Datafolha, propaganda e eleitores nos estados



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Transcrição:

Datafolha, propaganda e eleitores nos estados 23 de agosto de 2010

1. Vitória de Dilma no 1º turno Bastou uma semana de horário eleitoral gratuito em rádio e televisão ao lado do presidente Lula para Dilma Rousseff (PT) aumentar sua vantagem sobre José Serra (PSDB) de 8 para 17 pontos, segundo o Datafolha, com percentual superior ao do tucano em todas as regiões do Brasil. Isso significa 54% dos votos válidos, o que garantiria à candidata petista vitória no primeiro turno se a eleição fosse hoje. Há nove meses, a diferença entre os dois era inversa. Faltam 41 dias para a eleição. Vale ressaltar que esses números são do instituto Datafolha, que sempre resistiu a apresentar o crescimento de Dilma em suas pesquisas. Ou seja: a CNT/Sensus a ser divulgada amanhã deve apresentar uma diferença ainda maior, devido ao clássico delay do Datafolha e aos dias a mais de exposição na TV de Dilma com o presidente que tem 77% de aprovação popular. Dez dias antes, o Vox Populi já apresentava Dilma com 54% dos votos válidos, como o Datafolha fez neste sábado. A velocidade do crescimento da petista surpreendeu o PSDB. Mas obviamente a propaganda eleitoral na TV não é a única responsável pela consolidação da liderança de Dilma, mas é o mais forte instrumento para levar à maior parte da população a informação de que ela é a candidata de Lula. Essa associação ganhou forte impulso com a repercussão das entrevistas do Jornal Nacional (audiência de 36 milhões de eleitores, segundo o Ibope). Outros telejornais também dedicam cada vez mais espaço aos presidenciáveis. A política finalmente está virando tema de conversa popular nas ruas. Com a TV, foram atingidos segmentos da população que até então se encontravam distantes do processo eleitoral. Pesquisa Datafolha feita há um mês

mostrou que 88% dos eleitores se informam sobre os candidatos através da televisão. A segunda mídia mais acessada para este fim são os jornais, só que com uma participação bem menor 54%. Entre os habitantes do Nordeste de baixa renda, segmento em que Dilma mais cresceu, os que se informam exclusivamente pela TV são 71%. A taxa de indecisos na região caiu cinco pontos, igualando-se à média nacional. Dilma também ampliou sua vantagem na simulação de segundo turno, de 8% para 14%. No levantamento espontâneo, ela subiu cinco pontos e agora tem 31%, contra 17% de Serra e 5% de Marina. Dilma conta ainda com 1% que ainda afirma que vai votar no presidente Lula, que não pode concorrer. Em relação à rejeição, Serra tem 27%, Dilma tem 20% e Marina 16%. Os novos resultados do Datafolha aumentaram também a pressão para que Serra mude sua estratégia e passe a criticar Lula, mas o tucano resiste à ideia. A favela virtual apresentada em seu programa de TV também recebeu fortes críticas, e já foi retirada. Mas o jingle continua falando no Zé que vem depois do Lula da Silva. Como se fosse continuidade. Lula até aparece na propaganda de Serra, o que provocou protestos do PT e tentativa de ação na Justiça. Os aliados de Serra agora avaliam que o quadro mudou e, para reverter a desvantagem, é preciso apresentar-se como oposição de forma mais contundente. Ainda há 8% de eleitores indecisos e 4% que dizem pretender votar nulo ou em branco, segundo o Datafolha. Quanto ao grau de decisão sobre a escolha do candidato, 74% se dizem totalmente decididos sobre o voto. A expectativa de vitória da petista também disparou. Há uma semana, antes do início do horário eleitoral, 49% achavam que Dilma seria eleita presidente. Agora, 57% acreditam na vitória da ex-ministra de Lula.

