RETA FINAL DEFENSORIAS MÓDULO II Disciplina: Prática de Processo Penal Prof. Procópio Dias Data: MATERIAL DO PROFESSOR Aula Prática de Processo Penal IP principais questões Instauração Indiciamento Identificação Criminal Acesso Prisão no âmbito do IP Prazo Arquivamento Valor Probatório A adolescente CSP, de 13 anos de idade, comunicou à sua genitora, uma policial militar, que constantemente vinha sendo assediada por seu vizinho, Paulo Paquera, o qual a convidava para saírem. Esta orientou a filha a telefonar para Paulo e marcar o encontro, dizendo-lhe que não se preocupasse, pois iria segui-los para dar o flagrante. No dia 12 de março de 2009, a adolescente ligou para Paulo e marcou o encontro para o mesmo dia. Em seguida, comunicou à sua mãe o local e horário acertados. Esta se dirigiu à delegacia e relatou o fato ao delegado plantonista. Juntamente com dois investigadores, em carro descaracterizado, passou a seguir os passos da filha. Na hora e local acertados, lá estava Paulo Paquera e a adolescente não hesitou em convidá-lo para ir ao motel X. Assim, entrou no carro de Paulo e se dirigiram ao motel. Chegando no local escolhido, depois de cinco minutos, a genitora da adolescente, juntamente com os investigadores, arrombaram a porta do apartamento, encontrando o casal desnudo na cama, trocando carícias, fazendo a prisão de Paulo em flagrante. Conduzido à delegacia, Paulo foi autuado em flagrante delito, por tentativa de estupro de vulnerável. Remetida a peça flagrancial à autoridade judiciária de plantão, o flagrante foi considerado em ordem. Como Defensor Público, formule a peça processual adequada, sabendo que ele demonstra documentalmente residência e trabalho e já foi condenado por furto, pendente recurso. Peça: B- Paulo Paquera Papel: Autor do fato; Crime: tentativa de estupro de vulnerável art. 217-A, CP; Pedido: Relaxamento o flagrante (súmula 145 STF); + Pedido de liberdade provisória Dirigido ao juiz Ou HC para o TJ pedindo o trancamento do IP c/c soltura; Tese: S. 145, STF; Ilegalidade do flagrante; Crime impossível; Ausência do requisito da Prisão Provisória
EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE INQUÉRITO POLICIAL N PAULO PAQUERA, já qualificado nos autos do Inquérito Policial em epígrafe, pelo Defensor Público que a esta subscreve, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência requerer RELAXAMENTO DE FLAGRANTE, C/C PEDIDO DE LIBERDADE PROVISÓRIA, com fundamento no artigo 5, LXV e LXVI, da CF, pelas razões de fato e direito que a seguir articula. DOS FATOS O requerente foi autuado em suposta situação flagrancial, pois no dia tal, a tantas horas, teria se dirigido ao motel tal, na companhia da adolescente CSP, com o objetivo de com ela ter conjunção carnal, sendo apanhado na iminência de consumar o ato criminoso, já que a adolescente contava, à época, 13 anos de idade. Da leitura do inquérito, percebe-se que o requerente foi induzido a levar a adolescente ao motel, tendo sido seguido pela genitora da adolescente, estando esta na companhia de dois investigadores de polícia. Quando o requerente já tivera tempo de se desnudar, estas pessoas lhe deram voz de prisão em flagrante e lhe conduziram a delegacia, onde foi autuado por tentativa de estupro de vulnerável. DO DIREITO DA ILEGALIDADE DA PRISÃO O artigo 302, do CPP, estabelece que está em flagrante quem é pego cometendo a infração, quem acaba de cometê-la, quem é perseguido logo após a prática do crime e pego em circunstancia que faça presumir ser ele o autor, ou mesmo, quem é encontrado com armas, papeis, objetos, instrumentos, que os vincule ao fato criminoso. Além disso, a Súmula 145 do STF, tratando da temática do flagrante preparado dispõe o seguinte: Quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a consumação do delito, não há crime. No caso dos autos, não se pode reconhecer situação flagrancial, justamente porque a situação foi preparada para que o requerente pudesse estar no motel e, em tese, praticar ato executório de estupro de vulnerável. Além do mais, mesmo estes atos executórios são bastante duvidosos, dado a aquiescência da suposta vítima e a pronta intervenção da polícia. Logo, a prisão se afigura ilegal. DA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DA PRISÃO PREVENTIVA A prisão, no caso concreto, além de ilegal é desnecessária. O requerente junta, neste pedido, comprovação efetiva de residência e de ocupação lícita. Além disto, é primário e esta circunstancia não pode ser abalada pelo feito que consta em sua folha de antecedentes, vez que pendente de recurso. No caso em tela, demonstradamente ausentes os requisitos da prisão preventiva, é caso de conceder liberdade provisória. Não se argumente que a inafiançabilidade que grava os crimes hediondos seria obstáculo/óbice à concessão do benefício. A Lei 11464/07, quando alterou a Lei 8072/90, retirou a impossibilidade de concessão de liberdade provisória, que de todo destoava do ordenamento constitucional, que veda a prisão obrigatória pela gravidade do crime. Dizer que em todo crime hediondo é, aprioristicamente, vedada a liberdade provisória impinge maus tratos ao princípio da presunção de inocência.
