Medidas cautelares diversas da prisão. O OBJETIVO DESSE AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM SERÁ A APRESENTAÇÃO DAS MEDIDAS CAUTELARES PESSOAIS DIVERSAS DA PRISÃO medidas cautelares diversas da prisão MEDIDAS CAUTELARES As medidas cautelares diversas da prisão estão expressamente previstas no Art. 319 do Código de Processo Penal. Diante da relevância de tais medidas cautelares é importante apresentá-las. É importante salientar que existem outras medidas cautelares reguladas em legislações penais e processuais penais especias. Nesse sentido, é interessante salientar que a Lei 11.340/2006, conhecida popularmente como "Lei Maria da Penha" traz em seu bojo uma série de medidas cautelares denominadas "MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA (nesse sentido vide Arts. 18 a 24 da Lei 11.340/2006).
Conforme o entendimento doutrinário de AURY LOPES JÚNIOR o rol de medidas cautelares diversas da prisão é taxativo. Sendo assim, não há espaço para o emprego da integração analógica (LOPES, 2012, p. 782). Com efeito, toda e qualquer medida de natureza cautelar, no âmbito do processo penal brasileiro, somente pode ser decretada quando prevista expressamente na lei e obsevados seus requisitos legais, conforme o caso concreto e o postulado da proporcionalidade. COMPARECIMENTO PERIÓDICO EM JUÍZO A medida cautelar de comparecimento periódico em juízo está prevista no Art. 319, inciso I do Código de Processo Penal. Trata-se da determinação de que o indivíduo compareça periodicamente à presença do juiz. O objetivo dessa medida cautelar é viabilizar ao juiz certo grau de fiscalização nas atividades realizadas pelo indivíduo investigado ou denúnciado. Portanto, o indivíduo deverá, necessariamente, informar ao juiz suas atividades apresentando justificativas. O comparecimento periódico será fixado pelo juiz e a frequência de comparecimento pode ser definida mensalmente. No entanto, o magistrado deverá levar em consideração a jornada de trabalho do indiciado ou acusado. PROIBIÇÃO DE ACESSO OU FREQUÊNCIA A DETERMINADOS LUGARES A proibição de acesso ou frequência a determinados lugares está prevista no Art. 319, inciso II do Código de Processo Penal e terá cabimento para impedir novas infrações penais por parte do indiciado ou acusado. O juiz poderá determinar ao indivíduo que permaneça distante de determinados lugares, como por exemplo estádios de futebol, casas noturnas, bares e restaurantes etc. A determinação do lugar de acesso ou frequência proibida será analisada pelo juiz conforme o caso concreto. PROIBIÇÃO DE MANTER CONTATO COM PESSOA DETERMINADA A proibição de manter contato com pessoa determinada está prevista no Art. 319, inciso III do Código de Processo Penal e terá cabimento quando, por circunstâncias relacionadas ao fato concreto, deva o indivíduo, indiciado ou acusado, manter distância de pessoa específica, haja vista a possibilidade de nova
infração penal. O magistrado, em hipótese alguma, poderá proibir que o indivíduo tenha contato direto com seu advogado, sob pena de patente constrangimento ilegal e revogação da medida cautelar. PROIBIÇÃO DE AUSENTAR-SE DA COMARCA A proibição cautelar de ausentar-se da comarca está prevista no Art. 319, inciso IV do Código de Processo Penal e poderá ser decretada com o escopo de impedir a saída da comarca do juízo competente, quando for importante para a realização da investigação preliminar, bem como da instrução processual penal. Essa medida pode ser decretada, por exemplo, para que seja realizado o reconhecimento do sujeito (vide Arts. 226 a 228 do Código de Processo Penal). O juiz poderá, conforme o caso, atendendo à razoabilidade, bem como à proporcionalidade da medida, autorizar a saída do indivíduo para que possa exercer eventual atividade laborativa. RECOLHIMENTO DOMICILIAR NO PERÍODO NOTURNO A medida cautelar diversa da prisão de recolhimento domiciliar no período noturno, está prevista no Art. 319, inciso, V do Código de Processo Penal. Essa medida só será decretada quando houver prova de que o indivíduo, indiciado ou acusado, tenha residência e trabalho fixos. Assim, durante o período noturno, que deve ser definido com um critério físicoastronômico, o indivíduo não poderá se retirar das dependências de sua residência. O juiz pode abrir exceções para que indivíduo possa frequentar estabelecimentos de ensino, bem como o local de trabalho. SUSPENSÃO DO EXERCÍCIO DE FUNÇÃO PÚBLICA OU DE ATIVIDADE DE NATUREZA ECONÔMICA OU FINANCEIRA A medida cautelar diversa da prisão de suspensão do exercício de função publica ou de qualquer atividade econômica ou financeira está prevista no Art. 319, inciso VI do Código de Processo Penal. Essa medida cautelar tem cabimento quando houver fundado receio de que a utilização das atividade mencionadas possam ser dirigidas à prática de infrações penais.