Os coordenadores da campanha de Serra garantem que o tom da campanha tucana não muda pelo menos até o feriado de 7 de setembro. No entanto, na propaganda eleitoral de 21 de agosto, já houve uma postura mais agressiva na TV. Ao final do programa, um locutor dizia que o Brasil perfeito que aparecia nos programas da candidata do PT não correspondia à realidade. O Datafolha confirma que a propaganda eleitoral gratuita de Dilma foi mais bem recebida pela população: 49% disseram que a propaganda da petista é a melhor, contra 27% que preferem a de Serra e 8% que citaram a propaganda de Marina. Além disso, a propaganda de Dilma é lembrada por 29%, contra 25% que lembram a de Serra. Quando separada por regiões, a pesquisa Datafolha também é muito favorável à petista. Dilma tem 60% dos votos no Nordeste, contra 22% de Serra e 5% de Marina. A candidata de Lula também tem larga vantagem nas regiões Norte e Centro-Oeste: 50%, contra 27% de Serra e 12% de Marina. No Sudeste, Dilma é favorita com 42%, contra 33% do tucano e 10% da verde. Na região Sul há um empate técnico, com Dilma na frente: 40%, contra 38% de Serra e 10% de Marina. Dilma cresceu em praticamente todas as classes sociais. Mas a ascensão é mais expressiva no Nordeste (11 pontos percentuais), entre as mulheres (8 pontos), entre os mais jovens (9 pontos), entre os menos escolarizados (9 pontos) e entre os que têm de 45 a 59 anos (12 pontos). Desta vez o Datafolha não perguntou Quem é o candidato apoiado pelo presidente Lula. Mas pelo menos fez um cruzamento entre conhecimento do partido dos candidatos com intenção de voto. Percebe-se ali que 75% dos eleitores de Dilma e 75% dos eleitores de Marina sabem que Dilma é do PT ou do partido de Lula. Entre os eleitores de Serra, esse índice cai para 60%. Mais um sinal que ainda há muitos votos de Serra que podem migrar para Dilma. Em relação à diferenças dos resultados do Datafolha na comparação com os demais institutos, elas não devem mais ser tão discrepantes quanto já foram justamente devido à disseminação da informação sobre ligação Dilma-Lula, que não chegava suficientemente ao eleitor rural e ao sem telefone, devido à metodologia aplicada pelo Datafolha. O crescimento constante e agora acelerado de Dilma só será revertido no caso de algum grande imprevisto, como todos os analistas têm por hábito de ressaltar. Por enquanto, nada no horizonte parece ter tamanho poder. Por isso, sem perder de vista a eleição presidencial, o PT já começa a concentrar esforços para garantir a vitória nos estados, nas eleições dos governadores. E tem conseguido, como se verifica abaixo.

2. Em 2011, mais governadores aliados de Dilma Da mesma forma que o Senado nos próximos quatro anos deve ser mais favorável a um governo de Dilma Rousseff (PT) que a um de José Serra (PSDB), a balança dos futuros governos estaduais também pesa mais favoravelmente para o lado da candidata petista. Uma análise das mais recentes pesquisas divulgadas (pelos mais diversos institutos) revela que aliados da petista tendem a vencer em 17 das 27 unidades da Federação, arrebanhando 53% dos votos em todo o Brasil.

Em pelo menos cinco estados (Alagoas, Amazonas, Ceará, Mato Grosso e Paraíba), os dois candidatos a governador que brigam pelo segundo turno são ambos aliados do PT. Mais do que ampliar os palanques para a campanha, o apoio dos candidatos a governador significa para o presidente eleito mais tranquilidade na gestão nacional e população mais propensa ao apoio. Se as atuais intenções de voto em todas as unidades da Federação forem separados em dois grupos, os candidatos a governador aliados de Dilma reúnem 53% dos eleitores brasileiros. Há casos em que o político, pessoalmente, não segue orientação de seu partido. Exemplo forte é Fernando Collor, do PTB, em Alagoas, cujo jingle de campanha explicita: É Lula apoiando Collor/ e Collor apoiando Dilma. No Maranhão, acontece o contrário: Jackson Lago, do PDT, apoia Serra. No Mato Grosso do Sul, o líder nas pesquisas com 52%, André Puccinelli, apoia Serra apesar de ser filiado ao PMDB. Outros candidatos peemedebistas que apoiam o tucano são Jarbas Vasconcelos, em Pernambuco, e José Fogaça, no Rio Grande do Sul. Em quatro dos cinco estados com maior densidade eleitoral, os candidatos a presidente lideram o mais recente Datafolha (9 a 12 de agosto) da mesma forma que seus aliados lideram as últimas pesquisas. A exceção é o Rio Grande do Sul, onde Serra ainda estava à frente. Mas parece uma questão de (pouco) tempo: no Datafolha divulgado em 21 de agosto, ainda sem o recorte dos eleitores gaúchos, Dilma já tem 40% na Região Sul, contra 38% de Serra. São Paulo: Serra 41%, Dilma 34%. Alckmin 54%, Mercadante 16%. Minas Gerais: Dilma 41%, Serra 34%. Hélio Costa 39%, Anastasia 27%. Rio de Janeiro: Dilma 41%, Serra 25%. Cabral 57%, Gabeira 14%. Bahia: Dilma 48%, Serra 26%. Jaques Wagner 45%, Paulo Souto 23%. Rio Grande do Sul: Serra 43%, Dilma 35%. Tarso 38%, Fogaça 29%