3 MATERIAIS, DISPOSITIVOS E EQUIPAMENTOS 3.1 OBJECTIVO O presente capítulo destina-se a estabelecer os requisitos técnicos dos materiais, dispositivos e equipamentos constituintes das infra-estruturas de telecomunicações, os quais deverão ser entendidos como requisitos mínimos, sem prejuízo da adopção de outras soluções tecnicamente mais evoluídas. 3.2 GENERALIDADES Os materiais, dispositivos e equipamentos a utilizar nas ITED, deverão ter e conservar de forma durável características eléctricas, mecânicas, físicas e químicas adequadas às condições a que podem estar submetidos em funcionamento. Não deverão provocar perturbações em outras instalações. Segundo o disposto no artigo 40º do DL 59/2000, deverão os projectistas, instaladores e entidades certificadoras, ter em linha de conta as listas de títulos e referências de normas harmonizadas publicadas no JOCE (Jornal Oficial das Comunidades Europeias) ao abrigo das seguintes directivas: 73/23/CEE de 19 de Fevereiro e sucessivas alterações, nos termos da alínea a) do nº1 do artigo 40º do DL 59/2000; 89/336/CEE de 3 de Maio e sucessivas alterações, nos termos da alínea b) do nº1 do artigo 40º do DL 59/2000. Para efeitos de fiscalização, por parte da ANACOM, do disposto nos parágrafos anteriores, ter-se-á em conta o artigo 43º, do DL59/2000. A simbologia a utilizar na representação dos materiais e dispositivos consta do Anexo 4 - SIMBOLOGIA. Alguns dos materiais e ferramentas a utilizar nas ITED constam do Anexo 5 MATERIAIS E FERRAMENTAS ESPECÍFICAS. 3.3 TIPO DE CABOS E CONDUTORES Os cabos a utilizar nas ITED, serão: Cabos de pares de cobre; Cabos coaxiais; Cabos de fibras ópticas; Cabo do tipo V (condutor de terra). 3.3.1 CABOS DE PARES DE COBRE Os cabos a utilizar no interior dos edifícios deverão ser dos seguintes tipos: Cabos das classes A e B segundo a norma EN 50173, sendo exemplos os tipos TVV, TVHV, TEG1HE; MANUAL ITED - 1ª edição 14
Cabos das classes C e D segundo a norma EN 50173, sendo exemplos os tipos UTP, STP e FTP. Nas interligações no RG-PC é utilizado o fio distribuidor constituído por 2 condutores TV entrançados de 0,5mm de diâmetro, cujas cores variam consoante o serviço, como consta na seguinte tabela: SERVIÇO POTS FAX RDIS OUTROS SERVIÇOS COR DOS CONDUTORES Azul/Vermelho Laranja/Cinzento Laranja/Preto Castanho/Branco Tabela 4- Caracterização do fio distribuidor Em locais especiais como sejam os ambientes húmidos, corrosivos ou com risco de explosão, devem utilizar-se cabos do tipo TEG1HE, TVHV ou outros de características adequadas ao ambiente. No caso da existência de anexos exteriores deverão ser utilizados os seguintes cabos: Cabo aéreo, tipo TEES, TEVS ou TEE1HES; Cabo subterrâneo tipo TEG1HE (protegido por tubo). Podem ser utilizados outros tipos de cabos de telecomunicações, desde que a sua utilização seja devidamente justificada. 3.3.2 CABOS COAXIAIS Os cabos a utilizar no interior dos edifícios deverão ser flexíveis e ter as seguintes características: Impedância característica de 75 Ω; Cobertura da malha de blindagem não inferior a 70%; Largura de Banda: 5MHz a 1GHz. Adequado à distribuição dos sinais do NQ 2a; Largura de Banda: 5MHz a 2150MHz. Adequado à distribuição dos sinais do NQ 2b. São utilizados normalmente os cabos RG59, RG6, RG7 e RG11. A constituição e caracterização dos cabos referidos anteriormente é apresentada no Anexo 5, podendo ser utilizados outros cabos coaxiais cujas características se adaptem aos respectivos serviços e às presentes Prescrições e Instruções Técnicas. 3.3.3 CABOS DE FIBRAS ÓPTICAS Os cabos de fibra óptica a utilizar deverão ser consoante a tecnologia utilizada, monomodo ou multimodo, com o mínimo de um par de fibras. A sua constituição e caracterização é apresentada no Anexo 5. MANUAL ITED - 1ª edição 15