Nesse caso, o juiz deverá determinar a comunicação ao órgão publico ou a entidade de classe. Por exemplo: suspender o exercício da advocacia e comunicar tal medida à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). INTERNAÇÃO PROVISÓRIA DO ACUSADO A medida cautelar de internação provisória do acusado está prevista no Art. 319, inciso VII do Código de Processo Penal. Essa medida cautelar só tem cabimento nos casos de infrações penais praticadas mediante violência ou grave ameaça (homicídio, roubo, extorsão, sequestro etc). Essa medida cautelar, nos termos do dispositivo supracitado terá cabimento quando o acusado: praticar crime com o emprego de violência ou grave ameaça; que a inimputabilidade ou semi-imputabilidade esteja devidamente demonstrada por perícia (vide Arts. 149 a 154 do Código de Processo Penal); e quando houver risco de reiteração perigosa. FIANÇA A medida cautelar de fiança está prevista no Art. 319, inciso VIII do Código de Processo Penal e será concedida como caução ou contracautela para que o indivíduo, indiciado ou acusado não fuja. Assim sendo, a fiança terá cabimento para assegurar o comparecimento a todos os atos do processo penal, evitar a obstrução do seu respectivo andamento, bem como em caso de resistência injustificada à ordem judicial. A fiança pode ser concedida no âmbito do instituto da liberdade provisória e está prevista no Art. 5º, inciso LXVI da Constituição Federal, bem como prevista e regulada no Art. 310, inciso III do Código de Processo Penal, bem como regulada nos Arts. 321 a 350 do Código de Processo Penal brasileiro. Ademais, a fiança poderá ser aplciada cumuladamente com outras medidas cautelares ou isoladamente, observando os dispositivos supracitados (vide Art. 319, 4º do Código de Processo Penal). MONITORAÇÃO ELETRÔNICA A medida cautelar diversa da prisão de monitoração eletrônica está prevista expressamente no Art. 319, inciso IX do Código de Processo Penal brasileiro.
A monitoração eletrônico, também está previsto nos Art. 146-A a 146-D da Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210 de 11 de julho de 1984). Entrementes, é utilizada, aqui, para efeitos de execução da repriminda penal, por exemplo, no caso de saída temporária (vide Arts. 122 a 125 da LEP). No entanto, no processo penal é utilizada como medida cautelar diversa da prisão e que apresenta bastante utilidade prática, pois trata-se de medida cautelar bastante eficiente e mais útil do que a prisão provisória. Conforme AURY LOPES JÚNIOR a monitoração eletrônica é um dispositivo desenvolvido na década de 60 pelo psicólogo americano ROBERT SCHWITZGEBEL e utilizada, pela primeira vez, pelo juiz JACK LOVE do Novo México, nos USA (LOPES, 2012, p. 864). Consiste em monitorar o indivíduo por meio de equipamento com (GPS) acoplado que pode ser tornozeleira, pulseira etc. Esse equipamento pode identificar a localização do indivíduo, inclusive, possibilitando o cumprimento de outras medidas cautelares, como por exemplo, a proibição de comparecimento a determinados lugares. PRISÃO CAUTELAR DOMICILIAR A prisão cautelar domiciliar está prevista e regulada nos Arts. 317 a 318 do Código de Processo Penal brasileiro. Essa denominada prisão cautelar domiciliar é distinta da medida cautelar domiciliar pois é concedida em substituição à prisão preventiva em virtude de situações pessoais do preso não possibilitando ao indivíduo ausentar-se de sua residência sem autorização judicial. Ademais, é distinta da pena privativa de liberdade no regime aberto (regime aberto domiciliar conforme Art. 117 da Lei 7.210/84), haja vista que nesta hipótese não há sentença condenatória com trânsito em julgado. A prisão domiciliar consiste no efetivo recolhimento do preso em sua residência, não podendo dela se ausentar sem a devida autorização do juízo competente. Conforme Art. 318 do Código de Processo Penal, a prisão domiciliar será concedida ao preso que teve a prisão preventiva decretada quando: for maior de 80 (oitenta) anos; se estiver extremamente debilitado por motivo de alguma doença grave (exemplo SIDA); quando o indivíduo for indispensável para os cuidados especiais de menor de seis anos de idade ou portador de deficiência física ou mental; bem como, no caso de gestante a partir do 7º (sétimo) mês de gestação ou sendo esta de alto risco. Conforme Art. 318, parágrafo único, do Código de Processo Penal, para decretação da prisão cautelar domiciliar o juiz exigirá prova idônea para a demonstração das situaçãos factuais supramencionadas (por exemplo a prova documental). É importante salientar que a prisão cautelar domiciliar não se confunde com a PRISÃO