DO PEDIDO Diante do exposto, requer seja relaxada a prisão em flagrante. Se Vossa Excelência entender de forma diversa, requer seja concedida ao requerente a liberdade provisória, expedindo-se em qualquer dos casos o competente alvará de soltura. Local/data Defensor Público do Estado de Ação Penal Ação penal nos crimes materiais contra a ordem tributária Ação penal nos crimes contra a honra de Funcionário Público no exercício das suas funções Procedimento Análise das diferenças peças processuais, à luz do procedimento ordinário. Recebimento/ Rejeição da denúncia vias de impugnação Citação problemas Resposta à acusação formato da peça processual Paulo, caminhoneiro com condenação por roubo, sem trânsito em julgado, foi denunciado e está sendo processado como incurso nas penas do art. 129 1º., I do CP. Teria supostamente agredido Mário, um policial rodoviário federal, que lhe havia multado. Em seu interrogatório policial, Paulo alega que agiu em legítima defesa, pois a vítima não teria gostado da forma como Paulo reagiu no dia em que foi multado e já partiu para a agressão. Mário aponta como testemunhas Maria e Márcia, que viram os fatos e ouvidas no inquérito policial, ratificaram a sua versão. A denúncia foi recebida pelo MM. Juiz de Direito da 3ª, Vara Criminal de São Paulo. O MP não se manifestou nos termos do art. 89 da Lei 9099/95. Passados 57 dias do fato supostamente criminoso o acusado permanece preso em flagrante e acaba de ser citado. Ainda não vieram aos autos o laudo de exame de corpo de delito e a perícia complementar sequer foi realizada. Como advogado de Paulo, elabore a peça processual adequada. Beneficiário: Paulo Papel: Autor do fato Crime: art. 129, 1, I, CP lesão corporal de natureza grave. Ação penal: pública incondicionada Pena em abstrato: 1 a 5 anos (crime passível se suspensão condicional do processo) Não tem pena concretizada Rito: ordinário Momento processual: réu citado. Peça: Resposta à acusação Competência: MM. Juiz de Direito da 3ª, Vara Criminal de São Paulo Teses: - Preliminarmente: incompetência absoluta do juízo e falta de manifestação do MP; - Legítima defesa: interrogatório do indiciado e depoimento testemunhal; Teses subsidiárias:
Pedido: - Desclassificação competência JECRIM - Prisão: Excesso de prazo - Reconhecer a incompetência absoluta do juízo; - Determinar a volta ao MP art. 89. L. 9099/95 Soltura; - Mérito: absolvição sumária art. 397, I, CPP; - Subsidiariamente: desclassificação, laudo intempestivo não foi produzido tempestivamente, logo, remeter ao JECRIM e é necessária a representação. EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DA CAPITAL DO ESTADO DE SÃO PAULO. PROCESSO N PAULO, já qualificado nos autos do processo em epígrafe, pelo Defensor Público que a esta subscreve, vem respeitosamente a presença de Vossas Excelência apresentar RESPOSTA A ACUSAÇÃO, nos termos e prazo do artigo 396-A, do CPP, pelas razões de fato e de Direito a seguir articuladas. DOS FATOS (Narrar os fatos processuais) DAS PRELIMINARES Este meritíssimo juízo é absolutamente incompetente para o processo e julgamento dos fatos trazidos na exordial acusatória. Isto deriva do quanto disposto no artigo 109, IV, da CF, que estabelece competir à Justiça Federal o processo e julgamento dos crimes praticados em detrimento do bem, interesse ou serviço da União, Entidade Autárquica ou Empresa Pública Federal. A jurisprudência brasileira é assente e tranquila no sentido de que se o fato criminoso é praticado em face de funcionário público federal no exercício das suas funções, a competência será da Justiça Federal. Do exposto, cumpre a Vossa excelência determinar a remessa imediata dos autos, para distribuição no âmbito da Justiça Federal, não sem antes revogar a custódia cautelar do acusado, que vem sendo mantida já a 57 dias por juízo incompetente.
