Projeto. Barcos do Brasil



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Transcrição:

Projeto Barcos do Brasil

Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministro da Cultura Juca Ferreira Presidente do Iphan Luiz Fernando de Almeida Diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização Dalmo Vieira Filho PROJETO BARCOS DO BRASIL Patrono Amir Klink Parceiros Ministério da Defesa - Comando da Marinha Ministério do Turismo Ministério da Ciência e Tecnologia Ministério das Cidades Secretaria Especial de Portos Ministério da Pesca e Aquicultura Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade Unesco/ Brasil

O Brasil é o país mais rico do mundo em diversidade de barcos tradicionais. Boa parte do patrimônio naval da humanidade está representado nos barcos tradicionais do Brasil, mais do que em qualquer outro país do planeta. Tradições mediterrâneas, ibéricas, norte européias, africanas, asiáticas e americanas estão presentes no patrimônio naval brasileiro.

O Patrimônio Naval Brasileiro O patrimônio naval brasileiro caracteriza-se por uma eloquência plástica absolutamente singular: formatos variados de cascos e mastreações, cores vivas e contrastantes, mastros longos ou curtos, emendados ou não, e grandes velames coloridos e vibrantes, com ou sem estais, retrancas ou caranguejeiras; fazem das embarcações tradicionais do Brasil algumas das mais extraordinárias do planeta. Muitos dos barcos são parte indissolúvel de paisagens tradicionais brasileiras e simbolizam cidades, estados e regiões geográficas com a jangada no nordeste e o saveiro na Bahia. O patrimônio naval é um dos ramos mais ameaçados do patrimônio brasileiro: contam-se nos dedos os saveiros da Bahia, as baleeiras catarinenses deixaram de ser fabricadas, desapareceram as jangadas de pau do Ceará, as velas das raras canoas alagoanas já são fabricadas com plástico preto de construção civil e não existem mais do que três canoas de tolda do Rio São Francisco. Em todos os lugares, canoas de madeira, derivadas das ubás indígenas, têm sido substituídas por barcos de alumínio produzidos em série e desprovidos de autenticidade e relação com os ecossistemas onde estão inseridos. Associadas ao patrimônio naval, registram-se inúmeras manifestações do patrimônio cultural brasileiro. Muitas igrejas, capelas, ranchos, festas profanas e religiosas, costumes, estórias, culinárias, músicas, danças, paisagens e folclore estão intimamente relacionadas com contextos pesqueiros que guardam uma porção preciosa e pouco difundida do patrimônio brasileiro. Os barcos brasileiros possuem tanta importância no contexto cultural quanto para a geração de trabalho e renda em todo o Brasil. Da pesca artesanal e do transporte marítimo, praticados por milhares de pescadores e marinheiros, depende a subsistência de grande número de famílias, cidades e até mesmo de regiões inteiras. Portanto, do ponto de vista cultural e socioeconômico, conhecer e valorizar os barcos tradicionais, apoiar a atividade pesqueira de comunidades tradicionais e promover a reabilitação de áreas centrais de cidades portuárias é uma das atividades mais urgentes e importantes do universo da cultura e do patrimônio do Brasil. Caranguejeira ou carangueja - verga móvel de madeira, apoiada no mastro, onde se prende o extremo superior do velame, utilizada para içar a vela. Estais - cabos utilizados para a sustentação do mastro. Retranca - verga onde se prende a parte inferior da vela. O movimento da retranca é que permite aproveitar a força do vento na direção do rumo desejado para a embarcação. Ubás - canoas de madeira de origem indígena escavadas em um tronco só.

Projeto Barcos do Brasil Objetivos :: Identificar, registrar e valorizar o patrimônio naval brasileiro e seus contextos sociais, culturais e ambientais; :: Proteger, preservar e salvaguar o patrimônio naval brasileiro e seus contextos sociais, culturais e ambientais; :: Valorizar a atividade e a cultura da pesca artesanal, garantir a qualificação profissional para pescadores artesanais, o apoio à produção e a cadeia produtiva da pesca, o apoio ao associativismo e cooperativismo, e o apoio à pesquisa e fomento tecnológico para o desenvolvimento sustentável da pesca. :: Identificar os mestres de carpintaria náutica e as técnicas tradicionais de construção de embarcações, visando a salvaguarda do patrimônio cultural; :: Desenvolver ações de capacitação e a qualificação profissional dos trabalhadores envolvidos com a carpintaria náutica tradicional no país e sua inserção no mercado de trabalho. :: Valorizar, qualificar e reabilitar contextos culturais ocupados por população detentora de referências culturais específicas relacionadas ao patrimônio cultural naval. :: Desenvolver ações de destinação, uso e cultivo sustentável das matérias primas necessárias à construção e reparo de embarcações tradicionais e de seus apetrechos. :: Promover a pesquisa sobre o patrimônio naval brasileiro, com destaque para tecnologias de construção de embarcações tradicionais. :: Difundir o patrimônio naval brasileiro, priorizando as formas que promovam a sustentabilidade dos pescadores artesanais, trabalhadores envolvidos com a carpintaria náutica e tripulações de embarcações à vela em todo o país.

