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Transcrição:

JÚLIO LOPES HOTT Delegado da Polícia Civil do Distrito Federal aposentado. Foi Diretor de Administração Penitenciária, titular de várias delegacias, presidente da Comissão Permanente de Disciplina da PCDF, atualmente é professor de direito penal da UDF e do UNICEUB, possui várias especializações. Mestrando em Direito e Políticas Públicas pelo UNICEUB. ESTATUTO DO DESARMAMENTO LEI 10.826/03 (regulamentada pelo dec. 5123/04). CLASSIFICAÇÃO GERAL DAS ARMAS: 1)ARMAS PRÓPRIAS: fabricadas originalmente para ataque e defesa. a) ARMAS BRANCAS: instrumentos cort.pref.cont. s/a força da pólvora. b) ARMA DE FOGO:artefato mecânico de lançamento de projetéis mediante a força explosiva da 2)ARMAS IMPRÓPRIAS: fabricadas como utensílio ou ferramenta e utilizada c/desvio. a)utensílios b)ferramentas 3)Objeto Jurídico: a proteção da incolumidade pública, do estado de segurança coletiva, da integridade pessoal e patrimonial difusa contra o perigo abstrato de dano. 4)Objeto material: 4.1)-Armas de fogo de uso proibido ou restrito: artigo 11 do regulamento complementado pelo art. 16 dec.3665 que dispõe acerca de produtos controlados pelo M.E.: a)armas de fogo automáticas; b)armas de fogo dissimuladas; c)armas de fogo de alma lisa cano curto (escopetas); d)armas de fogo de alma lisa cano longo de calibre superior ao 12 e suas munições; e)armas longas de alma raiada com munição magnum ou calibres especificados pelo ME. f) Armas curtas com munição 357 magnum ou calibres acima de 9mm. 42)-Acessórios de uso restrito- art. 3 do dec. 3665/00 a) Dispositivos silenciadores, abafadores e dissimuladores; b)dispositivos de pontaria com luz marca-alvos (mira-laser) c)dispositivos ópticos de aumento maior que 6x. d)equipamentos de visão noturna (óculos, lunetas) e)equipamentos de proteção balística. 4.3)-Armas de uso permitido: a)armas curtas de repetição e semi-automáticas c/ calibre menor que 9mm; b) Armas de cano longo e alma lisa c/calibre até 12mm; c)armas longas de alma raiada nos calibres especificados pelo ME.

4.3)-órgãos de cadastro: art. 14 do regulamento a)sinarm B) SIGMA 5- POSSE DE ARMAS 5.1 - Posse irregular de arma de fogo de uso permitido Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa: Pena detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. a) Objetividade jurídica - a incolumidade pública e o controle da propriedade das armas de fogo. Objeto material: b) Sujeito ativo Na residência: qualquer pessoa. No local de trabalho: somente o titular o rep. legal c) Sujeito passivo a coletividade d) Elemento subjetivo - O crime consiste exatamente em possuir ou manter a guarda de arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, no interior da residência ou dependência desta, ou no local de trabalho, na condição de titular ou responsável legal do estabelecimento ou empresa, sem o devido registro. O legislador estabeleceu pena menor para esse caso por entendê-lo de menor gravidade, já que a arma está no interior da residência ou estabelecimento comercial. O crime do art. 12 da Lei n. 10.826/2003 posse irregular de arma de fogo de uso permitido, pressupõe que o fato ocorra no interior da própria residência do agente ou em dependência desta. Assim, a detenção de arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, em residência alheia, caracterizará o crime mais grave, do art. 14. A mesma regra valerá se a detenção da arma ocorrer em empresa ou estabelecimento comercial, mas se o agente não for o seu titular ou responsável legal. e)classificação doutrinária Crime comum em relação ao sujeito que possui em sua casa e próprio em relação ao sujeito que possui no local de trabalho; crime simples, de perigo abstrato e de mera conduta porque dispensa prova de que

