Medidas cautelares diversas da prisão.



Documentos relacionados
Liberdade provisória sem fiança.

Aspectos Gerais. Medidas cautelares

Capítulo 1 Notas Introdutórias Capítulo 2 Direito Processual Penal e Garantias Fundamentais... 3

Procedimento. O OBJETIVO DESSE AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM SERÁ A APRESENTAÇÃO DO PROCEDIMENTO DE DECRETAÇÃO DA PRISÃO TEMPORÁRIA

DIREITO AMBIENTAL. Prof.: LEONARDO BARRETO

Benefícios autorizadores para a concessão saída do preso EDNALDO DE ARAÚJO DA SILVA JÚNIOR

1. PRISÃO (CONTINUAÇÃO) Pode ser decretada pelo juiz de ofício, a requerimento do Ministério Público ou a requerimento do querelante.

QUESTÕES POLÍCIA FEDERAL RODOVIÁRIA DIREITO PROCESSUAL PENAL. 01). Sobre o inquérito policial, assinale a alternativa incorreta:

INDICIAMENTO E FORMAL INDICIAMENTO. DISTINÇÃO.

Livramento condicional

Sentença absolutória.

Procedimento sumaríssimo. Suspensão condicional do processo da Lei 9099/95.

PLANO DE ENSINO E APRENDIZAGEM CURSO: Direito

LICENÇA POR ACIDENTE EM SERVIÇO

RELATÓRIO DA CORREIÇÃO ORDINÁRIA VARA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER COMARCA DE RIO BRANCO

PROJETO DE LEI. O Congresso Nacional decreta: Art. 1º. O artigo 27, 2º da Lei 8.038, de 28 de maio de 1990, passa a vigorar com a seguinte redação:

Audiência de instrução, debates e julgamento.

SEJUS-PI SUMÁRIO. Língua Portuguesa. Leitura, compreensão e interpretação de textos Os sentidos contextuais de palavras e expressões...

A Lei /2001 e o Código Penal análise.

CIRCULAR GEPE N.º 007/2005. Gerências Regionais de Recursos Humanos, Unidades de Controle de Pessoal das demais Secretarias, gerências da GEPE.

LEI Nº /2009: BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DA NOVA LEI DE IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL

QUESTIONÁRIO SOBRE JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA

MEDIDA: PRISÃO PREVENTIVA PARA ASSEGURAR A DEVOLUÇÃO DO DINHEIRO DESVIADO

VIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Laís Maria Costa Silveira Promotora de Justiça de Belo Horizonte Titular da 22ª Promotoria de Justiça de Defesa da Pessoa com Deficiência e Idosos.

Direito Processual Penal

Sumário. Capítulo 10 Sistemas processuais Capítulo 11 Aplicação da lei processual penal no espaço... 63

Procedimento comum ordinário.

INQUERITO POLICIAL artigos 4º ao 23 do CPP.

ASSUNTO: CAUSAS DIRIMENTES, JUSTIFICATIVAS E EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

AÇÃO CIVIL EX DELICTO

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO

Ministério Público Eleitoral

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2016

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA SEPN Quadra 514 norte, lote 7, Bloco B Brasília DF. CEP

Registo de Representantes Autorizados e Pessoas Responsáveis

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO COMARCA DE CUIABÁ 1ª VARA ESPECIALIZADA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER

RESOLUÇÃO TCE/MA Nº 214, DE 30 DE ABRIL DE 2014.

Procedimento sumário.

OAB GABARITO COMENTADO SEGUNDA FASE EMPRESARIAL. Artigo 9º e 4º do artigo 10 Lei /2005, procuração, CPC e estatuto da OAB.

"USE SEMPRE A PREVENÇÃO EM TRÂNSITO E EVITE SURPRESAS DESAGRADAVEIS"

INFORMATIVO 26/2015 LEI DISTRITAL 5.531

Atualização da Legislação de Trânsito

Conceito. Emendatio e mutatio libelli.

MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS. RESOLUÇÃO CNSP N o 249, de 2012.