3.3.4 CABO DO TIPO V Os cabos a utilizar na ligação à terra de protecção são do tipo V, constituídos por um condutor de cobre recozido e isolado com uma composição de PVC (policloreto de vinilo) de cor verde/vermelho (especificação ICP-ANACOM 25.03.40.002, 2ª edição). A secção nominal mínima do condutor é de 1,5mm 2. Poderão ser usados outros condutores com secções de 2.5, 4, 6, 10, 16, 25, 35 e 50 mm 2. Os condutores de secção superior a 6 mm 2 serão multifilares. 3.4 DISPOSITIVOS DE LIGAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO 3.4.1 CABOS DE PARES DE COBRE Os Dispositivos de Ligação e Distribuição (Anexo 5 - Figuras 15, 16, 17), são constituídos por unidades modulares e respectivos acessórios, instalados em estrutura própria (Anexo 5 - Figura 14). Permitem a interligação e distribuição de pares de cobre com individualização de condutores. Não devem ter dimensões superiores a 130 x 30 x 40 mm (comprimento x largura x altura) e, quando for necessária a incorporação de órgãos de protecção, a dimensão máxima será 130 x 30 x 70 mm. A estrutura que serve de suporte à unidade modular deve ter, pelo menos, um terminal que garanta a ligação de um condutor de terra de protecção. Cada unidade modular tem capacidade para a ligação de 10 pares, ou de 1 par no caso de ligadores simples (Anexo 5 - Figura 31), sendo esta completamente preenchida com geleia no seu interior, permitindo: A ligação de condutores de diâmetro variável de 0,4 a 0,9mm e com diâmetro exterior máximo de 2mm; A instalação de descarregadores de sobretensão e de sobrecorrente; O ensaio com corte; A ligação à terra. Para efeitos das presentes Prescrições e Instruções Técnicas existem dois tipos distintos de unidades modulares: Dispositivo Simples (DDS) (Anexo 5 - Figura 15) - elemento de ligação simples cuja função é possibilitar a individualização de condutores; Dispositivo com Corte e Ensaio (DDE) (Anexo 5 - Figura 16) - elemento de ligação, que para além de possibilitar a individualização dos condutores, permite o corte da ligação (entrada/saída), sem recurso à desconexão dos condutores, constituindo ponto de acesso para ensaios. O DDS tem duas variantes: Unidade modular que admite a incorporação de órgãos de protecção, nomeadamente descarregadores de sobretensão (Anexo 5 - Figura. 17); Unidade modular que não admite a incorporação de órgãos de protecção (Anexo 5 - Figura. 15). Em casos particulares podem ser realizadas juntas para efectuar ligações de cabos. Na sua realização a ligação dos condutores só poderá ser feita utilizando ligadores mecânicos compatíveis. Para o fecho da junta os materiais utilizados deverão garantir a estanquicidade da mesma, pelo que devem ser utilizadas fitas auto vulcanizantes, mangas termo-retrácteis, ou outro sistema de eficiência similar ou superior. MANUAL ITED - 1ª edição 16
3.4.2 CABOS COAXIAIS Nas redes de cabos coaxiais, são usados os seguintes equipamentos: Repartidores; Conectores; Misturadores; Derivadores (Splitter); TAP; Amplificadores; Atenuadores; Equalizadores; Separadores/Filtros. As características técnicas destes equipamentos devem obedecer à norma EN 50083. Salienta-se o seguinte: - O isolamento entre saídas dos equipamentos passivos deve ser maior ou igual a 16dB; - Para o último TAP DE CLIENTE o valor do isolamento entre saídas recomendado será maior ou igual a 24dB (isto porque, devido à bi-direccionalidade da rede coaxial, as saídas funcionarão como entradas no retorno, com níveis de sinal até 114 dbµv, de acordo com a norma EN 50083-10, o que poderá provocar interferência nos canais de recepção). 3.4.3 CABOS DE FIBRAS ÓPTICAS Nas redes de cabos de fibras ópticas são usados, entre outros, como dispositivos de ligação e distribuição os tipos de ligação e dispositivos de distribuição seguintes: Juntas por fusão; Conectores mecânicos: amovíveis e fixos; Repartidores ópticos. 3.5 CONSTITUIÇÃO DO ARMÁRIO DE TELECOMUNICAÇÕES DE EDIFÍCIO E REPARTIDORES GERAIS Armário de Telecomunicações de Edifício (ATE): é um dispositivo de acesso restrito, onde se encontram alojados os vários Repartidores Gerais (RG) que possam existir e que adiante se definem. Embora o ATE possa ser coincidente, no limite, com uma ETI ou ETS, ele é normalmente constituído por uma caixa metálica do tipo C (definido no ponto 3.9.1), um bastidor, um armário encastrado na parede, onde estão alojados os referidos RG, com os respectivos primários e secundários. MANUAL ITED - 1ª edição 17