pessoa determinada tenha sido exposta a efetiva situação de risco (a lei presume a ocorrência do perigo), bem como a superveniência de qualquer resultado; permanente pois a consumação ocorre no momento em que a arma dá entrada na residência ou estabelecimento comercial e permanece a situação flagrancial enquanto não cessada a conduta.unissubjetivo e unissubsistente não admitindo a tentativa, pois a tentativa de adquirir, mesmo para possuí-la em casa deslocaria a conduta para o artigo 14. 6 - OMISSÃO DE CAUTELA Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade: Pena detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa. a) Objetividade jurídica: A incolumidade pública em face do perigo decorrente do apoderamento da arma de fogo por pessoa despreparada, e ainda a própria integridade física do menor da idade ou deficiente mental, que também fica exposta a risco em tal situação. b) Sujeito ativo qualquer pessoa que tenha a posse ou propriedade de arma de fogo. c) Sujeito passivo a coletividade, bem como o menor ou deficiente mental. d) Elementos do tipo - A conduta incriminada é tipicamente culposa, na modalidade de negligência, já que se pune a omissão do agente, que não observa as cautelas devidas para evitar o apoderamento pelo menor ou deficiente, como, por exemplo, deixando a arma no banco do carro e não trancando a sua porta, ou, ainda, deixando-a em uma gaveta da sala de casa, sem trancá-la etc. e) Classificação doutrinária: Crime comum, simples, de perigo abstrato porque se configura pelo simples apoderamento pelo menor ou doente mental, independentemente de ter ele apontado a arma para alguém ou para ele próprio; culposo, omissivo próprio, portando, como todo o crime culposo, material pois exige o resultado, ou seja, o apoderamento da arma e não admite tentativa. f)-confronto com o artigo 19, 2 -LCP 7 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE FURTO, ROUBO OU EXTRAVIO Art. 13, parágrafo único,- Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras

formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato. a) Objetividade jurídica - A veracidade dos cadastros de armas de fogo junto ao SINARM e do respectivo registro perante os órgãos competentes..b) Sujeito ativo - Trata-se de crime próprio, que só pode ser cometido pelo proprietário e pelo diretor responsável por empresa de segurança ou de transporte de valores. c) Sujeito passivo - A coletividade, já que a veracidade dos cadastros é de interesse coletivo e não apenas dos órgãos responsáveis. d) Elementos do tipo - Nos termos do art. 7º, caput, do Estatuto do Desarmamento, as armas de fogo utilizadas pelas empresas de segurança e transporte de valores deverão pertencer a elas, ficando também sob sua guarda e responsabilidade. O dispositivo estabelece, outrossim, que o registro e a autorização para o porte, expedida pela Polícia Federal, deverão ser elaborados em seu nome. A empresa deverá ainda apresentar ao SINARM, semestralmente, a relação dos empregados habilitados, nos termos da lei, que poderão portar as armas. Tal porte evidentemente só poderá ocorrer em serviço. Dessa forma, como a responsabilidade pela arma de fogo recaiu precipuamente sobre a empresa, o Estatuto estabeleceu também a obrigatoriedade de seu proprietário ou diretor de comunicar a subtração, perda ou qualquer outra forma de extravio a ela referentes. Assim, se não for efetuado o registro da ocorrência e não houver comunicação à Polícia Federal, em um prazo de vinte e quatro horas a contar do fato, o crime se aperfeiçoará. e) Classificação doutrinária: trata-se de crime próprio de natureza omissiva própria ou pura e também chamado de crime a prazo porque a lei estabelece um período de tempo para o delito se aperfeiçoar, ou seja a consumação ocorre com o decurso do prazo de vinte e quatro horas mencionado no tipo penal. É evidente que esse prazo não corre enquanto não tiver sido descoberta a subtração, perda ou extravio. 8 - PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO - Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