AS NOVAS REGRAS DO EXERCÍCIO DA ACTIVIDADE SINDICAL

HIPÓTESES DE DECRETAÇÃO DO ESTADO DE DEFESA

CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL V EXAME UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA PROVA DO DIA 4/12/2011 DIREITO EMPRESARIAL

RESOLUÇÃO Nº. 39/2002 CSPP RESOLVE: Juiz de Fora, 29 de agosto de Prof. Dr. Murilo Gomes Oliveira Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa

MENSAGEM Nº 072 /2013. Senhor Presidente, Senhores Vereadores,

O Novo Regime das Medidas Cautelares no Processo Penal

ESTADO DO RIO DE JANEIRO PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 7ª CÂMARA CRIMINAL

RESOLUÇÃO Nº PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº CLASSE 26 BRASÍLIA DISTRITO FEDERAL

COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA

Ordem dos Advogados do Brasil Seção do Estado do Rio de Janeiro Procuradoria

DECRETO Nº 881, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2011

ÍNDICE GERAL. Regime Geral das Contra-Ordenações

DEPARTAMENTO DA POLÍCIA CIVIL DO ESTADO DO PARANÁ GABINETE DO DELEGADO GERAL PORTARIA Nº 001/2006-DPC

A JUÍZA PRESIDENTE DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 13ª REGIÃO, no uso de suas atribuições legais e regimentais,

PROVIMENTO CGJ Nº 09 / 2015

NOTIFICAÇÃO RECOMENDATÓRIA 01/2013

Simulado de Juizados Especiais Cíveis e Criminais

PROCEDIMENTOS PARTE I PROCEDIMENTO ORDINÁRIO

Esse caso é de quem encerrou os atos de execução, encontrando-se no local dos fatos, com forte indicação de que praticou a infração penal.

A responsabilidade do preposto no exercício de sua função. Solange Dias Neves Advogada OAB/RS

PROCESSO PENAL II PROF. CRISTIANO SALMEIRÃO 2014

DISCIPLINA: ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA PROFESSOR: DR. ALBERTO JUNIOR VELOSO JUIZ

Processos Urgentes Procedimentos Cautelares

NOTA TÉCNICA Nº 0011/2012

JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA

Transcrição:

Medidas cautelares diversas da prisão. O OBJETIVO DESSE AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM SERÁ A APRESENTAÇÃO DAS MEDIDAS CAUTELARES PESSOAIS DIVERSAS DA PRISÃO medidas cautelares diversas da prisão MEDIDAS CAUTELARES As medidas cautelares diversas da prisão estão expressamente previstas no Art. 319 do Código de Processo Penal. Diante da relevância de tais medidas cautelares é importante apresentá-las. É importante salientar que existem outras medidas cautelares reguladas em legislações penais e processuais penais especias. Nesse sentido, é interessante salientar que a Lei 11.340/2006, conhecida popularmente como "Lei Maria da Penha" traz em seu bojo uma série de medidas cautelares denominadas "MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA (nesse sentido vide Arts. 18 a 24 da Lei 11.340/2006).