Ações do Projeto :: Inventário e diagnóstico do patrimônio naval Tem como base a identificação dos barcos tradicionais existentes em todo o Brasil e o diagnóstico das realidades socioeconômicas locais. O objetivo é ter um painel geral da situação dos principais contextos culturais onde o barco é ator principal, para proteger e valorizar as embarcações e as atividades relacionadas à pesca, artesanato, fabricação de novas embarcações etc. Primeira etapa: Elesbão/AP; Baía de São Marcos - São Luís/MA; Camocim/CE; Pitimbu/PB; Indiaroba e São Cristóvão/SE; Marechal Deodoro/AL; Valença, Camamu, Ilhéus e Itacaré/BA; Arraial do Cabo/RJ; Litoral de Santa Catarina. Valor: R$185.000,00. Fonte de recursos: Iphan e Ministério da Pesca e Aquicultura. :: Criação de Unidades Regionais do Museu Nacional do Mar Deverão ser localizadas nos contextos mais notáveis de ocorrência de barcos tradicionais. Públicos principais: pescadores artesanais (principais usuários dos barcos tradicionais), estudantes de cada localidade, moradores e visitantes. Primeiras experiências: Unidade do Delta do Parnaíba - Parceria: Governo do Estado do Piauí; Unidade do Recôncavo Baiano - Parceria: Prefeitura Municipal de Maragogipe/BA. :: Monitoramento das principais embarcações Identificados os principais contextos, o Iphan e parceiros, monitorarão os principais barcos, prevendo ações de fomento para a conservação das embarcações e as atividades tradicionais do pescador e sua família. :: Desenvolvimento de programas para conservação e manutenção dos barcos tradicionais Voltado aos pescadores, construtores e usuários dos barcos, o programa visa disponibilizar recursos para a conservação e manutenção das embarcações tradicionais, como uma forma de impedir seu desaparecimento e fomentar seu uso cotidiano. Projeto Piloto: 1 cúter do Maranhão, em São Luís/MA; 1 barco bastardo de Camocim/CE; 1 saveiro de vela de içar, em Maragogipe/BA; 1 saveiro de vela de pena, Ilha de Itaparica/BA; 1 canoa da Praia Vermelha, Salvador/BA; 1 canoa pernambucana, em Itapissuma/PE; 1 canoa do Rio Real, em Indiaroba/SE; 1 baleeira de Santa Catarina, na Armação do Pântano do Sul, Florianópolis/SC. Valor: R$80.000,00. Fonte de recursos: Ministério da Pesca e Aquicultura. :: Construção de barcos tradicionais em locais públicos Como parte da divulgação da ocorrência e do valor do patrimônio naval e visando preservar as técnicas de carpintaria naval e correlatas (como as de pintura e calafetagem), propõe-se a construção de embarcações tradicionais em todo o país, tomando como referência as embarcações mais importantes de cada contexto. Projeto Piloto: construção de uma canoa de convés Valor: R$62.000,00. Fonte de recursos: Iphan. Parceria: Prefeitura Municipal de Laguna/SC. Calafetagem - processo de vedação das juntas de madeira do casco de um barco, que impede a infiltração de água.

Fotos Dalmo Vieira Filho Criação e diagramação Maria Regina Weissheimer Revisão Cláudio Antônio Marques Luiz Logomarca Barcos do Brasil Edson Fogaça Brasília 2009

Diagnósticos em andamento Iphan - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Setor Bancário Norte, Quadra 2 Edifício Central Brasília, 3º andar 70040-904 - Brasília/DF +55 61 3414 6204 gab.depam@iphan.gov.br www.iphan.gov.br