a) Objetividade jurídica - A incolumidade pública, no sentido de se evitar que pessoas armadas possam colocar em risco a vida, a incolumidade física ou o patrimônio dos cidadãos. b) Sujeito ativo - Qualquer pessoa, trata-se de crime comum. Se o delito for cometido por qualquer das pessoas elencadas nos arts. 6º, 7º e 8º, da Lei n. 10.826/2003, a pena será aumentada em metade. Sujeito passivo a coletividade. c) Classificação doutrinária Crime comum; crime simples, de perigo abstrato e de mera conduta porque dispensa prova de que pessoa determinada tenha sido exposta a efetiva situação de risco (a lei presume a ocorrência do perigo), bem como a superveniência de qualquer resultado; permanente; Em se tratando de crime de perigo, a jurisprudência fixou entendimento de que o porte concomitante de mais de uma arma de fogo caracteriza situação única de risco à coletividade, e, assim, o agente só responde por um delito, não se aplicando a regra do concurso formal. O juiz pode levar em conta a quantidade de armas na fixação da pena-base, em face da maior gravidade do fato (art. 59 do CP). Se uma das armas for de uso proibido e a outra, de uso permitido, configurase o crime mais grave, previsto no art. 16, caput, da Lei. Quando se diz que o crime é de perigo presumido ou abstrato, conclui-se apenas que é desnecessária prova de situação de risco a pessoa determinada. Exige-se, porém, que a arma possa causá-lo, pois, do contrário, não se diria que o crime é de perigo. Por isso, a própria Lei n. 10.826/2003, em seu art. 15, exige a elaboração de perícia nas armas de fogo, acessório ou munições que tenham sido apreendidos, bem como a sua juntada aos autos, com o intuito de demonstrar a potencialidade lesiva da arma. Assim, pode-se afirmar que não há crime no porte de armas obsoletas ou quebradas. d)-elemento normativo do tipo encontra-se na expressão sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Com efeito, só comete o crime quem porta arma de fogo e não possui autorização para tanto, ou o faz em desacordo com as normas que disciplinam o tema. e) Absorção e concurso - Atualmente, a interpretação adotada pela grande maioria dos doutrinadores e julgadores é no sentido de só considerar absorvido o crime de porte ilegal de arma quando a conduta tiver sido realizada única e exclusivamente como meio para outro crime. Assim, se o agente se desentende com outrem em um bar e vai para casa buscar uma arma de fogo, retornando em seguida ao bar para matar o desafeto, responde apenas pelo homicídio. Igualmente só responde pelo roubo, agravado pelo emprego de arma, quem sai armado com o intuito específico de utilizá-la em um roubo, ainda que seja preso logo depois em poder da arma. Há todavia,

concurso material, se o agente, por exemplo, já está portando um revólver e, ao ser abordado por policiais, saca a arma e os mata, exatamente para evitar a prisão em flagrante em razão do porte. É que, nesse caso, o agente não estava portanto a arma com o intuito de matar aqueles policiais. Assim, responde pelo porte em concurso material com homicídio qualificado porque matou para garantir a impunidade de outro crime, o porte ilegal. Igualmente existe concurso material se alguém utiliza um revólver para roubar um carro e dias depois é encontrado dirigindo o veículo, estando com a arma em seu poder. Nesse caso, o porte da arma no dia da prisão não constitui meio para o roubo, já que a subtração tinha acontecido dias antes. f) Crime inafiançável - O parágrafo único do art. 14 expressamente declara ser inafiançável o crime de porte ilegal de arma de fogo, contudo foi julgado inconstitucional. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3112. 9 - Disparo de arma de fogo - Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável. a) Objetividade jurídica a segurança pública b) Sujeito ativo - Qualquer pessoa. Trata-se de crime comum. Se o delito for cometido por qualquer das pessoas elencadas nos arts. 6º, 7º e 8º da Lei n. 10.826/2003, a pena será aumentada em metade. c) Sujeito passivo - Em primeiro plano, a coletividade. Em segundo, as pessoas que, eventualmente, tenham sofrido perigo de dano decorrente do disparo da arma. d) Classificação doutrinária: crime comum, simples, de mera conduta e de perigo abstrato. O perigo é presumido porque o disparo em via pública ou em direção a ela, por si só, coloca em risco a coletividade. Assim, quem efetua disparo na rua, de madrugada, sem ninguém por perto, mas em local habitado comete o crime. e) Elemento do tipo: disparar significa atirar, deflagrar projéteis de arma de fogo (revólver, espingarda, garrucha etc). Efetuar vários disparos, em um mesmo momento, configura um só delito, não se aplicando a regra do concurso formal ou da continuação delitiva dos arts. 70 e 71 do Código Penal, já que a situação de risco à coletividade é única. O juiz, entretanto, pode levar em conta o número de disparos na fixação da pena-base, em face da maior gravidade da conduta (art. 59 do CP);

