projecto de postos de transformação



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Transcrição:

RTIGO TÉCNICO 127 Henrique Ribeiro da Silva Dep. de Engenharia Electrotécnica (DEE) do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) projecto de postos de transformação {1.ª Parte Postos éreos} Os postos de transformação são instalações eléctricas muito frequentes e que podem assumir características muito diversificadas, havendo, por isso, variações muito sensíveis ao nível do projecto. 1 INTRODUÇÃO O conjunto das centrais de produção de energia eléctrica, das redes de transporte e distribuição, aéreas e subterrâneas, e das instalações de transformação constitui uma complexa estrutura a que se dá o nome de Sistema Eléctrico Nacional. Figura 1. Sistema Eléctrico Nacional. Por razões de ordem económica e de segurança, este sistema obriga a ter vários níveis de tensão, escolhidos entre os normalizados pelas instituições internacionais (Tabela 1). Entre estes, dois há que são particularmente importantes no âmbito Europeu: o nível dos 400, na lta, valor preferencial para a interligação das diversas redes nacionais, e os 400 V, no domínio da Baixa, para propiciar a utilização universal dos aparelhos electrodomésticos (de referir que o Reino Unido já adoptou a tensão nominal 230/400 V, no sentido da harmonização europeia, substituindo o antigo valor de 240/415 V). Nominal 220/380 230/400 240/415 660 00 000 (15000) 20000 35000 (45000) 66000 1000 132000 (150000) 220000 380000 400000 (V) Tabela 1. Níveis de. Mais elevada 12000 17500 24000 40500 (52000) 72500 123000 145000 (170000) 245000 400000 420000 00000 1200000 Classes 1ª 2ª 3ª Regulamentar Baixa Designação Habitual Baixa Média (Distribuição) lta (Repartição) Muito lta (Transporte) obtenção dos vários níveis de tensão necessários à boa condução do sistema eléctrico é realizada em instalações de transformação usando máquinas estáticas chamadas transformadores. lta Ultra lta

RTIGO TÉCNICO 128 De acordo com a nossa legislação, essas instalações de transformação dividemse em subestações e postos de transformação, dependendo da utilização que se dá à corrente secundária dos transformadores (noutros países não se faz esta discriminação: assim, em França, todas as instalações de transformação são postos de transformação, e, no Brasil, por exemplo, todas as instalações que realizam a alteração dos níveis de tensão são subestações). O Regulamento de Segurança de Subestações, Postos de Transformação e de Seccionamento (RSSPTS) no seu artº 6º define Posto de Transformação do seguinte modo: Instalação de alta tensão destinada à transformação da corrente eléctrica por um ou mais transformadores estáticos, quando a corrente secundária de todos os transformadores for utilizada directamente nos receptores, podendo incluir condensadores para compensação do factor de potência. De notar que a partir da definição não é necessário que a tensão secundária caia no domínio da BT, mas sim que essa corrente alimente directamente os receptores; pensese, nomeadamente, em motores de elevada potência alimentados normalmente a 6. Mas a situação comum é a da transformação média tensão/baixa tensão, em particular, no nosso país, 15/0,4, principalmente, mas também, 30, 6,6, 6 e 5/0,4. O equipamento fundamental de um posto de transformação (PT) é obviamente o transformador, mas, como instalação envolvendo elevados níveis de tensão e energia, necessita naturalmente de um conjunto adicional de aparelhagem tendente a realizar as funções obrigatórias de comando, seccionamento, contagem e protecção quer de pessoas e animais, quer dos próprios equipamentos e outros bens. Os postos de transformação são inseridos nas redes próximos dos centros de consumo, em diferentes áreas geográficas e com exigências diversas: zonas rurais, semiurbanas e urbanas, zonas industriais, loteamentos e urbanizações, zonas de baixa, média ou elevada densidade de carga, com média ou elevada exigência de qualidade de serviço, de domínio público ou privado, etc. Desta variedade de condicionantes resulta uma gama correspondente de soluções possíveis para a arquitectura dos postos de transformação. ssim, adequando as instalações às diversas situações encontradas, é possível classificar os postos de transformação quanto: à instalação ao modo de alimentação ao serviço prestado ao modo de exploração Quanto à instalação, os PTs podem ser: 1. de interior _ em edifício próprio _ em edifício para outros usos 2. de exterior, ou à intempérie Quanto ao modo de alimentação, serão dos tipos: 1. radial 2. em anel aberto 3. com dupla derivação Quanto ao tipo de serviço prestado, dividemse em: 1. públicos 2. privados Quanto ao modo de exploração, poderão ser de condução: 1. manual 2. automática 2 POSTOS DE TRNSFORMÇÃO NORMLIZDOS Para simplificar o projecto de PTs, decorrente da grande diversidade de soluções possíveis, a DirecçãoGeral de Energia, hoje DirecçãoGeral de Energia e Geologia, DGEG, normalizou, sob a forma de Projectostipo, uma série de esquemas destas instalações que contêm toda a especificação relativa a equipamentos, aparelhagens e seus dimensionamentos, normas e outros requisitos. ssim, encontramse padronizados os seguintes tipos: 1. Postos de exterior, aéreos, montados em postes, PT: a. b. S c. I I. I1 II. I2 2. Postos de interior, instalados em cabine alta, PTC a. C1 e C1 (variante) b. C2 3. Postos de interior, instalados em cabine baixa, PTCB a. CBU b. CBL No que se segue fazse um resumo dos aspectos essenciais destes postos como definidos nos citados projectostipo da DGEG. Os projectistas e demais interessados num conhecimento mais exaustivo das características destes PTs são aconselhados a consultar os referidos documentos. 3 POSTOS DE TRNSFORMÇÃO ÉREOS (PT) Estes postos, montados em postes normalizados de betão, são identificados pelo modo como é feita a sua ligação à rede aérea de Média. No caso de ligação directa estaremos na presença de um PT do tipo ; se se fizer através de seccionador, teremos um tipo S e se essa ligação for estabelecida mediante interruptorseccionador será um PT I. Figura 2. PT aéreo do tipo I, com saída também aérea do lado da BT.

