS PELA LRF Separação entre a coisa pública e a coisa privada questão da ética Fim das obras inacabadas Previdência separada do Tesouro: receitas, despesas e disponibilidades (haja fundo ou não) Regras de final de mandato: deixar a casa arrumada para o sucessor Fim dos contratos de gaveta (é crime!)
3º PASSO: TRANSPARÊNCIA TRANSPARÊNCIA tornar público tudo o que é público Amplo acesso público, inclusive por meio eletrônico: PPA, LDO, LOA, Prestações de Contas, Parecer prévio e Relatórios da LRF. Participação popular no processo orçamentário. Audiências públicas sobre metas fiscais (cada 4 meses) Consolidação Nacional das Contas (CEF STN) Todos os Estados e 94% dos municípios enviaram balanços
3º PASSO: TRANSPARÊNCIA TRANSPARÊNCIA tornar público tudo o que é público Ministério da Fazenda divulgará mensalmente, em meio eletrônico, a relação dos que ultrapassaram os limites de dívida. Relatórios: Resumido de Execução Orçamentária (cada 2 meses) de Gestão Fiscal (cada 4 meses), assinado pelos Chefes dos Poderes de cada ente, diz se cumpriu os limites, as medidas que está adotando e o tempo necessário para que surtam efeito.
CONTROLE DA LRF Controle interno + Controle externo: TCU/E/M e Legislativo + Ministério Público e Judiciário + Controle pelo mercado ( premia adimplentes com crédito) + Controle social no processo democrático (eleições)
Ficam suspensas: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão SANÇÕES INSTITUCIONAIS transferências voluntárias obtenção de garantias contratação de operações de crédito, exceto para refinanciamento da dívida e redução das despesas com pessoal
Lei de Crimes Fiscais Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão SANÇÕES PESSOAIS detenção ( 3 meses a 2 anos) ou reclusão (1 a 4 anos) multa de 30% dos vencimentos anuais (infração administrativa punida pelo TC) Lei de Crimes dos Prefeitos (Decreto-Lei 201/67) detenção ( 3 meses a 3 anos) perda de cargo inabilitação para exercício de função, cargo ou emprego público por 5 anos
SANÇÕES PESSOAIS Lei de improbidade administrativa (Lei 8.429/92): ressarcimento perda dos bens ilicitamente acrescidos ao patrimônio indisponibilidade de bens perda de função pública suspensão de direitos políticos de 5 a 8 anos multa proibição de contratar ou receber benefícios ou incentivos fiscais por 5 anos
INFORMAÇÃO ADICIONAL Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão Esplanada dos Ministérios, Bloco K, 6º andar CEP: 70040-906 Brasília - DF - Brasil Tel: (55 61) 429 4784/4314 - Fax: (55 61) 225 5183 e-mail: selene.nunes@planejamento.gov.br http://www.planejamento.gov.br