ESPECIAL, prevista no Art. 295 do Código de Processo Penal brasileiro, direcionada a algumas pessoas, haja vista que a prisão especial, prevista no dispositivo supramencionado consiste exclusivamente no recolhimento em local distinto da prisão comum (vide Art. 295 1º do Código de Processo Penal brasileiro). MEDIDA CAUTELAR DE SUSPENSÃO OU PROIBIÇÃO DA HABILITAÇÃO OU PERMISSÃO PARA DIRIGIR VEÍCULO AUTOMOTOR O Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997) no Art. 294 regulamentou a suspensão ou proibição da habilitação ou permissão para dirigir veículo automotor. Trata-se de medida cautelar aplicável aos crimes de trânsito (Arts. 302 a 312 do CTB). Trata-se, portanto, de decisão cautelar que pode ser decretada em qualquer fase da investigação ou da ação penal, havendo necessidade para garantia da ordem pública. O objetivo dessa medida cautelar será impedir que o condutor de veículo automotor, investigado, indiciado ou acusado, continue a provocar danos ou a colocar em risco a incolumidade no trânsito. QUESTÕES DIVERSAS Existem questões não diretamente relacionadas ao tema das medidas cautelares, mas, contudo, importantíssimas, pois relacionadas ao tema das prisões cautelares no âmbito do Direito Processual Penal. USO DE ALGEMAS O uso de Algemas não está previsto ou regulado expressamente no Código de Processo Penal. Na verdade, o Código só faz referência ao emprego de algemas no Art. 474 3º, no que tange ao procedimento especial do Tribunal do Júri, destinado ao julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Ademais, o Art 199 da Lei 7.210 de 11 de julho de 1984, determina que o emprego de algemas será disciplinado por decreto federal. No entanto, tal decreto não existe e no momento não há regulamentação legal ou administrativa na utilização dos denominados "ferros", algemas ou grilhões. No Brasil o Art. 180 do Código de Processo Criminal do Império de 1832, regulamentava a temática.
Nesse sentido o Art. 28 do Decreto nº 4.824, de 22 de novembro de 1871, regulamentava a sanção para o funcionário que conduzisse o preso com ferros, algemas ou cordas, salvo nos casos necessários. Atualmente o Código de Processo Penal Militar (vide Decreto-lei 1.002/1969) prevê a regulamentação das algemas no Art. 234. O Código de Processo Penal prevê, no Art. 284, a respeito do emprego de força. Ademais, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 11 que determina expressamente que: "Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado". Sobre esse tema recomenda-se a leitura do Habeas Corpus 91.952-9/SP, de relatoria do Ministro MARCO AURÉLIO. Quiz 1 A respeito das medidas cautelares aponte a assertiva correta: As medidas cautelares são inconstitucionais, pois violam o princípio do Estado de inocência. A monitoração eletrônica é vedada, pois viola a dignidade da pessoa humana. As medidas cautelares diversas da prisão só tem cabimento para infrações penais de menor potencial ofensivo. Todas as alternativas anteriores estão incorretas. 2 Aponte a assertiva que não representa uma medida cautelar diversa da prisão
provisória: Prisão especial. Prisão cautelar domiciliar. Proibição de se ausentar da comarca. Recolhimento domiciliar no período noturno. Referências BADARÓ, Gustavo Henrique Righi Ivahy. Processo Penal. 2.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. BONFIM, Edilson Mougenot. Curso de processo penal. 7.ed. São Paulo: Saraiva, 2012. LOPES, Aury. Direito Processual Penal. 9.ed. São Paulo: Saraiva, 2012. MIRABETE, Julio Fabbrini. Processo Penal. 18.ed. Atlas, 2008. MIRABETE, Julio Fabbrini. Execução Penal: comentários à lei nº 7.210, de 11-7-1984. 12.ed. São Paulo, Atlas, 2014. NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal comentado. 14.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de processo penal e execução penal. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013. PIERANGELLI, José Henrique. Códigos penais do Brasil: evolução histórica. Bauru, São Paulo: Jalovi, 1980. REIS, Alexandre Cebrian Araújo. Direito Processual Penal esquematizado. 3.ed. São Paulo: Saraiva, 2014.