O ATE contém obrigatoriamente um barramento de terra, onde se vão ligar as terras de protecção da ITED. O ATE disponibiliza espaço suficiente para alojar os vários repartidores gerais. Dada a eventual complexidade do ATE, é indispensável um correcto e cuidado dimensionamento para fazer face a todas as necessidades, nomeadamente de espaço disponível para os vários operadores (ver o ponto 4.3.2). Repartidor Geral de Par de Cobre (RG-PC): dispositivo que faz a interligação dos cabos de pares de cobre dos diversos operadores, à rede de cabos de pares de cobre do edifício. O RG-PC é basicamente constituído por dispositivos de ligação e distribuição, sendo o elemento base a unidade modular, do tipo DDS ou DDE, ou um BPC, no caso de moradias unifamiliares. O RG-PC está dividido em: - Um primário, onde se vão ligar os cabos de entrada dos vários operadores; - Um secundário, onde se liga a rede do edifício. Deverá existir espaço suficiente para a manobra e ligação dos cabos de entrada dos operadores. NOTA: O RG-PC coincide basicamente com a designação agora abandonada de RGE (Repartidor Geral de Edifício), à parte a caixa ou local de instalação e o dimensionamento. Repartidor Geral de Cabo Coaxial (RG-CC): equipamento que faz a interligação dos cabos coaxiais dos diversos operadores por cabo, à rede de distribuição em cabo coaxial do edifício. No RG-CC inicia-se a rede de cabos coaxiais do edifício, normalmente é um repartidor ou uma união para interligação. Deverá existir espaço suficiente para os operadores alojarem os seus equipamentos. O RG-CC poderá estar separado em duas partes distintas: uma no ETS com distribuição descendente (exemplo: MATV) e outra no ETI com distribuição ascendente (exemplo: CATV). Repartidor Geral de Fibra Óptica (RG-FO): equipamento que faz a interligação dos cabos de fibra óptica dos diversos operadores, à rede de cabos de fibra óptica do edifício. O RG-FO é constituído por um secundário onde se inicia a rede de fibra óptica do edifício. Deverá existir espaço suficiente para os operadores alojarem os seus equipamentos. 3.6 CONSTITUIÇÃO DO BPC e TAP DE CLIENTE Recomendam-se dois tipos de BPC (especificação 25.03.40.008, 2ª edição), no caso dos pares de cobre: - BPC simples (anexo 5, figura 24). Permite a entrada de 3 pares e é constituído apenas pela malha RC, destinando-se a uma fracção autónoma; - BPC com protecções (anexo 5, figura 25). Destina-se a uma instalação individual, com chegada aérea, e é protegido nos 2 pares por fusível de 250mA e disruptor tripolar, para tensões maiores ou iguais 230 V (recomenda-se 150V). Para o cabo coaxial: MANUAL ITED - 1ª edição 18
- TAP DE CLIENTE, tal como definido no Anexo 2 e ilustrado no Anexo 5, figuras 9 a 12. Nos casos de uma instalação individual com entrada aérea o TAP DE CLIENTE deve ser ligado à terra de protecção. NOTA: O BPC coincide com a designação agora abandonada de BPA (Bloco Privativo de Assinante). 3.7 DISPOSITIVOS TERMINAIS Os dispositivos terminais a utilizar nas ITED são os seguintes: - Tomada telefónica de 6 contactos (especificação técnica 25.03.40.006, edição 2) fig. 29, Anexo 5; - Tomada de 8 contactos (especificação técnica 25.03.40.012, edição 1) fig. 30, Anexo 5; - Tomada para TV e Rádio, segundo a EN 50083, parte 4 fig. 4, Anexo 5; - Tomada óptica segundo a EN 50173. As tomadas referidas são instaladas numa caixa do tipo I1 (fig.19, Anexo 5), caracterizada em 3.9.1 e embebida na parede. Quando a tomada é de montagem exterior, ou em calha, já inclui caixa própria. Admite-se a possibilidade da existência de tomadas mistas, para cabo coaxial e par de cobre, ou outras, desde que cumpram as prescrições em vigor. 3.8 ÓRGÃOS DE PROTECÇÃO Os órgãos de protecção a utilizar nas ITED são o dispositivo de corte e o dispositivo de descarga. Para o caso do par de cobre o dispositivo de corte/fusível tem como objectivo o corte da ligação quando existam sobre-intensidades de corrente, provocadas por contacto directo entre linhas de transporte de energia eléctrica e linhas de telecomunicações, especialmente em condutores nus. A corrente nominal de corte é de 250 ma. Ainda no caso do par de cobre o dispositivo de descarga/descarregador de sobretensão é um dispositivo tripolar, que tem como objectivo escoar para a terra as sobretensões provocadas por descargas atmosféricas, por contacto directo com linhas de transporte de energia ou por indução electromagnética. A tensão nominal de escoamento estipulada é de 230V +/-15%, embora se recomende o valor de 150V. MANUAL ITED - 1ª edição 19