acionar munição: é de alguma outra forma detonar, deflagrar a munição (cartucho, projétil etc). Não se confunde munição com artefato explosivo, como bombas e dinamites, cuja detonação constitui crime mais grave previsto no art. 16, parágrafo único, do Estatuto do Desarmamento, ou com a deflagração perigosa e não autorizada de fogos de artifício, que constitui contravenção penal, descrita no art. 28, parágrafo único, da Lei das Contravenções Penais; lugar habitado: é aquele onde reside um núcleo de pessoas ou famílias. Pode ser uma cidade, uma vila, povoado ou região onde morem poucas pessoas; adjacências: local próximo àquele habitado. Não se exige que seja dependência de moradia ou local contíguo, bastando que seja perto de local habitado. Por conseqüência, disparar em local descampado ou em uma floresta, não configura a infração; via pública ou em direção a ela: via pública é o local aberto a qualquer pessoa, cujo acesso é sempre permitido. É todo local aberto ao público, quer por destinação, quer por autorização de particulares. Exs.: rua, avenida, praça, estrada. f) Absorção - A própria lei somente confere autonomia ao crime de disparo de arma de fogo quando essa conduta não tem como objetivo a prática de outro crime mais grave. Assim, quando o disparo visa matar alguém, o agente responde por homicídio consumado ou tentado, dependendo do resultado. Se a intenção era praticar lesão corporal e causa lesão leve, Capez entende que deveria haver concurso. Alexandre de Morais e Smanio entendem que o disparo absorve. g) Porte e disparo : Haverá absorção sempre que o agente portar a arma com a finalidade específica de efetuar o disparo. Se o agente já estava portando a arma e, em determinado instante, resolveu efetuar o disparo, responderá pelos dois crimes. Por outro lado, se uma pessoa tem uma arma em casa, mas não tem autorização para porte e, para efetuar uma comemoração, leva-a para a rua apenas com a finalidade de efetuar disparos e, de imediato, retorna para casa, responde pelo crime de disparo, o porte fica absorvido, e eventualmente pela posse da arma, se ela não for registrada. Se efetuar o disparo na sua residência também a posse será absorvida pelo disparo. 10 - Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito - Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: a) Objetividade jurídica - É também a incolumidade pública, no sentido de se evitar a exposição a risco da vida, integridade física e patrimônio dos cidadãos.

b) Sujeito ativo - Pode ser qualquer pessoa. Trata-se de crime comum. Se o delito for cometido por qualquer das pessoas elencadas nos arts. 6º, 7º e 8 da Lei n. 10.826/2003, a pena será aumentada em metade. c) Sujeito passivo a coletividade d)classificação doutrinária crime comum, simples, de mera conduta e de perigo abstrato. O delito em análise é uma espécie de figura qualificada dos crimes de posse e porte de arma, previsto, porém, em um tipo penal autônomo. A pena maior se justifica em virtude da maior potencialidade lesiva das armas de fogo de uso proibido ou restrito, que, por tal razão, elevam o risco à coletividade. e) Elementos do tipo - ações nucleares: as condutas típicas são possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar. Note-se que, em se tratando de arma de fogo de uso proibido ou restrito, o crime configurado é sempre o mesmo, quer a arma esteja no interior de residência sem ser registrada (posse), quer esteja na cintura do agente em uma via pública (porte). Se a arma fosse de uso permitido, a posse configuraria o crime do art. 12, e o porte tipificaria aquele do art. 14. f) Absorção e concurso - Só haverá absorção, se o porte da arma de uso restrito for meio para outro crime. Assim, se após uma discussão, o agente vai até sua casa e pega a arma com o intuito específico de matar o desafeto, a jurisprudência entende que o crime de porte fica absorvido. Veja-se, porém, que, se o agente não tiver o registro da arma de uso restrito, responderá pela posse anterior da arma (art. 16 da Lei n. 10.826/2003), em concurso material com o homicídio. Apenas o porte ficará absorvido em tal caso. 11- Figuras com penas equiparadas Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: I suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de fogo ou artefato; II modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz; III possuir, deter, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar; IV portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado; V vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e