Conforme o entendimento doutrinário de AURY LOPES JÚNIOR o rol de medidas cautelares diversas da prisão é taxativo. Sendo assim, não há espaço para o emprego da integração analógica (LOPES, 2012, p. 782). Com efeito, toda e qualquer medida de natureza cautelar, no âmbito do processo penal brasileiro, somente pode ser decretada quando prevista expressamente na lei e obsevados seus requisitos legais, conforme o caso concreto e o postulado da proporcionalidade. COMPARECIMENTO PERIÓDICO EM JUÍZO A medida cautelar de comparecimento periódico em juízo está prevista no Art. 319, inciso I do Código de Processo Penal. Trata-se da determinação de que o indivíduo compareça periodicamente à presença do juiz. O objetivo dessa medida cautelar é viabilizar ao juiz certo grau de fiscalização nas atividades realizadas pelo indivíduo investigado ou denúnciado. Portanto, o indivíduo deverá, necessariamente, informar ao juiz suas atividades apresentando justificativas. O comparecimento periódico será fixado pelo juiz e a frequência de comparecimento pode ser definida mensalmente. No entanto, o magistrado deverá levar em consideração a jornada de trabalho do indiciado ou acusado. PROIBIÇÃO DE ACESSO OU FREQUÊNCIA A DETERMINADOS LUGARES A proibição de acesso ou frequência a determinados lugares está prevista no Art. 319, inciso II do Código de Processo Penal e terá cabimento para impedir novas infrações penais por parte do indiciado ou acusado. O juiz poderá determinar ao indivíduo que permaneça distante de determinados lugares, como por exemplo estádios de futebol, casas noturnas, bares e restaurantes etc. A determinação do lugar de acesso ou frequência proibida será analisada pelo juiz conforme o caso concreto. PROIBIÇÃO DE MANTER CONTATO COM PESSOA DETERMINADA A proibição de manter contato com pessoa determinada está prevista no Art. 319, inciso III do Código de Processo Penal e terá cabimento quando, por circunstâncias relacionadas ao fato concreto, deva o indivíduo, indiciado ou acusado, manter distância de pessoa específica, haja vista a possibilidade de nova

infração penal. O magistrado, em hipótese alguma, poderá proibir que o indivíduo tenha contato direto com seu advogado, sob pena de patente constrangimento ilegal e revogação da medida cautelar. PROIBIÇÃO DE AUSENTAR-SE DA COMARCA A proibição cautelar de ausentar-se da comarca está prevista no Art. 319, inciso IV do Código de Processo Penal e poderá ser decretada com o escopo de impedir a saída da comarca do juízo competente, quando for importante para a realização da investigação preliminar, bem como da instrução processual penal. Essa medida pode ser decretada, por exemplo, para que seja realizado o reconhecimento do sujeito (vide Arts. 226 a 228 do Código de Processo Penal). O juiz poderá, conforme o caso, atendendo à razoabilidade, bem como à proporcionalidade da medida, autorizar a saída do indivíduo para que possa exercer eventual atividade laborativa. RECOLHIMENTO DOMICILIAR NO PERÍODO NOTURNO A medida cautelar diversa da prisão de recolhimento domiciliar no período noturno, está prevista no Art. 319, inciso, V do Código de Processo Penal. Essa medida só será decretada quando houver prova de que o indivíduo, indiciado ou acusado, tenha residência e trabalho fixos. Assim, durante o período noturno, que deve ser definido com um critério físicoastronômico, o indivíduo não poderá se retirar das dependências de sua residência. O juiz pode abrir exceções para que indivíduo possa frequentar estabelecimentos de ensino, bem como o local de trabalho. SUSPENSÃO DO EXERCÍCIO DE FUNÇÃO PÚBLICA OU DE ATIVIDADE DE NATUREZA ECONÔMICA OU FINANCEIRA A medida cautelar diversa da prisão de suspensão do exercício de função publica ou de qualquer atividade econômica ou financeira está prevista no Art. 319, inciso VI do Código de Processo Penal. Essa medida cautelar tem cabimento quando houver fundado receio de que a utilização das atividade mencionadas possam ser dirigidas à prática de infrações penais.