RTIGO TÉCNICO 129 Figura 3. Esquemas de princípio dos PTs tipos e S. Protecção Interruptorseccionador Tipo de PT Seccionador contra sobretensões x S x x I x x Tabela 2. Equipamento de T dos postos aéreos de transformação. nominal da rede estipulada do equipamento Um (valor eficaz) estipulada suportável ao choque atmosférico (valor de crista) À terra entre pólos e entre terminais do aparelho de conexão aberto Sobre a distância de seccionamento estipulada suportável à frequência industrial durante 1 minuto (valor eficaz) À terra entre pólos e entre terminais do aparelho de conexão aberto Sobre a distância de seccionamento 6 7,2 60 70 20 23 12 75 85 28 32 15 17,5 95 1 38 45 30 36 170 195 70 80 Tabela 3. Níveis de isolamento estipulados do equipamento de T. Seccionadores e interruptores estipulada Corrente estipulada de curta duração (3 s) k Valor de pico da corrente admissível estipulada k Valor mínimo da corrente estipulada em serviço contínuo (valor eficaz) 12 16 40 200 17,5 12,5 31,5 200 36 8 20 200 Tabela 4. Características estipuladas para os seccionadores (NP2830). Figura 4. Esquemas eléctricos dos PTs e S.

RTIGO TÉCNICO 131 estipulada Corrente estipulada em serviço contínuo Seccionadores e interruptores Corrente Poder de fecho estipulada de estipulado em curta duração curtocircuito (3 s) k k Poder de corte estipulado do transformador em vazio Poder de corte estipulado do cabo em vazio Quadro Eléctrico 12 /16 25/40 17,5 /12,5 25/31,5 24 25 25 36 25 40 Tabela 5. Características estipuladas para interruptoresseccionadores (NP2868/1). Figura 6. Esquema eléctrico do quadro de BT dos postos e S. Figura 5. Seccionador e Interruptorseccionador. Outras características a observar: O poder de fecho do interruptorseccionador deve ser adequado à potência de curtocircuito da rede de T previsível no ponto de instalação do PT. Este valor deve ser fornecido pela Empresa de Distribuição. O interruptorseccionador deve garantir um poder de corte nominal mínimo de cargas principalmente activas de 31,5. Figura 7. Colocação do QBT. Tipo de PT Protecção contra sobretensões Páraraios do tipo autoválvulas Poder de descarga nominal Disruptores de hastes k (em substituição das autoválvulas) Nível ceráunico normal Nível ceráunico elevado 5 Sim, se a) S 5 Sim, se a) I 5 Sim, se a) Tabela 6. Escolha das protecções contra sobretensões. a) Sendo satisfeitas simultaneamente as seguintes condições: 1. a linha de alimentação dispuser de protecções de defeito faseterra rápidas e eficientes, com religação automática; 2. o valor da resistência de terra for inferior a 20 W, nas condições mais desfavoráveis e se o posto não estiver em zonas particularmente expostas a trovoadas; 3. o posto não for implantado em zona frequentada pelo público (vizinhança de escolas, praças públicas, etc.). Figura 8. Disposição da aparelhagem do QBT.