VI produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de qualquer forma, munição ou explosivo. No art. 16, parágrafo único da Lei n. 10.826/2003, o legislador descreve vários tipos autônomos, já que cada qual possui condutas típicas e objetos materiais próprios, tendo sido aproveitada tão-somente a pena do art. 16, caput. Não há, portanto, nenhuma exigência de que as condutas típicas sejam ligadas a arma de uso proibido ou restrito. Para que se chegue a essa conclusão basta notar, por exemplo, que o art. 16, caput, já pune, com reclusão de três a seis anos, e multa, quem fornece arma de uso restrito para qualquer outra pessoa. Assim, a figura do art. 16, parágrafo único, V, que pune, com as mesmas penas, quem fornece arma para crianças ou adolescente, tem a evidente finalidade de abranger quem fornece arma de uso permitido para menores de idade. Aliás, se as figuras desse parágrafo único só se referissem a arma de fogo de uso proibido ou restrito, ficaria sem sentido o inciso II, que pune quem modifica arma de fogo para torná-la equivalente às de uso proibido ou restrito, referindo-se, obviamente, às de uso permitido que venham a ser alteradas. O disposto no art. 16, parágrafo único, inciso I, pune o responsável pela supressão (eliminação completa) ou alteração (mudança) da marca ou numeração. Assim, quando existir prova de que o réu foi o autor da supressão, responderá por tal delito, mas se não tiver sido ele o autor da adulteração, a posse ou o porte de arma com numeração suprimida ou alterada tipificará a conduta do art. 16, parágrafo único, IV, do Estatuto do Desarmamento. O bem jurídico tutelado é a veracidade do cadastro das armas no SINARM. O crime pode ser cometido por qualquer pessoa. O art. 16, parágrafo único, inciso II, é conhecida a conduta de serrar o cano de espingarda, tornando maior o seu potencial lesivo. Nesse exemplo, se tal conduta tornar o cano inferior a vinte e quatro polegadas, a espingarda terá se tornado equivalente a arma de uso restrito art. 16, VI, do Decreto n. 3.365/2000. O dispositivo em análise pune o autor da modificação. Qualquer outra pessoa que porte a arma já modificada, estará incurso no art. 16, caput, da Lei n. 10.826/2003, porte de arma de fogo de uso restrito. Na Segunda figura, o agente altera as características da arma para, por exemplo, evitar que o exame de confronto balístico tenha resultado positivo. Pela redação legal, o delito se caracteriza ainda que o agente não consiga enganar a autoridade, perito ou juiz. Trata-se crime formal. O art. 16, parágrafo único, inciso III, nesse tipo penal, por ser norma mais recente e com pena maior, torna inaplicável o art. 253 do Código Penal, no que se refere a

artefatos explosivos. O art. 253 pune com detenção, de seis meses a dois anos, e multa, quem fabrica, fornece, adquire, possui ou transporta, sem licença da autoridade, substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à sua fabricação. Embora o novo tipo penal não mencione alguns verbos contidos no art. 253, como, por exemplo, transportar ou adquirir, a verdade é que tais condutas estão abrangidas pelo verbo possuir existente na Lei n. 10.826/2003. O art. 253 continua em vigor em relação a gases tóxicos ou asfixiantes, bem como em relação a substâncias explosivas, já que o Estatuto do Desarmamento só se refere o artefato explosivo. A Lei n. 10.826/2003 incrimina também a posse ou transporte de artefato incendiário, como, por exemplo, de coquetel molotov. Como a Lei não menciona substância, mas apenas artefato incendiário, a posse irregular de álcool não caracteriza o delito. Deve-se notar, outrossim, que em caso de efetiva explosão ou incêndio decorrentes dos artefatos, duas situações podem ocorrer. Se a explosão ou incêndio expuser a perigo concreto número elevado e indeterminado de pessoas ou coisa, estarão configurados os crimes de incêndio ou explosão dos arts. 250 e 251 do Código Penal. Se não houver tal conseqüência, estará configurado o crime do art. 16, parágrafo único, III, do Estatuto do Desarmamento, na figura empregar artefato explosivo ou incendiário. Embora as penas atualmente sejam iguais, os crimes dos arts. 250 e 251 continuam em vigor pelo princípio da especialidade e por possuírem causas de aumento de pena inexistentes no Estatuto. O art. 16, parágrafo único, inciso IV, o dispositivo veio atender a um anseio dos aplicadores do Direito, na medida em que a Lei n. 9.437/97 só punia o responsável pela supressão da numeração, delito cuja autoria quase sempre era ignorada, pois, em geral, os policiais apreendiam a arma em poder de alguém já com a numeração raspada, sendo, na maioria das vezes, impossível desvendar a autoria de tal adulteração. Com a Lei n. 10.826/2003, todavia, a posse, ainda que em residência, ou o porte, de arma de fogo com numeração raspada, por si só, torna a pena maior, pela aplicação do dispositivo em análise. Por sua vez, se for também identificado o próprio autor da adulteração, será ele punido na figura do art. 16, parágrafo único, I, da Lei n. 10.826/2003. O delito em tela descreve as condutas típicas, portar, possuir, adquirir, transportar e fornecer e o objeto material, arma de fogo com numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado. Trata-se, portanto, de delito autônomo, que não guarda relação com a figura do caput, de modo que se caracteriza quer a arma de fogo seja de uso permitido, quer de uso proibido ou restrito. O próprio dispositivo não fez qualquer distinção.