Nesse caso, o juiz deverá determinar a comunicação ao órgão publico ou a entidade de classe. Por exemplo: suspender o exercício da advocacia e comunicar tal medida à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). INTERNAÇÃO PROVISÓRIA DO ACUSADO A medida cautelar de internação provisória do acusado está prevista no Art. 319, inciso VII do Código de Processo Penal. Essa medida cautelar só tem cabimento nos casos de infrações penais praticadas mediante violência ou grave ameaça (homicídio, roubo, extorsão, sequestro etc). Essa medida cautelar, nos termos do dispositivo supracitado terá cabimento quando o acusado: praticar crime com o emprego de violência ou grave ameaça; que a inimputabilidade ou semi-imputabilidade esteja devidamente demonstrada por perícia (vide Arts. 149 a 154 do Código de Processo Penal); e quando houver risco de reiteração perigosa. FIANÇA A medida cautelar de fiança está prevista no Art. 319, inciso VIII do Código de Processo Penal e será concedida como caução ou contracautela para que o indivíduo, indiciado ou acusado não fuja. Assim sendo, a fiança terá cabimento para assegurar o comparecimento a todos os atos do processo penal, evitar a obstrução do seu respectivo andamento, bem como em caso de resistência injustificada à ordem judicial. A fiança pode ser concedida no âmbito do instituto da liberdade provisória e está prevista no Art. 5º, inciso LXVI da Constituição Federal, bem como prevista e regulada no Art. 310, inciso III do Código de Processo Penal, bem como regulada nos Arts. 321 a 350 do Código de Processo Penal brasileiro. Ademais, a fiança poderá ser aplciada cumuladamente com outras medidas cautelares ou isoladamente, observando os dispositivos supracitados (vide Art. 319, 4º do Código de Processo Penal). MONITORAÇÃO ELETRÔNICA A medida cautelar diversa da prisão de monitoração eletrônica está prevista expressamente no Art. 319, inciso IX do Código de Processo Penal brasileiro.

A monitoração eletrônico, também está previsto nos Art. 146-A a 146-D da Lei de Execução Penal (Lei nº 7.210 de 11 de julho de 1984). Entrementes, é utilizada, aqui, para efeitos de execução da repriminda penal, por exemplo, no caso de saída temporária (vide Arts. 122 a 125 da LEP). No entanto, no processo penal é utilizada como medida cautelar diversa da prisão e que apresenta bastante utilidade prática, pois trata-se de medida cautelar bastante eficiente e mais útil do que a prisão provisória. Conforme AURY LOPES JÚNIOR a monitoração eletrônica é um dispositivo desenvolvido na década de 60 pelo psicólogo americano ROBERT SCHWITZGEBEL e utilizada, pela primeira vez, pelo juiz JACK LOVE do Novo México, nos USA (LOPES, 2012, p. 864). Consiste em monitorar o indivíduo por meio de equipamento com (GPS) acoplado que pode ser tornozeleira, pulseira etc. Esse equipamento pode identificar a localização do indivíduo, inclusive, possibilitando o cumprimento de outras medidas cautelares, como por exemplo, a proibição de comparecimento a determinados lugares. PRISÃO CAUTELAR DOMICILIAR A prisão cautelar domiciliar está prevista e regulada nos Arts. 317 a 318 do Código de Processo Penal brasileiro. Essa denominada prisão cautelar domiciliar é distinta da medida cautelar domiciliar pois é concedida em substituição à prisão preventiva em virtude de situações pessoais do preso não possibilitando ao indivíduo ausentar-se de sua residência sem autorização judicial. Ademais, é distinta da pena privativa de liberdade no regime aberto (regime aberto domiciliar conforme Art. 117 da Lei 7.210/84), haja vista que nesta hipótese não há sentença condenatória com trânsito em julgado. A prisão domiciliar consiste no efetivo recolhimento do preso em sua residência, não podendo dela se ausentar sem a devida autorização do juízo competente. Conforme Art. 318 do Código de Processo Penal, a prisão domiciliar será concedida ao preso que teve a prisão preventiva decretada quando: for maior de 80 (oitenta) anos; se estiver extremamente debilitado por motivo de alguma doença grave (exemplo SIDA); quando o indivíduo for indispensável para os cuidados especiais de menor de seis anos de idade ou portador de deficiência física ou mental; bem como, no caso de gestante a partir do 7º (sétimo) mês de gestação ou sendo esta de alto risco. Conforme Art. 318, parágrafo único, do Código de Processo Penal, para decretação da prisão cautelar domiciliar o juiz exigirá prova idônea para a demonstração das situaçãos factuais supramencionadas (por exemplo a prova documental). É importante salientar que a prisão cautelar domiciliar não se confunde com a PRISÃO