3.9 CAIXAS E CONDUTAS 3.9.1 CAIXAS Os tipos de caixas a utilizar na rede colectiva de tubagens (caixas do tipo C) e respectivas dimensões interiores (em mm), são indicadas na tabela seguinte (especificações técnicas 25.03.40 001 e 013): TIPO LARGURA ALTURA PROFUNDIDADE Capacidade nominal de ligação do terminal de terra (mm2) C0 150 200 100 - C1 250 300 120 2,5 C2 400 420 150 2,5 C3 500 600 160 4 C4 700 900 160 10 C5 830 900 200 10 C6 830 1070 200 10 C7 830 1240 200 10 Tabela 5 - Caixas para utilização na rede colectiva As caixas da rede colectiva de tubagens deverão ter uma porta, em material que dificulte a sua violação, com um dispositivo de fecho com chave. Deverão ser identificadas pela indicação "Telecomunicações", marcada de forma indelével na face exterior da porta, como ilustra a figura 23 do anexo 5. O índice de protecção é o IP426, de acordo com NP EN 60529 e o fundo interior deve permitir a fixação de estrutura de suporte às unidades modulares (DDS e DDE). As caixas de distribuição para a colocação das unidades modulares, devem ter um terminal para a ligação dos condutores de terra de protecção, cravado ou soldado à chapa e devidamente sinalizado. Nos casos em que uma caixa do tipo C seja utilizada para o ATE, o terminal de terra deve ser um barramento de terra, cravado ou soldado. Os tipos de caixas a utilizar na rede individual de tubagens (caixas do tipo I) e respectivas dimensões mínimas internas, são indicados na tabela seguinte (dimensões em mm): TIPO LARGURA ALTURA PROFUNDIDADE I1 Especificação técnica 25.03.40.007 40 I2 80 80 40 I3 160 80 55 IE 250 300 120 Tabela 6 - Caixas para utilização na rede individual MANUAL ITED - 1ª edição 20
A caixa I1 é normalmente utilizada como caixa de aparelhagem. As caixas I2 e I3 (figs. 20 e 21 do Anexo 5) devem possuir tampa. A caixa IE (Anexo 5 figura 22) é uma caixa semelhante à do tipo C1, possuindo no entanto uma porta com ranhuras para ventilação por convecção. A caixa deve conter uma tomada de energia, com circuito autónomo com protecção de corte de corrente de (2 A), para alimentação de eventual amplificador de cliente. As caixas da rede individual de tubagens, deverão ter um índice de protecção IP315, de acordo com a NP EN 60529. Esta designação do índice de protecção deve estar marcado na face exterior da tampa. A evolução das redes de telecomunicações dentro dos edifícios, leva a que possam ter de se considerar outros tipos de caixas, para além daquelas que são normalmente utilizadas, como por exemplo caixa dupla com acessos individualizados na coluna montante. 3.9.2 TUBOS Nas entradas aéreas utilizam-se tubos de plástico, de acordo com a norma NP1071/3. A entrada subterrânea deve ser em tubo rígido, ou corrugado com interior liso, podendo o material a empregar ser o ferro galvanizado, fibrocimento ou plástico rígido (PVC ou PE). Os tubos a utilizar nas redes individuais e colectivas de tubagens, devem ter a parede interior lisa e obedecer às normas NP-1071/2 e NP-1071/3 (ISOGRIS e VD). 3.9.3 CALHAS No caso de utilização de calhas, considera-se que um compartimento de calha equivale a um tubo. As calhas a utilizar devem obedecer à norma europeia EN 50085. As características mínimas serão: - Tampa desmontável só com utensílio; - IP40 de acordo com NP EN 60529; - IK 08 de acordo com EN 50102; - Não propagador da chama. Em casos específicos tal como referido no ponto 4.6.3, devem utilizar-se sempre calhas. 3.10 ANTENAS As antenas e os sistemas directamente associados (recepção, conversão, multiplexagem, amplificação e outros) são parte integrante dos sistemas de cablagem para a distribuição dos sinais sonoros e televisivos dos tipos A e B. Na instalação de qualquer tipo de antena, deve ter-se em conta o contemplado nas normas europeias harmonizadas, nomeadamente a EN 50083-1, o disposto no decreto de lei 151-A/2000 de 20 Julho, bem como o disposto no ponto 5.6 do presente Manual. MANUAL ITED - 1ª edição 21