No art. 16, parágrafo único, inciso V, pela comparação desse tipo penal com outros da Lei n. 10.826/2003, pode-se concluir que: a) Quem vende, entrega ou fornece arma de fogo, acessório ou munição, intencionalmente (dolosamente) a menor de idade, comete o crime do art. 16, parágrafo único, V. O dispositivo se aplica qualquer que seja a arma de fogo. O art. 242 da Lei n. 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) pune com reclusão de três a seis anos a venda ou fornecimento de arma, munição ou explosivo à criança ou adolescente. Embora esse crime tenha tido sua pena alterada pela Lei n. 10.764/2003, acabou sendo derrogado pelo dispositivo em análise do Estatuto do Desarmamento, e que pune as mesmas condutas. O art. 242 só continua aplicável a armas de outra natureza (que não sejam armas de fogo). b) Quem deixa de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de idade ou deficiente mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade, responde pelo crime do art. 13. Trata-se de conduta culposa. Se quem se apodera da arma é pessoa maior de idade, o fato é atípico, porque a modalidade culposa não mencionou tal hipótese. c) O sujeito que fornece, empresta ou cede dolosamente arma de fogo de uso permitido a pessoa maior de idade, pratica o crime do art. 14. d) Quem fornece, empresta ou cede dolosamente arma de fogo de uso proibido ou restrito a pessoa maior de idade, incide no crime do art. 16, caput. e) Aquele que fornece explosivo a pessoa menor de dezoito anos comete o crime do art. 16, parágrafo único, V, mas, se o destinatário for pessoa maior de idade, o crime será o do art. 16, parágrafo único, II, da Lei n. 10.826/2003. A finalidade do art. 16, parágrafo único, inciso VI é a de abranger algumas condutas não elencadas nos arts. 14 e 16 do Estatuto do Desarmamento, em relação a munições e explosivos. 12 Comércio Ilegal de Arma de Fogo Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência. a) Objetividade jurídica - A incolumidade pública, no sentido de se evitar que armas ilegais, acessórios ou munições entrem em circulação. b)-elementos: Intuito de lucro, estabilidade e reiteração. c) Sujeitos: ativo - Trata-se de crime próprio, já que o tipo penal exige que o delito seja cometido por comerciante ou industrial. Ocorre que o dispositivo é de grande abrangência na medida em que o seu parágrafo único equiparou à atividade comercial ou industrial qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência. Sujeito passivo a coletividade d)classificação doutrinária: Crime próprio, de perigo abstrato e de mera conduta. e) Elementos do tipo (ações nucleares) são aquelas típicas de comerciantes e industriais, como adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar arma de fogo, acessório ou munição. O dispositivo não faz distinção entre arma de uso permitido ou restrito, mas o art. 19 da Lei determina que a pena será aumentada em metade no último caso; f)-elemento normativo do tipo: é contido na expressão sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. Assim, comete o crime o agente que não tem autorização para vender arma, ou aquele que descumpre determinação legal, como, por exemplo, não mantendo a arma registrada em nome da empresa antes da venda da arma (art. 4º, 4º da Lei n. 10.826/2003), ou vendendo munição de calibre diverso (art. 4º, 2º); ou regulamentar, como no caso do industrial que não fornece à Polícia Federal, a relação de saída de armas do estoque (art. 7º do Decreto n. 5.123/2004), ou do comerciante que não encaminha à Polícia Federal, em 48 horas, a contar da venda, os dados identificadores da arma e de seu comprador. Igualmente haverá crime na venda de munição sem a apresentação do registro da arma, ou em quantidade superior à permitida. g) Consumação - Em se tratando de crime de mera conduta, a consumação ocorre no momento da ação, independentemente de qualquer resultado.

h) Tentativa - Em tese é possível, como, por exemplo, tentar adquirir arma de fogo. 13 Tráfico Internacional de arma de fogo - Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente: a) Objetividade jurídica - A incolumidade pública, no sentido de se evitar o comércio internacional de arma de fogo, acessório ou munição. b) Sujeito ativo - Pode ser cometido por qualquer pessoa. Trata-se de crime comum. Se o delito for cometido por qualquer das pessoas elencadas nos arts. 6º, 7º e 8º da Lei n. 10.826/2003, a pena será aumentada em metade. Não se tratando de uma dessas pessoas, mas sendo o agente funcionário público, responderá também por crime de corrupção passiva, caso tenha recebido alguma vantagem para facilitar a entrada ou saída da arma no território nacional. c) Sujeito passivo a coletividade d)-classificação doutrinária: Crime comum, de perigo e de mera conduta. e) Elementos do tipo - Importar é fazer entrar a arma, acessório ou munição no território nacional, e exportar é fazer sair. A lei também pune quem favorece tal entrada ou saída, de modo que o agente é considerado autor e não partícipe do crime. O dispositivo não faz distinção entre importação ou exportação de arma de uso permitido ou restrito, mas o art. 19 da Lei n. 10.826/2003 determina que a pena será aumentada em metade no último caso. f) Consumação - O crime se consuma quando o objeto material entra ou sai do território nacional. No caso de importação, se o agente entrar com a arma no Brasil e for preso na alfândega, o crime já estará consumado. g) Causas de aumento de pena. A Lei n. 10.826/2003, em dois artigos, determinou o acréscimo de metade da pena para alguns de seus ilícitos penais. Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito. O acréscimo só é aplicável aos crimes de comércio ilegal (art. 17) e tráfico internacional de armas de fogo (art. 18). O aumento decorre da maior lesividade das armas de uso proibido ou restrito, assim, definidas no art. 16 do Decreto n. 3.665/2000.

Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6o, 7o e 8o desta Lei. Essa regra vale para os crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (art. 14), disparo de arma de fogo (art. 15), porte ilegal de arma de uso proibido ou restrito (art. 16), comércio ilegal (art. 17) e tráfico internacional de armas de fogo (art. 18). Refere-se a crimes cometidos por integrante das Forças Armadas, policiais civis ou militares, integrantes das guardas municipais de Municípios com mais de 50.000 habitantes, agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da república, policiais da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, agentes e guardas prisionais, integrantes de escolta de presos, guardas portuários, funcionários de empresas de segurança privada ou de transporte de valores, e integrantes de entidades desportivas. A liberdade provisória e o Estatuto do Desarmamento Inicialmente vale ressaltar, que nosso legislador originário insculpiu no art. 5º, LXVI, de nossa Lei Mater, o direito à liberdade provisória com ou sem fiança. Tal dispositivo trata-se de garantia individual, de cláusula pétria, o que impede sua supressão até mesmo por Emenda Constitucional. Exceção à referida norma trouxe a própria Lei Maior, no mesmo artigo, incisos XLII racismo; XLIII torturas, tráfico ilícito de entorpecentes, terrorismo e os definidos como crimes hediondos; XLIV ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado democrático. Com efeito, ao analisarmos o art. 21 do Estatuto do Desarmamento, em consonância com todo o ordenamento jurídico, mormente os preceitos constitucionais, fatalmente chegaremos a conclusão de que trata-se de dispositivo nitidamente inconstitucional. Vejamos: Art. 21. Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de liberdade provisória. Crimes insuscetíveis de liberdade provisória são os delitos previstos nos arts. 16 (posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito), 17 (comércio ilegal de arma de fogo), e 18 (tráfico internacional de arma de fogo), conforme expressa disposição do art. 21 da Lei n. 10.826/2003. Nesses casos a liberdade provisória é absolutamente vedada, tal como ocorre na Lei dos Crimes Hediondos. No entanto, levando em conta a mesma interpretação que vem sendo dada ao art. 2º, II, da Lei n. 8.072/90, temos que a proibição da liberdade provisória, sem que estejam presentes os requisitos da prisão cautelar, ofende o princípio constitucional do estado de inocência (art. 5º, LVII). Se todos se presumem inocentes até que se demonstre sua culpa, não se pode conceber que alguém, presumivelmente