ESPECIAL, prevista no Art. 295 do Código de Processo Penal brasileiro, direcionada a algumas pessoas, haja vista que a prisão especial, prevista no dispositivo supramencionado consiste exclusivamente no recolhimento em local distinto da prisão comum (vide Art. 295 1º do Código de Processo Penal brasileiro). MEDIDA CAUTELAR DE SUSPENSÃO OU PROIBIÇÃO DA HABILITAÇÃO OU PERMISSÃO PARA DIRIGIR VEÍCULO AUTOMOTOR O Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/1997) no Art. 294 regulamentou a suspensão ou proibição da habilitação ou permissão para dirigir veículo automotor. Trata-se de medida cautelar aplicável aos crimes de trânsito (Arts. 302 a 312 do CTB). Trata-se, portanto, de decisão cautelar que pode ser decretada em qualquer fase da investigação ou da ação penal, havendo necessidade para garantia da ordem pública. O objetivo dessa medida cautelar será impedir que o condutor de veículo automotor, investigado, indiciado ou acusado, continue a provocar danos ou a colocar em risco a incolumidade no trânsito. QUESTÕES DIVERSAS Existem questões não diretamente relacionadas ao tema das medidas cautelares, mas, contudo, importantíssimas, pois relacionadas ao tema das prisões cautelares no âmbito do Direito Processual Penal. USO DE ALGEMAS O uso de Algemas não está previsto ou regulado expressamente no Código de Processo Penal. Na verdade, o Código só faz referência ao emprego de algemas no Art. 474 3º, no que tange ao procedimento especial do Tribunal do Júri, destinado ao julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Ademais, o Art 199 da Lei 7.210 de 11 de julho de 1984, determina que o emprego de algemas será disciplinado por decreto federal. No entanto, tal decreto não existe e no momento não há regulamentação legal ou administrativa na utilização dos denominados "ferros", algemas ou grilhões. No Brasil o Art. 180 do Código de Processo Criminal do Império de 1832, regulamentava a temática.

Nesse sentido o Art. 28 do Decreto nº 4.824, de 22 de novembro de 1871, regulamentava a sanção para o funcionário que conduzisse o preso com ferros, algemas ou cordas, salvo nos casos necessários. Atualmente o Código de Processo Penal Militar (vide Decreto-lei 1.002/1969) prevê a regulamentação das algemas no Art. 234. O Código de Processo Penal prevê, no Art. 284, a respeito do emprego de força. Ademais, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 11 que determina expressamente que: "Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado". Sobre esse tema recomenda-se a leitura do Habeas Corpus 91.952-9/SP, de relatoria do Ministro MARCO AURÉLIO. Quiz 1 A respeito das medidas cautelares aponte a assertiva correta: As medidas cautelares são inconstitucionais, pois violam o princípio do Estado de inocência. A monitoração eletrônica é vedada, pois viola a dignidade da pessoa humana. As medidas cautelares diversas da prisão só tem cabimento para infrações penais de menor potencial ofensivo. Todas as alternativas anteriores estão incorretas. 2 Aponte a assertiva que não representa uma medida cautelar diversa da prisão

provisória: Prisão especial. Prisão cautelar domiciliar. Proibição de se ausentar da comarca. Recolhimento domiciliar no período noturno. Referências BADARÓ, Gustavo Henrique Righi Ivahy. Processo Penal. 2.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. BONFIM, Edilson Mougenot. Curso de processo penal. 7.ed. São Paulo: Saraiva, 2012. LOPES, Aury. Direito Processual Penal. 9.ed. São Paulo: Saraiva, 2012. MIRABETE, Julio Fabbrini. Processo Penal. 18.ed. Atlas, 2008. MIRABETE, Julio Fabbrini. Execução Penal: comentários à lei nº 7.210, de 11-7-1984. 12.ed. São Paulo, Atlas, 2014. NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal comentado. 14.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de processo penal e execução penal. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013. PIERANGELLI, José Henrique. Códigos penais do Brasil: evolução histórica. Bauru, São Paulo: Jalovi, 1980. REIS, Alexandre Cebrian Araújo. Direito Processual Penal esquematizado. 3.ed. São Paulo: Saraiva, 2014.