PRESIDÊNCIA. Declaração



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Transcrição:

Declaração Os órgãos de comunicação social do passado fim-de-semana falavam num memorando de informação facultado aos interessados na privatização da ANA Aeroportos de Portugal, que tiveram de entregar as propostas não vinculativas com ofertas preliminares até ao passado dia 24 de outubro. Segundo o documento, consultado por cerca de quatro dezenas de interessados, a construção de um pequeno aeroporto complementar em Lisboa (Portela +1) vocacionado para as low cost foi adiado, pelo menos, para 2022. A opção de avançar ou não fica nas mãos do novo dono da empresa gestora aeroportuária nacional. No memorando, o Governo explica que foram desenvolvidos planos de expansão da Portela em três fases. A primeira está planeada já para 2013, e implica um custo de cerca de sete milhões de euros em pequenas obras. O objectivo é realizar entre 40 a 43 movimentos por hora, e se atinjam os 18 milhões de passageiros por ano. A segunda fase, cujo início está programado para 2018, necessita de um investimento de 47 milhões de euros. E passa pela realização de grandes obras como a construção de um novo terminal e de novos caminhos de circulação e a extensão para Figo Maduro, o que exige a realização de expropriações de terrenos. 1

Para a terceira fase, prevista para 2022, são avançadas três opções, cabendo a escolha ao futuro comprador da ANA. Uma das hipóteses é a realização de mais obras na Portela, alargando a capacidade para 50 movimentos por hora e 23 milhões de passageiros ano. Outro dos cenários seria avançar com um aeroporto complementar à Portela sendo já indicado que o estudo feito por peritos da área, a pedido do Governo, concluiu que a melhor opção seria, nesse caso, é a base militar do Montijo. Não é dado, porém, nenhum valor de investimento, na medida em que, segundo o documento, qualquer estimativa está dependente do tipo de aeroporto e infraestruturas que se desejar. A terceira e última opção dada, no memorando, ao futuro comprador é a construção de um novo aeroporto em Lisboa, na zona do campo de tiro de Alcochete, como estava programado. Uma coisa parece já certa: Com a expansão do aeroporto da Portela Portugal gastará entre 380 a 390 milhões de euros, sem derrapagens. Na Recomendação aprovada pela Câmara Municipal em 16 de Novembro de 2011 referia-se que a opção de construir o novo aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, podia, à partida, contar com um apoio comunitário de 800 milhões de euros, ou seja, 38% do total do custo previsto (2,1 mil milhões de euros), uma contrapartida comunitária que, por certo, afirmávamos, iriamos esbanjar se abdicássemos desta solução. 2

Sabendo como sabemos das dificuldades financeiras do país, defendemos na Recomendação do dia 16 de novembro de 2011 que se fizesse um compasso de espera, de forma a avançar com a anterior solução construção do NAL na zona do Campo de Tiro de Alcochete, quando se entendesse estarem reunidas as condições para tal. O que o governo está a procurar fazer é ensaiar soluções experimentais e não sustentáveis, que implicam, só com a expansão do aeroporto da Portela, um gasto do Estado correspondente (IMAGINE-SE) a 30% do custo do total do Novo Aeroporto de Lisboa, retirando as ajudas comunitárias. Trata-se de um investimento colossal numa solução provisória, sem sentido de futuro, sem visão estratégica nacional, europeia e mundial de desenvolvimento do país. A atual solução do governo não pode ser levada a sério, porque não potencia o desenvolvimento e o ordenamento do território local e regional e o interesse público não recomenda experimentalismos nem gastos de dinheiros públicos com soluções provisórias e experimentais. Para nós, Câmara Municipal de Montijo, continuamos a defender a decisão de 2008, que aponta para a construção do Novo Aeroporto de Lisboa na zona do Campo de tiro de Alcochete. Com a construção do Novo Aeroporto de Lisboa, em Montijo/Benavente, seria possível criar 3

28 mil novos postos de trabalho e assumir um desenvolvimento integrado, do ponto de vista estratégico, funcional e territorial, enquanto placa giratória na aproximação com os vários continentes, assim como plataforma de mobilidade e motor de desenvolvimento da atividade económica e social, numa perspetiva de afirmação, valorização e estruturação do conjunto da Região e do País. Com esta infraestrutura seria possível, como afirmámos em 2011, a construção de um conjunto de novas infraestruturas de reforço das acessibilidades externas que constituiriam, só por si, uma oportunidade para a criação de novas atividades produtivas e logísticas de elevado valor acrescentado e o significativo reforço da internacionalização da economia da região, principalmente num período de austeridade, que recomendaria investimento público seletivo e de qualidade. Não obstante percebermos os atuais constrangimentos financeiros, não podemos deixar de afirmar que, acima de tudo, devemos ter uma visão estratégica de desenvolvimento do país e uma leitura geoestratégica da nossa localização geográfica, que deve ser considerada no contexto da nossa independência e soberania. Só um investimento público do tipo do que estava e está previsto para o Novo Aeroporto de Lisboa poderá potenciar o papel estratégico de Portugal no concerto das nações e também na perspetiva da federação de estados na Europa, bem como no aproveitamento das potencialidades da estratégia 2020, que recomenda a todos os níveis de administração consciência e inteligência para aplicar eficazmente 4

no terreno a referida estratégia, a fim de se conseguir um crescimento económico inteligente, inclusivo e sustentável. Além das considerações de ordem financeira, económica, estratégica e de ordenamento territorial, a posição da Câmara Municipal do Montijo insere-se também numa clara atitude de respeito por centenas de técnicos e políticos que ao longo de 40 anos realizaram ou mandaram realizar análises técnicas e estudos sobre possíveis localizações alternativas para a construção de um novo aeroporto internacional para Lisboa, tendo concluído pela localização e construção desta infraestrutura na zona do Campo de Tiro de Alcochete. É com esta convicção, com a certeza de que o dinheiro público não pode ser gasto em soluções provisórias e experimentais que a Câmara Municipal do Montijo defende a construção de um aeroporto de raiz na zona do Campo de Tiro de Alcochete, nem que para isso tenhamos que aguardar mais algum tempo. Montijo, 31 de outubro de 2012 A Presidente da Câmara Maria Amélia Antunes 5