RTIGO TÉCNICO 132 Transformadores Potência dos transformadores a utilizar Tipo de PT 25 50 0 S 25 50 0 I 160 250 Tabela 7. Potência dos transformadores. Características dos transformadores: 1. trifásicos, para montagem exterior 2. devem obedecer às normas NP443, NP2627 3. tensões primárias de 6,, 15 e 30 e secundárias de 230/400 V 4. dotados de comutador em vazio, do lado do primário, para ± 5% Quadro Eléctrico O equipamento de BT deve admitir uma tensão suportável mínima de 8 à frequência industrial durante 1 minuto e de 20 ao choque (onda 1,2/50 ms). O equipamento eléctrico que não satisfaça estes requisitos não deve ter invólucros metálicos e deve ser instalado sobre uma base isolante que garanta esses níveis de isolamento. tensão suportável pela aparelhagem de BT à frequência industrial deve ser superior à tensão de defeito resultante de um curtocircuito à terra por parte da linha de T. Figura 9. Esquema eléctrico do QBT do PTI. Figura. Colocação do QBT na base do poste. U I d = I R d d P = U MT 3 ( R + R ) + X 2 2 N P N Normas NP525, NP526, NP527 Índices de protecção IP 45 IK Chapa galvanizada, espessura mínima 2 mm Materiais Chapa de aço polida, espessura mínima 2 mm Poliéster reforçado com fibra de vidro Tabela 8. Características dos invólucros dos quadros de BT. Em que: U d tensão de defeito I d corrente de defeito à terra do lado da MT R p resistência da terra de protecção R N e X N componentes resistiva e reactiva da terra do neutro da MT Equipamento PT e S PT I Omnipolar, corte visível, 400, Omnipolar, corte visível, 160, PdC mín 2 k, c/ relé tripolar de Disjuntor geral de BT PdC mín 2 k, c/ relé tripolar de máxima e acção diferida CEI 1571 máxima e acção diferida Ou compacto, PdC mín k, omnipolar Fusíveis PC NP3524, tipo gg NP3524, tipo gg Contadores Energia a) a) IP Trifásico de 30 Trifásico de 30 Contactor 25, C4 40/63, C4 Relógio c/ reserva mínima para 12 h b) b) Célula fotoeléctrica b) b) O valor máximo desta corrente de defeito deve ser fornecido pela Empresa Distribuidora. Os valores habituais, atendendo a que na esmagadora maioria dos casos a rede MT é de neutro impedante, são os seguintes: Tipo de linha Corrente de defeito I d érea 300 Subterrânea 00 Tabela 9. Características do equipamento principal do QBT. a) parelhagem a ser fornecida pelo Distribuidor de energia eléctrica b) Em alternativa

RTIGO TÉCNICO 133 Protecção das pessoas contra contactos acidentais Terra de protecção s massas da aparelhagem de T são ligadas entre si e aos pontos de ligação do poste ou postes (I2). ligação do páraraios ao eléctrodo é executada com condutor de cobre nu de 35 mm 2 de secção, o mais directamente possível, evitandose ângulos pronunciados. O QBT, o punho do comando do seccionador ou interruptor e respectivas plataformas de manobra são também ligadas à terra de protecção. Será estabelecida uma ligação equipotencial entre a parte fixa e móvel do seccionador (interruptor), por intermédio de trança flexível de cobre. secção mínima dos condutores, se de cobre, será de 16 mm 2, até ao ligador amovível e de 35 mm 2, a partir deste. Terra de serviço ligação à terra do neutro será feita, pelo menos em duas saídas, no primeiro ou primeiros apoios de cada saída da rede de distribuição se se tratar de rede aérea. Quando o posto servir uma rede subterrânea o eléctrodo ou eléctrodos serão localizados em terreno que ofereça condições aceitáveis à sua implantação e seja suficientemente afastado da terra de protecção para garantir a sua distinção (» 20 m). Eléctrodos Tipo de Eléctrodo Chapas Varetas Tubos Material Superf. Contacto c/ a terra m 2 Espessura mm Plataformas de manobra Na base do poste e assente no respectivo maciço deve ser montada uma plataforma de betão, construída com uma malha de 20x20 mm, feita de arame de 4 mm de diâmetro mínimo (Figura 11). D ext mm L m D transv mm Secção mm 2 Cobre 1 2 ço galvanizado a 1 3 Cobre 15 2 ço revestido de cobre D fios compon. 0,7 b 15 2 ço galvanizado a 15 2 Cobre 2 20 2 ço galvanizado a 2,5 25 2 Perfis ço galvanizado a 3 2 60 Cabos nus Fitas Cobre 1 25 1,8 ço galvanizado a 1 0 1,8 Cobre 1 2 25 ço galvanizado a 1 3 0 Varões ço galvanizado a 1 a) protecção deve ser assegurada por galvanização, imersão a quente, com a espessura de revestimento mínima de 120 µm b) Espessura de revestimento. dmitese que este valor seja reduzido desde que os eléctrodos sejam executados por tecnologia adequada e sujeitos a prévia aprovação da DGEG Tabela. Tipos de eléctrodos. Mm Figura 11. Terra de protecção PT e PTS. Figura 12. Terra de protecção PTI1. 4 CONCLUSÕES Como está descrito nas secções anteriores, mesmo as versões mais simples dos PTs acabam por ter alguma complexidade na medida em que são constituídos por um razoável conjunto de componentes, com diversas variantes. lém disto, o projecto de PTs tem de dar resposta um conjunto de requisitos técnicos e de segurança. Os restantes trabalhos sobre este tema, a publicar nos próximos números da revista, incidirão sobre o projecto dos restantes tipos de PTs normalizados.