inocente, permaneça encarcerado antes de sua condenação definitiva, salvo se estiverem presentes os requisitos do periculum in mora e do fumus boni iuris. O fumus boni iuris consiste na existência de elementos indiciários suficientes que possam autorizar o juízo de probabilidade (não necessariamente de certeza) da autoria de uma infração penal. É a prova mínima capaz de infundir no espírito do julgador, ao menos, a possibilidade de que o indiciado ou réu tenha cometido o fato típico e ilícito que lhe imputam. O periculum in mora reside na temeridade de se ter de aguardar o desfecho do processo, para, só então, prender o indivíduo, diante da probabilidade de que, solto, venha a colocar em risco a ordem pública (cometendo outros crimes), turbar a instrução criminal (ameaçando testemunhas e destruindo provas) ou frustrar a aplicação da lei penal (fugindo sem deixar notícias de seu paradeiro). Presentes ambos os requisitos, não resta dúvida de que a prisão provisória deve ser decretada. Diante do exposto, o art. 21 da lei n. 10.826/2003 é inconstitucional, colidindo com o princípio do estado de inocência. De qualquer modo, mesmo para aqueles que admitem a proibição de liberdade provisória, independentemente da demonstração do periculum in mora, tal não poderia ocorrer nos crimes previstos na Lei n. 10.826/2003. Sim, porque somente nos delitos previstos no art. 5º, XLIII da Constituição Federal, seria possível se cogitar de norma de tamanha severidade. Com efeito, o constituinte exigiu tratamento penal mais severo para os crimes definidos em lei como hediondos: a tortura, o terrorismo e o tráfico ilícito de entorpecentes. Em tais casos, pode-se até discutir a possibilidade de proibição da liberdade provisória, ante a disciplina mais severa imposta pelo legislador ao dispor sobre tais infrações. Agora, nos crimes do Estatuto do Desarmamento não há nenhum fundamento constitucional para tão drástica disposição. Desse modo, quer por afronta ao princípio do estado de inocência (ou nãoculpabilidade), quer por violação ao princípio da proporcionalidade, o art. 21 da lei n. 10.826/2003 é flagrantemente inconstitucional. JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA STJ (HC 122221 / SP, de 05.05.2009) - PENAL. HABEAS CORPUS. ARTIGO 14 DA LEI N.º 10.826/03. PORTE ILEGAL DE ARMA. TIPICIDADE. ARMA DESMUNICIADA. IRRELEVÂNCIA PARA A CONFIGURAÇÃO DO DELITO. REGIME PRISIONAL SEMIABERTO. INADEQUAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE PELA RESTRITIVA DE DIREITO. POSSIBILIDADE.

I - Na linha de precedentes desta Corte, pouco importa para a configuração do delito tipificado no art. 14 da Lei n.º 10.826/03 que a arma esteja desmuniciada, sendo suficiente o porte de arma de fogo sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar (Precedentes do STJ). II - Uma vez atendidos os requisitos constantes do art. 33, 2º, "c", e 3º, do Código Penal, quais sejam, a ausência de reincidência, a condenação por um período igual ou inferior a 4 (quatro) anos e a existência de circunstâncias judiciais totalmente favoráveis, deve o réu iniciar o cumprimento da pena privativa de liberdade no regime prisional aberto (Precedentes). III - Atendidos os requisitos do art. 44 do Código Penal, deve-se reconhecer o direito do paciente à substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Ordem denegada. Habeas Corpus concedido de ofício para fixar o regime inicial aberto e para substituir a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. STF (Informativo 557) - O fato de a arma de fogo encontrar-se desmuniciada torna atípica a conduta prevista no art. 14 da Lei 10.826/2003 [ Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. ]. Com base nesse entendimento, a Turma, por maioria, deferiu habeas corpus impetrado em favor de condenado pela prática do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido (Lei 10.826/2003, art. 14), haja vista que a arma encontrava-se desmuniciada. Vencida a Min. Ellen Gracie, relatora, que, por reputar típica a conduta em tela, indeferia o writ. HC 99449/MG, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Cezar Peluso, 25.8.2009. (HC-99449) Questionário de fixação do Estatuto do Desarmamento (lei 10.826/03) Tipifique e justifique as condutas: 1- Do aluno que lança coquetel molotov em manifestação na universidade, causando incêndio no pátio da universidade: 2- Do caçador que esquece a arma ao alcance de crianças:

3- Do pai policial que surpreende os filhos brincando com munições que guardara na gaveta: 4- Do mesmo pai que permite que os filhos continuem brincando com as munições: 5- Do balconista que mantém arma escondida em baixo do balcão: 6- Do autor da ameaça com o emprego de arma de fogo: 7- Do proprietário da empresa de segurança que não registra o furto da arma de fogo: 8- Do morador que porta arma na cintura dentro de casa: 9- Do morador que oculta arma de fogo no forro falso de um armário: 10- Do morador que, possuindo um revólver 38 há vários dias, resolve testá-lo disparando no quintal: 11- Do morador que acaba de adquirir arma 9 mm e dispara no quintal: 12- Do contrabandista que importa e vende suas armas aos adolescentes, soldados do tráfico de drogas: 13- Do ofendido que vai em casa, porta a arma e sai à procura de desafeto para matá-lo: 14- Do fazendeiro que corta o cano da espingarda de calibre 12: 15- Do feirante que vende um punhal a um adolescente: 16-Do traficante que vende uma de suas armas a um adolescente, soldado do tráfico. 17-Do folião que portando ilegalmente uma arma na cintura no calor da comemoração efetua disparos para o alto. 18-Do agressor que com dolo de lesão corporal atira na perna do desafeto e causa lesão grave.