Se Vossa Excelência entender de forma diversa, é de se observar que o Ministério Público não se manifestou a respeito da possibilidade ou não de se conceder ao acusado a suspensão condicional do processo, prevista no artigo 89, L. 9099/95. Neste diapasão, cumprirá a Vossa Excelência determinar a torna dos autos ao parquet para se manifestar expressamente sobre a questão. Neste prisma, evidente o atraso não imputável à defesa, cumprirá também relaxar, desde logo, a custódia cautelar. MÉRITO O acusado merece ser absolvido sumariamente, pois agiu em legítima defesa própria. Ouvido pela autoridade policial, teve a oportunidade de esclarecer que o policial rodoviário Mário foi quem iniciou as agressões contra o acusado, que agiu para se defender. Deste depoimento, não discrepam as versões de Márcia e Maria, uníssonas no sentido de que foi a suposta vítima quem partiu para cima do acusado. Como é cediço, age em legítima defesa quem repele uma agressão injusta, utilizando-se moderadamente dos meios necessários para a repulsa. Dos elementos informativos coligidos no Inquérito Policial deflui claramente a legítima defesa, que pode ser, desde logo, reconhecida por Vossa excelência. SUBSIDIARIAMENTE Ainda não veio aos autos sequer a prova da materialidade delitiva. A notícia que há é que foi produzido exame de corpo de delito, mas este ainda não foi juntado ao processo. Independentemente disso, para a capitulação jurídica feita na denúncia, era fundamental, na forma do art. 168, 2, CPP, a realização tempestiva do exame complementar. Isto não foi feito, apesar de a vítima estar amplamente acessível para tanto, vez que funcionário público. Desta forma, desde logo se vislumbra a inviabilidade da acusação, tal como proposta pelo Ministério Público. Não logrará o Ministério Público demonstrar, na forma da lei, a gravidade das lesões. Do exposto, cumpre reconhecer desde logo nova classificação jurídica do fato, no artigo 129, caput, do CP, o que tem as seguintes consequências: 1. A lesão corporal de natureza leve depende de representação (artigo 88, L. 9099/95); 2. Competente para julgar esse fato, dada a sua pena máxima em abstrato que não excede 2 anos é o Juizado Especial Federal. Cumpre, portanto, desclassificar a imputação, remetendo-se os autos ao juízo competente. DA CUSTÓDIA CAUTELAR Em face de todo o articulado, o processo possui uma série de vícios formais que impedirão sua regularização em prazo razoável. Pondere-se que o acusado encontra-se preso já a 57 dias e o lapso máximo para esta fase do feito já de a muito se encontra excedido. Além disso, não há demonstração da necessidade da prisão, à luz do quanto disposto nos artigos 311 e 312, do CPP. DO PEDIDO À luz da argumentação expendida, postula-se o reconhecimento da incompetência desse juízo ou a torna dos autos ao Ministério Público, para falar sobre o artigo 89, L. 9099/95, relaxando-se a custódia cautelar. Se Vossa Excelência entender de forma diversa, requer seja o acusado absolvido sumariamente, na forma do artigo 397, I, do CPP. Subsidiariamente, postula-se a desclassificação da imputação, com a remessa ao juízo competente. Requer a juntada dos anexos documentos, comprobatórios de residência fixa e ocupação lícita e arrola-se, como testemunhas, Márcia e Maria com qualificação e endereços já nos autos, folhas tais. Local/data Defensor Público do Estado